sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Crónica da guerra (3)

Outubro 1914
Dias 1,2,3. Ainda os canhões. As belas festas passam: São Remígio, 1ª sexta-feira do mês, e a libertação ainda se faz esperar. Eu tento escrever às nossas casas da Holanda e da Itália através dos correios alemães. 
No dia 4 é a bela festa do Rosário. A Santíssima Virgem, que salvou o cristianismo em Lepanto e em Viena, nos ajudará. A Prússia, que é o mal da Europa, como afirmaram os grandes católicos de Maistre e Veuillot, será humilhada. Há alemães excelentes, mas não são os luteranos prussianos luteranos, governados por uma família de cavaleiros apóstatas.

O Imperador!
Na noite de 4, o Imperador veio visitar os seus oficiais e banquetear-se com eles. Possa ele recordar-lhes o cumprimento das leis da guerra!
Dia 6, jornada de silêncio: qual é o resultado desta grande batalha de 12 dias?

A verdadeira França
- Senhor, vós quereis perdoar à França, mas faltam-vos uma quantidade suficiente de reparação e expiação.
- O governo não vos pode dar satisfação. Mas essas pessoas não representam a verdadeira França. Eles chegaram lá por uma série de fraudes, violências e intrigas: anulações, pressão eleitoral, favores, corrupção e mentiras. A verdadeira França é oprimida e enganada. A França tem mais de dez justos, tem muitas almas que rezam e sofrem.
- Ofereço-te, Senhor, as reparações da verdadeira França: as orações e penitências dos grandes institutos religiosos, beneditinos e Trapistas, Filhos de São Bruno, São Francisco, São Domingos, Santo Inácio, Santo Afonso.
- Ofereço-vos as reparações e adorações dos institutos dedicados ao Coração de Jesus e ao Santíssimo Sacramento: os Padres do Santíssimo Sacramento e do Picpus, as Irmãs da Adoração Reparadora e de Maria Reparadora, as Vítimas de Namur, de Marselha, de São Quintino; as obras de devoção das Irmãs de Caridade, das Missionárias de Maria e tantas outras; as obras de leigos: Apostolado da Oração, Comunhão Reparadora, Guarda de Honra, a Adoração de Montmartre, as adorações paroquiais e as primeiras sextas-feiras do mês. Eu ofereço-vos o sofrimento das nossas comunidades exiladas, e para completar a medida, todos os mortos e os todos os feridos desta guerra, todo o sofrimento do nosso povo, tantas famílias angustiadas e em luto. Tende piedade de nós, tende piedade da França!
- No dia 7 recebo finalmente uma pequena notícia dos nossos confrades. O padre Max Heberle está na sua casa de Erlenbach (Alsácia). Ele escreve-nos pelo correio militar por intermédio de um soldado do mesmo país, Bernard Schwab, padeiro militar. Nós respondemos-lhe, e poderá dar notícias às Irmãs da Alsácia-Lorena do convento de São-Quintino.
- Dias 8 e 9. A pobreza faz-se sentir. Estamos cercados há seis semanas e pode demorar ainda mais tempo. O Padre Matias não tem mais recursos... Temo que a recuperação seja difícil depois da guerra.

Bélgica
- Diz-se que a Antuérpia foi tomada. Por que é que a Bélgica Católica foi atingida a este ponto? Provavelmente não vai desaparecer, mas qual é o povo que não precisa de purificações e de expiações. O episcopado belga não mudou nos últimos anos o desenvolvimento do luxo, o rebaixamento da moral, a falta de firmeza na educação, o declínio das virtudes domésticas. A justiça de Deus acontece, é para curar e perdoar.
Os dias 10 e 14 passam muito monótonos. Ouvem-se os canhões, mas não sabemos mais nada…
- Recebi notícias de La Capelle pelo jovem Girardin que com bravura foi lá de bicicleta. Boas notícias dos meus familiares. O meu irmão está lá muito ocupado. Eles estão sob o inimigo desde 27 de agosto. Boas notícias dos meus sobrinhos de 30 de agosto a 19 de agosto [sic]. La Capelle não sofreu, mas sim Nouvion [-en-Thiérache] !! e Guise!
- Os franceses estão em Hirson (apenas por algumas horas).
- Dia 15. Ainda há dias maus. Anvers é tomada. O exército sitiante liberta-se e desce até à França. Lille é tomada.

Mosteiros
Por que é que a França foi privada de todos estes para-raios? Era rica em obras de reparação que apaziguava a justiça divina. Ela expulsou todas essas vítimas redentoras. Estas almas santas ainda oferecem as suas orações e sacrifícios para a França para além da fronteira. Deus terá isso em conta, mas vai demorar muito tempo.
Li num autor protestante uma bela página sobre o papel dos mosteiros: "A instituição dos mosteiros e a vida ascética, coisas egoístas na aparência e que parecem ter para eles apenas a beleza poética do inútil, encontram a sua justificação social e humana no serviço ao outro sendo santos para aqueles que são pecadores, para sacrificar a Deus, em expiação dos crimes e vícios do mundo, a oração incansável de um coração que arde de caridade, os tormentos voluntários, as privações e sofrimentos de um corpo exausto ". (Stapfers, decano da Faculdade de Artes, em Bordeaux, em seu livro Bossuet e Adolphe Monod, p. 401).

Montmartre
Dia 17. Festa da bem-aventurada Margarida Maria. Consagração da Igreja do Voto Nacional de Montmartre. Missa e instrução no convento. No céu, a Bem-Aventurada Virgem Maria, São Miguel e Margarida Maria apresentam ao Coração de Jesus a Basílica que ele pediu. Em Montmartre, os bispos e o povo representam a França devotada e penitente (pænitens Gallia e devota) oferecem também a Nosso Senhor esta igreja que ele queria. A consagração nacional é renovada. Nós unimo-nos a eles. Nosso Senhor terá em conta este grande ato e apressará o dia do perdão e da misericórdia.

Albert de Mun
- Eu soube da morte de um grande cristão, Albert de Mun. Eu tinha-o como um amigo, mantinha com ele um bom relacionamento. As emoções causadas pelas nossas provações mataram-no. Em breve estará no céu e rezará por nós.
- Dia 18, visita a Fayet. A casa não sofreu muito, mas lá como aqui perduram incessantes angústias morais.
- Pela estrada há trincheiras e tanques ingleses derrubados pelas balas.

O tifo
- Um novo flagelo para além da guerra e da fome aflige o povo. É o tifo que começa a invadir as nossas ambulâncias. Contam-se já 150 casos em São-Quintino. Da peste, da fome e da guerra, livre-nos Deus!
- Uma enfermeira alemã traz-nos o tifo para casa. Qual será o resultado?

Prefeitos e curas
- Alguns curas, prefeitos e deputados abandonaram os seus postos. Os deputados foram apreciar o bom clima do sul. Tudo isso é pouco encorajador. Os nossos padres assustaram-se ao ler no início da guerra que os alemães tinham fuzilado alguns sacerdotes em Alsácia-Lorena e na Bélgica.
- Dias 18-25. Jornadas monótonas e sem notícias. No entanto, parece que a Providência nos conduz com cuidado rumo à libertação. Paciência e oração.

Religiosos alemães
- A nossa casa do Coração de Jesus serve de alojamento para os religiosos alemães que vêm fazer as funções de capelães ou enfermeiros. Tivemos Franciscanos, um Oblato de Maria, um Padre de Picpus. Eles são de Westphalia ou da Renânia. Conhecem a nossa casa de Sittard e alguns dos nossos Padres. Eles edificam-nos pela sua piedade. A sua mentalidade é diferente da nossa. Eles não têm para os orientar a confiança sobrenatural como nós temos na missão da França.
- Quantos movimentos de tropas! São desfiles intermináveis. Elas foram até Paris, e estão de regresso agora. Os nossos radicais não gostam destas procissões, eles impediram as de Deus, agora têm de ver estas.

Sobre o Inferno
- Sobre o Inferno. A guerra recolhe muitos para o inferno. É uma explosão diária de raiva, ódio e raiva. Deseja-se ver os inimigos mortos e feridos, as suas cidades e aldeias reduzidas a fogo e a sangue. Não temos adjetivos suficientemente violentos para caracterizar os inimigos. Eles são bárbaros, animais selvagens, monstros. Comete-se todas as violências. Exprime-se os sentimentos mais odiosos: "Nós seremos vencidos, diz um alemão, mas vamos cobrá-lo caro." "Vamos ser batidos, diz um outro, nós partiremos, mas destruiremos tudo, só vos deixaremos os vossos olhos para chorar...".
Os hospitais estão cheios de feridos e doentes que sofrem, que gemem, que choram como condenados.
A guerra é um castigo divino, ela parece-se com o inferno.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Grande Teresa


Memória de Santa Teresa de Jesus (de Ávila),
Virgem e Doutora da Igreja

Mulher excecional
Vemos aparecer diante de nós como uma mulher excecional, como uma religiosa que coberta inteiramente pelo véu da humildade, da penitência e da simplicidade, irradia à sua volta, a chama da sua vitalidade humana e do seu dinamismo espiritual, e depois como reformadora e fundadora de uma Ordem Religiosa insigne e histórica, escritora genialíssima e fecunda, mestra de vida espiritual, incomparável na contemplação e infatigável na ação. Como é grande, como é única, como é humana e como é atraente esta figura. (Cf. Paulo VI na proclamação de Santa Teresa, Doutora da Igreja)

Mulher simples:
Vossa Mercê verá que não tem havido em mim senão cair e levantar. (Cf. Livro da Vida)
Não penseis amigas e irmãs minhas que serão muitas as coisas que vos recomendarei… Declararei somente três, que são da mesma Constituição: Uma é o amor de umas para com outras; outra, o despego das coisas criadas; e a terceira, a verdadeira humildade que embora a diga no fim, é a principal e as abrange todas. (Cf. Caminho da Perfeição)

Mulher forte:
Melhor amizade será esta do que todas as ternuras que se podem dizer pois estas não se usam nem se hão de usar nesta casa, tal como: minha vida, minha alma, meu bem outras semelhantes. Estas palavras afetuosas deixemos para Seu Esposo. È muito de mulheres e eu não quereria que o fôsseis em nada, nem o parecêsseis, senão varões fortes; e se fizerem quanto estiver em vossas mãos, o Senhor vos fará tão varonis que espante os mesmos homens. (Cf. Caminho da Perfeição)

Conclusão:
Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue
Com peito grande,
E, venha o que vier,
Nada te espante.
Vês a glória do mundo?
É glória vã;
Nada tem de estável,
Tudo passa.
Aspira às coisas celestes,
Que sempre duram;
Fiel e rico em promessas,
Deus não muda.

Ama-O como merece,
Bondade imensa;
Mas não há amor fino
Sem a paciência.
Confiança e fé viva
Mantenha a alma,
Que quem crê e espera
Tudo alcança.
Do inferno acossado
Muito embora se veja,
Burlará os seus furores
Quem a Deus tem.
Advenham-lhe desamparos,
Cruzes, desgraças;
Sendo Deus o seu tesouro,
Nada lhe falta.

Ide, pois, bens do mundo,
Ide, ditas vãs;
Ainda que tudo perca,
Só Deus basta.

(Cf. Obras completas, Poesia)


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Rezar o Pai Nosso

4ª feira - XXVII Semana comum


Santa Teresa de Ávila, in Caminho de Perfeição:

“Para rezar bem o Pai Nosso convém-vos não vos apartar de junto do Mestre que vo-lo ensinou.
E para que não penseis que se tira pouco lucro em rezar vocalmente com perfeição, digo-vos que é muito possível, estando a rezar o Pai Nosso, ou rezando outra oração vocal, que o Senhor vos ponha em contemplação perfeita.

Aqui só a vontade é a cativa… Não quereriam mover o corpo porque lhes parece que hão de perder aquela paz, e assim não ousam mexer-se; dá-lhes pena o falar; em dizer o Pai Nosso uma vez, vai-se-lhes uma hora. Estão tão perto que veem que se entendem por sinais.”

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Profetas do amor


Faz hoje 37 anos que os meus colegas e eu fizemos a nossa profissão religiosa. Desse grupo de 7, só estamos 2 no ativo. Dois já faleceram (um como dehoniano e outro como leigo), outros três optaram por outra vida (dois optaram por casar e um outro por ser padre diocesano). Continuamos dois. Recordo também o nosso Mestre de Noviços, que Deus o conserve! E rezo por todos, pois com certeza eles também não se esquecem de rezar e de torcer por mim.

Na década de noventa, traduzi numa canção o ideal que, nós dehonianos, herdamos do nosso fundador e que queremos continuar a seguir, cada um segundo o seu caminho.

Profetas do amor
Servidores da reconciliação
Herdeiros do Padre Dehon
Sacerdotes do Sagrado Coração. (bis)

1. Quem somos nós
Perguntas tu
Responderemos
Quem queremos ser

2. Talvez um dia
Tu também queiras
Seguir a Cristo
Ser como nós

3. E todos juntos
Numa só família
Continuaremos
Este ideal


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Ver com o coração


2ª feira - XXVII semana comum

Quem é o meu próximo?

É aquele que me olha não apenas com os olhos da cara, mas sobretudo com os olhos do coração.

Na parábola, só o samaritano olhou com o coração para aquele homem assaltado que jazia junto à estrada.
Os outros viajantes também o viram, mas apenas com os olhos e sem o coração.

Quem foi o próximo do homem que foi assaltado?
Aquele que usou de misericórdia para com ele, ou seja, aquele que o viu com os olhos do coração.
Então faz tu também o mesmo, isto é, ama quem usa de misericórdia para contigo, ama quem te vê com os olhos do coração.

sábado, 4 de outubro de 2014

Santo pobre e humilde

Memória de São Francisco de Assis

O santo pobre
"No eremitério de Sarciano, uma vez um frade perguntou ao outro de
onde vinha, e este respondeu:
- Venho da cela de Frei Francisco.
O santo ouviu e disse:
- Já que deste à cela o nome de Francisco, tomando posse dela para mim, que ela arranje outro morador, porque eu não vou mais morar lá. O Senhor, quando esteve no deserto em que orou e jejuou por quarenta dias, não mandou fazer uma cela nem uma casa, mas ficou embaixo de uma rocha da montanha. Nós podemos segui-lo na forma determinada, deixando de ter qualquer propriedade, embora não possamos viver sem casas."

O humilde santo
"De tarde Teresinha do Menino Jesus sentiu necessidade de sair de si mesma e disse-me:
- Preciso de um alimento para a alma: leiam-me a vida de um santo.
- Quer a vida de São Francisco de Assis? Poderá distrai-la quando fala dos passarinhos.
- Não, não é para me distrair, mas para ver exemplos de humildade – respondeu a santa camelita.!


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Assim reza a história

Faz hoje 174 anos que nasceu a Venerável Irmã Mary Wilson.
Para assinalar a efeméride partilho o que escrevi há dias para o boletim das Irmãs Vitorianas nas comemorações dos 500 anos da Diocese do Funchal.

Assim reza a história

A Venerável Irmã Wilson faz parte da história da Diocese do Funchal e a Diocese do Funchal faz parte da história e da santidade da Irmã Wilson.
Aqui a Irmã Wilson fez história, pois nunca se contentou em ver apenas as coisas acontecerem, mas sempre fez as coisas acontecerem. Em linguagem de hoje podemos dizer que ela foi uma pessoa pró-ativa, criativa ou inovadora. Em linguagem eclesiástica dizemos que foi uma pessoa carismática. De facto, é próprio das grandes almas descobrir as principais necessidades do seu tempo e dedicar-se-lhes.
Sem ser exaustivos podemos ilustrar esta relação em várias dimensões.
- Fez história ao fundar uma congregação… suponho que a única até hoje fundada nestas bandas. Consagrou-se e fez consagrar-se.
- Fez história ao descentralizar os serviços de assistência social, tanto na área da saúde como na educação e catequese. Atrevo-me a dizer que ela foi a primeira regionalista ou autonomista, no sentido mais rigoroso das palavras. Semeou comunidades, escolas e centros de saúde por toda a diocese, sobretudo nos lugares de maior carência.
- Fez história ao protagonizar a epopeia da caridade na assistência aos afetados pelas sucessivas epidemias, nomeadamente da varíola em 1907.
- Fez história ao ser a primeira mulher a receber a condecoração do grau de Cavaleiro da Ordem de Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito.
- Fez história convertendo-se e convertendo a Madeira, não tanto por palavras, mas pelo exemplo e pelo coração.
- Fez história ao fundar o primeiro pré-seminário na diocese do Funchal. Ela devia ser declarada a patrona diocesana das vocações sacerdotais, religiosas e missionárias.
- Fez história porque foi a primeira causa de beatificação instaurada aqui na diocese.
E podíamos continuar o elenco da história que a Irmã Wilson fez acontecer…
Mais importante do que tudo isto que fez a Irmã Wilson e do que continuam a fazer as suas herdeiras, as Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, o que realmente conta não é tanto o que ela fez, mas quem era. Ela fez o que fez, porque foi quem foi.
- Foi uma cidadã do mundo. Nasceu na Índia, cresceu na Inglaterra, estudou na França, visitou a Itália e a Terra Santa, trabalhou na Suíça… e veio para ficar para sempre neste pequeno torrão do Atlântico. Aqui se adaptou à realidade local, sonhou, chorou, lutou e venceu em perfeita encarnação ou inculturação. Foi madeirense de alma e de coração.
- Foi uma pessoa inquieta, sempre à procura da melhor maneira de ser útil, de deixar rasto do seu viver, sempre atenta aos apelos de Deus na Igreja e no mundo.
- Foi alguém que atendia todo o homem e o homem todo. Não se contentou em prestar auxílio só ao corpo, mas também à alma, não só ao espírito, mas à pessoa toda.
- Foi uma mulher de grandes causas, alguém que sempre se envolvia e fazia envolver-se. Nunca caiu na “tentação de Noé – isto noé comigo, ou, já fiz a minha parte e o resto é com os outros, já noé para mim.” Sempre fez com que todos fizessem acontecer, pois todos deviam ser responsáveis por tudo e por todos.
- Foi alguém que nunca ficou parada. Foi criança hiperativa, jovem inquieta e arrojada, adulta empreendedora, idosa ativa… Sempre teve algo para realizar, um desafio a assumir, uma nova missão a cumprir, um ideal a abraçar. Nem no céu está parada, porque lá continua a ser aquela que sempre foi na terra.
A Venerável Irmã Wilson ainda hoje continua a fazer história e a somar Vitórias.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Simplesmente santa e feliz

Memória de Santa Teresinha do Menino Jesus

“- Minha filha Teresa parece-me que não deveis ter grande coisa a dizer às vossas superioras.
- Porque dizeis isso, minha Madre?
- Porque a vossa alma é extremamente simples; mas quando fordes perfeita, sereis ainda mais simples. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nos simplificamos.
De facto quanto mais humilde mais feliz…”

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Aprendendo com os anjos

Festa dos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

1º - Não devemos ter pena de não ser como os anjos
“Mas porque é que Deus não me criou um anjo? Se Jesus não te criou um anjo do céu, foi porque quer que sejas um anjo na terra, sim Jesus quer ter a sua corte celeste cá em baixo como lá no céu. Ele quer anjos-mártires, quer anjos-apóstolos, e criou uma florzinha ignorada que se chama Celina com esta intenção.” (Santa Teresinha do Menino Jesus)

2º - Os anjos é que devem ter pena de não ser como nós
“Os anjos não podem sofrer, não são tão felizes como eu. Como eles focariam admirados se sofressem e sentissem o que eu sinto.” (Santa Teresinha do Menino Jesus)

3º O que pedimos aos anjos, ou o que eles nos podem ensinar
Força de São Miguel (Quem como Deus)
Alegria de São Gabriel (fortaleza de Deus)
Caridade de São Rafael (Medicina de Deus)




















(Cf, figura in ChaveLaCatolica)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Padre Pio


Hoje celebra-se a memória do Padre Pio.
Rezemos a oração que ele costumava fazer depois da Comunhão:

O meu passado, Senhor, confio à Tua misericórdia.
O meu presente, ao Teu amor.
O meu futuro, à Tua Providência. 

Ámen!


domingo, 21 de setembro de 2014

Deus está próximo


Ano A - XXV domingo comum

O Senhor está perto de quantos o invocam...

De facto Deus está perto de nós 
para que não vivamos longe dele.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Modelo feminino


6ª feira – XXIV semana comum

Acompanhavam Jesus … algumas mulheres … que O serviam com os seus bens.

Eis a vocação e a missão das mulheres e dos discípulos de Jesus:

- A vocação de dar Deus ao mundo
O exemplo e o modelo desta vocação é Maria de Nazaré: presença discreta, ícone da disponibilidade e do dom, gera e dá um filho ao mundo.
O Filho, no calvário, dá por sua vez a sua Mãe ao mundo.
Ela tem, como qualquer mulher, uma dupla vocação:
Dar Deus ao mundo e dar o mundo a Deus, sendo mãe do mundo.

- A missão de servir
Jesus é o modelo desta missão.
Ele está no meio de nós como alguém que serve.
As mulheres serviam Jesus e os seus discípulos…
É esta a missão de cada mulher, de cada discípulo, a exemplo de Jesus que veio para servir.

As mulheres são modelos da vocação e da missão de cada cristão.



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Ir à confissão


5ª feira – XXIV semana comum


Acompanhamos hoje no Evangelho a ida de uma pecadora ao confessionário para ser absolvida dos seus pecados. Foi durante uma festa, numa casa familiar.
Ainda hoje acontece o mesmo fenómeno: Confissão de pecados, ajoelhar-se, em ambiente familiar, festivo e o regresso em paz.

Tem a palavra, Santa Teresinha do Menino Jesus, Doutora da Igreja:
“ Ao sair do confessionário (quando me preparava para a primeira comunhão) eu estava tão contente e tão leve que nunca tinha sentido tanta alegria na minha alma. Desde então voltei a confessar-me sempre nas grandes festas e era para mim uma verdadeira festa cada vez que lá ía.”
Conclusão: Comecemos a confessar-nos nas grandes festas e então será sempre uma grande festa o dia da nossa confissão.

Escreveu numa carta a mesma santa:
“O nosso esposo é um esposo de Lágrimas e não de sorrisos. Demos-lhe as nossas lágrimas para o consolar e um dia essas lágrimas transformar-se-ão em sorrisos de uma doçura inefável.”
Conclusão: O nosso Deus é dum Deus de lágrimas e não de risos. Saibamos dar-lhe não os nossos sorrisos que depressa podem transformar-se em lágrimas. Saibamos dar-lhe as nossas lágrimas para que as transforme em alegria plena.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Educação cristã e virtudes da infância (IV)


               Resta-nos falar da pureza. Vimos a educação cristã ensinar à criança a fé, o amor, o respeito, a coragem. Para completar a educação e concluir esta obra-prima, falta ainda a única coisa que salvaguarda e embeleza estas quatro coisas, aquilo que dá ao homem o complemento da sua beleza: a auréola de uma angélica pureza.
               Há na pureza da infância e da juventude uma beleza superior às demais, que deve sofrer a prova dos assaltos da carne e da volúpia, e que a filosofia sozinha é impotente a preservar. É preciso acrescentar que a educação cristã é verdadeiramente a sua única defesa.
               Razão tinha De Maistre quando dizia vendo certos colégios: “O olhar do sábio detém-se dolorosamente sobre esta massa de jovens em que as virtudes são isoladas e os vícios postos em comum.” Sim, é com estranho espanto que os pais e as mães e todos os que se preocupam com as almas contemplam este estranho espetáculo: duas ou três centenas de crianças, no momento em que os sentidos despertam e as paixões fervem, atiradas para esta atmosfera incandescente, e os mestres a pairar numa indiferença tranquila acima destas tempestades dando-se por satisfeitos se conseguirem manter nesta loucura ardente uma ordem de conveniência e uma disciplina imposta. Sem dúvida que a filosofia sabe ensinar à criança, que submeter a carne ao espírito é o primeiro dever do homem e que a pureza é a honra da juventude, mas conhece-se o poder desta vaga moral sobre as paixões ardentes.
               A educação cristã possui luzes penetrantes, forças dominadoras e influências vitoriosas que a filosofia desconhece.
               A educação cristã dá à alma da criança cintilações sublimes que dão à pureza que lha pede uma coroa celeste e lhe dá uma atração divina. É ela que ensina à criança que o seu corpo é um templo, a sua alma um santuário, o seu coração um sacrário, onde JESUS CRISTO vivo vem morar. É ela que revela à criança, no tesouro da sua inocência, o preço do sangue de um Deus. É ela por fim que faz aparecer, mas alturas do céu, o ideal da pureza, irradiando do rosto de CRISTO e da Virgem Imaculada sobre a humanidade cristã.
               Com a luz que mostra a pureza, é necessária na vontade uma força que a natureza sozinha não pode dar.
               Esta força vem do banho fortificante e regenerador em que a Igreja nos mergulha com todos os seus sacramentos; encontra-se nas águas da penitência e no caudal do sangue de JESUS CRISTO; encontra-se na confissão e na comunhão, e nesta pura atmosfera formada em torno da criança por todas as práticas santas.
               Ah! Sem dúvida, isto não quer dizer que nenhuma criança abusará da sua liberdade e não se sentirá pobre no meio de toda esta riqueza; mas o que é verdade, é que a maior parte, num meio onde se distribui a educação cristã, conservará até aos dezoito anos a sua pureza ainda intacta ou gloriosamente reparada depois das feridas do combate.
               Recorro novamente às nossas testemunhas.
               Uma criança de dezasseis anos escrevia no seu caderno orações como esta: “Virgem Maria, sei que vos devo tudo; é a vós que dou graças por tudo, mas em particular pela pureza que me conservastes até este dia e que me conservareis durante toda a vida, não é?, ó Virgem Imaculada! Tomo o céu e a terra como testemunhas do meu juramento, sim, mais de mil vezes a mais cruel morte do que um só pecado contra a santa virtude!
               Outro “teve de travar grandes lutas contra as suas paixões, porque tinha um temperamento muito ardente, mas ao mesmo tempo dotado da energia que normalmente acompanha estes caracteres, sabia reprimir os impulsos da sua natureza”.
               Um terceiro ia completar dezassete anos, e no entanto “a serenidade do olhar, a franqueza expressiva do sorriso, a simplicidade da linguagem, a modéstia das suas maneiras, não sei que aspeto encantador de reserva virginal e de abandono infantil, tudo nele deixava transparecer a inocência do coração”.
               Para outro: “eu conheci, diz uma testemunha, este excelente jovem e fui depositário das suas confidências. Não vos direi nada da admirável pureza da sua alma, da delicadeza da sua consciência. A virtude que tínheis admirado na criança encontrava-se ainda no jovem mais madura, fortalecida, embelezada pela luta e pelas vitórias. Tudo o que tinha aspeto de mal inspirava-lhe ou horror ou desprezo”.
               Aqui, recolho o juízo dos colegas: “nunca ouvi sair da sua boca qualquer palavra ainda que fosse pouco leviana”. – “A sua qualidade dominante era, a meu ver, a modéstia”.
               Ali, é um mestre que envia um aluno ao responsável superior: “Quanto aos seus costumes e à sua piedade, não se preocupe: é uma criança perfeita. Para mim que o acompanhei durante quatro anos, nunca o surpreendi, não só uma palavra, mas nem sequer um olhar, um sorriso, um gesto, uma atitude, que fosse indício de uma virtude diminuída”.
               São alguns extratos; eu poderia completar um volume. Apresento apenas mais um que põe frente a frente os dois sistemas da educação e respetivos. Uma criança tinha sido enviada primeiro para uma casa pouco cristã. “Lá, diz a sua biografia, a imoralidade reinava por entre os seus colegas; ela era quase geral: se não o atingiu, se ele se conservou puro, só se o pode atribuir à piedade que a sua mãe lhe tinha incutido, à sua prudência na escolha dos amigos e à forma como se aplicava ao trabalho em todo o curso dos seus estudos. Estas felizes qualidades atraíram sobre ela o ódio e a inveja dos seus rivais; estes moveram-lhe pirraças e perseguições secretas.
               Os desgostos que sofreu nesta casa e sobretudo os perigos que corria a sua inocência levaram os pais a tirá-lo de lá para o meter numa casa eclesiástica. A sua piedade já sólida, pareceu então encontrar-se no seu ambiente natural e cresceu consideravelmente no meio de bons exemplos que tinha sob os seus olhos”.
               Nós sabíamos e agora vemos de maneira palpável esta verdade de facto: a mais bela das virtudes da infância reina principalmente nas casas da educação cristã.
               Quero terminar com um contraste. Copio o retrato do colegial dos nossos dias, traçado por um escritor que tem um dos primeiros lugares na Revista dos Dois Mundos e que é, nesta circunstância, apenas o eco da opinião comum (Georges Sand).
               “O adolescente, diz ele, ou é educado de uma maneira excecional ou então deixa de existir. O que nós vemos todos os dias é um colegial mal educado, infetado por algum vício grosseiro que já destruiu no seu ser a santidade do primeiro ideal; ou, se, por milagre, a pobre criança escapou a esta peste das escolas, é impossível que tenha conservado a castidade da imaginação ou a santa ignorância da sua idade… É feio, mesmo quando a natureza o dotou de beleza… tem o aspeto envergonhado e nunca vos olha nos olhos.
               As carícias da sua mãe fazem-no corar; dir-se-á que se reconhece indigno… Ser-lhe-ão necessários anos para perder o fruto desta detestável educação, para perder esta marca de fealdade que uma infância desgraçada e o embrutecimento da escravidão imprimiram na sua fronte, para olhar com serenidade e erguer a cabeça… Mas já as paixões se apoderaram dele; nunca terá conhecido os afetos puros de que acabo de falar”.
               É este, segundo parece, o retrato do adolescente de hoje, quando não é educado de maneira excecional. Se assim é, pais e mães de família, procurai para os vossos filhos essa educação excecional, e estou convencido de que a encontrareis nas casas de educação cristã. Mostrei-o nestes traços que recolhi de cem biografias diversas. Queria mostrá-lo nos vossos filhos, mas não se louva os vivos e além do mais, para a maior parte deles, a sua tenra idade desculpa-lhes a falta ainda de alguma virtude.
               Não posso ainda no nosso caso louvar os defuntos. Nascemos há pouco tempo. Todavia o céu enviou-nos já a mais amável das nossas crianças e arrebatou-a o ano passado. A sua vida poderia ser objeto de uma notícia não menos interessante do que qualquer outra. Julgai por algumas linhas extraídas da alocução proferida no seu funeral: “Saúdo, dizia o seu venerável pároco, saúdo os restos mortais desta criança de catorze anos com o mesmo respeito com que saudaria o ancião vergado pela vida e de virtude consumada. Oiço, com efeito, o livro da sabedoria que nos diz: O que torna venerável a velhice, não é a longevidade da vida, mas a prudência do homem ainda que jovem que substitui os cabelos brancos, e a vida sem mancha, ainda que curta, é uma feliz e gloriosa velhice. Vós que conhecestes o Eugénio, dizei-me, esta singela pincelada dada pelo próprio espírito de DEUS, não traz até aos nossos olhos a figura pura e radiante do nosso querido menino? Quem não trocou com encanto algumas palavras com ele? Quem não se sentiu atraído por ele? Quem não se achou melhor ao separar-se dele? A piedade era a base desta natureza essencialmente cristã. A piedade foi porventura entrave para o cultivo da inteligência? Vede: no confronto com espíritos de elite, qual é o seu lugar? O primeiro invariavelmente. Ele tem no quadro de honra um lugar garantido, e quando os seus mestres queriam citar um modelo para o trabalho, para a obediência, para a educação e as boas maneiras, eles diziam: Vede o Eugénio” (Eugénio Savard, d’Origny-Saint-Benoît. – Discurso pronunciado no seu funeral por M. Abade Jardinier).
               Este quadro condiz com o que nos ofereceu há pouco o escritor que se assina por Georges Sand.
               Voltemos a ler agora a objeção que ressoou este ano na imprensa e na tribuna: “A educação cristã não é capaz de produzir a virtude.” Ela espanta-vos, não é? E o seu atrevimento faz-vos sorrir.
               A vossa confiança está reanimada; era esse o meu objetivo. Entrego-vos agora, pais e mães, os vossos filhos. Eles vão receber as recompensas do seu trabalho, esperando triunfos mais brilhantes num cenário mais elevado, em que hão de imitar, assim o espero, os mais velhos que conseguiram este ano cinco diplomas de bacharelato.
               De seguida Monsenhor se dignar-se-á dar-lhes a sua bênção, depois partirão fortes e alegres para praticar durante as férias as virtudes que são as amáveis companheiras da educação cristã: a piedade, a pureza, a energia e o afeto.

               

Quando Deus visita


3ª feira - XXIV semana comum


Quando Deus visita o seu povo

- não há silêncio que Ele não entenda;
- nem tristeza que Ele não conheça;
- nem amor que Ele ignore;
- nem lágrimas que não valorize;
- nem pecados que não perdoe;
- nem bem que não partilhe;
- nem milagre que não realize.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Martírio de Nossa Senhora

Ao comemorar a memória de Nossa Senhora das Dores não posso deixar de rezar por todos os cristãos perseguidos e martirizados nestes dias no Iraque, na Síria e demais países do Médio Oriente.
O martírio de Maria continua na perseguição feroz aos cristãos nos nossos dias. 
E dizem que há mais martírios hoje do que no tempo das perseguições romanas nos primeiros séculos do cristianismo, mas quase ninguém se importa.
Este ano, esta memória dolorosa tem um sentido mais profundo.
E que tenho eu de especial para ser poupado a esse martírio?
Rezo por nós, por quem é perseguido e por quem vive aqui acomodado.

Manda as rubricas litúrgicas que as vestes da celebração sejam brancas na memória de Nossa Senhora das Dores.
Se fosse eu a mandar determinava que fossem de cor vermelha em atenção ao martírio de Nossa Senhora.
De facto rezamos na antífona do Aleluia:
Bendita seja a Virgem Maria que, sem passar pela morte, mereceu a palma do martírio, ao pé da cruz.
Esta é a memória do martírio de Maria de Nazaré.
E, à imagem de todos os martírios a quem ela se associa, devíamos revestir-nos com as vestes vermelhas.

Então onde está a cruz de Maria?
A cruz de Maria está onde está a cruz do seu filho, pois junto à cruz encontrava-se Maria...
A cruz de Maria é a cruz de Jesus porque ela está junto à cruz.
Ainda hoje ela mantém-se junto da cruz dos seus filhos.
Queres identificar a cruz de Nossa Senhora?
Olha à tua volta e repara nas cruzes dos teus irmãos e aí identificarás a presença de Maria, nossa mãe.

Dizem que a casa de Maria veio de Éfeso para a cidade do Loreto, na Itália.
Eu nunca vi, nem sei nada disso.
Apenas reparo no Evangelho de hoje:
A partir daquela hora o discípulo recebeu Maria em sua casa.
Então onde é a casa de Maria?
A casa de Maria é a casa do discípulo.
Queres visitar a casa de Maria, ou Maria na sua casa?
Então vai visitar um discípulo e aí encontrarás Maria.


Educação cristã e virtudes da infância (III)



               O respeito é irmão do afeto.
               Há também entre a religião e o respeito uma afinidade profunda. A religião dá à alma a impressão do respeito.
               Só DEUS de resto é a razão do respeito que se dedica aos homens e às coisas. É o profundo trabalho da educação religiosa que incute o respeito na alma da criança descobrindo-lhe, onde quer que se coloquem diante dela, estas representações e estas imagens de Deus as únicas capazes de governar os nossos respeitos.
               A educação católica mostra à criança, na hierarquia da Igreja, uma majestade que desce de DEUS e que se eleva até Ele por CRISTO. Ela mostra-lhe na família a dignidade paterna e a dignidade materna que são para elas representações da dignidade divina. Quando o pai e a mãe delegam num educador todos os seus direitos de ensinar e de educar um filho, transmitem-lhe ao mesmo tempo algo da sua dignidade, e se este educador pertence ao mesmo tempo à hierarquia da Igreja, tem aos olhos das crianças um duplo carácter de autoridade e como que um duplo reflexo da majestade divina.
               Assim, o catolicismo justifica o elogio que lhe foi feito pela sinceridade de um ilustre protestante: é a maior escola de respeito que há sobre a terra.
               Será preciso acrescentar que o respeito gera a obediência e com ela a confiança e a docilidade, e que leva assim às outras virtudes da infância, ao hábito do trabalho, à seriedade e à força de carácter?
               Estas nobres energias não se impõem acaso à vontade quando o espírito concebeu o respeito por DEUS, pelo dever e por si mesmo?
               Recorramos novamente ao testemunho do nosso livro de ouro e vejamos se o respeito e a coragem aparecem aí em destaque tal como a piedade e o afeto. Leio que um passou por altura da sua primeira comunhão por uma transformação maravilhosa: “Pôde-se deste então, diz-se, notar no comportamento desta criança um progresso sensível, o seu trabalho foi mais consciencioso, os seus esforços para dominar a sua natureza foram mais enérgicos, mais constantes, o seu esforço de agradar aos pais e professores mais perfeito e mais consistente”.
               Vejo que outro levava a sério a virtude. “No que se refere à grande coisa, escreve ele a seu irmão, está melhor. O céu seja bendito por ajudar os meus esforços e a minha boa vontade. Sinto-me mais forte contra a tentação e, quando me apercebo de alguma fraqueza, levanto-me de imediato. Que mais te direi? A nossa vida de colégio tem algo de monótono; nada de novo nisso. Mas não quero queixar-me, aprende-se a vencer-se, domina-se a sua vontade, exerce-se a virtude e o sacrifício; afinal, isto é o essencial, é tudo, e vale o mundo inteiro”.
               Outro começou os seus estudos num internato eclesiástico. Distinguiu-se pela exatidão no cumprimento de todos os seus deveres, pela sua aplicação, pela sua docilidade. Soube merecer o afeto dos mestres e dos colegas. Razões que não vale a pena explicar, levaram os pais a mudá-lo para um colégio de outro género. Aí teve de travar duras lutas para não trair a sua fé. Encontrou-se, apesar das boas intenções dos responsáveis, à mercê de uma multidão de colegas perversos e sem religião que inutilmente tentaram arrastá-lo. A esta guerra de sedução, sucedeu-se outra de mentira, de sarcasmos e de maus-tratos; nada o pôde vencer. Furiosos com a sua resistência, aqueles jovens ímpios tornaram-se carrascos; chegaram até à barbárie de submeter o seu virtuoso condiscípulo a uma espécie de crucifixão, fazendo-lhe com suas navalhas incisões nas mãos em forma de cruz. Ele sofreu esta cruel brutalidade com uma coragem heroica: sem mostrar ressentimento nem rancor, continuou a viver como cristão fervoroso e intrépido sob os seus olhares; o que os impressionou de tal maneira que muitos deles, encantados, não só pela firmeza do seu carácter, como também pela doçura e suavidade das suas maneiras, acabaram por colocar-se do seu lado considerando uma honra protegê-lo de novas perseguições.
               O contraste não prejudica a nossa demonstração. Estas imagens vivas de energia e de respeito não vos encantam? Não pensais que estas flores e estes frutos mostram bem o valor dos terrenos onde foram cultivados?



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A trave e o argueiro


6ª feira - XXIII semana comum

Comentário dialogado:

1ª cena
- Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista?...
- Então, Deus não nos manda vigiar?
- Sim, sim, manda vigiar cada um a sua vida e não a vida dos outros.

2ª cena
- Então amigo, já reparaste que o nosso vizinho tem um defeito na vista?
- Eu não. Aliás estou muito ocupado tentando tirar a viga da minha vista. Por isso não tenho tempo para olhar para o cisco que está na vista dos meus vizinhos.