Ofereceram-me há dias um smartwatch para as
minhas caminhadas ao fim da tarde. Não sei se sou capaz de usar nem se preciso
dele. Dizem-me que é um aparelho de boa qualidade, completo e muito útil, com
muitas funcionalidades. Monitoriza o tempo, passos, calorias consumidas, ritmo
cardíaco, pressão arterial, oxigénio no sangue, distâncias… e tanta outras
coisas que eu dispenso.
Na mesma ocasião uma velhinha veio dizer-me
que o seu neto tinha notado que ela usava o mesmo contador de passos que o
padre. O fitbit de que ele se referia devia ser o terço ou a dezena do Rosário.
De facto, muitas vezes faço a minha caminhada com uma dezena entre os dedos,
não para contar os passos, nem para contar ave-marias, mas para ir de mão dada
com Maria, minha e nossa Mãe do Céu.
O mais importante numa caminhada, como na
vida em geral, não é saber quantos passos damos, quanto tempo demoramos, quão
longe chegamos. O mais importante é que vamos e com quem vamos. É por isso que
faço questão de levar nas mãos, não o contador dos meus passos, mas a lembrança
de quem me acompanha.
Não sei se vem a propósito, mas sempre me
inspirou a recomendação de Jesus no Evangelho – Quando fores apresentar a tua
oferta no templo e te lembrares que o teu irmão não está em paz contigo, deixa
lá a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão, depois volta para
completar a tua oferta (Mt 5, 23-24)
Quantos passos para a reconciliação?!
Sabendo que Jesus falou isto em Cafarnaum. Daí
ao Templo de Jerusalém vão acerca de 144 quilómetros… Isto é, se alguém está em
Jerusalém e se recordar que precisa fazer as pazes com o seu irmão, tem de
fazer 144 quilómetros até à sua casa, reconciliar-se e voltar a fazer outros
144 quilómetros para completar o sacrifício em Jerusalém. Isto mais parece uma
hipérbole… mas é mesmo assim. Quantos passos!
Mais do que a intenção, o resultado ou o
tempo, o que conta para Deus é o esforço, o caminho ou os passos que damos para
realizar os seus sonhos.
É por isso que não uso nenhum contador de
passos nas minhas caminhadas. Prefiro que seja Deus a contá-los… porque só ele
sabe contar e só ele conta para mim.

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