segunda-feira, 16 de maio de 2016

Coroações do Espírito Santo





















Origem
Antigamente era costume coroar os santos, sobretudo os padroeiros de uma comunidade. Era fácil para os que tinham uma imagem do santo, mas era um problema para a Irmandade do Espírito Santo. Como coroar o Patrono? Um rapaz e uma rapariga, escolhidos na comunidade, levavam a coroa real. Naquele dia tinham o direito a lugares de honra nas celebrações, dentro e fora da Igreja, eram incensados e eram levados em procissão até à sua casa: eram eles que simbolizavam com candura o Espírito Santo. Era o reinado do Espírito, da inocência, dos pequeninos.
Daqui surgiu a tradição das coroações enraizadas na religiosidade popular das Ilhas Açorianas.

Coroações
Entrega do Cetro e da Coroa do Divino Espírito Santo de um Império (Irmandade) a um candidato que é assim abençoado…
















Cetro
- Também se chama Beijinho… porque se dá a beijar
- É símbolo da justiça e da misericórdia de Deus.
- É a miniatura do cajado do Pastor que conduz o seu rebanho.
- Tem 3 partes distintas: Em cima a Pomba do Espírito Santo. No meio lembra o Filho que abraçou a cruz. A base ou a parte inferior representa o Pai que tudo criou…
















Coroa
- É símbolo do poder de Deus e da sua realeza – Ele é o Nosso Rei e Senhor.
- Tem um anel que significa a união e a Igreja, um só batismo e uma só fé.
- Tem os 4 braços que se unem no globo encimado pela cruz ou pela Pomba do Espírito Santo. Representa os 4 Evangelhos.





















Estandarte ou Bandeira do Espírito Santo
- Sinal de pertença, propriedade.
- Sinal indicador da direção do vento que tal como o Espírito sopra para onde quer…
- Tem a Pomba do Espírito Santo.
- Tem a forma triangular, Santíssima Trindade e é conhecido como “Triatro”
- Vermelho porque deve lembrar as línguas de Fogo do Pentecostes.





















Oração
- Ao beijar o Cetro reza-se:
        Que eu proclame os louvores do Divino Espírito Santo.
- Toca-se depois com o cetro na testa e diz-se:
       Que Ele ilumine a minha mente e afaste os maus pensamentos.
- Finalmente toca-se com ele o nosso peito dizendo:
        E me dê sentimentos de Paz e de Reconciliação.


sábado, 14 de maio de 2016

Paisagens do Céu (25)













Em forma de pomba

Nestes dias por todos os lugares há festa nestas ilhas.
Não há recanto que não festeje o Divino Espírito Santo com pompa e circunstância.
Não sei se é por sugestão deste ambiente, mas até o Céu parece-me corresponder às figuras mais comuns: o Espírito que paira em forma de pomba.
Partilho o hino multissecular desta solenidade. 
Constatei que não só nos Açores, mas também em muitas terras do Brasil é por excelência o hino do Espírito Santo, igual na letra e na partitura.

Alva Pomba

1. Alva pomba que meiga aparecestes,
Ao Messias no rio Jordão,
Estendei vossas asas celestes
Sobre os povos do orbe cristão.

Coro
Vinde, oh! Vinde, entre nuvens de glória.
Entre os anjos e bênçãos de amor,
Entre os cantos de eterna vitória
Que os querubins vos elevam, Senhor.

2. Quem aos pobres seus braços estende,
Quem lhes veste seus ombros tão nus,
Achará que tudo isto só tende
Para a glória e honra da cruz.

3. Ofertai as mais belas oferendas,
Ofertai-as em nome de Deus;
Colhereis lá um dia mil prendas
Quando entrardes no reino dos céus.

4. Semeando vosso ouro entre os pobres
A colheita no céu a fareis!
O triunfo de esforços tão nobres
Só no seio de Deus achareis.

5. Vinde irmãos, vinde todos contritos
Uma esmola de amor ofertar!
É dever consolar os aflitos,
E a fome do pobre matar!

6. Traga rosas e ramos de louro
Quem esmola melhor não tiver;
Assim mesmo oferece um tesouro,
Ganhará o brasão d’esmoler!


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Testemunho (5)
















Aparição ou revelação?

O gelo derrete e revela-se o mistério
ou revela-se o mistério e o gelo desaparece?

É o nosso ardor que nos leva até Deus
ou é Deus que alenta o nosso fervor?

É a Virgem que nos ajuda a acreditar
ou é a nossa fé que nos ajuda a ver a Virgem?


Testemunho (4)























Falai Senhora…

Durante a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, estava o padre a pregar na missa de acolhimento. Três crianças, vestidas a rigor de pastorinhos, conversavam à frente do andor.
- Nossa Senhora é tão bonita. Gosto do seu vestido, gosto do seu manto.
- Sim. É uma senhora bonita. Gosto muito da sua cara linda.
- É pena que uma senhora tão perfeita não possa falar.
- Mas ela fala…
- Não fala nada. Se ela falasse nós escutávamos...
- Ela fala sim, nós é que não ouvimos porque estamos a fazer barulho…



quinta-feira, 12 de maio de 2016

Testemunho (3)

Traços de um retrato

Como era a Senhora da Cova da Iria?
Como devem ser as imagens de Nossa Senhora de Fátima?
Evidentemente que nunca será possível materializar a Visão da Cova da Iria. Ela pertence ao Sobrenatural e a arte só lida com a natureza.

Estatura
Qual a altura da Senhora que apareceu sobre a azinheira? Os videntes calcularam-na várias vezes em 1 metro. Aquele metro na linguagem das crianças, significava muito mais, na verdade. Compararam-na a uma jovem de estatura normal com 14 ou 15 anos de idade, uma jovem que teria portanto cerca de 1,65 cm. Além disso chamavam-na de Senhora, ainda antes de saberem quem era.
Se a imagem da Capelinha é apenas de 1 m, deve-se isso ao facto de ser posterior ao nicho para que foi feita. Quem a mandou esculpir queria-a de tamanho natural, mas teve de a restringir às dimensões do nicho, Ela foi feita para o nicho em vez de o nicho ser feito para ela. Uma imagem historicamente exata deverá ter portanto cerca de 1,65 m que é aliás a altura média da mulher portuguesa.

Vestes de Nossa Senhora
O vestuário da Senhora da Cova da Iria compõe-se apenas de um vestido cingido ao pescoço e na cinta, com algumas pregas e um manto que a cobre da cabeça aos pés. 

Cordão e Bola sobre o peito
Os documentos primitivos falam dum cordão que a Senhora trazia ao pescoço e do qual pendia uma bola. Uma imagem historicamente correta deve ter um cordão de ouro ao pescoço a terminar num globo dourado sobre o peito. É muito importante o significado deste globo – símbolo do mundo – e importante também o lugar que ele ocupa – sobre o coração. Não se deve omitir isso, porque nada é insignificante nas aparições de Fátima.

Enfeites
Porque a tal imagem estrangeira que serviu de modelo tinha enfeites à roda do manto, uma espécie de silva de ouro a toda a volta, mais uma vez se falseou a estátua acrescentando-lhe uma nova superfluidade. Nenhum depoimento fala destas silvas. Um fio de ouro, na orla do manto, era a única enfeite que a Senhora apresentava. Lição de simplicidade e dignidade que importa defender.

Terço
A Virgem trazia um terço branco. Eis outro pormenor em que falham a maioria, para não dizer a totalidade, das estátuas de Fátima. É que o terço não envolvia as mãos. Descia pelo meio delas e pelas costas da mão direita. Ela abria e afastava as mãos sempre que falava. Abriu-as quando revelou o seu Coração Imaculado quando se deu o fenómeno dos feixes de luz e a visão do inferno. Nessa altura, o terço ficava naturalmente na mão direita.

Atitude
A atitude dela era a de quem reza. Talvez fosse por isso que ela se manteve sempre direita. As inclinações da cabeça e do tronco para a frente e para os lados que algumas imagens apresentam são outras invenções detestáveis do nosso fecundo senso artístico.

Rosto
Todos os videntes confessam uma incapacidade total para descreverem o rosto da Senhora. Em 1920 quando Jacinta tinha sido operada no hospital da Estefânia ela tinha sobre a cama vários santinhos com que se entretém. Um sobretudo a encanta. É o de Nossa Senhora do Sameiro, que felizmente ainda hoje se guarda. Porquê?
- Porque se parece com Ela!
O rosto da Senhora de Fátima era assim: Perfeito, equilibrado, fino, como o da Imaculada Conceição da montanha de Braga. Não tinha, nem podia ter, aquela forma abonecada demasiadamente redonda da imagem da Capelinha das Aparições.

Cf. M. Dias Coelho, Depoimentos de Pastoral, como era a Senhora da Cova da Iria, in Lumen, Vol XXIX, Julho de 1965, Fasc VII, pag 590 ss.

























Do Pintor português, Henrique Medina de Barros (18/08/1901-30/11/1988). Trabalhou em Inglaterra, Itália, Brasil e Estados Unidos. Em Hollywood retratou grandes artistas, uma das quais serviu de modelo para o quadro de Nossa Senhora de Fátima da Igreja Paroquial de Santo António em East Falmouth, Massachusetts.



Cervejaria Dehon











A família Dehon possuía uma fábrica de cerveja, mesmo ao lado da sua casa em La Capelle.
- Desde criança, o Pe. Dehon conviveu com esta bebida.
- Durante as férias de 1861, com 17 anos, foi aprender inglês em Londres, durante 3 meses. Aí constatou que “os ingleses tomam chá de manhã e à tarde. Comem ao meio-dia carne assada, especialmente de vaca. A sua cerveja é forte… O inglês não sabe «matar o tempo». Ele vai sim à taberna para beber cerveja ou gin, mas não passa aí o tempo” (NHV I). Só um entendido na matéria era capaz de fazer estas comparações.
- No verão de 1863, depois dos exames de Direito, durante 4 meses viajou pela Alemanha, Dinamarca, Noruega e Suécia, na companhia do seu amigo Palustre. “Chegávamos a Viena no dia 28 de Outubro. Meu irmão Henrique viera juntar-se-nos em Munique. Ele faria connosco o resto da viagem. Ele tinha como objetivo estudar na Baviera e na Áustria a indústria da cervejaria. (HNV I)
- Os gostos de Henrique eram parecidos com os do seu pai no que se refere ao fabrico de cerveja, amanho dos campos e criação de cavalos. Assim a cervejaria passou para as mãos de Henrique.
- Tal como o avô e o pai também Henrique dedicou grande parte da sua vida ao serviço da administração local. Concentrado na atividade política, tornou-se Conselheiro Geral do Aisne, vendendo nessa altura a cervejaria ao amigo Leão Harmel. A compra da cervejaria e da casa dos Dehon foi a oferta de casamento do seu filho mais novo Alphonse Harmel a 13 de maio de 1898.  Este engenheiro agrónomo e produtor de cerveja permaneceu na casa e no negócio durante décadas com a esposa Margarida e os seus 14 filhos. Durante a I Guerra Mundial Alphonse Harmel foi levado como refém para a Alemanha. Foi libertado por intervenção do Papa Bento XV junto do imperador Guilherme II (Jornal La Croix de la Drôme 30/04/1916). Alphonse morreu a 5 de junho de 1937 aos 67 anos.
- Hoje só consegui identificar uma cervejaria Dehon no outro lado do Atlântico, em Lavras (Minas Gerais, Brasil).















- Bitter ou Amarguinha.
Para concluir, outra curiosidade: a receita do tradicional bitter do Seminário de Corupá (Santa Catarina) segundo a lenda, é do Padre Gabriel Lux, pioneiro SCJ no Brasil.
Seguindo a tradição das Grandes Abadias e Mosteiro Europeus, o Seminário de Corupá apresentou uma de suas receitas mais nobres. Criado pelo Padre Alemão Gabriel Lux e guardada a sete chaves nos últimos oitenta anos, o Bitter, até então reservado aos religiosos do seminário, é um amaro de ervas, de excelente sabor e de notório equilíbrio, que agrada o mais refinado paladar.
A sua elaboração obedece a uma apurada seleção de ingredientes, ajustado tempo de produção e respeito rigoroso do tempo de envelhecimento, obtendo uma bebida de inigualável sabor. Nos últimos anos à fórmula original foram acrescentadas ingredientes tipicamente regionais agregando ao produto um sabor notadamente tropical. Além do sabor diferenciado e embalagem exclusiva desenvolvida especialmente para o produto, é produzido de forma artesanal, o que faz com que cada unidade seja exclusiva. Além disso, o rótulo envelhecido e os elementos visuais utilizados na embalagem remetem às origens do produto.
Apresentado em embalagens exclusivas de 750ml, 500ml e 250ml não deixa de ser uma boa opção de presente. Pode ser apreciado como aperitivo ou digestivo puro ou com gelo ou até mesmo acompanhando a elaboração da brasileiríssima caipirinha.
Tradição, excelência e qualidade: indicativos de um produto único para um público diferenciado.
Todos os produtos são comercializados na Loja de Souvenirs do próprio Seminário.
(Cf. http://www.seminariodecorupa.com.br/?ministries=adega. Acesso em 11.05.2016.)











Não se sabe o nome da cerveja fabricada pela Cervejaria Dehon. Talvez Cerveja Dehon! Tenho as minhas dúvidas, pois o jovem Dehon investigou em 1862 que Hon é um nome celta que significa curso de água e ninguém gostaria de associar água à cerveja... Hon é ainda hoje o nome de um riacho, afluente do Schelda (NQ XI).
Até ao início do século XX a cervejaria chamava-se “Brasserie Dehon - Longuet”. É referência evidente ao casal Henrique Dehon e Laura Longuet, unidos matrimonialmente em 1864.
Segundo o cartaz publicitário de 21 de março de 1908, o novo proprietário Alphonse Harmel, mudara-lhe o nome para “Brasserie de La Capelle”.
E não vendia apenas cerveja, mas também vinhos, cidra, aguardentes, licores e xaropes. Tinha fabrico próprio num edifício amplo de dois andares.


Proponho, em honra destas memórias históricas, que façamos um brinde com cerveja que se poderia chamar: Cerveja de hon fundador.

Vamos então bebemorar!



quarta-feira, 11 de maio de 2016

Terço (58)

A alegria da glória
ou a glória da alegria

No latim há 5 palavras diferentes para dizer alegria:
Gaudium que é a alegria interior, espiritual;
Laetitia que é a alegria exterior, temporal;
Jubilum que é a alegria expansiva e extrovertida;
Delectatio que é a alegria suave ou deleite;
Jucundus que é a alegria agradável, aprazível.

Na contemplação dos mistérios gloriosos podemos experimentar estas espécies de alegria.

1º Mistério - A ressurreição de Jesus
Contemplando a ressurreição do Senhor aprendamos a viver com dignidade e alegria.
Gaudium que é a alegria interior, espiritual, que não tem fim.
Se Cristo Ressuscitou, não há motivo para tristezas.
Com Maria saboreemos a alegria da vida que Cristo assumiu para sempre.
Rezemos por todos os que estão tristes para que a nossa presença, a exemplo de Cristo, seja fonte de alegria

2º Mistério - A ascensão de Jesus ao Céu
Contemplando a Ascensão de Jesus aprendamos a elevar o nosso olhar e o pensamento para o céu.
Jucundus que é a alegria agradável, aprazível. É a alegria partilhada. É uma alegria estar com Ele, subir com Ele.
Com Maria saboreemos a alegria de ver Cristo na Casa do Pai.
Rezemos por todas as famílias que vivem a alegria de encontros felizes para que saibam ultrapassar as separações e os desencontros.

3º Mistério - A descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos
Contemplando a descida do Espírito Santo aprendamos a reconhecer Deus que habita em nós.
Jubilum que é a alegria expansiva e extrovertida, que transborda do coração… Alegria missionária.
Com Maria saboreemos a força do Espírito que os torna enviados do Evangelho.
Rezemos por todos os missionários que evangelizam na dor e na alegria.

4º Mistério - Aassunção de Nossa Senhora
Contemplando a Assunção de Maria aprendamos a caminhar lado a lado com a nossa Mãe do Céu.
Laetitia que é a alegria exterior, temporal. É alegria e paz.
Com Maria saboreemos um novo céu e uma nova terra.
Rezemos por todos os que esperam um mundo novo para que haja paz em toda a terra.

5º Mistério - A coroação de Nossa Senhora como Rainha dos Anjos e dos Santos
Contemplando a coroação da Virgem Maria aprendamos fazer da nossa vida uma coroa de glória para Deus e salvação dos homens.
Delectatio que é a alegria suave ou deleite. É o gozo alegre na eternidade na companhia dos santos.
Com Maria saboreemos a alegria de alcançar o que Deus espera de nós.
Rezemos por todas as nossas intenções para que Maria seja a flor que embeleza a nossa vida.