terça-feira, 12 de novembro de 2013

Seminário virou maternidade


PARA QUE CRISTO SE FORME EM NÓS
Semana dos Seminários

Ao ter conhecimento do tema da Semana dos Seminários deste ano, PARA QUE CRISTO SE FORME EM NÓS, confesso que fiquei intrigado.
Pensava eu que Cristo é quem formava os seminaristas e, afinal, parece que Ele é que é formado nos seminaristas.
Pensando melhor, estão certas as duas realidades: Para que o candidato seja formado por Deus é preciso que cada um deixe crescer dentro de si o próprio Deus. Cada seminarista forma e é formado e o próprio Cristo é formador e é formado.
Este tema foi inspirado na Carta de São Paulo aos Gálatas:
Meus filhos, por quem sinto outra vez dores de parto, até que Cristo se forme entre vós” (Gl 4, 19).
Usando as expressões mais apropriadas deste contexto atrevo-me a dizer que o seminário é uma maternidade onde alguém sofre as dores do parto.
Deus para fazer nascer um novo sacerdote sofre as dores do parto e o seminarista para tornar presente Deus na sua vida sofre as mesmas dores. E o seminário virou maternidade ou sala de partos.
Só sei que o seminário e a igreja sofrem mais do que as dores da maternidade para formar um novo sacerdote. E toda a vida do sacerdote é um contínuo trabalho de parto para dar à luz Cristo Senhor na história dos homens. Explica-se assim o caráter mariano do sacerdócio e o caráter sacerdotal de Maria Santíssima.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Semana dos seminários (1)


Vinho de São Martinho























O jovem oficial Martinho numa receção à mesa imperial estava encarregado de servir o vinho. Mandava a etiqueta real que primeiro fosse servido o imperador e depois todos os outros convivas. Martinho, porém, dirigiu-se com toda a veneração ao único sacerdote que estava à mesa e serviu-o em primeiro lugar. Todos os presentes ficaram surpreendidos, de modo que o imperador lhe pediu explicações. Ele justificou-se:
- Em primeiro lugar a Deus, aqui representado pelo sacerdote, devem ser oferecidas as primícias. Depois Ele é a maior autoridade aqui presente, pois o imperador manda na terra e no presente, mas Deus manda no Céu e na eternidade, por fim todos sabem que só o sacerdote pode fazer o melhor uso do vinho do que qualquer um de nós: pode consagrá-lo como sangue em Cristo…
O imperador engoliu em seco e não foi capaz de corrigir o catecúmeno Martinho.

A partir desse acontecimento falar de Martinho é falar das primícias do vinho, é falar da bênção do vinho, é falar da consagração do cálice…


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Isto chama-se FÉ !



Três palavras


6ª Feira - XXXI Semana comum

Três palavras, apenas três palavras, podem resumir a mensagem da liturgia deste dia:

MEMÓRIA - na 1ª leitura Paulo lembra as romanos que se lhes escreve é para lhes reavivar a memória.
Nós também precisamos de reavivar a nossa memória pessoal e coletiva. Sem memória nós não temos nem passado nem futuro. Recordemos as maravilhas que o Senhor fez e continua a fazer por nós. 

ESPERTEZA - No Evangelho Jesus elogia a esperteza deste mundo. Nós, crentes, não temos nem mais nem menos do que os outros. Então sejamos tanto esperto ou ainda mais do que eles. É preciso acreditar com memória, mas também com inteligência e com esperteza. Ao seguirmos o nosso Mestre podemos fazê-lo com a razão e com o coração.

APROVEITAR - O Administrador da Parábola foi saneado por desperdiçar os bens, por não os ter aproveitado. É preciso saber aproveitar. Saibamos nós também aproveitar todas as oportunidade que nos são oferecidas para progredirmos muito mais. Dizia a Irmã Wilson: É preciso aproveitar tudo o que o Senhor nos dá no dia a dia.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Memorial Pe. Colombo (10)



As 3 parábolas da misericórdia

5ª Feira - XXXI Semana comum

Segundo Santo Ambrósio (comentário ao evangelho de Lucas, 7-207-209) não é por acaso que São Lucas apresenta a sequência de 3 parábolas:

- A ovelha
- A dracma
- O filho pródigo

- Uma criatura
- Uma coisa
- Uma pessoa

- Uma tresmalhada
- Outra perdida
- Aquele perdido

- Esta reencontrada
- Aquela achada
- Esse retornado

- Um é Pastor
- Uma é Mulher
- Outro é Pai

- Este é Jesus Cristo
- Essa é a Igreja
- Ele é Deus Pai

- Cristo carrega
- A Igreja procura
- Deus Pai acolhe

- Como pastor traz ao rebanho
- Como mãe procura
- Como Pai acolhe

- Primeiro a misericórdia
- Depois o socorro
- Por último a reconciliação

- O Redentor auxilia
- A Igreja socorre
- Deus Pai reconcilia

- A ovelha cansada é trazida
- A dracma perdida é encontrada
- O filho regressa pelo seu pé para junto do pai

- Congratulemo-nos porque esta ovelha foi erguida em Cristo
- Alegremo-nos porque somos a alegria da igreja
- Rejubilemos porque Deus abraça-nos

- Os ombros de Cristo são os braços da cruz
- As mãos da igreja são a comunhão
- O abraço do Pai é perdão

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Memorial Pe. Colombo (9)


Assim era o Pe. Colombo!

Isto chama-se humildade!
 “… Antes de começar a trabalhar, é preciso saber falar. E, infelizmente, as línguas não se compram! (Quisesse o céu que se pudessem comprar como aquelas das vacas do talho! Pediria imediatamente um empréstimo!) Portanto, toca! Para a Escola! Meu Deus! Voltar para a escola com esta idade?! Sim. E, para aprender mais depressa, para a escola com as crianças da terceira e quarta classe, para fazer a análise gramatical, o ditado e outras coisas mais. Que delícia! Imaginais, por exemplo, o Pe. Colombo, com 35 anos, a aprender ainda estas matérias? Na parte de trás do frontispício do seu livro de leitura, estão estampadas perguntas sobre as generalidades do seu dono; e ele, como bom menino da escola, preencheu-o. Eis:
Chamo-me – Pe. Ângelo Colombo
Moro – Caminho do Meio, 110
Idade – 35anos.
Altura – 1,73.”
(Carta do Pe. Colombo de 6 de março de 1947 para os seus confrades em Itália)

Isto chama-se abandono à Providência!
Não foi fácil levar para diante a obra do Colégio Missionário…
Sei que o Pe. Colombo ia, muitas vezes, para diante do sacrário e rezava:
- Senhor, Tu sabes; Tu vês; Tu podes.
E tudo aparecia.
(Testemunho da benfeitora Maria Bernardete Fernandes, Abril 1997)

Isto chama-se persistência!
 “Apreciei e admiro o Pe. Angelo Colombo, fundador do Colégio Missionário e da nossa obra em Portugal. Era um homem reto, honesto e sincero; um homem corajoso, que confiava na Divina Providencia; era exigente no cumprimento da regra e, sobretudo, na prática da Adoração Eucarística reparadora. Mas era também compreensivo. Lembro-me que, um dia, encontrando-me um pouco abatido e cansado, agarrou-me com as suas mãos rigorosas e disse-me, para me animar:
- Sabes, Júlio?! Quando me sinto cansado e nervoso e parece que o mundo está para desabar, vou para o meu quarto, fecho janelas e persianas, meto-me na cama e durmo, durmo, durmo. Quando acordo, vou à janela e, vendo de novo o mundo, digo, animado: afinal o mundo não caiu! E recomeço o meu trabalho.”
(Testemunho do Pe. Júlio Griti, in As minhas memórias, Janeiro de 2011)

Quem manda é o Chefe

 
4ª Feira - XXXI Semana comum
 
Mais do que meditar sobre as condições a respeitar no seguimento de Jesus, podemos acolher 2 generalidades:
 
1ª - Jesus não faz publicidade enganosa. Antes de convidar a segui-lo Jesus apresenta as regras do jogo. Isto quer dizer que nós não podemos exigir mandar, ou estabelecer nós a regras do jogo.
Na casa de Deus quem manda é Ele, tal como o dono da casa é quem estabelece as regras, ou é o general que marca o ritmo do exército.
Então porque é que cada um de nós gosta de propor mudanças, de mandar em casa alheia, de querer mudar as leis etc... ?
 
2ª - Mais do que ver quais as regras, podemos contemplar o novo tipo de relações que o seguimento de Jesus nos proporciona: novo relacionamento com as pessoas (preferi-lo ao pai, à mãe...), novo relacionamento com os afazeres (tomar a sua cruz), novo relacionamento com as coisas (desprendimento dos bens deste mundo) e novo relacionamento connosco mesmos (renunciar-se a si mesmo).
Mais do que condições, seguir a Cristo exige atitudes e relações novas.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Casa cheia


3ª Feira - XXXI Semana Comum

Aceitar o convite não é mudar de casa, mas sim regressar à casa donde nos afastamos.
O problema não está em não aceitar o convite.
O problema é que nos afastamos.
Quem não se afasta, não precisa de regressar.
Quem não está fora, não precisa de ser convidado.
Há quem se tenha afastado da casa paterna por causa de coisas (comprei um terreno).
Há quem se tenha afastado por causa de afazeres (vou experimentar as juntas de bois).
Há quem se tenha afastado por causa de pessoas (casar-se).
Mais do que um convite é um regresso, ou uma maneira de corrigir um afastamento.
A casa paterna é uma casa cheia, uma casa para todos.
Essa casa é o coração de Deus.

Podemos com estas desculpas afastar-nos do Coração de Deus,
mas não há pecado, por maior que seja, que faça Deus afastar de nós o seu Coração.


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Rezar com fé



Sem esperar retribuição

2ª feira - XXXI Semana comum


Se eu sou pobre e nada tenho de meu, esta página do evangelho não é para mim.
E se convidar alguém, que posso oferecer na minha pobreza ou no meu convento?
Pensando bem, esta recomendação de Jesus para oferecer um banquete a alguém sem esperar retribuição tem a ver com todos, comigo e contigo, independentemente da nossa situação. Pelo menos é o que Santa Teresinha do Menino Jesus interpreta com toda a propriedade (Cf. Manuscrito autobiográfico C, 28rº-vº (ed. Carmelo 1996):

Convidar quem?
“E serás feliz por eles não terem com que te retribuir.
Notei (e é muito natural) que as Irmãs mais santas são as mais amadas; procura-se conversar com elas, [e] prestam-se-lhes serviços sem que os peçam. [...] As almas imperfeitas, pelo contrário, não são nada procuradas; as pessoas mantêm-se, sem dúvida, em relação a elas, dentro dos limites da cortesia religiosa, mas, receando talvez dizer-lhes algumas palavras pouco amáveis, evitam a companhia delas. [...] Eis a conclusão que daí tiro: devo procurar, no recreio, nas licenças, a companhia das Irmãs que me são menos agradáveis, [e] exercer junto dessas almas feridas o ofício do Bom Samaritano…”

Convidar para quê?
Para não ser mal interpretada ou acusada de discriminar seja quem for…  “Assim, para não perder o meu tempo, quero ser amável para com todas (e em particular para com as Irmãs menos amáveis) para dar alegria a Jesus e corresponder ao conselho que Ele dá no Evangelho mais ou menos nestes termos: Quando derdes um banquete, não convideis os vossos parentes nem os vossos amigos, não vão eles também convidar-vos, por sua vez, recebendo [vós] assim a vossa recompensa; mas convidai os pobres, os coxos, os paralíticos, e sereis felizes por eles não vos poderem retribuir, pois o vosso Pai, que vê no segredo, vos recompensará. Que banquete poderia uma carmelita oferecer às suas Irmãs, senão um banquete espiritual composto de caridade amável e alegre?

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Rezar com convicção



Santos, companhia ilimitada


A santidade não é um privilégio para alguns, mas uma obrigação para todos, para ti e para mim! (Madre Teresa de Calcutá)

Dia de todos os santos

Dia dos santos
Santos do dia

Dia de todos
Todos do dia

Todos santos
Santos de todos


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Rezar com sabedoria


Fé e Ciência



1º Exemplo
Toda a gente sabe que o físico e matemático francês Ampère (1775-1836) era profundamente religioso.
- Meu Deus – rezava ele – agradeço-Vos por me terdes criado, redimido e iluminado com vossa divina luz.
O facto seguinte mostra-no-lo alimentando o fervor da sua fé com a oração e as práticas piedosas.
Quando o jovem estudante Ozanam (1813-1853) chegou a Paris não propriamente um incrédulo, mas a sua alma estava mais ou menos tocada por aquilo que se pode chamar crise de fé. Um dia Ozanam entrou numa igreja e viu ajoelhado a um canto, perto do sacrário, um homem, um idoso, que rezava piedosamente o seu terço. Aproximou-se e reconheceu-o. Era Ampère, o seu ideal, a ciência e o génio vivo!
Esta visão tocou-o até ao mais fundo da alma. Ajoelhou-se suavemente atrás do mestre; a oração e as lágrimas brotaram do seu coração; era a completa vitória da fé e do amor de DEUS.
Ozanam gostava depois de repetir:
- O terço de Ampère fez por mim mais que todos os livros, discursos ou pregações.
Aquando da última doença de Ampère, a religiosa que velava à sua cabeceira propôs-se ler algumas passagens da Imitação de Cristo.
- Não se incomode – respondeu ele – eu sei de cor.

2º Exemplo
Há quem pretenda colocar a ciência como inimiga da fé.
Por sua vez, o grande cientista e Nobel da química, Luís Pasteur (1822-1896) era um cristão fervoroso e não se envergonhava de declarar que “um pouco de ciência afasta-nos de Deus, muita nos aproxima...”
Tal pode confirmar-se com um facto ocorrido em 1892:
Um senhor de 70 anos viajava de comboio, quando um jovem universitário se sentou a seu lado e começou a ler o seu livro de ciência. O idoso, por sua vez, lia um livro de capa preta. Quando o jovem se percebeu que se tratava da Bíblia, sem muita cerimónia, interrompeu a leitura do vizinho e perguntou:
- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?
- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente as pessoas sem cultura ainda creem que Deus tenha criado o mundo em seis dias, por exemplo. A ciência moderna nega tudo isso. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.
- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?
- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe-me o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.
O idoso, cuidadosamente, abriu o bolso interno do fato e deu o seu cartão ao estudante universitário.
Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo, cheio de vergonha pela sua ousadia. No cartão estava escrito:
Professor Doutor Luís Pasteur
Diretor-Geral do Instituto de Pesquisas Científicas
da Universidade Nacional da França.

3º Exemplo
O estadista britânico Winstow Churchill (1874-1965) dizia:
- De tempos em tempos, os homens da ciência tropeçam na verdade, mas a maioria deles levanta-se e segue em frente como se nada tivesse acontecido.
Parece que Deus persegue os cientistas enquanto eles não querem ver.
Por isso mesmo o matemático e Nobel da Física Alberto Einstein (1879-1955) deixou escrito:
- A ciência sem a religião é aleijada; a religião sem a ciência é cega.
De facto a ciência não dispensa a fé, nem a fé invalida a ciência.
Fé e ciência são ambas um dom de Deus.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Rezar com humildade



Ensinar e aprender


4ª Feira - XXX Semana Comum

“Naquele tempo, Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.”

Na homilia da missa, proclamei bem alto ao povo que me escutava:
- É preciso fazer como Jesus. É preciso ensinar, dar testemunho sempre e em toda a parte, onde vivemos, convivemos, trabalhamos ou nos divertimos.
No final alguém veio ter comigo:
- Senhor padre, eu acho que a minha vocação não é pregar.
Mostrei-me surpreendido por aquela declaração e pedi-lhe mais explicações.
- É que você disse na missa que devemos ser como Jesus que ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. Eu acho que a minha vocação não é ensinar, mas aprender. Eu quero aprender nas cidades e aldeias por onde passo…
- Bravo! Vês como ambos temos razão. Tu estás agora a ensinar-me uma grande coisa. Estás a ensinar-me que todos devemos aprender… Que devemos imitar primeiro o povo que ouvia e que aprendia com Jesus e ao mesmo tempo imitar o próprio Jesus que pregava e ensinava.

Qual é então a nossa vocação?
Ensinar ou aprender?
Imitar Jesus que pregava ou o povo que o escutava?
Com certeza a nossa missão é dupla: é ensinar e é aprender.

Só aprendemos ensinando e só ensinamos aprendendo.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Rezar com amor



Fermento


3ª Feira - XXX Semana Comum

Lições do fermento

1º O fermento não se intimida com o tamanho da massa.
O fermento está em desvantagem em comparação com as medidas de farinha, mas nem por isso deixa de cumprir a sua missão.
O desafio parece ser muito grande, talvez haja apenas um crente numa casa, mas não há que ter medo. O cristão está colocado na sua família, comunidade, trabalho, sociedade, região ou nação para ser fermento de Deus. Os cristãos serão poucos, mas serão sempre fermento; poucos, mas bons.

2º O fermento parece ser insignificante.
Parece que não vai surtir efeito na massa. Quem olha para o fermento não imagina a sua capacidade de fazer levedar a massa. Parece incapaz de por si só fazer qualquer coisa.
Um cristão talvez esteja a rezar por alguém, animando, convidando ou orientando para a igreja ou para Deus e parece que tudo isso não vai surtir efeito, mas vai sim, porque a obra é de Deus, porque a palavra de Deus não volta sem cumprir a sua missão.  

3º O fermento trabalha calmamente.
Hoje em dia existe o fermento químico que age instantaneamente, mas antigamente para fazer pão, o fermento tinha que ficar na massa várias horas ou até de um dia para o outro. O fermento trabalha calmamente, sem confusão, sem gritaria, sem barulho.
Normalmente o testemunho cristão vale mais que a pregação. Coerentemente as nossas atitudes devem corresponder com a nossa pregação. É preciso calma, discrição e interioridade.

4º O segredo do fermento é o calor.
Para que o fermento possa fazer levedar é preciso abafar a amassadura, protegê-la, aconchegá-la. É preciso criar um ambiente de aconchego, de amadurecimento, de calor ou de amor para que o fermento contagie toda a massa.
Sem amor nem aconchego ninguém pode ser fermento no seu meio.

5º O fermento torna leve a massa.
O pão ázimo é duro, pesado e deprimido. O fermento dá à massa agilidade e leveza. E depois de misturado não se separa nunca mais. Não se sabe onde está o fermento, mas vemos a sua ação na amassadura.
Assim um bom cristão na comunidade. A sua presença torna leve e livres todos os que estão à sua volta. Levedar é tornar leve, é fazer livre ou fazer libertar alguma coisa.

6º O fermento tem de ser espalhado.
Não basta colocar o fermento dentro do alguidar. É preciso misturá-lo bem com a farinha, fazer com que se espalhe por toda a parte. Fermento acumulado não serve para nada.
Os cristãos, como fermento da comunidade, não podem ficar fechados em si mesmos, mas devem dispersar-se, chegar a toda a parte… para que nenhuma periferia fique desfalcada da sua presença.

7º O martírio do fermento na massa.
Ao ser amassado com a farinha e água, o fermento passa por verdadeiros tormentos. É sovado, batido, esmagado, triturado. Mas se não passar por isso, não cumpre a sua missão.
Não pensemos que por sermos fermento tudo vai ser um mar de rosas. Virão lutas, provações, tribulações para nos amassar e pressionar, mas isso vai fazer crescer e levedar toda a massa.