terça-feira, 14 de novembro de 2017

Paisagens do céu (31)






















Torneiras do céu

Aqui por estas bandas chove dia sim dia sim.
E só para de chover 
quando a chuva vai buscar mais água…

E se agora não está a chover aqui
é porque ou já choveu ou ainda vai chover hoje.





















Parece até que as nuvens estão cheias a derramar
ou então estão rotas, pois deixam cair tanta água.

Para além de ser uma ilha, 
rodeada de água por todos os lados,
tem água por dentro, nas lagoas, 
e até… água por cima.
É muita água!





















Os responsáveis por tudo isto são os anjinhos…
Esqueceram-se com certeza 
de fechar as torneiras do céu…
Terá sido de propósito? 
Por generosidade?

É que esta chuva de cada dia que nos dão hoje
só traz vantagens, porque sem trabalho nenhum
as ruas estão sempre lavadas
os jardins bem regados
o ar tão purificado
e o povo bem recolhido e descansado.






















segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Grão a grão

2ª feira – XXXII semana comum

A fé é como um pequeno grão de mostarda

O grão faz jus ao seu nome: 
é grão, isto é, é grande. 
Parece uma pequena semente, 
mas tem um enorme potencial de vida, 
é GRÃO.

As grandes coisas começam sempre a partir do interior.
As grandes transformações começam sempre por pequenas coisas ou pequenas sementes.
Tudo na vida começa do mais pequeno para o maior.



















domingo, 12 de novembro de 2017

Nem tanto ao mar nem tanto à serra

Ano A – XXXII domingo comum






















Os defeitos dos bons
As virgens prudentes foram imprudentes em 4 coisas: Nas obras, nas palavras, nos pensamentos e nas omissões. 
Imprudentes de obra, porque dormiram quando haviam de vigiar; no segundo, foram imprudentes de palavras porque disseram não baste quando haviam de dizer não sobeje; no terceiro, foram imprudentes de pensamento porque cuidaram que arriscando-se pela caridade, podiam correr perigo; no quarto foram imprudentes de omissão porque ao menos não pediram por quem lhes pedia. Elas não pediram nem intercederam por quem lhe pediu.

As virtudes dos maus
As virgens néscias foram oito vezes prudentes:
Primeiramente as néscias para se salvarem escolheram o estado de virgens enquanto muitos cristãos tomam o estado da torpeza, da sensualidade ou do adultério. São mais néscios que elas.
As néscias, em segundo lugar, saíram de suas casas, mas saíram a acompanhar o Esposo. E os homens ordinariamente a que saem? Uns saem só a sair, que é perder tempo, outros saem a ver e ser vistos, outros saem a jogar, a pleitear, a murmurar, que é perder o dinheiro, a fama e a consciência; e ainda quando saem à igreja que é as menos vezes, saem a ofender e injuriar a Deus em sua própria casa. São mais néscios que as néscias.
As néscias em terceira prudência é verdade que adormeceram e dormiram, mas tanto que ouviram a primeira voz, ou o primeiro clamor de que vinha o esposo, no mesmo ponto se levantaram. Quantas vezes clamam os pregadores nos púlpitos quantas vezes clamam dentro no peito as próprias consciências, quantas vezes clama o mesmo Deus com as vozes e com os brados de todas as criaturas, sem abrir os olhos, nem espertar, continuando a dormir cegos como dantes. Somos nós mais néscios que as néscias!
As néscias, quarta prudência, ornaram as suas lâmpadas e o mundo onde tanto se trata hoje de ornato, de que ornato é que trata? Galas e mais galas para o corpo, sedas e mais sedas para o corpo, ouro e mais ouro, joias e mais joias, vaidades e mais vaidades para o corpo. E a pobre alma, desprezada, rota, despida, envergonhada sem ter com que cobrir a fealdade e ignomínia… Somos mais néscios que as néscias.
As néscias, quinta prudência, vendo que se lhes apagavam as lâmpadas, com ser cousa de tanta repugnância o pedir aos iguais, não duvidaram, nem repararam em pedir às companheiras. Quantos há que querem antes roubar que pedir? Quantos que querem antes vender a alma e ainda o corpo que pedir? Quantos e quantas que querem antes dar-se ao demónio que pedir, nem ao mesmo Deus? Somos mais néscios que as néscias.
As néscias, e vai a sexta prudência, ainda que as prudentes lhes não quiseram dar o óleo tomaram contudo o conselho que lhes deram de que o fossem comprar. Quantas vezes nos dão bons conselhos os pais? Quantas vezes nos dão bons conselhos os amigos? Os livros, os anjos da guarda por meio das inspirações? Bons conselhos os exemplos, os castigos e nós contudo tão loucos e tão desaconselhados somos mais néscios que elas.
As néscias, sétima prudência, sem reparar no trabalho nem no dinheiro, nem na autoridade, foram comprar o óleo às tendas. E nós sendo que tudo nos custa, e tudo compramos, e a tão caros preços, só o céu não queremos comprar. Há dinheiro para o apetite, há dinheiro para a vaidade, para a vingança, para o jogo, para a peito, mas não há dinheiro para a restituição, para a esmola, para as capelas e obrigação… e quando não queremos o céu de graça, para comprarmos ao peso de ouro o inferno, não falta dinheiro. Mais néscios somos que elas.
As néscias finalmente, e é a oitava prudência, vieram ainda que tarde, bateram à porta do céu e chamaram muitas vezes pelo esposo. Elas vieram, bateram e chamaram; nós nem viemos, nem batemos, nem chamamos, antes está a representação e a tragédia tão trocada em tudo, que Deus é o que vem, e nós fugimos; Deus o que chama, e nós não respondemos; Deus o que bate e nós não abrimos. Vem Deus e está batendo, e chamando do nosso coração e nós respondemos às três pessoas da Santíssima Trindade: Não vos conheço. As virgens que tiveram as lâmpadas acesas com boas obras entraram, as que as tiveram apagadas, ficaram de fora. Nós somos piores que estas últimas.

(Cf sermão do Pe. António Vieira, em outubro de 1654, no colégio dos Jesuítas na Ilha de são Miguel, Açores)






sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O mundo dos espertos


6ª feira - XXXI semana comum

O mundo dos espertos e os espertos do mundo

Do evangelho de hoje:
... E o proprietário elogiou a esperteza daquele servo desonesto…

Jesus não elogia a desonestidade, mas o esforço.
Se para alcançar coisas materiais e passageiras somos tão inteligentes, esforçamo-nos tanto e fazemos tantos sacrifícios, ainda mais nos devíamos esforçar para as coisas eternas…
A esperteza deste mundo depressa vira vergonha enquanto a honestidade enobrece a alma.

O mundo é dos espertos, mas os verdadeiramente espertos não são deste mundo.





quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Deus na igreja

Festa da dedicação da Basílica de Latrão, a mais antiga igreja, a primeira e mãe de todas as igrejas, onde preside o Bispo de Roma























Há dias alguém enviou-me uma mensagem com esta afirmação:
- Deus está em você, não na igreja.
E eu respondi secamente:
- Sim, Ele está em mim e eu estou na Igreja.

Portanto: se Deus está em mim e eu estou na igreja, logo, Deus está na igreja.

Ámen!

Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles... diz o Senhor Jesus.



quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Renunciar, ter e ser


4ª feira – XXXI semana comum

Dois modos diferentes de compreender e viver o evangelho de hoje

1º
Renunciar, ter e ser

- Renunciar ou não ter família
Quem não me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos e às irmãs… não pode ser meu discípulo.
Em geral nós dizemos o meu pai, a minha mãe, os meus irmãos, a minha família… como se fosse o título de propriedade.
A família não nos pertence, nós é que pertencemos à família… preferir a Cristo, é declarar que pertence à família de Jesus… Quem fizer a vontade do Pai é que é a minha família.

- Ter cruz
Quem não toma a sua cruz para me seguir, não pode ser meu discípulo.
Não é a cruz que nos tem, nós é que temos a cruz, a abraçamos e a levamos.
A cruz que Jesus levou não era a sua, mas ele abraçou-a com amor e transformou-a em redenção.

- Ser Jesus
Seguir a Jesus é copiar o seu modelo, é seguir os seus passos, é ser como Ele.
Nós seguimos a Jesus para sermos como Ele.


2º
Três amores

- Amor à família
Quem não me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos e às irmãs… não pode ser meu discípulo.
Jesus não nos manda odiar a família, mas sim amar a família do jeito que ele amou.
Quem são meu pai, minha mãe e meus irmãos? Quem fizer a vontade de meu pai…
É preciso amar os outros como quem faz a vontade do Pai.

- Amor à cruz
Quem não toma a sua cruz para me seguir, não pode ser meu discípulo.
Jesus não se crucificou, mas deixou-se crucificar.
É preciso que o seu discípulo também se deixe crucificar.

- Amor a Jesus
Seguir a Jesus é copiar o seu modelo, é seguir os seus passos, é ser como Ele.
O amor consiste na plena identificação com o outro.



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Parábola das Desculpas


3ª feira - XXXI semana comum

A página do Evangelho de hoje apresenta a Parábola do Banquete.
Eu prefiro chamá-la de Parábola das Desculpas.
De facto um certo senhor preparou um banquete e convidou duas vezes os seus amigos que arranjaram desculpas e recusaram o seu convite.
Foram puras desculpas:
- Tudo estava preparado, isto é, o convite era para festejar e não para trabalhar e mesmo assim recusaram.
- Um desculpou-se com as coisas, com o campo que comprara, cuidar do que era seu.
- Outro desculpou-se com os afazeres, com a falta de tempo, ou com o trabalho, experimentar uma junta de bois…
- Aqueloutro desculpou-se com as pessoas, com os amigos… casara-se.
- Enfim… as culpas eram todas de fora, dos outros, quando na verdade a única culpa era a falta de vontade de cada um.

Ah se eu tivesse tempo…
Ah se eu tivesses outro ambiente...
Ah se os outros me ajudassem…
Desculpas, só desculpas, mais desculpas e más desculpas!

Quem quer arranja tempo, ultrapassa dificuldades, encontra forças e condições…
Não basta ser convidado, é preciso querer…



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ecos de um santo

Memória litúrgica de São Nuno de Santa Maria 
Álvares Pereira (1360-1431)























Foi um guerreiro santo para nos lembrar que todo o santo deve ser um guerreiro.

Nunca perdeu uma batalha para nos ajudar a vencer a última batalha que é a conquista do céu.

Sendo rico e poderoso tornou-se o mínimo e o servo de todos para nos advertir que sendo servos de todos nos tornamos ricos e poderosos aos olhos de Deus.

De leão corajoso converteu-se em pacífico cordeiro para nos ensinar a viver em paz com coragem e valentia.

Defendendo a Pátria defendeu a Igreja que é a pátria da alma para nos recordar que podemos defender a Igreja sem deixar de defender a Pátria.




domingo, 5 de novembro de 2017

O maior

Ano A -XXXI Domingo comum




















Do Evangelho de hoje:
Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo.

Quem é o maior?
A nossa grandeza pode ser medida por três maneiras diferentes.

1ª Resposta:
Diz a fita métrica que o maior é o que mede mais da cabeça à terra. Assim um adulto é maior que uma criança.
2ª Resposta:
Há quem diga que o maior é aquele que mede mais da cabeça ao céu. Assim um anão é maior que um gigante.
3ª Resposta:
Jesus diz que o maior é aquele que mais ajuda, aquele que mais serve…

O maior não é quem tem mais dinheiro ou mais poder, ou mais influência ou mais títulos.
O maior é quem mais ajuda.
Assim um pobre que ajuda alguém é muito mais importante do que um rico que vira as costas a quem mais precisa.
Ser grande não é medir mais nem da cabeça até à terra, nem da cabeça até ao céu.
Ser grande é ser servo, é ajudar mais. Pode ser uma criança, um pobre, um dona de casa… basta ajudar mais para ser o maior de todos.

Afinal quem é o maior?
É Jesus, porque é aquele que mais ajuda… ele veio para servir e não para ser servido.
Todo aquele que ajuda o seu irmão torna-se grande, torna-se da altura de Jesus, torna-se grande como Jesus…


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Paisagens do Céu (30)























Na minha terra diz-se que há tantas subidas quantas descidas.
Mas na estrada da vida ou na estrada que leva à vida, ou na estrada do Céu, só há subidas… há só um sentido, único e obrigatório.
É obrigatório subir, pois subir é obrigatório.
Não sei se o Céu fica lá em cima, ou lá em baixo… só sei que para lá chegar é preciso subir num sentido obrigatório.









Mas se a viagem até Deus é um retorno… então a estrada da vida tem dois sentidos: viemos de lá e para lá voltamos.
Nós é que desconhecemos o caminho por onde viemos para que possamos fazer o nosso próprio caminho de regresso.
E ainda bem que nunca encontrámos ninguém que de lá tivesse regressado… pois deixaria de ser surpresa, não aproveitaríamos tanto esta viagem, ou teríamos pena de lá chegar tão tarde…
Basta de distrações… Tenho de me concentrar na estrada da vida e continuar a minha viagem a caminho do céu.




A canção do dia


No dia de finados, partilho o que pode ser considerada a canção do dia, que aprendi na minha infância. A letra é do Pe. Manuel Coelho de Sousa (1924-1995) açoriano, para ser cantada com a melodia do folclore americano Red River Valley.


A teus pés, quando a tarde declina
Fatigados do nosso labor
Te ofertamos com todos os homens
O trabalho, o descanso, o amor

Com a noite nos cercam as sombras
E regressa a avezinha ao seu lar.
Nós buscamos, Senhor, teu refúgio
Teu amor nosso ninho será

Quando enfim para ti nos chamares
P’ra nos dar a gozar a tua paz
Na assembleia de todos os santos
Nosso gozo perfeito serás.