quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Jesus voltou-se e falou


4ª feira – XXXI semana comum

Naquele tempo, 

seguia Jesus uma grande multidão.

Jesus voltou-Se e falou-lhes.

 

Voltou-se porquê?

1 - Porque vai à frente e todos devem seguir atrás dele.

2 - Porque quando fala olha com os olhos nos olhos, de frente, sem subterfúgios. 

3 - Porque Jesus não tem retrovisor.

4 - Porque ninguém deve ficar anónimo no seguimento, pois Jesus quer relacionar-se pessoalmente com cada chamado.

5 - Porque tal como Jesus se voltou, é preciso dar uma volta à nossa vida para continuarmos a ser seus discípulos.

6 - Porque não quer sentir apenas os nossos passos atrás dele, mas sentir toda a nossa vida. De facto, não se pode seguir Jesus só com os pés, mas com o coração, com todo o corpo, com toda a vida.

7 - Porque, afinal, quem seguia quem? Uma multidão seguia Jesus ou Jesus seguia a multidão. As duas realidades, com certeza. Jesus está onde está o povo, está onde dois ou três estão reunidos em seu nome.

 

Ver também:

Renunciar, ter, ser

A forma do amor

Quem manda é o chefe

Renunciar

Versão aritmética

 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Comer do mesmo pão


3ª feira – XXXI semana comum

Os convidados para o banquete

 

1ª reflexão

Assim pregava o Pe. António Vieira, na Baía em 1638:

Convém saber quem é o rei, quem o filho, quais as bodas, qual o banquete, quem os convidados que vieram, quem os que não quiseram vir, e quem os criados que os foram chamar.

- O rei é o Eterno Pai.

- O Filho é o Verbo, segunda Pessoa da Trindade.

- O Espírito Santo é o amor que os une.

- As bodas são a Encarnação do mesmo Filho que desposou com a natureza humana.

- O banquete é a glória e bem-aventurança do céu que por meio deste mistério se nos franqueou.

- Os convidados que vieram são os que se salvam.

- Os que não quiseram vir os que se condenam.

- Os servos, finalmente, são que os chamaram, são os pregadores ou evangelizadores.”

 

2ª reflexão

- Porque é que precisamos comer?

- Porque Deus nos fez com necessidade de comer. Comemos para nos lembrar que é Deus quem nos sustenta, que nós dependemos de Deus. É por isso que temos fome e precisamos comer… para nos lembrarmos de Deus.

 

3ª reflexão

Jesus ao encarnar veio partilhar o seu pão, no banquete messiânico. Ele é verdadeiramente nosso companheiro. De facto, este termo COMPANHEIRO vem de vem do latim – cum panes – comer o pão com alguém. Jesus fez-se nosso companheiro comendo o pão connosco para que nos sentemos no seu banquete comendo do seu pão.

Ser companheiro é comer do mesmo pão.

 

Ver também:

À mesa com Jesus

 

domingo, 5 de novembro de 2023

Porque somos todos irmãos


Ano A – XXXI domingo comum

- Não deixes que ninguém te trate por mestre.

- Porquê?

- Porque ninguém é mais que ninguém. Não és nem mais nem menos que os demais. De facto é preciso humildade para reconhecer que somos todos iguais. Etimologicamente Rabi (mestre em hebraico tem a ver com Rab, isto é, grande ou mais. Também em latim o trmo mestre vem de magister que tem a ver com magis ou mais. Não deixes que ninguém te trate como mestre porque não és mais que os outros.

 

- Não deixes que te chamem pai.

- Porquê?

- Porque Pai há só um, Deus, e vós sois todos irmãos. De facto pai não é aquele que tem poder sobre alguém, mas aquele que serve. Todos sois filhos, portanto, sois todos irmãos.

 

- Não deixes que ninguém te chame doutor.

- Porquê?

- Porque doutor é só o Messias e vós todos aprendizes. De facto, ninguém é doutor, porque ninguém tem autoridade em nada, pois todos devem obedecer.

 

Conclusão

Estes 3 nomes correspondem a 3 virtudes e equacionam a nossa típlice relação:

Mestre – humildade – na relação com Deus.

Pai – fraternidade – na relação com os irmãos.

Doutor – santidade – na relação connosco mesmos.

 

Ver também:

O maior

Ser grande

O nosso irmão mestre

Agora e sempre irmãos

 

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

O amor é sempre criativo


6ª feira – XXX semana comum

 

A iniciativa e a criatividade do amor

Sem querer fugir à polémica do legalismo da observância do dia de sábado, acho que Jesus nos dá outra lição, não através das suas palavras, mas da sua ação ou exemplo. Aliás o evangelista refere que todos estavam a observá-lo. Ele ensina o que vive e vive o que ensina.

Jesus, num dia de sábado, viu um hidrópico e aproximou-se dele, começou a falar, tomou o homem pela mão, curou-o e mandou-o em paz.

Vejo assim Jesus a tomar a iniciativa, a antecipar-se e a responder antes de alguém lhe questionar.

Jesus é sempre o primeiro, não a atacar, mas a curar.

O primeiro, não a criticar, mas a valorizar.

O primeiro, não a exigir, mas a servir.

De facto, Jesus é sempre o primeiro a tomar a iniciativa.

E não podia ser de outra maneira.

Porquê?

Porque o amor é sempre criativo.

O amor faz as coisas acontecer, antecipa-se, toma sempre a iniciativa.

Às vezes queixamo-nos que a nossa vida no trabalho, na família, na paróquia ou noutra comunidade é sempre a mesma coisa.

É a mesmice e chatice de todos os dias.

Pensando bem, se nós achamos isso é porque falta-nos amor ou gosto pelo que fazemos e somos, ou por onde estamos ou com quem vivemos.

O amor é sempre criativo, arranja sempre novas surpresas, novas descobertas. E não está à espera que os outros façam algo, mas antecipa-se, toma a iniciativa, antecipa-se cria sempre gestos novos.         

Mais do que uma lição de como refutar o legalismo ou de vencer a hidropisia espiritual (a acumulação do ego, ou enfatuamento, orgulho ou vaidade) quero hoje aprender a ter espírito de iniciativa, porque o amor é sempre criativo e sempre novo.

 

Ver também:

Em dia de sábado

Ao sábado não

Ensinava o que fazia

No dia do Senhor

 

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

A Páscoa em novembro


Comemoração de todos os fiéis defuntos

Como crentes podemos afirmar com toda a certeza de que os nossos mortos vivem e que nós os vivos morreremos um dia. 

De facto, os mortos vivem e os vivos morrem.

Nós vivemos para morrer e morremos para viver.

 

1º - Os mortos vivem

É o dia da esperança na ressurreição.

É a nossa Páscoa no Outono ou a festa da Ressurreição no mês de novembro.

Para nós cristãos a morte não é um fim, mas um começo.

Ao recordarmos os nossos falecidos, celebramos a plenitude da vida, a fé na ressurreição, a esperança da vida eterna e o amor de Deus que não tem fim.

A vida não termina com a morte, mas continua para sempre na eternidade.

De facto, Jesus prometeu que quem comesse da sua carne e bebesse do seu sangue, teria a vida eterna.

Deus deu-nos a vida para o procurarmos.

Dá-nos a morte para o encontrarmos.

E dá-nos a eternidade para o possuirmos.

 

2º - Os vivos morrem

Costumamos dizer que ao nascer, a única certeza que termos ao longo da vida é que todos passaremos, pela morte.

Muitas vezes vivemos como se esta certeza não fosse uma verdade.

Nós vivemos para morrer.

Mas a grande tragédia da vida não é a morte física.

É que deixamos morrer o nosso interior enquanto estamos vivos.

Os mortos não são os que estão no cemitério, pois acreditamos que vivem em Deus.

Mortos são os que têm morta a sua alma:

Os que têm finada a sua esperança na vida eterna.

Os que têm apagada a sua fé na ressurreição.

Ou que secaram o amor no seu coração.

De facto, existem muitos vivos que estão mortos sem terem passado pela morte física, porque antes do corpo morrer, a sua alma parece estar morta há muito tempo.

Como poderá Deus vivo receber pessoas mortas no céu?

Deus é um Deus dos vivos, dos que têm viva a sua alma aqui na terra e dos que foram recebidos na sua presença por toda a eternidade.

 

3º - Gratidão

Este é um dia de gratidão e de agradecimento.

Gratidão na memória daqueles que nos precederam, que passaram desta vida para a eternidade.

Memória de tantas pessoas que nos fizeram bem: na família, entre amigos, na comunidade, no trabalho, nos vizinhos.

Eles continuarão a fazer o bem a cada um nós se estivermos unidos a eles em oração.

 

4º - Oração

Este é um dia de juntos, vivos e defuntos, rezarmos pela paz.

Nós pedimos a paz eterna para aqueles que partiram deste mundo.

Eles, junto de Deus, pedem paz para todos nós, ainda peregrinos nesta terra de conflitos e de guerra.

 

5º - Ver também

Fiéis aos nossos defuntos

 

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Da vida à santidade


Solenidade de Todos os Santos

 

Do altar dos santos aos santos do altar.

Neste dia quero partilhar 3 objetos que podem resumir a nossa relação de santidade com Deus, com os outros e connosco mesmos.

 

1º - Um espelho – relação com Deus

Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Somos filhos do Santo, Santo, Santo, criados à sua imagem e semelhança.  É preciso ver-se ao espelho para examinar quais as parecenças que temos com este Pai que é Santo. Nós saímos parecidos com Deus – Tal Pai, tal filho.

 

2º - Uma esponja – relação com os irmãos

Nós temos uma capacidade tremenda de absorver os valores uns dos outros. Saibamos recebemos influência dos bons exemplos dos outros e eles absorvem também os nossos comportamentos edificantes. Somos autênticas esponjas. Mas a esponja é também um objeto de limpeza. Precisamos também de nos purificarmos. De facto, santo não é aquele que nunca se seja, mas aquele que sempre se lava.

 

3º - Um altar – relação a nós próprios

Altar quer dizer lugar elevado, alto. Altar é um espaço que nos eleva, que nos faz subir. Em geral dizemos que os santos devem estar nos altares. De facto, nós somos santos colocados no altar da nossa vida e não no altar do templo ou da igreja. O lugar onde vivemos, o lugar do nosso trabalho ou de divertimento deve ser um altar para nós não só porque nos eleva, mas sobretudo porque é o espaço próprio da nossa santificação.

 

Ver também:

Comemorar os santos

Ou o pintor foi preguiçoso e não teve pachorra para pintar mais caras.

Ou o tempo foi pouco para pintar tanto santo.

Ou os santos são humildes ou envergonhados e não querem aparecer.

Ou só os santos canonizados têm rosto e todos os outros são anónimos.

Ou é preciso aproximar-se de um santo para conseguir identificá-lo.

Ou os santos são todos iguais, quem vê um vê todos.

Sei apenas que os santos foram pessoas como nós.

Nós podemos ser como eles.

 

 

domingo, 29 de outubro de 2023

O Missionário Agentardente


Ano A – XXX domingo comum

 

Hoje a homilia foi pregada pelo Grupo Missionário da Paróquia juntamente com o pároco no final do mês dedicado às Missões.

Sobre o Evangelho deste domingo os elementos do Grupo Missionário perguntaram e o Padre respondeu.

 

1ª Pergunta

- Quantos são os mandamentos da Lei de Deus?

- Os mandamentos da Lei de Deus são 10.

 

2ª Pergunta

- Em que se resumem esses dez mandamentos?

- Os 10 mandamentos resumem-se em 2 que são – Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a nós mesmos.

 

3ª Pergunta

- Qual é o maior ou o principal desses dois mandamentos?

- É fácil responder a essa pergunta. Basta ver a resposta que um pássaro dá:

Qual é asa mais importante, a da esquerda ou a da direita?

O pássaro diz – ambas são importantes. As 2 asas levam-nos longe. Não conseguimos ir longe só com uma asa. Assim só conseguimos avançar com os 2 mandamentos.

 

Sobre a mensagem para o dia mundial das missões o Padre perguntou e os elementos do Grupo Missionário responderam.

 

1ª Pergunta

- Qual é o tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Missões 2023?

- O tema da mensagem deste ano para as Missões é – Corações ardentes, pés ao caminho.

 

2ª Pergunta

- Qual a passagem do evangelho que serviu de inspiração para essa mensagem?

- Foi o episódio dos discípulos de Emaús.

 

3ª Pergunta

-O que é que esses discípulos podem ensinar aos missionários de hoje e a cada um de nós?

- Ensinam a aquecer o nosso coração com a presença de Jesus e a pôr os pés no caminho para levar Cristo aos outros, como fizeram os discípulos de Emaús.

 

4ª Pergunta

- Em quantas partes se divide esta mensagem do Papa?

- Divide-se em 3 partes. Primeira: corações ardentes. Segunda parte: Olhos abertos. Terceira parte: Pés ao caminho.

 

5ª pergunta

- Qual é o resumo da primeira parte?

- A primeira parte convida cada cristão a ter um coração ardente, cheio de ardor pela Palavra de Deus que seja capaz de transbordar e de aquecer também os outros.

 

6ª Pergunta

- E a segunda parte, como se pode resumir?

- Assim como os discípulos de Emaús abriram os olhos quando Jesus abençoou-lhes o pão, assim também nós podemos abrir os olhos do nosso coração para o vermos na Eucaristia, na partilha do pão e reconhecê-lo nos nossos irmãos.

 

7ª Pergunta

- Como se resume a terceira e última parte.

-Esta parte fala dos pés ao caminho. Os discípulos não guardaram só para si a feliz experiência com Jesus, mas puseram-se logo a caminho para levar essa notícia aos seus irmãos. É esta alegria de levar Deus aos outros e de levar os outros a Deus que nos faz missionários hoje, onde quer que nos encontremos.

 

8ª Pergunta

- Porque que é que esta mascote, tem coração, tem olhos, tem pés, mas não tem braços nem mãos?

- Porque as suas mãos e os seus braços são os nossos braços e as nossas mãos. Ele pode contar connosco para dar as mãos aos nossos irmãos e com os nossos braços para continuar a abraçar o mundo.

 

9ª Pergunta

- Alguém quer sugerir um nome para atribuir a esta mascote dos missionários?

- Sim. Podemos chamar-lhe – Agentardente. De facto, missionário é todo aquele que arde de amor por Deus e pelos irmãos e vai ao encontro de todos.

 

Oração Missionária

 

Deus Pai, Filho e Espírito Santo,

consagrados e enviados pelo batismo,

fazei-nos viver a nossa vocação

de discípulos missionários,

como graça e missão.

 

Inspirados e guiados pelo Espírito Santo,

com os corações ardentes

c com os pés a caminho

para anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo,

queremos ir da Igreja local

aos confins do mundo.

 

Maria, Mãe missionário,

rogai por nós!

 

Ámen!

 

Ver também:

O amor acima de tudo

Duas asas

 

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Rezando pela paz no mundo


Em sintonia com todos os homens de boa vontade, fazemos do dia de hoje um dia de oração pela paz na terra, de modo particular para o lugar onde os anjos um dia cantaram:

- Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!

O que é paz? 

1º - Perguntei numa aula – o que é a paz? Uma floresta de mãos se ergueu. Os meus alunos estavam confiantes de que estavam bem informados sobre o assunto. Infelizmente, todas as suas respostas, embora acompanhadas de um entusiasmo confiante, foram formuladas de forma negativa: “A paz é a ausência de guerra”; “A paz é evitar a hostilidade;” “A paz é a libertação da turbulência”, “A paz é o fim da ansiedade” e assim por diante.

2º - Eu esperava que alguém desse à paz um conteúdo próprio e positivo. Alguns filósofos descreveram a paz como “uma confiança na eficácia da beleza”. Outros disseram que “A paz não é ausência de guerra: é uma virtude que nasce da força do coração”. Por mais respeito que se tenha por esses pensadores, podemos considerar as suas contribuições um tanto vagas e floreadas.

3º - Por fim, para tornar a minha pergunta mais prática, perguntei aos meus alunos, agora silenciosos, o que poderiam fazer para experimentar as bênçãos da paz, mesmo que por cinco minutos apenas. Um silêncio profundo encheu a sala de aula. Por fim, uma estudante corajosa confessou, bastante desconsolada, que, dadas as tarefas com as quais estava sobrecarregada e todos os prazos que tinha de cumprir, encontrar a paz estava fora de questão durante pelo menos várias semanas. Parece que a paz era apenas um desejo.

4º - Quem melhor definiu a paz, a meu ver, foi o Bispo de Hipona, Santo Agostinho, ao dizer que a paz é a tranquilidade da ordem. Referia-se à experiência pessoal de paz, mas pode ser alargada a todos os níveis. Os seres humanos têm vivido vidas desordenadas desde que foram feridos pelo Pecado. As suas almas ficaram “inquietas”. A frase mais célebre de Santo Agostinho aparece no início do seu livro, chamado Confissões que diz: “Criastes-nos para vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em vós. Então o que é a paz? É a tranquilidade que experimentamos quando direcionamos o nosso amor, através da virtude, até Deus. E porque é que hoje não há paz nas nossas consciências, na nossa família, na nossa comunidade ou sociedade? Porque é que não há paz nalgumas partes do mundo? Não há paz porque não orientamos a nossa vida em direção a Deus, ou não deixamos que Deus oriente o nosso coração. A paz é, de facto, a tranquilidade da ordem. Há paz quando tudo e todos estão em ordem e plenitude.

 

Ver também:

Pela paz na terra santa





 

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

O fogo sagrado do Templo


5ª feira – XXIX semana comum

 

Jesus veio trazer o fogo à terra e quer que ele se mantenha sempre aceso.

1ª referência – Sarça ardente no novo Horeb

No Monte Horeb Deus acendeu o fogo, sinal da sua presença. Moisés aproximou-se do espinheiro a arder e viu que Deus estava lá.

Deus está no fogo, nas chamas, está nos espinhos, nas dificuldades, nos obstáculos, está na opressão, no povo que sofre, no aconchego de uma lareira, no lume de um fogão de família, na luz de uma vela que ilumina.

Jesus é esse novo fogo, sinal da presença de Deus, quer nas suas chamas para transformar a opressão, quer na luz que ilumina, quer na lareira que aconchega.

2ª referência – Fogo sagrado no novo Santuário

O fogo sagrado que se conservava nos antigos templos, que ardia sem interrupção e que os sacerdotes tinham a tarefa de manter vivo.

Jesus mantem esse fogo sagrado sempre aceso dentro de nós e tudo faz para que se arda continuamente e que nada o possa extinguir.

A luz permanente no templo é sinal da habitação de Deus (alguém mora aí).

É sinal de que onde mora Deus não pode haver trevas.

Jesus veio acender esse fogo sagrado no nosso coração como habitação divina, afastando as trevas do nosso coração.

 

Ver também:

O fogo que Jesus nos traz

Sem atrito não há fogo

 

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Grande responsabilidade


4ª feira – XXIX semana comum


O trecho do evangelho de hoje está cheio de apelos à responsabilidade de cada um:

- Estai vós preparados, pois sois os responsáveis pelos bens da vossa casa.

- Sois administradores fiéis e prudentes, isto é, responsáveis pela gestão da família.

- Pôr à frente de todos os seus bens.

- Será irresponsável quem se desleixar.

- A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá.

Quem é este administrador responsável?

- Pedro pensava que a parábola era para os apóstolos e por isso estes seriam tais administradores. Os padres, missionários, ministros de Deus são administradores responsáveis pelo bem da comunidade.

- Jesus refere que a parábola é para todos, pois todos são chamados a essa responsabilidade. De facto, Deus confiou-nos a administração da sua casa que é a nossa alma ou o nosso coração. Não podemos desleixar-nos de zelar por ela, de estar prontos para servir e proteger. É que Deus vem visitar essa casa através da Palavra e da Eucaristia. Sejamos responsáveis.

- A Igreja costuma identificar este administrador fiel e prudente com São José) ou não fosse hoje quarta-feira!). De facto, Deus pôs São José à frente da Sagrada Família para lhe dar a seu tempo o seu pão… Ele é o modelo de responsabilidade.

 

História de responsabilidade

O Papa João Paulo I, no Ângelus de 17/09/1978, contou este episódio ocorrido com um professor de muito prestígio da Universidade de Bolonha:

Certa vez, o professor foi chamado pelo ministro da Educação a uma reunião à tarde em Roma. Depois do encontro de trabalho o Ministro convidou o professor a ficar em Roma por mais um dia.

- Não posso - respondeu o professor - amanhã, logo pela manhã, tenho que dar uma aula. Os alunos estão à minha espera.

O Ministro respondeu:

- Eu dispenso-o dessa aula.

-  O Senhor Ministro pode dispensar-me, mas eu não me dispenso – concluiu o responsável professor.

E o Papa João Paulo I comentava – Era sem dúvida um grande homem, de quem se podia dizer que para ensinar latim a João, não basta conhecer e gostar de latim; é necessário conhecer e amar o João. De facto, a lição vale o que valer a preparação. Certamente era um homem que amava muito o seu trabalho.

Quantas vezes teremos de dizer – eu não me dispenso… ainda que as circunstâncias nos dispensem!

 

Ver também:

Deixa Deus entrar

Ele virá como um ladrão

 

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Tolle, lege! Toma e lê


Leitura Breve (1)

Laudes - Terça-feira - I semana do Tempo Comum

 

Leitura breve - Rom 13, 11b.12-13a

Chegou a hora de nos levantarmos do sono. A noite vai adiantada, aproxima-se o dia. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como convém em pleno dia.

Reflexão

Quando oramos, falamos com Deus

Quando lemos ou meditamos, é Ele que fala connosco.

O que poderá dizer-nos com esta leitura breve?

Santo Agostinho no seu livro Confissões (398-400) lembra que Santo Antão converteu-se ou decidiu-se quando por acaso ouviu Mt 19,21 – Vai, vende os teus bens, dá aos pobres… depois vem e segue-me. Com Agostinho passou-se algo semelhante com a leitura breve de hoje – Rom 13, 11b,12-3a.

Ele tinha alcançado uma quase completa adesão à fé, as suas dúvidas tinham sido ultrapassadas. Mas havia uma coisa que o detinha: o medo de não ser capaz de viver coerente e casta. Ele vivia com uma mulher sem ser casado.

Estava no jardim da sua casa numa luta interior quando ouviu uma voz de criança que lhe dizia – Toma e lê (tolle, lege!).

Ele interpretou estas palavras como um convite de Deus. Tomou as cartas de São Paulo, abriu ao acaso e leu esta leitura breve que considerou como a vontade de Deus. Uma luz brilhou dentro de si e fez desaparecer as trevas da incerteza. Tinha de deixar as obras das trevas (desejos ou obras da carne) para agarrar as armas da luz (obras do Espírito Santo.

Esta leitura completou a sua conversão e entrega total a Deus.

Cada novo dia é uma oportunidade que Deus nos dá para abrir mão das obras das trevas e agarrar as armas da luz para descobrirmos o que Deus espera de nós em cada manhã.