sábado, 7 de fevereiro de 2026

Caminhar chorando

Nas minhas caminhadas ao fim da tarde cruzo-me com pessoas felizes e outras infelizes, com gente alegre e outra triste, com homens sensíveis e outros indiferentes…

Tenho visto muitos sorrisos, mas também muitas lágrimas. À primeira vista pensava que eram lágrimas provocadas pelo vento no rosto ou então gotas de suor por causa do calor ou do esforço, ou pingos da chuva escorrendo pelo rosto… mas os óculos de sol não conseguiam disfarçar tudo.

São lágrimas verdadeiras.

Não sei se essas pessoas caminham chorando ou se choram caminhando.

As lágrimas purificam-nos e levam-nos mais longe.

Não se chega ao céu sem lágrimas.

De facto, a melhor maneira de chorar é a caminhar.

E se Deus é capaz de contar os cabelos da nossa cabeça, com certeza contará também as nossas lágrimas e os nossos passos.

Vem a propósito um texto de Raul Minh’alma:

“Se sentes que precisas, chora, mas chora andando.

Chora olhando em frente.

Chora de cabeça erguida.

Sei que as coisas podem estar difíceis, mas parar não vai melhorá-las, desanimar não vai resolvê-las e desistir não é opção.

Por isso, apanha os cacos e segue.

Embrulha a dor e continua a caminhar.

Chora pelo caminho.

Lá mais à frente, quando a tormenta já tiver ficado para trás, vais agradecer não ter parado e vais perceber, finalmente, que não estás sozinho, que nunca estiveste sozinho e que és mais forte do que pensas.”

Há determinados caminhos que só podem ser enxergados pelos olhos lavados pelas lágrimas ou ampliadas com as lentas das lágrimas.

Nas nossas caminhadas deixamos pegadas na poeira da estrada, deixamos gotas de suor e de canseiras, mas também deixamos rastos de lágrimas e de felicidade.

 

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