sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Memorial Pe. Colombo (12)


Chegada à Madeira

Pelo meio dia do 15 de janeiro de 1947, os dois fundadores da Presença Dehoniana em Portugal, largaram do maravilhoso estuário do Tejo para a sua terra prometida: a Madeira…
Muito antes da primeira claridade do dia 17 de janeiro, já eu estava de pé, pois tinham anunciado a chegada ao Funchal logo para a manhã cedo. Rezei as orações da manhã fiz a meditação, recitei o breviário (pois no navio Carvalho Araújo não havia capela) e… esperei, olhando para o horizonte na monha frene. Mas nada aparecia! Finalmente, no lado poente, lá ao longe, aparecia uma luzinha.
- É a Madeira? – perguntei a um marujo.
- Não! É o farol do Porto santo. Daqui a duas horas estaremos na Madeira!
O mar estava calmo, o céu sereno. A oriente aparecia a claridade suave preanunciando a chegada do grande astro, enquanto, lá no alto, as estrelas desapareciam. Improvisamente, uma meia lua surgia das ondas… foi crescendo… tornando-se redondo… transformando-se em esplendor. Era o sol!
Eu não era poeta… mas naqueles instantes… até me veio à mente a exclamação de um poeta: C’est lui! C’est la vie!
Ainda um pouco e estaremos na Madeira – disse comigo.
Apareceu o farol de S. Lourenço que depois de uma longa meia hora, o dobrámos e entrámos no mar da Madeira.
Agora, já muita gente estava na amurada do lado poente do navio a contemplar a costa madeirense. Eis Machico, a primeira baía visitada pelos descobridores. Eis Santa Cruz. Eis as lombadas de Gaula e as encostas do Caniço. Todos os olhos descansavam na visão verde das bananeiras… dos poios de batata doce… dos bosques de pinheiros e eucaliptos lá ao alto.
Passámos um cabo, um rochão escuro e a pique sobre o mar e eis a baía do Funchal, com o seu casario em anfiteatro subindo do mar até aos bosques da serra, espraiando-se de S. Gonçalo a S. Martinho.
… Com as malas perto de nós, encostámo-nos à amurada de levante, à espera da possibilidade de descer. Era por volta das 10 horas.
Avistámos dois eclesiásticos, que deviam estar à nossa espera porque acenavam e faziam sinais… Um era o Pe. Laurindo Leal Pestana e o outro era, o então seminarista, Agostinho Jardim Gonçalves. Pouco depois subimos para um carro descoberto que nos levou diretamente para a residência do Sr. Bispo, D. António Manuel Pereira Ribeiro que nos acolheu efusivamente, apesar do seu porte de dignidade e gravidade.
Depois fomos celebrar missa à Igreja do Socorro, paróquia do Pe. Laurindo, já passava das onze. À celebração da missa seguiu-se o almoço… um almoço de festa. O anfitrião abriu uma garrafa de vinho Madeira de 1847. Cem anos a festejar a nossa vinda! Que honra!- pensámos nós.
À chegada à Escola de Artes e Ofícios, onde nos íamos alojar, fomos recebidos com uma banda de música… Ainda hoje um espetáculo com teatro e canções.
Já noite fomos saborear uma cama que não baloiçava, consolados e bem impressionados com o bom acolhimento e a festa. Só mais tarde é que viemos a saber que toda aquela festa era para celebrar o aniversário do Pe. Laurindo, que coincidiu com a nossa chegada. E nós a pensar que a festa era para nós!

(Memórias do Pe. Ângelo Colombo, Lisboa, 1994)

Santo secular


Depois da missa perguntei às irmãs se sabiam se o santo do dia, Antão, Abade, era um santo religioso ou secular.
- O senhor padre não sabe isso!? Acabou de celebrar a missa da memória de um santo religioso…
- Mas irmã, olhe que eu digo que ele era um santo secular… disso tenho eu a certeza.
- Não diga mais nada… está aqui no diretório litúrgico: comum dos santos religiosos.
- As irmãs têm razão e eu tenho razão também: ele viveu até aos 106 anos, portanto era um santo SECULAR!
- Ah, assim sim… eu já pensava que o senhor padre é que não estava a REGULAR!

Tantos caminhos


6ª Feira - I Semana Comum

Primeira leitura
O Povo de Israel quis ser como os outros povos, quis ter um rei…
É uma tentação ainda atual: querer ser como os outros em vez de esperar que os outros queiram ser como nós.
O povo de Deus é que deve influenciar os outros e não o contrário.
Os outros é que devem acomodar-se a nós e não o contrário.

Evangelho
Fizeram descer o catre com um paralítico pelo teto até ao local onde estava Jesus…
Não interesse como vamos até Jesus, por que caminho chegamos até Ele.
O mais importante é o caminho e a forma como voltamos do encontro com Ele.
Não interessa o caminho que nos leva a Jesus, mas sim o caminho que nos traz de volta do encontro com Jesus.

Santo do dia
Santo Antão, Abade, no século IV viveu no deserto, isolado, sem comunicações, nem publicidade… e todos iam ter com ele para pedir conselhos ou serem instruidos, até mesmo imperadores e altos dignitários.
Como é que é possível que o seu conhecimento pudesse chegar tão longe?

É porque a santidade é uma espécie de perfume que se espalha sem se saber como e vai longe sem se saber por onde e marca uma presença sem se dizer palavra…

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Estendendo a mão


5ª Feira - I Semana Comum
1ª Leitura
Os filisteus disseram: Ai de nós que a Arca de Deus está no acampamento.
Nós dizemos: Felizes nós pois Deus está o acampamento... Deus plantou a sua tenda entre nós.
Evangelho:
Um leproso prostrou-se de joelhos diante de Jesus que, compadecido, estendeu-lhe a mão e curou-o.
Jesus estendeu a mão ao leproso porque este deixou espaço para isso pois estava de joelhos...
Se achamos que Deus não se compadece de nós ou não nos entende a mão, é sinal deque nós não lhe damos espaço para isso.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Perfil heroico


A data do início da sua congregação deixou-a a Irma Wilson registada numa agenda, no dia 15 de Janeiro de 1884:
“Amélia Amaro de Sá, Irmã Maria Elisabeth e Irmã Maria de S. Francisco se juntaram em 1884 para fundar a Congregação Franciscana de S. S. das Vitórias”. (MDW 45)

Um grande momento registado por palavras tão parcas e simples, mas daqui podemos traçar o perfil de uma fundadora, realçando as suas virtudes heroicas

Perfil heroico de uma fundadora

- Maturidade = dia em que a irmã Maria Elisabeth completava os 18 anos. Independência e responsabilidade em relação a outros .
- Comunhão = juntaram-se. Ninguém se salva sozinho. Amor à Igreja. Filiação na Família Franciscana. Colégio São Jorge.
- Partilha = ambas fundaram a congregação. Regra e espírito de São Francisco. Levar aos outros as graças recebidas.
- Identidade = ambas Maria, Senhora das Vitórias. Mesmos sentimentos e mesma adesão a Deus Pai. Identificar-se com os pobres, doentes e necessitados.
- Santidade = dar espiritualidade à vida e dar vida à espiritualidade. Cada carisma é um jeito próprio de santificar a vida e dar vida à santidade.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Cala-te e sai...


3ª Feira - I Semana Comum


Da Primeira Leitura:
- Com lágrimas se reza a pedir e com lágrimas se agradece.
- Rezar é 'desabafar', é abrir o coração a Deus.

Do Evangelho:
- Autoridade de Jesus.
Autoridade e autor provêm do mesmo étimo. Vêm do verbo augere que significa fazer crescer, aumentar, produzir, ser o promotor e o responsável por alguma coisa. Autoridade é a qualidade do autor, de quem faz crescer, do fundador de alguma coisa, o que tem o poder de fazer ou é o responsável por isso. É o contrário de autoritarismo que é a qualidade de quem faz crescer a si mesmo, que se promove a si mesmo... e faz diminuir os outos. Jesus falava com autoridade, isto é, fazia crescer os outros, promovia quem o escutava, levantava quem estava em baixo... Era mesmo uma autoridade, um autor que fazia crescer os outros.
- Cala-te e sai desse homem...
Em geral nós dizemos: come e cala-te, de maneira ofensiva, quando queremos que alguém não refile. Devíamos dizer antes: cala-te e come... não gastes tempo com palavras, come porque é para isso que aqui estás. Jesus também convida alguém a calar-se e a sair... como que a dizer que se deve afirmar não pelas palavras, mas pelas obras. Cala-te, não digas nada, pois não é quem diz Senhor, Senhor... Não digas nada, mas sai, faz, mostra obras e não palavras...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Estar ocupado


2ª Feira - I Semana Comum

A - Vem
Começámos, há tempos, um novo ano litúrgico com o Advento repetindo insistentemente: Maranathá, vem Senhor.
Iniciamos, agora, o tempo Comum, em que Jesus insistentemente nos repete: Vem e segue-me.
É próprio do cristão ir ao encontro de Deus e deixar que Deus venha ao seu encontro.
Quanto mais repetimos Vem Senhor, tanto mais Ele nos repetirá Vem e segue-me.

B – Estar ocupado
Jesus chamou para colaborar consigo dois pares de irmãos; uns que estavam a lançar as redes e outros que consertavam as redes. Ele não convidou ninguém que estivesse desocupado.
Conta o Cardeal Seán O’Malley que certo dia, o arcebispo de Nova Iorque recebeu, pelo telefone interno, a chamada da rececionista:
- Eminência, está aqui um homem na entrada que diz ser Jesus Cristo. O que é que eu faço?
O Arcebispo respondeu prontamente:
- Dê a impressão de estar muito ocupada!
Aquele mendigo, fora do seu juízo, dizia que era Jesus Cristo e era de facto Jesus Cristo na aparência confrangedora, num pequenino, simples e pobre, pois quem receber um destes pobres pequeninos a mim recebe, disso o próprio Jesus.
Mas não temos de parecer ocupados, temos mesmo é de estar ocupados para que Jesus nos convide…


domingo, 12 de janeiro de 2014

Memorial Pe. Colombo (11)

Cálice e patena

Durante este mês de janeiro encerramos as comemorações do centenário do nascimento do Pe. Ângelo Colombo (25 de janeiro de 1913 - 4 de maio de 1995).
Para assinalar esta efeméride durante este mês as Eucaristias na Capela do Colégio Missionário, por ele fundado, estão a ser celebradas com o Cálice e a Patena que lhe foi oferecido para a Missa Nova na sua terra natal.
Que este cálice seja um símbolo privilegiado do sacerdote que foi o Pe. Ângelo Colombo.
Na ordenação sacerdotal é entregue ao novo sacerdote o cálice e a patena com estas palavras:
- Recebe a oblação do povo santo a ser oferecida a Deus. Compreende o que fazes, imita o que celebras, conforma a tua vida com o ministério da Cruz do Senhor.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ungido e Enviado


5ª Feira depois da Epifania

Depois de termos acolhido a revelação dos Anjos aos Pastores, da Estrela aos Magos, de João Batista aos seus discípulos, eis que é altura de Jesus se revelar por ele próprio:
- O Espírito de Deus UNGIU-ME e ENVIOU-ME.
Jesus é o UNGIDO e o ENVIADO de Deus.

São 2 dimensões da mesma realidade:
É preciso agarrar e é preciso atirar.
Ungido quer dizer agarrado, apanhado, acolhido, segurado...
Enviado quer dizer atirado, projetado, chutado. arremessado...
Para ser atirado é preciso ser primeiro agarrado.
Só se é agarrado para se ser atirado.

A exemplo de Jesus todos nós somos também ungidos e enviados, agarrados e atirados... 
Estamos nas mãos de Deus... e isso é uma bênção para nós.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Coração endurecido


4ª Feira depois da Epifania

1ª Leitura:
Costuma-se dizer que quem não deve não teme.
Mas para São João não é isso.
Para ele o amor não casa com o temor.
E por isso quem ama não teme
e quem teme não ama.
Tenhamos confiança!

2ª Evangelho:
Os apóstolos tinham o coração endurecido...depois da multiplicação dos pães.
O coração humano endurece mais depressa do que qualquer tipo de pão.
Sejamos mansos e humildes de coração para que ele não fique endurecido.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Multiplicação da partilha


3ª Feira depois da Epifania

O milagre da multiplicação da partilha


Os pães e os peixes não se multiplicaram, simplesmente não se acabaram.
É tal a grandeza de Deus e do amor que pôs nos nossos corações, que, se queremos, o que temos nunca se acaba.
O milagre não está na multiplicação dos pães, isto é, Jesus não os multiplica antes da distribuição dos Apóstolos, senão que a sua quantidade vai aumentando durante a mesma.
Jesus pede aos discípulos que mandem as pessoas sentar-se em grupos de cinquenta. Isto significa que já não são uma multidão, mas tornam-se comunidades, alimentadas pelo pão de Deus.
Em seguida Jesus toma os pães e os peixes, eleva os olhos ao céu, recita a bênção e depois parte-os e começa a dá-los aos discípulos para que eles os distribuam...e os pães e os peixes não acabam mais!
Trata-se assim de uma partilha e não propriamente de uma multiplicação. Todos comem e ainda sobeja: é o sinal de Jesus, pão de Deus para a humanidade.
Os poucos pães confiados ao poder de Deus não só são suficientes para todos, mas chegam a sobejar…


Com a bênção de Jesus tudo o que é partilhado nunca se esgota.
Este é o milagre da cooperação humana,
 o milagre da partilha fraterna,
 o milagre da fonte inesgotável,
 o milagre do sobejo da plenitude.




domingo, 5 de janeiro de 2014

Olhar para o alto


Epifania
 
Os Magos chegaram a Belém guiados por uma estrela.
Porque uma estrela?
Porque só olhando para o alto podemos chegar até Deus.
 
Na Escola onde trabalho foi construído um presépio no hall de entrada numa plataforma por baixo do teto, por cima da cabeça de quem passa. Para descobrir o Deus Menino é preciso sempre olhar para cima. Quem passa cabisbaixo não descobre nada.
Por outro lado, por cima da porta há um grande espelho de modo que quem sai do edifício passa por baixo do presépio e vêm em frente, refletido no espelho, o presépio. Assim o Menino olha sempre de frente quem entra e quem sai.
 
É preciso olhar em frente para o alto para chegar até Jesus, tal como fizeram os Magos.
 
Por fim, os magos ao chegarem onde estava Jesus, prostraram.se diante do Menino.
De facto depois de olhar para o alto é preciso ajoelhar-se, em atitude de adoração, humildade, oração e simplicidade.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Os presentes dos Magos



EPIFANIA
 
Os presentes que os Magos ofereceram ao Menino Jesus, ouro, incenso e mirra, eram símbolos da riqueza e adoração na cultura do Médio Oriente. Assim, os Magos homenagearam Jesus Menino vindo como rei (ouro dado por Belchior vindo da Pérsia com 60 anos) como Deus (incenso dado por Gaspar vindo da Índia com 40 anos) e como homem (mirra dada por Baltasar vindo da Arábia com 20 anos).
Que símbolos escolheriam outras culturas do mundo para ofereceram ao Menino?
Quais seriam, por exemplo, os seus equivalentes dinâmicos-culturais dos africanos?
 
No Sudão, segundo a explicação de um catequista da diocese de Torit, os presentes seriam uma cabrinha como símbolo de riqueza e de realeza, uma lança como símbolo de proteção e de saúde e uma vergasta ou chicote como símbolo de poder.
Na etnia Ganda do Uganda dariam ao Menino um tambor que é símbolo de realeza e de autoridade, uma lança que é símbolo de proteção e de defesa  do povo e um vestido de casca de árvores que é o que se usa na investidura de um rei.
Na etnia Kuria na Tanzânia e Quénia dariam uma cabrinha para a sua mãe, farinha para alimentar o bebé e azeite para ungi-lo. De facto, na tradição africana é muito importante presentear a mãe.
(Cf. Towards na African Narrative Teholoy, pag. 97)
 
É caso para concluir que os africanos são mais práticos.
 
E nós?! Que presentes queremos dar ao Menino?


 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Natal (36)



Natal de Paul Claudel

Na fria manhã do dia 25 de dezembro de 1886, um jovem de 18 anos, que depressa iria tornar-se grande poeta e dramaturgo, dirigiu-se à catedral de Notre Dame de Paris. Tinha feito, quando garoto, a primeira comunhão, mas também tinha sido a última. O mundo para ele não era mais do que uma imensa engrenagem material sem coração e sem rumo… E os pobres seres humanos? Nascem sem terem pedido, disfrutam somente aqueles que podem, e todos sofrem…
Assim pensava o jovem Paul Claudel, aprendiz de escritor, enquanto caminhava triste para a catedral., numa húmida manhã de Natal. Buscava um tema para escrever, um motivo inspirador. Mas quem sabe o que procurava? Tinha lido há pouco as iluminações do poeta Rimbaud que lhe provocara um profundo sentimento, quase físico, da Presença Sobrenatural. Há pouco tempo também tinha morrido o seu avô, depois de longos meses com um doloroso cancro de estômago e desde então, a angústia e a obsessão da morte não o abandonavam.
Acompanhou a missa sem muito interesse. Pela tarde, ‘não tendo nada melhor para fazer’ segundo o que ele mesmo nos conta, voltou à catedral para assistir ao ofício das Vésperas. Estava de pé, entre a multidão, junto à segunda coluna do lado da sacristia. Tarde cinzenta de Natal em Paris. Tarde obscura do coração numa catedral toda iluminada. De repente, o coro dos meninos, vestidos de roquetes bancos, entoou o Magnificat, que ele não conhecia: o canto de Maria, mãe de Jesus, o canto dos pobres, o salmo dos humildes, o hino da Vida e da Misericórdia.
“Então produziu-se o acontecimento que domina toda a minha vida. Num instante, o meu coração foi tocado e acreditei. Tive de repente o sentimento penetrante da inocência, da terna infância de Deus.” Uma revelação inefável! E começou a chorar. E enquanto o coro dos meninos cantava  o Adeste fideles, continuou a chorar sem parar. E quanto mais chorava mais se consolava.
E nasceu assim, um novo discípulo do Deus Menino.
Isso é Natal: todas as penas do mundo transformam-se em lágrimas de consolo, em lágrimas de compaixão, até que as lágrimas transformem todo o mundo. Isto é o essencial e tudo o mais não passa de imagens e palavras. Quando as imagens são belas e as palavras inspiradas, convertem-se em chamas de luz e de calor, em poemas que iluminam a noite…
Era aquilo mesmo que o jovem poeta tinha pressentido, meses atrás, nos versos de Rimbaud. Mas agora revelava-se na sua forma cristã mais bela: os ritos, os cânticos, os relatos do Nascimento, Jesus, Maria, os anjos, os pastores, Belém… Deus fez-se carne de Menino, carne da nossa carne. Deus é carne humana. Natal é a infância eterna de Deus.
Isto é Natal: acolher e viver a eterna infância ou a bondade eterna de Deus em todas as circunstâncias da vida.

(adaptado de José Arregi)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Natal (35)


Concurso de Presépios
 
Foi organizado um concurso de presépios e fui convidado a fazer parte do júri para a escolha do vencedor.
Alguém fez uma declaração de voto:
- Este presépio é original ou criativo, tem elementos naturais etc. etc. mas tem um defeito: a gruta está rente ao chão de modo que não se consegue ver as suas figuras...
- Precisamente por isso - atalhei eu - é o que tem o meu voto, porque a melhor posição para contemplar o presépio é ... de joelhos!
É verdade. O presépio só pode ser admirado com humildade e em espírito de oração, e por isso de joelhos. Se o presépio não me faz ajoelhar e rezar com humildade, devoção e simplicidade não está a cumprir a sua missão.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Memorando


Lembra-te, irmão, que tens neste novo ano:
 
Um Deus para glorificar
Um Cristo para imitar
Um anjo para honrar
A Virgem e os santos a quem rogar
Uma alma para salvar
Um corpo para sacrificar
Pecados para expirar
Virtudes para praticar
Um tempo para aproveitar
O próximo para ajudar
Demónios para combater
Paixões para dominar
O inferno para evitar
O paraíso para ganhar
A eternidade para viver
E talvez a morte para passar
E muitas contas para prestar
... ... ...

De joelhos


Formulamos votos de boas entradas no ano novo:
- Entrar com o pé direito para dar sorte...
- Eu prefiro entrar com os dois pés para ir mais longe...
- E eu quero entrar no novo ano de joelhos para receber as melhores bênçãos de Deus...

Tendo terminado um ano tenho muito que agradecer...
Mesmo no meio de uma crise económica e financeira, mesmo rodeado de tanto desemprego, mesmo sem desfrutar do melhor conforto... eu tenho tanta coisa para agradecer.
Sou feliz porque tenho tantas maravilhas.

Assim como havia as 7 maravilhas do mundo antigo:
Os jardins suspensos da Babilónia
As Pirâmides de Gizé
A Estátua de Zeus
O Templo de Ártemis
O Mausoléu de Halicarnasso
O Colosso de Rodes
O Farol da Alexandria
                      eu também tenho 7 maravilhas,

Assim como temos as 7 maravilhas do mundo moderno:
A Muralha da China
Petra na Jordânia
Cristo Redentor no Brasil
Machu Piccu no Perú
Chichén Itza no México
O Coliseu de Roma na Itália
Taj Mahal na Índia
                      eu também tenho 7 maravilhas.

Quais são as minhas 7 maravilhas?
 
Poder ver
Poder ouvir
Poder tocar
Poder provar
Poder sentir
Poder sorrir
Poder amar.

É por isso que enho muito que agradecer por tantas maravilhas!
 
 

 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

TE DEUM

Último dia deste ano.
Dia de dar graças a Deus e de pedir perdão.
 
Entre tantos exemplos podemos seguir o do Beato Carlos de Áustria, que repousa aqui na Madeira:
 
Para o beato Carlos de Áustria tudo foi dom de Deus, tanto as alegrias como as adversidades. Também gostava de repetir com frequência: Encontramo-nos nas mãos da divina Providência. Tudo o que nos acontece está bem. Apenas confiemos…
No dia 12 de novembro de 1918 foi proclamada a República e a queda da Monarquia. Os bens sujeitos ao Erário da corte foram confiscados e, na mesma tarde, Carlos com toda a sua família, teve que deixar Viena rumo à sua casa de caça em Eckartsau, mas antes de deixar o palácio fez uma visita de despedida ao Santíssimo.
Apesar desta situação ele continuou, todas as tardes, a rezar o Te Deum, e o fez cantar no dia 31 de dezembro de 1918, em ação de graças por tudo quanto o ano que expirava tinha trazido. Propuseram-lhe omiti-lo. Ele porém, respondeu que naquele ano muitas graças tinham sido alcançadas graças às quais devia agradecer. Declarou que, naquele ano o bom Deus tinha-lhe dado provas particulares de sua bondade, melhor: que o tinha cumulado com tais provas. Também se o ano parecia ter sido muito duro, poderia muito bem ter-se tornado ainda pior, e se da mão de Deus recebemos com gratidão o vem, então, devemos receber, com a mesma gratidão aquilo que é penoso. Ademais, naquele ano tinha-se terminado a terrível carnificina internacional.
A Sra. Maria Lackers, que estava com o seu marido no dia 31 de dezembro de 1921 na Madeira, conta como foi esta última passagem de ano na casa do Imperador quando verdadeiramente todo o mundo parecia desmoronar-se sobre o Beato:
À tarde, como devoção de encerramento do ano, houve na capela da casa uma solene bênção Eucarística. Estávamos apenas o Imperador. A Imperatriz e nós. Também foi rezado o Te Deum. Atrás de nós, ficava um ano que tinha sido o mais duro da vida do Servo de Deus. Ele encontrava-se longe da pátria, no exílio; na mais drástica necessidade material; estava separado de seus filhos e não sabia o que o dia seguinte haveria de lhe trazer de mal. Durante o Te Deum nós, um após o outro, fomos nos silenciando, porque a dor nos fazia fugir a voz. Somente o Servo de Deus manteve-se firme até ao fim, acentuando cada palavra… Olhei-o com admiração. Percebia-se com toda a evidência que para ele, naquele momento, existia apenas Deus – ninguém mais – e que aquele Te Deum era um íntimo diálogo entre Deus e o seu mais fiel servidor. Na época, ele não sabia se tornaria a ver os seus filhos, não sabia o que o dia seguinte haveria de lhe trazer, e contudo, rezou com muito fervor aquela oração de ação d e graças.

Giovanna Brizi, A vida religiosa do Beato Carlos da Áustria (último imperador da monarquia austo-húngara), Estudo dos documentos do Provesso de Beatificação, 2012, Edições Lumen Christi, Rio de Janeiro

 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Natal (34)

Conto breve de Natal

Naquele tempo, os pastores da Judeia não sabiam o que fazer com o ouro, o incenso e a mirra que José carpinteiro de Nazaré lhes deixou como prova da sua gratidão quando fugiu à pressa para o Egipto. Enterraram então tudo isso no fundo de um ribeiro… e nunca mais pensaram no assunto.
Mas ainda hoje há quem esteja à procura desses tesouros escondidos.
E é pena não terem ainda encontrado! Talvez assim terminassem as guerras e os conflitos naquela região.


(ouvido não sei quando, adaptado não sei donde, inventado não sei por quem, partilhado não sei porquê)

domingo, 29 de dezembro de 2013

Família Sagrada



É preciso contemplar no Presépio a Sagrada Família para que nos habituemos a ver na nossa família um verdadeiro presépio.

Fazer presépios é unir mundos:
O mundo humano – José, Maria, Pastores
O mundo divino – Jesus, anjos
O mundo animal – O boi, o jumento, os rebanhos
O mundo vegetal – a árvore de natal, as searas
O mundo mineral – a rochinha, a gruta

Quando nasce uma criança todos querem saber se é bonita como a mãe, se tem os olhos do pai… a quem é mais parecido, pois um bebé ao nascer é sempre parecido com alguém.
Jesus ao nascer com quem se parece? Com o pai? Com a mãe?
Nada disso.
Jesus não se parece connosco, nós é que devemos ser parecidos com Ele.

A oração à Sagrada Família composta pelo Papa Francisco e recitada no Angelus deste domingo:
ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA

Jesus, Maria e José,
em Vós, contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, a Vós, com confiança, nos dirigimos.
Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, escolas autênticas do Evangelho e pequenas Igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais se faça, nas famílias, experiência de violência, egoísmo e divisão: quem ficou ferido ou escandalizado depressa conheça consolação e cura.
Sagrada Família de Nazaré,
que o próximo Sínodo dos Bispos possa despertar, em todos, a consciência do carácter sagrado e inviolável da família, a sua beleza no projeto de Deus.
Jesus, Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica.
Ámen.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Mártir = testemunha

Festa de santo Estêvão - Diácono e proto-mártir
 
1. Serviço e testemunha.
O serviço é um testemunho, o martírio é um diaconado.
 
2. Jesus nasceu na terra para que os homens possam nascer para o céu.
Precisamente porque Cristo nasceu, nós podemos renascer.
 
3. Martírio é a santificação.
Nos primeiros quatro séculos do cristianismo, todos os santos venerados pela Igreja eram mártires.
 
4. De presépio ao Calvário.
Do presépio à cruz, de Belém a Jerusalém, da aclamação à acusação.
 
5. Incentivo ao combate.
Os elefantes são estimulados a combater ao ver sangue. Assim nós ao contemplar o sangue do martírio de Estêvão somos estimulados a lutar pelo nosso ideal que é Cristo Jesus.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Natal na austeridade


Gratidão

Novena de Advento - 23 de dezembro


Gratidão é o oposto da inveja

Interessar-se/Conhecer
Agradecer/Congratular-se
Publicar/Bendizer
Amar/Guardar
Isto é GRATIDÃO

Alegrar-se com o mal do vizinho
Intristecer-se com o bem alheio
Falar mal do próximo
Desprezar os louvores dos outros
Isto é INVEJA

Natal (33)

O NATAL é sempre uma grande lição...


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Deus conta contigo


Novena de Advento - 20 de dezembro

O anjo disse a Maria:
- Avé ó cheia de graça divina... O Senhor conta contigo!

Os cursistas cumprimentam-se assim.
Um diz: Deus conta contigo!
E o outro responde: E eu com a Sua graça!

De facto Deus conta connosco como contou com a Virgem Maria.
Saibamos então contar sempre com a Sua graça!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Resposta de Deus

Novena de Advento - 19 de dezembro

O nascimento de João Baptista é um desafio a confiar no Senhor. O Anjo disse a  Zacarias: ‘Não temas porque a tua súplica foi atendida, terás um filho a quem porás o nome de João.’ O maravilhoso disto é que Zacarias e a esposa eram já muito idosos, tinham rezado a Deus pedindo um filho quando eram novos. Só agora é que veio a resposta. Deus responde sempre, umas vezes de imediato, outras quando o tempo já amadureceu ou até no silêncio.
Em Friburgo, na Suiça, há um antigo santuário, lugar sagrado onde é fácil rezar. As paredes estão cobertas com expressões de gratidão pelas graças aí alcançadas pela oração. Uma placa destoa de todas as outras: ‘Graças por não teres respondido à minha oração.’ Que teria aquela pessoa na ideia? Teria compreendido como a resposta pedida não estava nos planos de Deus? Teria entendido o silêncio de Deus? Teria assumido que a maneira de Deus ver o problema, fora melhor e mais esclarecida? Não sei, mas aquela oração, gravada numa pedra da parede da capela, é para mim uma importante lição. Os caminhos de Deus não são os meus. Ele sabe melhor quando e como responder aos meus anseios. Não conheço todos os seus planos, muitas vezes não os entendo. Devo aprender a confiar e a esperar.
Zacarias esperou até à velhice para receber a graça que pedira na juventude. 

Mas, afinal, Zacarias não era tão velho assim.
Uma pessoa só envelhece quando perde a capacidade de sonhar e quando os lamentos substituem os sonhos.
Zacarias, apesar dos seus longos anos, continuou a sonhar ... até o seu sonho se tornar realidade.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Deus tão perto


Novena de Advento - 18 de dezembro

Que aprendamos de Maria e de José, entre tantas outras virtudes:

1º A colaborar nos planos de Deus.
2º A proteger a vida humana desde a sua conceção.
3º A não julgar ninguém.
4º A valorizar os amigos de Deus.
5º A obedecer a Deus, mesmo não entendendo...

Deus = Emanuel = Deus Connosco = Deus mais perto




terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Lista telefónica

Novena de advento, 17 de dezembro

Parabéns ou PARA MUITOS BENS, PAPA FRANCISCO, no seu 77º aniversário natalício.

A reflexão é a que o aniversariante proferiu hoje na missa desta manhã, a propósito das leituras litúrgicas:

"O Evangelho de hoje com a genealogia de Jesus revela que Deus quis fazer caminho connosco, quis fazer caminho com os pecadores. Uma vez ouvi alguém que dizia: Mas esta passagem do Evangelho parece a lista telefónica! E não, é outra coisa: esta passagem do Evangelho é pura história é um argumento importante. É pura história, porque Deus, como dizia São Leão Papa, Deus enviou o seu Filho.
Deus fez-se história. Deus quis fazer-se história. Está connosco. Fez o caminho connosco.
Faz história connosco.
Mais: quando Deus quer dizer quem é, diz ‘Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacob.’
Mas qual é o apelido de Deus? Somos nós, cada um de nós. O apelido de Deus é cada um de nós.
Deus fez-se escrever a história por nós porque Deus é humildade, é paciente é...amor. Um Deus que nos dá tanto amor e ternura: A sua alegria, foi partilhar a sua vida connosco.

Aproximando-se o Natal, podemos pensar: se Ele fez a sua história connosco, se Ele ficou com o nosso apelido, se Ele deixou que nós escrevêssemos a sua história, pelo menos deixemos que Ele escreva a nossa história, E isto é santidade: Deixar que o Senhor nos escreva a nossa história. Este é um desejo de Natal para todos nós. Que o Senhor te escreva a história e que tu deixes que Ele a escreva, Assim seja!"

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Deus é um pai babado

5ª Feira - II Semana Advento

“A leitura do Livro do Profeta Isaías, sublinhou não tanto o que o Senhor nos diz mas sim, como nos diz. Fala-nos como um pai e uma mãe falam ao seu menino.
Quando um menino tem um pesadelo, acorda, chora... o pai vai e diz: não temas, não temas, eu estou aqui. Assim fala-nos o Senhor. ‘Não temas vermezinho de Jacob, larva de Israel’ O Senhor tem este modo de falar: aproxima-se...Quando vemos um pai e uma mãe que falam com os seus filhos, nós vemos que eles tornam-se pequenos e falam com voz de criança e fazem gestos de criança. Quem olha de fora até pode pensar: Mas estes são ridículos! Porque o amor do pai e da mãe tem necessidade de aproximar-se e de baixar-se ao mundo do menino. E assim é o Senhor.
E depois o pai e a mãe dizem coisas um pouco ridículas ao menino: ‘Ah, meu amor, meu brinquedinho, meu brinquinho...’ e essas coisas assim. Também o Senhor o diz: ‘vermezinho de Jacob’, tu és como um vermezinho para mim, uma coisinha pequena, mas amo-te tanto. Esta é a linguagem do Senhor, a linguagem do amor de pai e de mãe. Palavra do Senhor? Sim ouvimos aquilo que diz mas também como o diz e nós devemos fazer aquilo que faz o Senhor: com amor, com ternura, com aquela condescendência para com os irmãos.”
OSenhor aproxima-se com aquela sonoridade do silêncio própria do amor. É a música da linguagem do Senhor:
Esta é a música da linguagem do Senhor, e nós na preparação para o Natal devemos ouvi-la: devemos ouvi-la, vai fazer-nos bem, muito bem. Normalmente, o Natal parece uma festa de muito barulho: faz-nos bem um pouco de silêncio e escutar estas palavras de amor, estas palavras de tanta proximidade, estas palavras de ternura... ‘Tu és um vermezinho, mas eu amo-te tanto!’
(Papa Francisco, missa do dia 12/12/13)




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Sem fadiga


4a Feira - II Semana advento

- Oração da Colecta
Que não nos cansemos de aguardar a presença consoladora do Médico divino.

- 1ª Leitura
Deus eterno não se cansa nem se fatiga...
Os jovens cansam-se e fatigam-se...
Os que esperam no Senhor correm sem se fatigarem, caminham sem se cansar.

- Evangelho
Vinde a mim todos vós que estais cansados...
Achareis descanso para as vossas almas...
Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve...

- São João da Cruz
A alma que anda no amor não cansa nem descansa.

- Pe. Leão Dehon
Só o amor torna leve uma cruz...

- Sabedoria popular
Quem corre por gosto não cansa.



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Falar ao coração


3ª Feira - II Semana Advento

- Da 1ª Leitura:
Consolar = Falar ao coração
Deus consola-nos e nós consolamos a Deus
porque nós falamos ao coração de Deus
e Deus fala ao nosso coração.

- Do Evangelho

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ponto de encontro


2ª Feira - II Semana Advento

Na 1ª Leitura:
No tempo do Senhor florescerão o deserto e o descampado.
Ficarão cheios de flores... 
A vida estéril e triste transformar-se-á em vida cheia de alegria e entusiasmo.
Isto porque uma casa sem flores é uma casa sem alegria.

No Evangelho
- Todos os caminhos vão dar a... JESUS. Ele é um verdadeiro ponto de encontro de tudo e de todos. 
- Todos ajudam todos. O paralítico não podia aproximar-se de Jesus devido à multidão, mas afinal foram os outros que o levaram assim ainda mais perto de Jesus. A multidão afinal não afasta ninguém de ninguém.
- Depois de se ter encontrado com Jesus, o homem curado voltou para a sua casa carregando o seu equipamento. Agora já não queria ser sobrecarregado para ninguém. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A diferença está onde?


5ª Feira - I Semana Advento

Duas casas em tudo igual, mas com destino diferente.
Onde se pode encontrar o motivo deste destino diferente?

- Nos obstáculos? - Não porque a tempestade foi igual tanto numa como noutra.
- No projeto? - Não porque eram casa com o mesmo formato.
- No local? - Não porque podiam estar lado a lado.
- No construtor? - Não porque tanto um como outro podiam construir diferente.
- No material? - Não porque, afinal, o material era o mesmo.
Então onde está a diferença?
A diferença está no tamanho.
Sim, a rocha e a areia são da mesma matéria, mas com tamanhos diferentes.
A rocha é grande, consistente e firme.
A areia é pequena, movediça e solta.

Como é que nós construímos a nossa vida?
Sobre ninharias, insignificâncias e coisas passageiras?
Ou construímos sobre algo consistente, eterno e firme?
São estes valores que realmente contam.

A diferença está no tamanho.
Que a rocha sobre a qual edificamos a nossa vida seja grandes, consiste e firme.
Não basta edificar sobre os valores insignificantes, dispersos ou passageiros.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Quando o pouco vira muito


4ª Feira - I Semana Advento

Jesus disse-lhes:
- Tenho pena desta multidão, porque há três dias que estão comigo e não têm que comer. Mas não quero despedi-los em jejum… Quantos pães tendes?
Eles responderam-Lhe:
- Sete, e alguns peixes pequenos.
Jesus tomou os sete pães e os peixes e, dando graças, partiu-os e foi-os entregando aos discípulos e os discípulos distribuíram-nos pela multidão.
Todos comeram até ficarem saciados.

1º - Jesus nunca despede ninguém em jejum.
2º - Jesus nunca faz nada sozinho.
3º - Jesus abençoa o que é apresentado pelos homens.
4º - Jesus entrega e os homens distribuem.
5º - Jesus sacia plenamente.

Jogo
Por em ordem as palavras de modo a formar uma frase a propósito deste episódio evangélico:
 - Deus – nada – o muito – sem – é – muito – é – com – o pouco – Deus =

Completa a parte final de cada interrogação:
- Se tens a Deus, que te_________?
- Se te falta Deus, que __________?



Soluções:
O pouco com Deus é muito
O muito sem Deus é nada

Se tens a Deus, que te falta?
Se te falta Deus, que tens?


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Horário de um santo


Um dia típico da vida de um santo, segundo uma carta escrita pelo próprio Pe. Prévot:

“Levanto-me logo de manhã. Às 4 estou na capela até às 5. Desço a escada com os sapatos na mão para não disturbar os confrades que dormem e aproximo-me do altar. Aqui posso facilmente falar com o Senhor, estar com ele em adoração e escutá-lo. Vêm-me à cabeça as necessidades da Igreja, da minha Congregação, da minha comunidade. Às 5 e 10 levanto-me dos degraus do altar e faço a via-sacra. Ainda estou nas últimas estações quando começam a descer os meus noviços para a oração da manhã.
Acabada a via-sacra procuro unir-me à comunidade com a oração da regra e com a santa missa.
Depois da missa faço uma meia hora de ação de graças. Depois vem o tempo da refeição.
Das 8 e um quarto até às 10, o noviciado faz a adoração por turnos. Eu fico pela minha meia hora. Ficaria todo o tempo, mas não me é possível. Depressa sou chamado e devo deixar o Senhor pelo Senhor, indo ao encontro a visitadores e confrades.
Das 10h15 às 11 abro a correspondência e trato de assuntos da casa.
Às 11h faço a conferência aos noviços.
De tarde das 14 às 17 leio ou escrevo os meus livros. Quando chegam os meus jovens para a direção espiritual e para as confissões estou só à sua disposição. Se me deixam livre recito a parte do breviário que me ficou suspensa.
A jornada não acaba sem falar aos meus confrades coadjutores no momento em que estão realmente livres, às 21h. É uma conversa de 15 minutos e dificilmente passa dos 20 minutos. Têm todos necessidade de repouso e não lhes posso reter mais tempo.
Faço um giro pelo noviciado para que tudo esteja em ordem e depois não posso ir dormir sem ir à igreja e desabafar com o Senhor Jesus, falando da jornada e dando-lhe graças.
(Cf. Paolo Tanzella, SCJ, Carta Bianca Vita di padre Andrea Prévot, Andria, Setembro de 1987 página 106)

Com muito amor!

Hoje é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência

Padroeiro das Missões

Memória de São Francisco Xavier

Ser missionário nos nossos dias, segundo o Papa Francisco na Exortação apostólica Evangelii Gaudium:

Uma Igreja «em saída»
20. Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de «saída», que Deus quer provocar nos crentes. Abraão aceitou a chamada para partir rumo a uma nova terra (cf. Gn12, 1-3). Moisés ouviu a chamada de Deus: «Vai; Eu te envio» (Ex 3, 10), e fez sair o povo para a terra prometida (cf. Ex 3, 17). A Jeremias disse: «Irás aonde Eu te enviar» (Jr 1, 7). Naquele «ide» de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova «saída» missionária. Cada cristão e cada comunidade há-de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.

«Primeirear», envolver-se, acompanhar, frutificar e festejar
24. A Igreja «em saída» é a comunidade de discípulos missionários que «primeireiam», que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam. Primeireiam – desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa! A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva. Ousemos um pouco mais no tomar a iniciativa! Como consequência, a Igreja sabe «envolver-se». Jesus lavou os pés aos seus discípulos. O Senhor envolve-Se e envolve os seus, pondo-Se de joelhos diante dos outros para os lavar; mas, logo a seguir, diz aos discípulos: «Sereis felizes se o puserdes em prática» (Jo 13, 17). Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Os evangelizadores contraem assim o «cheiro de ovelha», e estas escutam a sua voz. Em seguida, a comunidade evangelizadora dispõe-se a «acompanhar». Acompanha a humanidade em todos os seus processos, por mais duros e demorados que sejam. Conhece as longas esperas e a suportação apostólica. A evangelização patenteia muita paciência, e evita deter-se a considerar as limitações. Fiel ao dom do Senhor, sabe também «frutificar». A comunidade evangelizadora mantém-se atenta aos frutos, porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. O semeador, quando vê surgir o joio no meio do trigo, não tem reacções lastimosas ou alarmistas. Encontra o modo para fazer com que a Palavra se encarne numa situação concreta e dê frutos de vida nova, apesar de serem aparentemente imperfeitos ou defeituosos. O discípulo sabe oferecer a vida inteira e jogá-la até ao martírio como testemunho de Jesus Cristo, mas o seu sonho não é estar cheio de inimigos, mas antes que a Palavra seja acolhida e manifeste a sua força libertadora e renovadora. Por fim, a comunidade evangelizadora jubilosa sabe sempre «festejar»: celebra e festeja cada pequena vitória, cada passo em frente na evangelização. No meio desta exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da actividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O bem é sempre plural

2ª feira – I Semana Advento

Salmo:
Vamos com alegria para a casa do Senhor.
Conta-se que um vizinho perguntou ao seu amigo:
- Manel, para onde vais?
- Vou para a FEEESSSTAAA! – respondeu com entusiasmo.
Ao cair da noite encontram-se novamente os dois amigos:
- Manel, donde vens?
- Venho da festa… - murmurou o amigo, cansado, triste e sem forças…
Isto pode acontecer em muitos lugares, mas não nas nossas celebrações.
Se já vamos cheios de alegria, ao regresso a nossa alegria será ainda maior.
“À ida podemos ir a chorar levando as sementes, mas à volta viremos a cantar trazendo os molhos de espigas…”
Se já vamos cheios de alegria para a casa do Senhor, como é que havemos de voltar?
Voltaremos a transbordar de alegria

Evangelho:
O Centurião pediu não para si, mas para o seu servo.
O Centurião é que tinha uma grande fé, e o milagre aconteceu no seu servo.
Isto porque o bem é sempre plural, sempre comunitário, pois valoriza todos ao seu redor.
Mas o mal é sempre singular: Nunca mais acontecerá os justos pagarem pelos pecadores… (ou os pais comerem os figos e os lábios dos filhos ficarem estragados…)