Nas minhas caminhadas ao fim da tarde
cruzo-me com pessoas felizes e outras infelizes, com gente alegre e outra
triste, com homens sensíveis e outros indiferentes…
Tenho visto muitos sorrisos, mas também
muitas lágrimas. À primeira vista pensava que eram lágrimas provocadas pelo
vento no rosto ou então gotas de suor por causa do calor ou do esforço, ou pingos
da chuva escorrendo pelo rosto… mas os óculos de sol não conseguiam disfarçar
tudo.
São lágrimas verdadeiras.
Não sei se essas pessoas caminham chorando ou
se choram caminhando.
As lágrimas purificam-nos e levam-nos mais
longe.
Não se chega ao céu sem lágrimas.
De facto, a melhor maneira de chorar é a caminhar.
E se Deus é capaz de contar os cabelos da
nossa cabeça, com certeza contará também as nossas lágrimas e os nossos passos.
Vem a propósito um texto de Raul Minh’alma:
“Se sentes que precisas, chora, mas chora
andando.
Chora olhando em frente.
Chora de cabeça erguida.
Sei que as coisas podem estar difíceis, mas
parar não vai melhorá-las, desanimar não vai resolvê-las e desistir não é
opção.
Por isso, apanha os cacos e segue.
Embrulha a dor e continua a caminhar.
Chora pelo caminho.
Lá mais à frente, quando a tormenta já tiver
ficado para trás, vais agradecer não ter parado e vais perceber, finalmente,
que não estás sozinho, que nunca estiveste sozinho e que és mais forte do que
pensas.”
Há determinados caminhos que só podem ser
enxergados pelos olhos lavados pelas lágrimas ou ampliadas com as lentas das
lágrimas.
Nas nossas caminhadas deixamos pegadas na
poeira da estrada, deixamos gotas de suor e de canseiras, mas também deixamos
rastos de lágrimas e de felicidade.

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