quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

250 anos de Beethoven


Ludwig van Beethoven nasceu a 17 dezembro de 1770 (há 250 anos)

O Hino Europeu, adotado pelo Conselho da Europa em 1972, é um extrato do prelúdio do “Hino à Alegria” da 9ª Sinfonia de Beethoven concluída em 1824. O hino europeu, que não tem letra, utiliza a linguagem universal da música para exaltar os ideais da liberdade, paz, solidariedade e alegria. Este hino não se destina a substituir os hinos nacionais dos países da União Europeia, mas antes a celebrar os valores que estes partilham.

Na 9ª sinfonia a letra do Hino da Alegria é o poema de Friedrich Schiller escrito em 1785 com o título Ode à Alegria:

“Da alegria bebem todos os seres

No seio da natureza.

Todos os bons, todos os maus,

Seguem o seu rasto de rosas.

Dá força para viver os mais humildes

E ao querubim que se ergue perante Deus.”

 

Outras curiosidades de Beethoven:

 

1 – Quando criou a 9ª Sinfonia, entre 1822 e 1824, Beethoven já estava surdo, mas foi ele quem dirigiu a orquestra na sua estreia, a 7 de maio de 1824, quando tinha 53 anos.

 

2 – O suicídio foi um pensamento recorrente em Beethoven. O que o fez resistir a essa tentação foi a arte, conforme o mesmo confessava: “Foi a arte, e apenas ela, que me deteve. Parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim…”

Não conseguiu vencer à doença morrendo, completamente surdo, a 26 de março de 1827.

 

3 – Desde jovem apresentava-se mal, desalinhado e descuidado. E dizia: Quando eu for um génio ninguém reparará na minha falta de cuidado.

 

4 – Aos 17 anos Beethoven encontrou-se com Mozart que tinha 31 anos. Mozart pediu ao jovem que tocasse algo no piano, mas não se fixou muito porque pensou que como qualquer outro candidato, vinha com uma improvisação bem preparada e aprendida de memória. Então Beethoven pediu-lhe que lhe desse algum tema para improvisar ali mesmo. Começou então a sua improvisação e Mozart ficou deveras surpreendido, mas nunca mais voltaram a encontrar-se.

 

5 – Beethoven nunca teve muito dinheiro. Uma vez em que não tinha como pagar o aluguer da casa, fechou-se no quarto, escreveu à pressa um tema com variações e deu a um amigo para que o vendesse e trouxesse o dinheiro para pagar a renda. Em vez de vender o amigo deu ao caseiro que no princípio não queria, mas depois aceitou. No dia seguinte mandou dizer ao compositor que podia pagar cada mês com papéis como aqueles. Para evitar queixas, Beethoven mudava constantemente de casa em Viena, sempre acarretando todos os seus móveis e três pianos. Foi então para Heiligenstat e ali manteve-se por bastante tempo. Estava perto da igreja e foi ali que tomou consciência de que cada vez ouvia menos o repicar dos sinos da torre da igreja. Estava a ficar surdo.

 

6 – O que mais incomodava a Beethoven não era ser surdo, isto é, não ouvir nada do exterior, mas sim o barulho infernal que ouvia dentro da sua cabeça.

 

7 – Sempre teve problemas com as empregadas e não foram apenas por questões culinárias. Quando estava a compor a Missa Solene e tinha terminado já o Kyrie, quis corrigir algumas passagens como sempre costumava fazer, mas não encontrava a partitura em nenhum sítio. Estava desesperado pensando que tinha perdido a música, quando a encontrou, por acaso, na cozinha, envolvendo cuidadosamente metade de um queijo. Ainda faltavam outros papéis. Estavam a forrar as estantes do armário. Conclusão: cozinheira despedida.

 

8 – O pescado que comia vinha do rio que estava contaminado com o chumbo que as fábricas para lá despejavam. Uma análise recente de um cabelo de Beethoven confirmou que ele foi pouco a pouco envenenado pelo chumbo que por fim o matou. Pagou bem caro pelo seu prato preferido. E assim, por causa do chumbo perdemos uma décima sinfonia.

 

9 – Na Madeira nós dizemos ter a fruta preferida de Beethoven. Sabem qual é? É anona, à qual ele até compôs uma sinfonia – Anona sinfonia de Beethoven.

 

10 – Sabem porque é que Deus permitiu que Beethoven ficasse surdo, Homero nascesse cego e Moisés fosse gago? Foi para nos ensinar como vencer obstáculos.

 

Para recordar:

A discussão sobre a despenalização do aborto, ou, por palavras mais disfarçadas, da interrupção voluntária da gravidez reacendeu-se. E por ironia do destino nestas vésperas do Natal, quando todos entoam unânimes loas à vida e ao amor gratuito. A este propósito não consigo esquecer uma aula de moral na faculdade de teologia. O professor, para provocar a discussão académica, propôs-nos a seguinte catividade: “Que conselho darias? Baseado nas circunstâncias abaixo enumeradas, que aconselharias a uma mãe, grávida do quinto filho? O seu marido sofre de sífilis e ela de tuberculose. O Primeiro filho deste casal nasceu cego, o segundo morreu logo ao nascer. O terceiro filho é surdo de nascença e o quarto é tuberculoso. Grávida pela quinta vez, a senhora está a pensar seriamente em abortar. Que solução sugeres? Sim ou não a esta interrupção da gravidez.”

Toda a turma começava a tomar posição e a procurar argumentos. Alguns mostravam-se reservados, dizendo não concordar com o aborto, mas neste caso não havia solução. Outros achavam que era um gesto de caridade privar o bebé de uma vida que se adivinhava deficiente. Havia quem realçava a falta de condições dos pais para pôr uma nova criança no mundo, não podendo assegurar-lhe um futuro digno. Por fim o professor propôs uma votação:

- Quem é a favor do aborto neste caso, que levante o braço.

A maior parte dos presentes pronunciou-se afirmativamente. Então o professor, com um ar grave, concluiu:

- Os que disseram sim à ideia do aborto, saibam que acabaram de matar o grande compositor Ludwig van Beethoven. Disseram adeus a um génio, silenciaram as suas sinfonias, calaram a ode da alegria...

Um silêncio ressentido permaneceu por breves momentos naquela aula.

Grandes projetos, excelentes ideias, obras geniais são às vezes abortados quando as pessoas envolvidas se veem diante de situações difíceis. Tudo leva tempo e exige perseverança, tenacidade, entusiasmo e muita fé.

Que o mistério do Natal seja a nossa resposta à questão do aborto: ninguém se deixe levar pelas circunstâncias. É preciso crer na vida!

(Este texto foi publicado por David Quintal no semanário Areópago, a 20 de dezembro de 2003 no Funchal, na sua coluna semanal intitulada Sem Títulos)

 

Para cantar:


Canção da alegria - Música da 9ª sinfonia de Beethoven

 

Escuta, irmão, esta canção de alegria

o canto alegre de quem espera um novo dia

 

         Vem, canta, sonha cantando,

         vive sonhando um novo sol,

         em que os homens voltarão

         a ser irmãos.

 

Se em teu caminho só existe tristeza

O canto amargo duma solidão completa.

 

Com Cristo cada um de nós terá valor

Para difundir em cada irmão o amor.

 

Tanta alegria, em nossos corações em festa

É chama que ao mundo a verdade manifesta.

 

Serás no mundo mensageiro de amor

Levando aos homens o Evangelho do Senhor.

 

Se tens de Deus a paz, que enche o coração

hás-de levá-la a cada homem, teu irmão.

 

 

A caminho de Belém


Novena de Advento – 17 de dezembro

A caminho de Belém

 

Segundo a tradição foi neste dia 17 de dezembro que José e Maria saíram de Nazaré para viajar até Belém antes do Natal de Jesus.

A viagem durou 9 dias, evocando os 9 meses de gestação, pernoitando sucessivamente em lugares diferentes.

O percurso completo, de norte a sul, foi de 145 quilómetros – 135 de Nazaré a Jerusalém e mais 10 quilómetros de Jerusalém a Belém.

 

1º dia – Preparação e início da viagem – 17 de dezembro

Preparar-se para uma viagem já faz parte da própria viagem. Maria sentiu saudades ao deixar Nazaré. Aí conhecera José, aí conhecera os desígnios de Deus. A partir daí seria conhecida por todas as gerações como Maria de Nazaré, esposa de José, o carpinteiro e pai de Jesus o Nazareno. Mas tinha de partir para cumprir as determinações do imperador para o recenseamento e os desígnios de Deus desde toda a eternidade.

E isto deu-lhes ânimo, a ela e a José, para começarem um longo caminho, porque sabiam que não viajavam sozinhos.

Ó Sabedoria do Altíssimo,

que tudo governais com firmeza e suavidade:

vinde ensinar-nos o caminho da salvação.

 

2º dia – Até ao Monte Tabor – 18 de dezembro

Ao contornar o Monte Tabor, o seio de Maria estremeceu. Não foi pelo facto de estar apenas a adaptar-se à longa estrada, mas por contemplar o cimo do monte. Lá o seu Filho iria iniciar uma outra caminhada até Jerusalém para, passando pelas dores, renascer.

E isto deu-lhe ânimo para aguentar as dificuldades da caminhada, porque experimentava o que mais tarde o seu filho haveria de experimentar sozinho.

Ó Chefe da casa de Israel,

que no Sinai destes a Lei de Moisés:

vinde resgatar-nos com o poder do vosso braço.

 

3º dia – Do Tabor à cidade de Naim – 19 de dezembro

Ao pernoitar em Naim conheceram uma jovem mulher que acabara de perder o seu marido e estava também prestes a dar à luz o seu filho. A partir desse momento Maria, identificando-se com aquela mulher, nunca deixaria de rezar para que Deus tivesse sempre compaixão dela e da sua criança. Os dois filhos voltariam a encontrar-se novamente…

E isto renovou as forças de Maria para prosseguir com as dores da maternidade sabendo que Deus está sempre ao lado de quem sofre.

Ó Rebento da raiz de Jessé,

sinal erguido diante dos povos:

vinde libertar-nos, não tardeis mais.

 

4º dia – De Naim aos campos da Samaria – 20 dezembro

Ao atravessar os campos da Samaria, Maria pressentiu que o seu filho havia de percorrê-los anunciando a salvação de Deus e que seria desprezado e perseguido. Ao passar por entre os extensos pomares, adivinhava que também atirariam pedras ao seu Filho, como atiravam às árvores que tinham melhor fruto.

E isto fez com que Maria resistisse aos obstáculos da estrada e sentisse desde então o antegozo e a alegria de ver nascer o seu Bendito fruto.

Ó Chave da casa de David,

que abris e ninguém pode fechar,

fechais e ninguém pode abrir:

vinde libertar os que vivem no cativeiro das trevas

e nas sombras da morte.

 

5º dia – Até o poço de Siquém – 21 de dezembro

Aí pôde saciar a sede e refrescar a sua esperança, tal como mais tarde uma mulher samaritana haveria de pedir e receber água viva. Maria descansou na berma do poço como mais tarde o seu Filho havia de descansar e prometer alívio a todos os que se afadigassem, porque o seu jugo seria suave e a sua carga leve.

E isto fez com que Maria se alegrasse pelas maravilhas que Deus continuaria a fazer. E não lhe faltaram forças para continuar em frente sem se queixar ou lamentar.

Ó Sol nascente, esplendor da luz eterna e sol de justiça:

vinde iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte.

 

6º dia – Até à cidade de Necma (hoje Nablus) – 22 de dezembro

Foi uma jornada através do deserto e descampado onde os perigos espreitavam. Maria pressentia que o seu filho seria conduzido ao deserto e ser tentado a desistir do plano de Deus. Pressentia também que aquela estrada o inspiraria à compaixão e à bondade de um bom samaritano para usar de misericórdia para com o seu próximo.

E estes pensamentos encheram de coragem e ternura o coração de Maria e assim continuou a sua subida para Jerusalém a caminho de Belém.

Ó Rei das nações e Pedra angular da Igreja:

vinde salvar o homem que formastes do pó da terra.

 

7º dia – Até onde mais tarde voltariam para Jerusalém à procura do Menino depois de um dia de viagem – 23 de dezembro

Aqui Maria sentiu como que uma espada a trespassar o seu coração. Só o coração de mãe pode saber o que é a angústia de perder o seu Filho. A partir daquele lugar subirá para Jerusalém sempre com o mesmo objetivo: procurar o único bem, Aquele e só Aquele que vale a pena encontrar.

E isto deu-lhe alento para não olhar para trás, mas olhar sempre em frente, porque para a frente é que é o caminho.

Ó Emanuel, nosso rei e legislador,

esperança das nações e salvado do mundo:

vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus.

 

8º dia – Até Jerusalém – 24 de dezembro

Foi a etapa mais dolorosa esta subida para alcançar Jerusalém. Apesar disso, Maria, com o seu filho a bater o ritmo no seu seio, cantava o salmo: Que alegria quando me disseram vamos para a casa do Senhor… Detiveram-se os nossos passos às tuas portas Jerusalém. Quantas vezes teriam a felicidade de subir juntos a Jerusalém! Sentiu um misto de dor e de alegria. Dor por antever ali a paixão e morte do seu Filho e alegria por partilhar a sua glória e ressurreição.

Estas premeditações entusiasmaram ainda mais a alma de Maria de modo que nem sentia o incómodo e a dureza da viagem nem o aproximar-se da hora de dar à luz, glorificando a Deus por tudo o que sofria.

Hoje sabereis que o Senhor vem salvar-nos.

Amanhã vereis a sua glória.

 

9º dia – Até Belém onde chegaram ao início do dia 25 que começa com o pôr do sol – 25 de dezembro

Quantas vezes Maria e José fizeram esta estrada para o sul de Jerusalém, para visitar familiares, regressando às suas origens. Desta vez Maria não pensava tanto no passado, mas sobretudo no futuro, no Filho que estava prestes a nascer. Desta vez viu muitas portas a fechar-se, algumas desculpas, muitas recusas na cidade de David que até então lhes era tão familiar e acolhedora. Maria não quis afligir-se para não perturbar o coração do seu Filho. Ela encontraria um lugar para se encostar e dar à luz. O pior é que mais tarde o seu Filho não encontraria nem uma pedra onde reclinar a cabeça.

E isto foi o suficiente para esquecer as dores da maternidade e sentir a alegria de dar à luz o Filho a quem pôs o nome de Jesus.

Quando o sol aparecer no horizonte,

vereis o Rei dos reis, que procede do Pai,

como esposo que sai do seu tálamo.

 

Nota final

Parece que a viagem tinha chegado ao fim, mas não. Até ali tinha sido Maria a levar Jesus, mas a partir de então será ela a acompanhar o seu Filho por onde quer que Ele vá. Novas viagens surgiram: do céu vieram Anjos, da vizinhança acorreram pastores, do oriente chegaram reis…  

E como sempre todas estas viagens nos dizem respeito…

A exemplo de Maria

façamos da nossa vida uma viagem

e do nosso caminho

verdade e vida.

 

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Vou, não vou


3ª feira – III semana do advento

Um dia o Papa enviou o Pe. Filipe de Néri a um certo mosteiro para verificar a seriedade das experiências místicas de uma suposta santa monja.

O padre chegou ao seu destino, com as botas sujas e a capa toda molhada. 

A humilde porteira, a quem toda a gente desprezava por falta de dotes académicos e espirituais, pegou na capa e no chapéu encharcados do visitante.

O padre foi levado ao parlatório onde se encontrava a suposta santa.

Sentou-se e começou por apresentar-se:

- Sou o Pe. Filipe. O Santo Padre pediu-me que viesse aqui para ouvi-la em seu nome.

Enquanto dizia isto tirou as botas cheias de lama e disse para a freira:

- Minha filha, vai limpar primeiro estas botas…

- O quê? Que humilhação. O reverendo não tem consideração a uma alma santa e devota. Isso não se faz a ninguém…

E o Pe. Filipe Néri concluiu serenamente:

- Já cumpri o objetivo da minha visita. Não preciso de ver ou ouvir mais nada.

E calçando de novo as botas sujas foi para a porta de saída, onde a porteira lhe apresentou o chapéu e a capa que atenciosamente tinha feito limpar e secar. E não o deixou sair sem ter limpo primeiro as suas botas dizendo que as botas sujas não condiziam com a capa limpa.

 

A filha que dizia sim a Deus, afinal não era humilde e não fez a vontade divina.

A filha que todos consideravam longe da presença de Deus, afinal fez a vontade divina, mesmo sem se ter comprometido a tal.

 

E Jesus disse-lhes:

- Os publicanos e as mulheres de má vida irão antes dos que se creem justos para o reino de Deus.

 

De facto, estas duas irmãs somos nós:

- Nós pecadores que dizemos não, mas reconhecemos ter muita coisa a corrigir, pois o mais importante é ser.

- Nós pecadores que dizemos sim, mas julgamo-nos melhores que os outros e nada mais fazemos, pois, o mais importante é parecer.

O segredo está na humildade e não na aparência. Só assim nos aproximaremos de Deus.

 

Ver também:

Pedir ajuda

Entrar no reino

Palavras e atos

Oh feliz culpa

Filho, vem hoje visitar-me

 

domingo, 13 de dezembro de 2020

Ser ou estar ?


Ano B – III domingo do advento

É o domingo do GAUDETE, Alegrai-vos…

- Coleta – Celebrar com renovada alegria

- 1ª leitura – Exulto de alegria no Senhor

- Salmo – A minha alma exulta de alegria

- 2ª leitura – Vivei sempre alegres

- Alegria de ter Alguém no meio de nós

- Prefácio – A graça de nos prepararmos com alegria

É uma celebração cheia de convites à alegria.

Nós devemos SER ALEGRES ou devemos ESTAR ALEGRES?

 

Estar alegre:

- A alegria é passageira

- depende do exterior

- vem de fora

- é ocasional

- condicionada pelas circunstâncias

- parece que estar alegre é ter uns copos a mais

 

Ser alegre:

- A alegria é permanente

- depende do interior

- vem de dentro

- brota do coração

- não depende de terceiros

- faz parte da nossa identidade ou gene

- Alegria verdadeira é o transbordar do coração


O estar alegre deve ser consequência do ser alegre...

Vendo a LUZ que se aproxima, ouvindo a VOZ que nos convida, sentindo a felicidade nos envolve de estar na presença de Alguém, o nosso coração transborda de alegria.

ISSO É SER ALEGRE.

 

 

Ver também:

A fonte da alegria

O evangelho da alegria

Alegrai-vos

Gaudete

 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

De mãos dadas com Deus


5ª feira – II semana do advento

A mão na tua mão

Em geral encontramos no Antigo Testamento mais expressões de violência, de agressividade, guerras e opressão do que expressões de amor, ternura, compaixão e bondade. No Novo Testamento verificamos precisamente o oposto.

As leituras de hoje contradizem esta conclusão.

O trecho do Evangelho fala que o Reino dos Céus sofre violência e que são os violentos que se apoderam dele.

Pelo contrário a primeira leitura, do Profeta Isaías, fala da ternura de Deus que nos segura pela mão direita e nos diz: Não temais, eu venho em vosso auxílio.

 

É um convite a caminharmos de mãos dadas com Deus.

 

De mãos dadas com Deus porque

- a mão de Deus é sábia e criadora – a todos cria e abençoa

- a mão de Deus é forte e poderosa – a todos protege e defende

- a mão de Deus é firme e carinhosa – a todos corrige e conduz

- a mão de Deus é segura e eficaz – a todos mantém e fortalece

- a mão de Deus é generosa e providente – a todos providencia e sacia.

 

Bramante, célebre arquiteto da Basílica de São Pedro, no Vaticano, tendo terminado o desenho do projeto, mandou um seu filhinho entregá-lo ao Papa Júlio II. O Papa apreciou o trabalho com satisfação. Depois quis dar uma lembrança ao pequeno portador. Abriu uma gaveta que continha moedas e disse à criança:

- Mete a mão e tira-a bem cheia!

- Dai-me antes vós, Santo Padre, que a vossa mão é maior! – respondeu a criança na sua inocência.

 

Entreguemo-nos então à mão de Deus e seremos cumulados com todas as suas bênçãos e tesouros.

 

Ver também:

Ternura e coragem

Violentos

Deus é um pai babado

 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Jesus é o segredo


6ª feira – I semana do advento

Há uma canção no Top musical dos nossos dias, do brasileiro Vítor Kley intitulada O Amor é o Segredo que tem por refrão:

Quero te amar sem medo

Sorrir sem saber por quê

O amor é o segredo

Que falta a gente entender.

 

Isto ajuda-me a compreender a mensagem do Evangelho de Hoje.

Jesus recomenda que os cegos curados não digam a ninguém o segredo da sua cura.

Porquê?

Por que Jesus é o segredo que falta a gente entender.

Mas os dois curados, quando saíram, divulgaram a fama de Jesus por toda aquela terra.

Quando o coração está cheio tem de transbordar.

Quando Jesus é o nosso segredo temos de divulgar.

Se não transbordamos ou não divulgamos nada sobre Jesus, é sinal de que ainda não descobrimos o seu segredo.

 

Ontem celebrámos São Francisco Xavier. Há um episódio da sua vida na Índia que ilustra este segredo que deve ser partilhado.

Os sacerdotes Brâmanes foram ter com Francisco Xavier. Queriam saber qual o segredo do seu poder, da sua capacidade de fazer milagres, de curar os doentes, de reanimar os mortos.

Prometiam não divulgar a ninguém esse segredo.

Francisco Xavier sorriu e falou assim:

- Eu digo-vos o segredo das minhas ações, e digo em alta voz, para que todos possam ouvir e peço que divulguem por todos os lados este segredo. O que eu faço é pelo poder de Jesus Cristo. Ele é a origem de tudo isto. É Ele o responsável por eu estar aqui, é Ele quem cura e ressuscita. É Ele e não eu. Jesus é o segredo que eu quero dar a conhecer a todos. Podem divulgar por todo o lado…

Os sacerdotes Brâmanes retiraram-se convencidos que Francisco estava a enganá-los, pois não queria divulgar o seu segredo.

É preciso ainda hoje divulgar o segredo do cristianismo: É Jesus que continua a agir e a intervir no meio de nós… Quem não divulga essa verdade ainda não acredita o bastante em Jesus. O discípulo que se cala e não divulga ou contagia a sua fé é como os Brâmanes que viam e ouviam, mas não reconheciam nem queriam aceitar.

 

Com Vítor Kley podemos cantar adaptando:

Quero amar sem medo

Crer sem saber porquê

Jesus é o segredo

Que falta a gente entender.

 

Ver também

Curar a cegueira

A vista dos cegos

Cegos que seguem Jesus

 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Papa Francisco é Xavier


Memória de São Francisco Xavier

Padroeiro Universal das Missões

O missionário Francisco Xavier foi tão longe para dizer a todos que Deus está tão perto.

 

O Papa Francisco é mais Francisco de Assis ou mais Francisco Xavier? 

 

Em geral ligamos o nome do Papa atual, ao santo de Assis, por desde o início não se esquecer dos pobres, por querer restaurar a Igreja, pela fraternidade universal (Fratelli Tutti) ou pela ecologia integral (Laudato si).

 

Tenho a impressão de que ele é mais parecido com Francisco Xavier. Senão vejamos:

- Francisco de Assis é apenas diácono enquanto Bergoglio e Xavier são ambos presbíteros

- Bergoglio e Xavier pertencem à mesma Ordem, são jesuítas…

- Ambos apregoam uma igreja de saída

- Os dois têm preferências pelas periferias

- Tanto um como outro promovem misericórdia – “a única língua que todos entendem”

- Os dois são missionários por substituição: Mário Bergoglio sonha ser enviado para o Japão, mas por motivos de saúde é substituído por outro. Xavier substitui um missionário destinado ao oriente impedido por motivos de saúde

- Ambos partilham o mesmo método missionário: uma igreja evangelizadora deve primeirar, envolver-se, acompanhar e frutificar

- Usam as mesmas armas – JHS – Jesus dos Homens o Salvador

- Os dois procuram ter o cheiro das ovelhas a quem tocam e por quem se deixam tocar

- Tanto um como outro sonham visitar a China, mas continuam à sua porta…

 

Conclusão:

O Papa Francisco tem mais coisas em comum com Francisco Xavier do que com Francisco de Assis.

Não sei se é o Papa Francisco que é parecido com Francisco Xavier ou se é este que é parecido com o Papa Francisco.

Em todo o caso os santos são pessoas como nós para que nós sejamos santos como eles.

 

Ver também:

Missionário substituto

Parece doido, mas é santo

Xavier

Sem luta não há glória

Padroeiro das missões

Francisco missionário

Xavier missionário

Francisco Xavier

 



terça-feira, 1 de dezembro de 2020

A alegria de Jesus


3ª feira – I semana do advento

 

Jesus exultou de alegria ao ver a sabedoria e a humildade dos pequeninos e glorificou a Deus Pai.

Jesus gosta das crianças e as crianças gostam de Jesus.

Jesus não fala duma infância para trás, mas para a frente. Não fala de voltar àquela infância, mas de construir uma infância.

O homem ao crescer, corrompe-se, ensoberbece-se, aprende a mentira e pratica o mal.  Afasta-se cada dia mais do paraíso, é cada vez menos capaz de encontrá-lo.

Só há um caminho possível para voltar para Deus: a humildade, isto é, fazer-se pequenino aos olhos de Deus.

De facto, Deus fez-se pequenino em Jesus Cristo para que todos os homens pudessem voltar a crescer com e como Ele.

Jesus encontra alegria nos mais pequenos para que nós encontremos alegria em Jesus.

Os pequeninos e humildes são a alegria de Jesus para que Jesus seja a alegria dos pequeninos e humildes.

 

Perguntas conclusivas:

- O que é que alegra Jesus?

- O que faz Jesus quando se alegra?

- Quem é que está mais perto de quem? É Jesus que está mais perto dos pequeninos ou são os pequeninos que estão mais perto de Jesus?

 

Repostas respetivas:

- O que alegra Jesus é a sabedoria e a humildade dos pequeninos.

- Quando Jesus se alegra reza, louva a Deus Pai, dá graças a Deus Pai, glorifica-o, agradece-lhe…

- Jesus não está mais perto dos pequeninos porque Ele está perto de todos. São os pequeninos que estão mais perto de Jesus porque nunca o abandonaram.

 

Ver também:

Fora da humildade não há salvação

As grandes lições dos pequeninos