terça-feira, 28 de agosto de 2012

Agostinho de Hipona


Quatro palavras podem resumir a vida desta grande figura da Igreja:
- Sabedoria
- Santidade
- Humildade
- Verdade

"Santo Agostinho era o maior Santo entre os Doutores e o maior Doutor entre os Santos."
(Assim o descrevia o Pe. António Vieira)

"O primeiro passo na busca da verdade é a humildade.
O segundo, a humildade.
O terceiro, a humildade.
E o último, a humildade."
(Assim confessou Santo Agostinho)


 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Coração de Pedra


5ª Feira - XX Semana Comum


Da Primeira Leitura:
Arrancarei o vosso coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne..."

Porquê?

Porque
com o coração se pede;
com o coração se procura;
com o coração se bate;
com o coração a porta se abre...

(Cf. Santo Agostinho)


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Coroa de 12 Estrelas

VIRGEM SANTA MARIA, RAINHA


As doze estrelas da coroa de Nossa Senhora
Nós precisamos nos consagrar a Santíssima Virgem de maneira absoluta, de modo que tudo seja feito por Maria, em Maria e com Maria para tudo ser feito para Jesus, em Jesus e com Jesus. O fim não é Maria; o fim é Jesus. A Ave-maria gira em torno da palavra de Jesus, todo o rosário não é mariano, é Cristocêntrico.
São Luís Grignion de Montfort propõe que nós rezemos 12 Ave-marias contemplando os mistérios, fazendo a coroa de glória a Nossa Senhora, que são as doze estrelas.

A primeira é o mistério da maternidade divina.

A segunda é a Imaculada Conceição

A terceira estrela é Maria sempre Virgem

A quarta estrela é Maria, Filha predilecta do Pai

A quinta estrela é Esposa do Espírito Santo

A sexta estrela: Maria é a mais humilde

A sétima é o poder de esmagar a cabeça do inimigo de Deus

A oitava estrela é a “Medianeira de todas as graças”

A nona estrela é “Maria aos pés da cruz”

A décima estrela é “Maria, assumpta ao céu”

A décima primeira estrela é “Maria, coroada no céu como Rainha”

A última estrela é que “Maria é aquela que recebeu de Deus todas as graças, honras e méritos



quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Saber contar, saber perdoar


5ª Feira - XIX Semana Comum

Parece que Pedro só sabia contar até sete.
Não! Ele sabia contar bem, o que ele não sabia era perdoar!


O perdão não muda o passado
Mas purifica o presente
E engrandece o futuro!

O 1º a pedir perdão é o mais corajoso.
O 1º a perdoar é o mais forte.
O 1º a esquecer é o mais feliz.

Somos parecidos com os animais quando nos atacamos.
Somos parecidos com os homens quando nos sentimos.
Somos parecidos com Deus quando nos perdoamos.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Celebrar a Assunção


Celebrar a Assunção da Virgem Santa Maria:

1º É celebrar a sua Ressurreição
Apesar de só em 1959 ter sido declarado por Pio XII o dogma da Assunção de Santa Maria em corpo e alma, a Igreja sempre acreditou na glorificação de Maria.
A tradição da Igreja primitiva fez chegar até nós algumas indicações das últimas etapas de Maria:
Na ocasião de Pentecostes, Maria teria mais ou menos 47 anos de idade. Depois ainda permaneceu mais de 25 anos na terra. Ela terminou l a sua carreira mortal com a idade de 72 anos, conforme a opinião mais comum.
A morte de Nossa Senhora foi suave, chamada de dormição.
Diversos Santos Padres da Igreja contam que os Apóstolos foram milagrosamente levados para Jerusalém na noite que precedera o desenlace da Bem-aventurada.
Três dias depois chegou o Apóstolo S. Tomé, que a Providência divina parecia ter afastado, para melhor manifestar a glória de Nossa Senhora, como dele já se servira para manifestar o facto da ressurreição de Jesus.
São Tomé pediu para ver o corpo de Nossa Senhora.
Quando retiraram a pedra, o corpo já lá não se encontrava.
Do túmulo se exalava um perfume de suavidade celestial.
Como o seu Filho e pela virtude do seu filho, a Virgem Santa ressuscitara ao terceiro dia. Os anjos retiraram o seu corpo imaculado e o transportaram ao céu, onde goza de uma glória inefável.
Celebrar a Assunção de Maria é celebrar a sua vida e ressurreição!
Ela está aqui porque Ressuscitou!

2º É celebrar a sua felicidade e a sua alegria
Nós celebramos as 7 dores de Maria santíssima: Profecia de Simeão, fuga para o Egipto, perda de Jesus em Jerusalém, Caminho do Calvário, aos pés da cruz, com o Filho morto nos braços, ao depor Jesus no sepulcro.
Este é o dia de celebrar as suas alegrias, mais precisamente a sua última alegria:
Encarnação, Visitação, Nascimento de Jesus, Epifania aos Magos, Encontro no Templo, Ressurreição e Assunção e coroação no Céu.
Celebrar a Assunção é participar da sua felicidade e da sua alegria: o meu espírito alegra-se em Deus nosso Salvador.

3º É celebrar a presença de Maria na nossa vida
À primeira vista parece que a Assunção é partida ou afastamento. É o contrário. É celebrar a companhia e
a presença terna de Maria junto de nós.
História verídica:
Certa vez já idoso, João Bosco foi à casa das Irmãs Filhas de Maria Auxiliadora, uma congregação que fundada. Por causa da idade avançada, tinha de falar sentado e junto a um padre que repetia em voz alta o que ele dizia com voz fraquíssima.
João Bosco começou por dizer:
- Irmãs, Nossa Senhora Auxiliadora anda pelos corredores da vossa casa.
O padre, que o acompanhava, receoso, resolveu dizer de maneira diferente:
- Nossa Senhora ama-vos muito, por isso Maria está sempre presente na nossa vida.
Dom Bosco corrigiu-o:
- Repita-lhes que Nossa Senhora anda nesta casa. Eça anda por estes corredores.
O padre ficou um pouco atrapalhado, mas continuou a recear aquelas palavras e repetiu a outra expressão mais branda.
Dom Bosco ficou nervoso, levantou e com voz forte, com o máximo das suas forças:
- Nossa Senhora está aqui. Eu vejo-a pelos corredores da vossa casa.
O sacerdote nem precisou de repetir pois toda a gente ouviu bem dos próprios lábios de Dom Bosco aquela surpreendente realidade.
A santíssima Virgem não é a Mãe apenas das Filhas de Maria. É também nossa Mãe. E também anda pela nossa casa, pelos caminhos do nosso bairro, nos cruzamentos da nossa vida.
Ela olha para as necessidades dos seus filhos.
Quanto maior é a necessidade, mais Maria se faz presente.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Em defesa do Mestre


2ª Feira - XIX Semana Comum

Afinal, Jesus pagava ou não o imposto devido?
E Pedro?
Parece-me que os dois não pagavam ou ainda não o tinham pago, pois Jesus mandou pagar o seu e o de Pedro com o dinheiro pescado…

Mas o que podemos valorizar acima de tudo é a prontidão de Pedro ao responder:
- Paga sim!
Ele nem pensou duas vezes. Saiu em defesa do seu mestre mesmo sem saber ao certo se ele tinha as contas em dia.
Aliás não será a única vez em que Pedro atira-se em defesa de Jesus. No Jardim das Oliveiras, numa situação bastante delicada ele tirou a espada e cortou uma orelha a quem queria prender Jesus.

E eu fico a pensar:
- Quem me dera que toda a gente tivesse as suas contas em dia, que não devesse imposto nenhum ou que o senhor viesse ao seu encontro… mas antes disso é preciso sair em sua defesa.
Não muitas vezes somos generosos para como Senhor, entregamos-lhe até a vida… mas quando alguém ataca o nosso Mestre, nós recuamos, não saímos em sua defesa…
Como o mundo seria diferente se houvesse mais gente com a atitude de Pedro com coragem para defender o Mestre.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Viver, envelhecer e morrer bem


Ao assinalarmos a data da morte do Pe. Dehon (12 de agosto de 1925) podemos dar-lhe a palavra para que possa partilhar a sua visão e o seu exemplo de como se pode viver, envelhecer e morrer com dignidade e santidade. Será uma boa oportunidade para reflectir sobre o tema do Ano Europeu 2012.

Aos 31 anos
"O meio de morrer bem, é viver bem" (NHV, volume VI, Janeiro 1874 – Dezembro 1876, Pág. 179).

Aos 38 anos
"O descanso não é cá nesta terra" (CF, 18 de Abril de 1881).

Aos 53 anos
"Eu fiz uma conferência para 800 homens em Nimes e uma conferência no Seminário. Creio dar suficientemente exemplo de trabalho" (Carta ao Pe. Falleur, 07/12/1896, Inv. 292.48, AD: B20/3.1).

Aos 67 anos
"A vida é curta e a eternidade é longa. Preparemo-nos" (Carta a um confrade, 02/03/1910, Inv. 122.12, AD: B16/6bis.12).

Aos 72 anos
"A Velhice veio. Fiat! Tudo está bem quando Deus o quer. Duas comunidades pedem-me para lhes pregar o retiro… Eu já não posso. Não posso mais pregar retiros em que é preciso falar quatro vezes ao dia durante uma semana! É penoso ser obrigado a recusar o exercício do apostolado. Eu desejo tanto trabalhar pelo Reino de Nosso Senhor! Resta-me santificar-me no recolhimento e completar a organização da minha Congregação, preparando o Capítulo Geral" (NQ 1915 -1145/31). "A minha vida não será muito longa… As enfermidades da velhice são uma advertência diária. Todos os órgãos falham. É como um navio avariado que se afundará num destes dias" (NQ 1915 – 52/39).

Aos 76 anos
"Apesar dos meus 76 anos ainda não caio no desencorajamento" (Carta ao Bispo Grison, 20/04/1919, Inv. 503.13, AD: B24/9-A).

Aos 77 anos
"Aproximo-me dos meus setenta e oito anos! … Termino o ano com a oração pela boa morte: Senhor meu Deus, a partir de hoje, eu aceito da vossa mão de bom grado e com toda a justiça, o género de morte que Vos aprouver de me mandar, com todas as suas dores, todas as suas penas e todas as suas angústias” (NQ 1920-132/43).

Aos 80 nos
"Estou nos últimos capítulos da minha vida e no vestíbulo do céu. Eu penso em todos os que irei ver brevemente: Jesus e Maria, São José, São João Baptista, São Miguel, São João Evangelista, todos os anjos, sobretudo os meus anjos da guarda; todos os santos, sobretudo os meus santos Patronos e os que honrei particularmente; e tantos parentes, amigos, directores espirituais, confrades…"(NQ 1924-103/44).

Aos 81 anos
"É o último caderno e pode ser o último ano. Fiat!... A minha carreira termina: é o crepúsculo da minha vida. Eu saio todos os dias; no caminho leio o meu pequeno livro “Monita ad Sacerdotes”. Fazendo isto sou como São Francisco: Eu prego sem palavras" (NQ 1925-1/45).

Aos 82 anos
"Eis que completo os meus 82 anos! Obrigado, minha divina Mãe! Obrigado, meu bom Anjo! Não sei tudo quanto vos devo. Sabê-lo-ei lá no alto. Que fiz eu nestes 82 anos? Não fiz grande coisa de bom. Multiplico as minhas reparações; repito o meu arrependimento e tenho confiança cima de tudo na misericórdia do Salvador" (NQ 1925-43/45).

CONCLUSÃO
"Os santos nunca envelhecem" (Conferência aos Jovens, inventário 38.09, AD: B6/5.9).
É por isso que a mensagem do Pe. Dehon nunca está fora de moda, apesar dele já ter morrido há 87 anos.
É por isso que os santos não estiveram parados na terra nem estão parados no céu, pois continuam a intervir.
E é por isso também que todos nós, independentemente da nossa idade ou condição, temos sempre algo a fazer em benefício dos nossos irmãos e para glória de Deus.

Lourenço de bom humor

Hoje celebra-se a festa de São Lourenço, diácono e mártir.

1. Foi mais forte o fogo do amor que brotava na sua alma do que o fogo do ódio que envolvia o seu corpo.
Deixemos nós também que a força do bem seja mais firme que a força do mal.

2. No meio dos tormentos mais atrozes, ele conservou o seu "bom humor cristão". Dizia ao carrasco: "Vira-me, que deste lado já está bem assado ... Agora está bom, está bem assado. Podes comer!..."
O humor consiste em ver o aspecto ridículo das coisas sérias e ver o aspecto sério das coisas ridículas.
Que saibamos nós também tirar partido de qualquer situação da nossa vida. Tudo o que vivemos ou sentimos pode concorrer para o nosso bem. Há que aprender em qualquer circunstância…

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Atleta da Fé

Memória de São Domingos de Gusmão

1)
São Domingos partiu para a eternidade no dia da Transfiguração do Senhor.
Toda a sua vida foi uma ascese para contemplar a Cristo transfigurado.

 2)
O Papa Honório III ao aprovar a Ordem dos Pregadores que Domingos fundava declarou:
“Nós, considerando que os frades da tua Ordem serão os atletas da fé e as verdadeiras luzes do mundo…”

 3)
Logo após a aprovação pontifícia da Ordem, Domingos decide dispersar os 16 frades que tinha com ele. Estes não compreenderam esta atitude. Explicou-lhes então:
“Deixem-me trabalhar… O trigo junto apodrece; espalhado, frutifica!”
Esta dispersão ficou conhecida como o Pentecostes Dominicano.

 4)
“Ser-vos-ei mais útil e proveitoso depois da morte do que fui em vida”, foram as suas últimas palavras ao despedir-se dos frades, quando morreu aos 52 anos.
Pouco antes tinha-lhes entregue o seu testamento espiritual numa simples frase:
Tende caridade, guardai a humildade, possuí a pobreza.”
Dava em herança p que tinha vivido: o amor por todos, a humildade da sua vida, a pobreza que o acompanhava.

 5)
São Domingos ficou conhecido como o homem que “só falava com Deus ou de Deus”.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Contra a corrente

3ª Feira - XVIII Semana Comum

- O vento era contrário, a natureza puxava para baixo... era preciso remar contra a corrente, contra a maré, contra as forças naturais.

Faz-me lembrar um colega meu que se lamentava estar sempre fora da corrente:
Quando era novo, nomeavam como superiores os velhos.
Agora que sou velho, nomeiam como superiores os novos....
Estou sempre fora de moda, sempre no contra

E eu posso dizer também:
Quando eu era novo os Padres velhos é que usavam batina, romeira, faixa, cabeção, chapéu...
Agora que sou velho, os Padres novos, neos-sacerdotes, é que usam batina, romeira, capa. cabeção e outros adereços...
Pois é, estou sempre no noutro grupo, fora de moda, contra a corrente, contra a maré...

Isto que quer dizer?
No Evangelho de hoje, é preciso remar contra o vento, avançar contra a corrente, lutar contra os obstáculos.
Só um corpo vivo é que é capaz de lutar contra a correnteza, pois um corpo morto deixa-se simplesmente levar.
O verdadeiro discípulo de Jesus tem de ser contra as forças naturais, contra a corrente, contra o vento...
O verdadeiro discípulo de Jesus tem de ser um corpo vivo.
Tem de ser corajoso para ser da oposição, inconformado, humilde...

Além disso tem de ser capaz de andar sobre o mar... resistindo à natureza...
Quem vai ao encontro de Jesus até vence esses obstáculos... nada lhe impedirá de se aproximar de Jesus.

Ele continua a estender a sua mão.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Transfigurar-se


Hoje celebra-se a festa da TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS


Jesus convidou 3 discípulos a subirem com ele ao monte… e eles sentiram-se como se estivessem no céu.

Todos os dias o Irmão Geraldo Majella servia a sopa aos pobres que se ajuntavam na portaria do convento redentorista em Materdomini. Era um dos seus momentos mais felizes, porque ele tinha a sensação de se encontrar com Jesus, na pessoa dos pobres e humildes.
Certo dia um dos pobres trouxe a sua flauta de bambu. Enquanto era servida a sopa, ele tocava alguma canção religiosa. Ouvindo a música, o Irmão Geraldo arrebatou-se e começou a elevar-se nos ares. Entrou em êxtase, desprendeu-se do chão e levitou… Saboreou aqui na terra um pedaço do céu.
Era uma pálida ideia do que aconteceu com Jesus no Monte Tabor. (Clóvis Bovo, 364 dias 365 histórias, Ed Santuário, São Paulo 1989)

Conclusão:
Sempre que alguém acompanha Jesus, sobre até ao céu.
Sempre que alguém se transfigura, transforme os outros também.
Sempre que alguém serve a Deus nos irmãos, transfigura-se a si e aos outros e traz para a terra um pedaço do céu.

sábado, 4 de agosto de 2012

Pão da Vida

Ano B - XVIII Domingo Comum

Continua-se a catequese sobre a Eucaristia


1) Jesus é o Pão da Vida
A eucaristia é muito mais que um pedaço de pão. É a presença tangível de Jesus que eu recebo no meu coração.
Uma eucaristia é muito mais do que uma missa. É a comunhão com Cristo na vida.
A missa não é mais um momento de oração. É a nossa audiência real, é o acto mais importante do dia.
“A celebração da missa é o acto principal do dia, o acto mais divino, o acto que nos caracteriza e a nossa razão de ser (CF, 6 Agosto 1880).
“Diríamos tudo o que devemos ser quando nos for perguntado o que fazemos:
Celebramos santamente a missa (CF, 6 de Agosto 1880).

2) Celebrar a Eucaristia no altar da vida
Santo Agostinho rematava, por vezes, as suas homilias ao povo de Hipona, convidando os fiéis a celebrarem a Eucaristia no altar da própria vida:
Tu, lavrador, que trabalhas a terra, celebra a tua Missa, quando conduzes o arado nos campos!
Tu, mãe de família, celebra a tua Missa, quando preparas a refeição e educas os filhos!
Tu, criança ou jovem, sempre que te entusiasmas pela vida e descobres a alegria de dar, celebra a tua Missa, no altar da tua generosidade!
Tu, homem e mulher, novo ou velho, doente ou são, continua a celebrar a Eucaristia, lavando os pés aos outros, comungando o teu irmão, as suas alegrias e sofrimentos!
A Eucaristia é a continuação da vida e a vida é o prolongamento da Eucaristia.

3) Eucaristia, caminho para a eternidade
No Auto da Barca do Purgatório, Gil Vicente, pela voz de uma pastora, apresenta a devoção eucarística como caminho que leva à eternidade, à salvação:

Moça:
Ó anjos, minha alegria,
Vista de consolação!
Por virtude e cortesia,
Ensinai-me por que via
Passarei à salvação.

Anjo:
Conheces tu a Deus?

Moça:
Muito bem, era redondo.

Anjo:
Esse era o mesmo dos Céus.

Moça:
Mais alvinho que estes véus,
O vi eu vezes avondo.
Como o sino começava
Logo deitava a correr.

Anjo:
Que lhe dizias?

Moça:
Folgava
E toda me gloriava
Em ouvir missa e o ver.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Milagres

6ª Feira - XVII Semana Comum

- Costuma-se dizer que santos da casa não fazem milagres.
Isto é uma verdade dentro e fora da nossa casa.
De facto quem faz milagre não são os santos, nem em sua casa nem em casa doutrém.
Quem faz milagre é só Deus.
Jesus na sua terra apenas fez alguns milagres porque estava espantado por causa da falta de fé dos seus conterrâneos.
Ele fez alguns milagres, pois não se aplica o ditado popular, pois ó Deus é quem faz milagres

- Se Deus faz milagres, porque que os não faz sempre?
Ele faz, mas nós é que os não vemos.
Estamos sempre rodeados por tantos milagres, mas a nossa pouca fé é incapaz de os ver?

- Que é um milagre?
É uma acção de Deus. Eu sou um milagre de Deus, pois sou uma acção Dele.
Eu acredito em milagres porque acredito em Deus e nas suas intervenções.
Quem tem pouca fé, não fé os milagres, mas eles continuam presente...apesar de não serem notados.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Pérolas Preciosas

4ª Feira - XVII Semana Comum

Quem é quem na Parábola do negociante à procura de Pérolas Preciosas?

Ou
- Somos nós que andamos à procura da mias preciosa Pérola que é o nosso Deus.
Vale a penas as canseiras, os sacrifícios e todo o investimento... porque sem Deus nada do que temos tem valor.

Ou
- É Deus quem anda à procura e quer comprar toda a pérola preciosa que é a humanidade.
Nós valemos muito aos olhos de Deus, de tal modo que Ele pagou o nosso resgate com a sua vida.
Nós somos as Pérolas Mais Preciosas , encontradas por Deus...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Inácio de Loiola

No dia da sua memória litúrgica, partilhamos duas mensagens:

1ª - "Disse Santo Inácio de Loiola: o homem foi criado para louvar, honrar e servir a Deus e por esses meios salvar a sua ama.
Eu não sou capaz de ficar por aí e o meu coração diz-me logo que o homem foi criado sobretudo para amar a Deus." (Pe. Dehon, NHV, vol III, Outubro 1865).

Então em que ficamos?
O homem foi feito para louvar, honrar e servir a Deus ou foi feito para simplesmente amar a Deus?
As duas coisas, pois ambos têm razão.
Louvar, honrar e servir a Deus é AMÁ-LO.
Amar a Deus não é algo de teórico, mas amar a Deus é HONRÁ-LO, LOUVÁ-LO e SERVI-LO.


2ª - Santo Inácio de Loiola costumava dizer que : "Não importa com o que a pessoa venha, importa que saia com o que é nosso".

Portanto não interessa fazer um escrutínio ou uma selecção das intenções, razões ou interesses de quem vem à Igreja. Basta saber transmitir aquilo que Deus quer, sem saber o que a própria pessoa espera.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Santiago


O Caminho de Santiago

Após a dispersão dos Apóstolos, Santiago foi pregar em regiões longínquas, passando algum tempo em Espanha, na Galiza. Quando voltou à Palestina, no ano 44, foi preso e decapitado. Dois discípulos, Teodoro e Atanásio, roubaram o corpo do mestre, embarcaram e em sete dias chegaram à Galiza e a Iria Flávia onde o sepultaram, secretamente, num bosque de nome Libredón.
Não há certezas quanto à data da descoberta do sepulcro apostólico, mas a maioria das fontes católicas apontam datas entre 813 e 820. Um ermitão do bosque de Libredón, de nome Pelágio observou durante algumas noites seguidas uma “chuva de estrelas” sobre um monte do bosque. Avisado das luzes, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou escavações e encontrou uma arca de mármore com os ossos do santo.
No “Campus Stellae” – de onde se crê provir a palavra Compostela – foi erigida uma capela para proteger a tumba do apóstolo que se tornou um símbolo da resistência cristã aos ataques dos mouros. A partir do ano 1000 as peregrinações a Santiago popularizam-se, tornando-se a cidade num dos principais centros de peregrinação cristã (a par de Roma e Jerusalém).
No século XII é publicado o primeiro guia do peregrino (do Caminho Francês) – o Códice Calixtino (ou Liber Sancti Jacobi) atribuído ao Papa Calixto II, que proclama ainda que quando o dia do Santo (25 de Julho) é num Domingo, esse é um Ano Santo Jacobeu (com especiais bênçãos e privilégios espirituais para os peregrinos). Grupos de peregrinos começam a chegar de toda a Europa, desenvolvendo as cidades por onde passam, sendo o Caminho Francês o mais utilizado.
O Caminho de Santiago, tal como relatado no Códice Calixtino, é em terra o desenho da Via Láctea, porque esta rota se situa directamente sob a Via Láctea que indica a direcção de Santiago, servindo assim, na Idade Média, de orientação durante a noite aos peregrinos. Esta associação deu ao Caminho o nome de Caminho das Estrelas e fez com que a chuva de estrelas seja um dos símbolos do culto Jacobeu, juntamente com a Vieira, a Cabaça e o Bordão.


As vieiras dos peregrinos de Compostela

Na idade Média e muito depois, assistimos a uma larga invasão de conchas santiaguesas, não só no mundo dos peregrinos mas também nos domínios da literatura e da arte.
Os romeiros compravam pequenas estatuetas de azeviche, com um Santiago, de vieira na aba revirada do chapéu. De azeviche ou não estas imagens invadiram a Europa levando consigo a concha simbólica dos peregrinos compostelanos.
A referência mais antiga que se conhece vem do Liber Sancti Jacobi, da primeira metade do século XII:
Assim como os peregrinos da Terra Santa trazem consigo uma palma, assim os romeiros de Compostela levam conchas… e que as cosem alegremente nas capas, em memória de Santiago.
Explicação mística: A concha santiaguesa significa a boa obra, isto é, amar a Deus e ao próximo, pois a vieira tem duas partes (trata-se da interpretação mística arbitrária e parcial dum facto existente e não da sua causa).
Os peregrinos de Compostela levam consigo as vieiras santiaguesas, trazendo-as depois pela vida fora. Talvez a vieira não passasse dum distintivo documental dos que iam a Compostela, distintivo esse a que se foi ligando a ideia de privilégios sobrenaturais, Porquê a vieira e não outra coisa? A proximidade do mar sugere uma explicação de índole geográfica. A concha era um distintivo dos peregrinos que desembarcavam na costa da Galiza.
E podemos admitir a primitiva utilização prática dalgumas conchas maiores para beber água nas fontes.
Mais tarde: Milagre das conchas, citado por António Lopez Ferreiro, século XIII:
Um cavaleiro viajando pelas costas de Portugal até à Galiza, precipitou-se com o cavalo num abismo para o mar. Estando a perecer invocou Santiago. O Apóstolo tirou-o da água todo coberto de conchas que o faziam flutuar, salvando-se assim.
Assim nasceu uma explicação histórica e mística para as conchas dos peregrinos santiagueses, explicação em forma de profecia: Deus quis mostrar, aos contemporâneos e aos vindouros que os peregrinos devem trazer consigo tais conchas como aquelas que o cavaleiro foi aconchegado. Elas são o selo do privilégio dos súbditos de Santiago e por elas os reconhecerá Deus no dia do grande Juízo.
(Também os peregrinos eram sepultados com as conchas, mesmo anos depois,,, tal como os outros se enterravam com o hábito franciscano, pois Deus teria piedade deles, ao ver que tinham ido em romaria ao grande santuário da Galiza.
A Idade Média tinha o sentido sacramental das coisas. Podiam as vieiras, no começo não passar duma simples recordação sentimental de romaria longínqua a um santuário nos confins da Europa. Com o correr dos anos, ganharam significado religioso, tornando-se fonte e garantia de graças sobrenaturais, uma espécie de salvo-conduto para o dia do Juízo Final.
Realizava-se deste modo um certo equilíbrio psíquico. Se muitos perigos ameaçavam o homem, muitos eram também os meios de defesa contra eles – e os peregrinos de Compostela podiam marchar e morrer em paz. As vieiras obtinham para eles a misericórdia, pois este o reconheceria por devotos de Santiago.

(MÁRIO MARTINS, in As vieira dos Peregrinos de Compostela, Brotéria, Vol LXXVI, Fevereiro nº 2, pagina 164-174)



domingo, 22 de julho de 2012

Vinde Comigo


Ano B - XVI Domingo Comum

Jesus ensinou-lhes muitas coisas... eu procuro apenas aprender duas:

1. Jesus diz uma coisa e faz precisamente a mesma coisa. Ele prega o que vive e vive aquilo que prega, Há pela concordância entre as suas acções e os seus ensinamentos.
Jesus disse: Vind a mim todos os que estais cansados e oprimidos que eu vos aliviarei... achareis descanso para as vossas almas....
Agora põe em prática: Vinde comigo e descansai...
O que ensinou é assim praticado por ele...
Também posso tentar que haja concordância entre as minas acções e as minhas palavras, entre aquilo que digo e aquilo que faço....

2. Jesus diz: vinde comigo.... para que não tenhamos medo de lhe dizer também: Vem connosco Senhor...
Vem connosco para férias, vem connosco para o trabalho, vem connosco para esta viagem, vem comigo para a vida....
Que em todas as nossas actividades não esqueçamos de convidar a Jesus a nos acompanhar... pois sentiremos uma grande diferença.
Ele convidou-nos a acompanhá-lo, para que não não nos esqueçamos de pedir-lhe que nos acompanhe em todas as nossas actidades....

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Acerca das Letras (IV)


IV

            A fé é ainda a luz e a chave da história. A história do mundo, é a história da acção providencial de DEUS sobre a terra. Só este verdadeiro ponto de vista torna grandes os historiadores. Mais especialmente a história do mundo é a história de CRISTO, Cristo anunciado, Cristo revelado, Cristo lutando e reinando. Fora desta luz, todo o historiador é pequeno e todo o ensino da história é miserável.
            Vós podereis encontrar agradáveis descrições, investigações exactas, cronologia, factos, episódios, mas não encontrareis a história.
            A história não se compreende senão através de CRISTO. Só tem sentido quando converge toda para Ele; sem Ele, que é a marcha das nações através dos séculos? Uma confusão de povos que se empurram no espaço e no tempo, por caminhos sem saída e sem luz.
            O povo hebreu anuncia e prepara o Messias.
            Os grandes impérios levam o mundo à unidade e centralizem-no em Roma sua capital, para facilitar a fundação e o triunfo da Igreja. A vida dos povos modernos, é a luta de CRISTO contra os seus inimigos. O Pai prometeu-Lhe as nações. CRISTO conquista-as uma a uma.
            Por vezes perde-as parcialmente, mas é para fazer brilhar a sua glória com uma nova conquista.
            Isto é a história. A sua luz é CRISTO, o calvário e Roma são os seus cumes.
            Agora, dizei-me, que grandeza e que verdade podem ter os ensinamentos de mestres de história que não têm profundamente o sentido cristão?
            A antiguidade pagã teve historiadores gloriosos. Mas em quantos aspectos estes génios da história pagã foram pequenos e imperfeitos!
            Santo Agostinho na Cidade de Deus, Salvien no seu Governo Divino, e Sulpício Severo na sua História, tinham preparado o caminho ao herói da história cristã, o nosso Bossuet.
            Bossuet é o tipo mais perfeito do historiador. Não basta dizer que deu à sua história o brilho da política como Tucídides, da moral como Xenofonte, da eloquência como Tito-Lívio, da pintura dos caracteres como Tácito. Toda a sua glória vem da elevação das suas vistas, que parece ter tanto de inspiração como de fé.
            Lamentavelmente os mais eminentes escritores da restauração cristã, no século XIX, não voltaram os seus esforços intelectuais para o campo da história.
            Chateaubriand e José de Maistre, foram os únicos que mostraram através de alguns breves trabalhos, que eram da grande escola histórica cujo brilhante mestre foi Bossuet.
            Eles foram no entanto seguidos mais tarde por Montalembert, Ozanan, de Broglie, e todo um período de historiadores e hagiógrafos que honraram a Igreja.
            Numa página admirável, Chateaubriand dá-nos ao mesmo tempo a norma e o modelo de como escrever a história.
            “Coloquemos pois, diz ele, a eternidade como fundo da história dos tempos; relacionemos tudo com Deus, como causa universal. Exalte-se quanto se quiser aquele que, deslindando os segredos dos nossos corações, faz surgir os maiores acontecimentos das fontes mais miseráveis: DEUS atento aos reinos dos homens; a impiedade, isto é a ausência das virtudes morais, como razão imediata das desgraças de todos os homens. Tal é, segundo o que nos parece, uma história muito mais nobre e também muito mais correcta do que a primeira.
            E para nos mostrar um exemplo na nossa Revolução, digam-nos se foram causas normais as que, com o decurso de alguns anos, desnaturalizaram os nossos afectos e afectaram entre nós a simplicidade e a grandeza peculiares do coração do cristão. Tendo-se retirado o espírito de DEUS do meio do povo, só resta força da queda original, que retomou o seu domínio, como no dia de Caim e da sua raça. Quem quisesse ser razoável sentia em si alguma impotência para o bem. A bandeira vermelha flutua nas muralhas das cidades, a guerra é declarada às nações: cumprem-se então as palavras do Profeta: “Os ossos dos reis de Judá, os ossos dos sacerdotes, os ossos dos habitantes de Jerusalém serão retirados da sua sepultura.” Réu contra os soberanos, calca-se aos pés as instituições antigas; réu contra as esperanças, nada se funda para a posteridade!...
            Enquanto este espírito de perda devora interiormente a França, um espírito de salvação defende-a a partir de fora. Ela só tem prudência e grandeza nas suas fronteiras: no interior tudo é arrasado, no exterior tudo triunfa. A pátria já não está nos seus lares, ela está num campo do Reno como na época da raça Merovíngia.
            Uma semelhante combinação de coisas não tem princípio natural nos acontecimentos humanos. O escritor religioso pode só descobrir aqui um profundo desígnio do Altíssimo; se as potências coligadas quisessem somente deter as violências da Revolução e deixar depois a França reparar os seus males e os seus erros, talvez tivessem conseguido. Mas DEUS viu a iniquidade dos acontecimentos, e disse ao soldado estrangeiro: “Quebrarei a espada na tua mão e tu não destruirás o povo de São Luís.”
            Assim a religião conduz à explicação dos factos mais incompreensíveis da história.
            Depois destas páginas é-me permitido ainda exclamar: “Em história, o cristianismo não é cegueira, é altura e extensão do olhar.”
            Mas detive-me a tratar uma questão muito vasta e muito geral, e nada disse acerca da nossa obra em particular, do seu passado tão curto e do seu futuro cheio de esperanças.
            Ainda não dirigi à distância um testemunho de gratidão e de filial devoção ao nosso Bispo e não agradeci ao Monsenhor Arcipreste seu delegado, cuja solicitude pela nossa obra é contínua. Não vos tranquilizei acerca da perpetuidade da obra e do seu desenvolvimento.
            Mas tenho eu necessidade de me alongar sobre este ponto? Não envio eu hoje mesmo pelo nosso departamento uma centena de mensageiros fiéis e abnegados que vão contar o que viram e ouviram, a entrega do superior e dos professores à sua obra, os esforços realizados, os projectos preparados e as esperanças comuns?
            Deixo-lhes o cuidado de colmatar nas confidências íntimas do lar paterno esta segunda parte da minha tarefa. Eles o conseguirão com a eloquência que a alegria resultante dum ano bem cheio e o afecto que dedicaram aos seus mestres.

           




quinta-feira, 19 de julho de 2012

Acerca das Letras (III)


III

         Mas é tempo de falar das letras francesas. Por que não lançar primeiro um olhar à poesia épica da Idade Média? Foi posta de lado a partir do Renascimento, desde que a França, esquecendo a sua poesia nacional, se apaixonou pelas obras da antiguidade. Estranha cegueira! Os nossos poemas nacionais tiveram a mesma sorte das nossas esplêndidas catedrais. Tinham caído no esquecimento ou sido desprezadas. Mas a França está a recuperar por si própria deste espantoso menosprezo. A arte da Idade Média reconquistou a sua honra e os nossos antigos poemas a sua glória. Os nossos velhos historiadores nacionais também, os nossos Heródotos e os nossos Tucídides franceses, Villehardouin e Joinville, são relidos e saboreados.
         A canção de Rolando é a pérola dos nossos duzentos poemas nacionais. É a nossa Ilíada com uma forma menos perfeita mas com um pensamento mais elevado que o de Homero.
         A canção de Rolando, é o quadro da nobre e cavaleiresca França da Idade Média, mas é também a pintura orgulhosa e grande da França filha mais velha da Igreja e do exército do sargento de CRISTO.
         É curioso ver Bossuet e Victor Hugo concordar neste julgamento. O poeta do século XIX, como o teólogo do século XVII, lamenta que a literatura do grande século não tenha invocado o cristianismo em vez de adorar os deuses pagãos, e que os seus poetas não tenham sido, como os dos tempos primitivos, “padres cantando as grandes coisas da sua religião e da sua pátria.”
         Apesar disso, o século XVII, o grande século clássico, é inteiramente nosso. O século XVII é Bossuet com o seu génio de historiador e de orador, é Racine cujas obras que se tornam mais puras à medida que o autor se torna cada vez mais religioso, até terminar em Atalia. É Massillon e Bourdaloue, o Cícero e o Demóstenes modernos. É Corneille com o seu Polyeucte. E perguntamos como podem mestres livres-pensadores explicar sem incorrer em profundas lacunas estes modelos tão profundamente cristãos.
         A incredulidade foi no século XVIII a principal causa da decadência do gosto e do génio. Se o século XVIII literário é inferior ao de Luís XIV, não encontramos outra causa que não seja a religião.
         Os quatro nomes brilhantes aos quais se resume a literatura deste século, são Voltaire, Rousseau, Montesquieu e Buffon.
         Voltaire deve os primeiros desenvolvimentos do seu espírito a dois jesuítas distintos, os padres Porée e Le Jay.
         Infelizmente cedo encontrou protectores que o introduziram na sociedade mais corrupta de Paris, no Marais, onde aprendeu a insultar a religião, a moral e o poder. Confirmou que os costumes graves e um pensamento piedoso são ainda mais necessários, no campo das musas, do que um grande génio. Nunca foi tão elevado, ficando sempre inferior a Racine, como quando quis ser cristão por um momento.
         As poucas páginas de Rousseau que oferecem verdadeiramente encanto, são aquelas em que ele se aproxima do cristianismo e em que se deixa levar como por distracção a louvar as virtudes cristãs.
         Montesquieu rebaixou as suas Lettres persanes deixando-se nelas cair em costumes licenciosos e na crítica da religião, mas elevou-se no seu Esprit des lois fazendo justiça ao catolicismo.
         Buffon não ignorou Deus. “Quanto mais penetrei no seio da natureza, dizia ele, mais admirei e profundamente respeitei o seu autor.” Mas falta-lhe sentimento, porque adorando o poder do Criador, ignorou a sua bondade.
         O grande movimento literário da Restauração na França, no século XIX, foi provocado pelo despertar religioso.
         Ainda que a literatura contemporânea não recupere o ensino clássico, é impossível que os professores de literatura não tenham a ocasião de iniciar os seus alunos nas suas belezas. Como o farão se não têm o sentido cristão? O espírito religioso é a chave destas obras-primas.
         Chateaubriand assumiu a tarefa de reconciliar o espírito francês com esta religião que os sofistas do século XVIII tinham apresentado como a inimiga das luzes, das ciências, das artes e da felicidade pública.
         Sabe-se que profunda emoção produziu o seu livro sobre o Génio do Cristianismo.
         M. de Bonald atacou de frente e com tanto sucesso como com dignidade as aberrações do seu tempo.
         José de Maistre é filósofo, moralista e historiador. Nas suas “Considerações sobre a França”, ele criou a filosofia da história da revolução francesa. Nunca as causas da nossa tormenta social foram julgadas com tanta elevação. Nunca o ensino lógico das circunstâncias foi mais apreciado. Ele mostra a origem de tanta desgraça na dupla degradação das ideias e dos costumes da época anterior. Ele vê em toda a parte os castigos provocados pelas faltas. Ele explica a vitória da Revolução sobre a Europa porque a França, ao mesmo tempo culpável e necessária ao mundo, deve ser ao mesmo tempo castigada e preservada…
         M. de Lamartine escrevia-lhe: “M. de Bonald e vós, Senhor Conde, e alguns homens que seguem de longe os vossos passos, fundastes uma escola imorredoura de alta filosofia e de política cristãs, que lança raízes sobretudo na geração que se educa. Ela dará frutos, e eles são julgados antecipadamente.”
         Lamartine devia ver também o seu génio desenvolver-se sob a protecção da fé e lhe emprestaram as suas mais suaves inspirações. Terminada a sua primeira educação, ele foi receber a segunda no Colégio de Belley sob a direcção dos Pais da fé. Ele conservou dos primeiros anos uma impressão profunda e uma recordação emocionada.
         É sob esta influência que escreve as suas Meditações sobre a Providência, A oração, Deus, O Cristão Moribundo, A Imortalidade.
         Foi no género cristão que Lamartine foi o maior e conquistou a mais legítima admiração.
         Para julgar os sentimentos em que se inspirava Victor Hugo na época das suas mais belas obras, em 1824, citemos algumas passagens de um manifesto que ele publicava então: “A sociedade, tal como a transformou a Revolução, dizia ele, teve a sua literatura repugnante e inepta como ela. Esta literatura e esta sociedade morreram juntas e não reviverão mais. A ordem renasce igualmente nas letras… A fé purifica a imaginação; temos poetas. A literatura actual, tal como a criaram Châteaubriand, Stael, La Mennais, não pertence de modo algum à revolução. A literatura actual é a expressão antecipada da sociedade religiosa que sairá com certeza do meio de tantos antigos destroços, de tantas ruínas recentes. Não é uma necessidade de novidade que atormenta os espíritos, é uma necessidade de verdade, e é enorme. Esta necessidade de verdade, a maioria dos escritores superiores da época procura satisfazê-la…”
         As provas, em minha opinião, são bastante claras. Depois deste rápido relance, não posso deixar de gritar com entusiasmo: “Na literatura o cristianismo não é a noite sombria, é a luz esplendorosa”.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Frei Bartolomeu dos Mártires

Memória do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires

A) Em Braga
Frei Bartolomeu dos Mártires, sagrado bispo na igreja de São Domingos dia 3 de Setembro de 1449, pelo Arcebispo de Lisboa, Dom Fernando de Vasconcelos de Menezes, partiu para Braga, levando com a sua humildade e a sua pobreza, a maturidade dos 45 anos, e a santidade adquirida em 30 anos de vida religiosa.
A actividade do novo arcebispo e Senhor de Braga pode resumir-se em duas palavras: Caridade e Justiça.
À Companhia de Jesus deu o Colégio de São Paulo; à Ordem Dominicana deu o convento de Viana do Castelo; às mulheres velhas e desvalidas um hospício; aos pobres quando a peste um hospital completo, e ao arcebispado de Braga deu o Seminário Conciliar, o primeiro que em Portugal se fundou, em obediência ao sagrado Concílio de Trento.
E toda esta actividade sem deixar de visitar de três em três anos, as 1226 paróquias da arquidiocese e sem permitir que a balança da justiça perdesse a fidelidade que no dar o seu a seu dono quer no defender os direitos da Senhoria de Braga…

B) Em Trento
Partiu de Braga no dia 24 de Março de 1561 e chegou a Trento dia 18 de Maio. Nesta viagem de 332 léguas, feita em 56 dias e em 49 jornadas, o santo arcebispo procedeu como Primaz das Espanhas que era e se considerava…
Causou logo impressão… Disse para Roma o Bispo de Modena ao Cardeal Moroni: “Chegou ontem a Trento o Arcebispo de Braga, Primaz do Reino de Portugal, frade de São Domingos, rico de dois grandes esplendores: primeiro de uma raríssima vida exterior, humilde, sem arrogância, sem ruído, e depois de grande e rara erudição.
Entrou em discórdia Frei Bartolomeu por causa da precedência… Achava-se primaz da Espanha enquanto os espanhóis defendiam que primaz da Espanha era o arcebispo de Toledo.
Filipe II de Espanha (dominador também de Portugal, não permitiria que um prelado de uma província dominada passasse à frente dos seus arcebispos…
Apelaram a Roma… O Santo Padre deu ordem para Trento que sendo Primaz em Portugal, precedesse a todos os Arcebispos mas não à frente como Primaz da Espanha que seria o de Toledo.
O Senhor de Braga mandou dizer para Roma que não se sentando no lugar que teve até agora, quer ficar abaixo de todos os bispos, para que se veja, que ele se assenta fora do lugar que convém, até que possa defender por outra via as suas razões.
O Papa deliberou então que nenhum Primaz sem prejuízo dos seus direitos, tivesse outro lugar em TRENTO que não fosse o de Arcebispo, conforme a sua promoção: Queremos e mandamos pelo presente que todos e cada um dos prelados referidos, reunidos pro tempore em Trento… se assentem e tomem lugar em todos e cada um dos actos públicos… não se tendo em conta as dignidades primaciais sejam elas verdadeiras ou pretendidas…
Assim se evitou o fracasso de Trento por causa das precedências.
A Espanha ficou impedida de cantar vitória.
Portugal ficou como era, nada perdendo do seu direito.
Mais tarde Frei Bartomoleu foi convocado por Filipe II para ir às cortes de Tomar. Só foi com a condição imposta e aceite de ir, estar e voltar como Primaz da Espanhas. Assim no dia 16 de Abril de 1581, diante das Cortes reunidas no salão nobre do Convento de Cristo…

Vê-se aqui que o patriotismo não é incompatível com a santidade; e viu-se também que o prestígio de Portugal nada perdeu com a santidade e doutrina do frade de batina branca e capa preta do Arcebispo e Senhor de Braga e Primaz das Espanhas…
 ( Grande figura de um Arcebispo, Mons José de Castro, in Lumen, vol XX, Fevereiro 1956, fasc II, pag 97-109)

Frei Bartolomeu dos Mártires participou no 3º e último período do Concílio de Trento (1561-1563) - Frei Luís de Sousa descreve a acção bastante activa do Arcebispo de Braga atribuindo-lhe a célebre frase:
- Os Ilustríssimos e Reverendíssimos Cardeais precisam duma ilustríssima e reverendíssima reforma.

C) Na Santidade
Depois da missa veio alguém ter comigo:
- Eu pensava que o Sr. Padre ia celebrar a missa da Memória do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires com paramentos VERMELHOS.
- O Directório diz que deve ser celebrada a memória dos Pastores e por isso com paramentos brancos…
- Mas afinal ele não é dos MÁRTIRES?
- Sim. É dos MÁRTIRES só de nome…

E fiquei a pensar que ninguém deve ser Mártir só de nome… Todos os Pastores são de facto Mártires (pois dão a sua vida ao serviço do rebanho de Cristo) e todos os Mártires são Pastores (pois ensinam com a sua vida e o seu exemplo).
Peço hoje por intermédio do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires que ninguém seja mártir só de nome mas que todos sejam pastores pela acção e santificação.