sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Cão fotogénico (3)


Cão admiracão



















Contemplando a paisagem ou sentinela vigilante



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Pedir para os outros

Memória de Santa Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus

Faz hoje 361 anos que o Pe. António Vieira pregou, aqui nos Açores o Sermão de Santa Teresa, no colégio da Companhia de Jesus em Ponta Delgada, a 15 de outubro de 1654, havendo escapado dum terrível naufrágio ao vir do Brasil para Lisboa, ao largo do Corvo. Os náufragos foram recolhidos por um navio corsário holandês depois de despojados de tudo o que tinham e deixados na Graciosa. Na sua passagem pelo arquipélago o Pe. António Vieira visitou o colégio dos Jesuítas de Angra e o de Ponta Delgada. Nesta pregação relata o seu naufrágio e a ajuda celeste que mereceu, comparando-a com a prece de Santa Teresa - Ambos foram atendidos porque não pediram nada para si mesmos, mas para os outros…

Que Santa Teresa, neste ano em que soma 500 anos do seu nascimento, nos inspire a rezar como ela soube tão bem rezar.

 “Um dia que estava a Santa Teresa mais favorecida de Cristo, disse-lhe o Senhor que pedisse o que quisesse. Que vos parece que pediria Teresa? Se fosse alguma das prudentes do Evangelho, havia de pedir para si, e quando menos para si primeiro. Mas foi tanta a prudência de Teresa, e tanta a sua caridade, que não pedindo nada para si, tudo pediu para nós; pediu que todas as vezes que rogasse por seus devotos, lhe concedesse o Senhor o que pedisse: e assim lhe foi outorgado.”

“Também no meio do naufrágio eu rezei, não por mim, mas pelos outros:
Anjos da Guarda das almas do Maranhão, lembrai-vos que vai este navio buscar o remédio e salvação delas. Fazei agora o que podeis e deveis, não a nós, que o não merecemos, mas àquelas tão desamparadas almas que tendes a vosso cargo. Olhai que aqui se perdem também connosco. Assim o disse a vozes altas, que ouviram todos os presentes. Obraram os anjos, porque ouviu Deus a minha oração…”

Conclusão: Pedir para os demais nunca é demais!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Cão fotogénico (2)



Cãoversacão


- Amigo Bolinha, tem calma, kssss… que sejam amigos! Não sabes que amigo do meu amigo, meu amigo é?!
- Sim, sim! Amigos, amigos, negócios à parte.


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Cão fotogénico (1)


Há duas semanas deixei Angola.
Tenho saudades de tudo e de todos.
Também do Bolinha!

Ele é muito fotogénico:

Ei-lo de perna cruzada com saudades de mim!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Sinal P

2ª feira - XXVIII Semana comum

Sinal do profeta Jonas

É o sinal P
Sinal do Profeta = Jonas Profeta enviado tal como Jesus Profeta que nos foi enviado.
Sinal de Pregação = tal como Jonas pregou Jesus também prega a conversão
Sinal do Povo = Enviado ao Povo também Jesus no meio de nós
Sinal de Perverso = geração perversa que precisa de conversão
Sinal de Penitência = como o povo fez penitência
Sinal do Poderoso = É Deus quem envia, cura, perdoa, se compadece…
Sinal de Perdão = Perdão porque Jesus veio para perdoar…


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Lençol de diamantes


Visitei várias vezes Saurimo, a capital da Província da Lunda Sul. Também já estive no complexo das minas de diamantes da Catoca, ali perto.
Ao passar lá a noite tinha a sensação de dormir sobre um lençol de diamantes. E não era em sonho, mas de verdade. Ali, no subsolo, há mais diamantes do que noutra parte do território. Isso era suficiente para me sentir rico, mas dormia sossegado, sem me preocupar com tanta riqueza.
Há tanta gente que por menos, não dorme descansada nem de consciência tranquila.
Ao acordar no dia seguinte, chegava à conclusão que a minha única riqueza era estar vivo, estar lá, poder passear e apreciar a beleza à minha volta e louvar a Deus por tudo isso.
Sobre um lençol de diamantes ou num monte de lixo ou de luxo, o valor mais precioso será sempre a vida. O resto quero deixar onde está agora e onde ficará quando daqui eu me for para eternidade.
Ainda bem que neste lençol os diamantes estão bem lá no fundo, senão seria um desconforto tamanho e eu já estaria todo chagado.

Saurimo é uma cidade bonita, não apenas por ter diamantes, pois ela vale por si mesma.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Não precisa justificar-se

3ª feira - XXVII semana comum

Não vemos no Evangelho de hoje que Maria se tenha explicado quando a irmã a acusava de ficar aos pés de Jesus sem fazer nada. Não disse:
- Oh Marta, se tu soubesses a felicidade que eu sinto, se tu ouvisses as palavras que eu oiço! E de resto, foi Jesus que me disse para aqui ficar.
Não. Ela preferiu calar-se.
Oh bem-aventurado silêncio que tanta paz traz à nossa alma.
Quando se é incompreendida e julgada desfavoravelmente, para quê defender-se, explicar-se? Deixemos passar, não digamos nada; é tão doce nada dizer, deixar-se julgar de uma maneira qualquer.

(Cf. Santa Teresa do Menino Jesus, últimas recomendações, Obras Completas, edição Carmelo)

domingo, 4 de outubro de 2015

Para ser amada


Ano B - XXVII Domingo Comum

Segundo a linguagem poética do Génesis
Deus criou a mulher da costela do homem.

Não foi criada da sua cabeça,
para nenhum se sobrepor ao outro;
nem dos seus pés,
para ninguém ser ultrapassado por ninguém.

Foi criada da sua costela,
isto é, do seu lado, para ser igual a ele,
debaixo do seu braço, para ser protegida,
e perto do seu coração para ser amada.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Árvore da sabedoria



















A mulembeira ou mulembalemba é em Angola a "árvore da sabedoria"
- Porque é o lugar tradicional da iniciação dos mais novos na sabedoria dos mais velhos.
- Porque tem um espaço amplo, aberto e acolhedor para todos, sem deixar ninguém de fora.
- Porque a sabedoria amadurece à sombra, isto é, no recolhimento, na calma e na tranquilidade.
- Porque tem raízes profundas para suportar e alimentar tamanha pujança.
- Porque cada ramo tem raízes específicas tal como cada ramo do saber.
- Porque tem raízes dependuradas à vista de todos, numa revelação ou manifestação de verdade acessível a todos.
- Porque as barbas que caem dos seus ramos lembram os mais velhos que devem ser respeitados e valorizados, pois é o princípio de sabedoria…


















Nós dizemos que o saber não ocupa lugar… mas isso não está certo por dois motivos:
- Porque aqui em Angola o saber ocupa um lugar… à sombra da mulembeira.
- E porque em toda a parte o saber devia ocupar um lugar… ocupar sempre o PRIMEIRO LUGAR.


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Duas faces

5ª feira, XXIII semana comum


A) As faces de Jesus
Jesus ia pelo desfiladeiro de Afiq com um dos seus discípulos. Um homem atravessou-se-lhes no caminho e impediu-os de continuarem dizendo:
- Não vos deixarei passar sem ter dado uma pancada a cada um.
Tentaram dissuadi-lo, mas ele obstinou-se.
Jesus disse:
- Aqui tens a minha face. Bate-lhe.
O homem esbofeteou-o e deixou-o passar. Depois disse ao discípulo:
- Não te deixarei passar enquanto não te bater também.
O discípulo recusou. Vendo isso, Jesus ofereceu-lhe a outra face. O homem bateu-lhe e permitiu que ambos passassem. (Cf. Ahmad ibn Hanbal +855)

B) As nossas faces
Alguns irmãos foram ao encontro do Aba Antão para lhe perguntarem o seguinte:
- Diz-nos uma coisa: Como podemos ser salvos?
O ancião respondeu:
- Escutais as Escrituras? Elas só vos podem fazer bem.
Eles retorquiram:
- Queremos escutá-las da vossa boca, Pai.
Então o ancião disse-lhes:
- O Evangelho diz o seguinte: Se alguém te bater na face direita, oferece também a outra face.
Eles responderam:
- Nós não podemos fazer isso.
- Se não podeis oferecer a outra face, aceitai ao menos que vos batam numa das faces.
- Mas nem isso nós podemos fazer.
- Então se também não o podeis fazer - disse ele - pelo menos não pagueis o mal com o mal.
Eles responderam:
- Nem mesmo isso podemos fazer.
Então o velho disse a um dos discípulos:
- Prepara umas papas de farinha e dá-lhes de comer, porque eles estão doentes. Se não podeis fazer nem uma coisa nem outra, que posso eu fazer por vós? Vós precisais é de remédio e de oração. (Cf. Marcel Driot, Os padres do deserto)




terça-feira, 8 de setembro de 2015

Aurora da salvação

Festa do Nascimento da Virgem Maria

Celebramos hoje o nascimento; mas que nascimento celebramos?
Se o perguntarmos à Igreja, responde que o nascimento de Maria; se consultarmos o Evangelho, lemos nele o nascimento de Jesus: O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo.
Se a Igreja celebrara neste dia o nascimento glorioso de Cristo, muito acomodado Evangelho nos mandava ler; mas o dia e o nascimento que festejamos não é o do Filho, é o da Mãe. Pois se ainda hoje nasce a Mãe, como nos mostra já a igreja e o Evangelho não a Mãe, senão o Filho nascido?
O sol, se bem advertirdes, tem dois nascimentos: um nascimento com que nasce quando nasce, e outro nascimento com que nasce antes de nascer.
Aquela primeira luz da manhã que apaga ou acende as sombras da noite, cuja luz é?
É luz do sol.
E esse sol então está já nascido?
Não e sim.
Não, porque ainda não está nascido em si mesmo.
Sim, porque já está nascido na sua luz.
De sorte que naturalmente veem os nossos olhos ao sol duas vezes nascido: nascido quando nasce, e nascido antes de nascer.
Provo a consequência, porque o sol tem dois nascimentos: um nascimento quando vem arraiando aquela primeira luz da manhã a que chamamos aurora; outro nascimento quando o sol descobre, ou acaba de desaparecer em si mesmo.
E como o sol não só nasce quando nasce em si mesmo, senão também quando nasce na sua luz.
Um nascimento do sol é quando nasce em si mesmo e aparece sobre a terra; o outro nascimento é antes de nascer em si mesmo, quando nasce e aparece a sua luz. É o que estamos vendo neste dia, e o que nos está pregando a Igreja neste Evangelho.
O dia mostra-nos nascida a luz, o Evangelho mostra-nos nascido o sol, e tudo é.
Não é o dia em que o sol apareceu nascido sobre a terra, mas é o dia em que aparece nascido na luz da sua aurora porque, se o sol não está ainda nascido em si mesmo, já está nascido na luz de que há de nascer.
Agora pergunto eu, se alguém me não entendeu ainda: quem é este sol duas vezes nascido? E quem é esta luz de que se formou este sol? O sol é Jesus, a luz é Maria. E não era necessário que ele o dissesse. Assim como o sol nasceu duas vezes, e teve dois dias de nascimento; assim como o sol nasceu uma vez quando nascido e outra antes de nascer; assim como o sol uma vez nasceu em si mesmo, e outra na sua luz; assim, nem mais nem menos, o sol Divino, Cristo, nasceu duas vezes e teve dois dias de nascimento. Um dia em que nasceu em Belém, outro em que nasceu em Nazaré.
Um dia em que nasceu quando nascido, que foi em vinte e cinco de dezembro, e outro dia em que nasceu antes de nascer, que foi neste venturoso dia.
Um dia em que nasceu de sua Mãe, outro dia em que nasceu com ela.
Um dia em que nasceu em si mesmo, outro dia em que nasceu naquela de quem nasceu.
Suposto que temos neste Evangelho dois nascidos, e nesse nascimento dois nascimentos: o nascimento da luz, Maria, nascida em si mesma, e o nascimento do sol, Cristo, nascido na sua luz, qual destes nascimentos faz mais alegre este dia?
E por qual deles o devemos mais festejar?
Por dia do nascimento da luz, ou por dia do nascimento do sol?
Com licença do mesmo sol, ou com lisonja sua, digo que por dia do nascimento da luz.
E por quê?
Não por uma razão, nem por duas, senão por muitas. Só quatro apontarei, porque desejo ser breve.
Primeira razão: porque a luz é mais privilegiada que o sol. Segunda: porque é mais benigna.
Terceira: porque é mais universal.
Quarta: porque é mais apressada para nosso bem.
Por todos estes títulos é mais para festejar este dia por dia do nascimento da luz, que por dia, ou por véspera, do nascimento do sol.
Primeira razão: a luz é mais privilegiada que o sol.
A luz, e não o sol, é a chave que abre as portas do dia. O dia é filho da luz e não do sol.
Começando pelo primeiro título, de ser a luz mais privilegiada, digo que é mais privilegiada a luz que o sol, porque o dia, que é a vida e a formosura do mundo, não o faz o nascimento do sol, senão o nascimento da luz.
Tenho advertido que o que primeiro abre e faz o dia, é o nascimento da luz, e não o do sol6. Está esta grande máquina e variedade do universo coberta de trevas, está o mundo todo fechado no cárcere da noite, e qual é a chave que abre as portas ao dia? O sol? Não, senão a luz, porque ao aparecer do sol, já o mundo está patente e descoberto: O sol faz o dia mais claro, mas a luz é a que faz o dia. E se não, vede quantas vezes acontece forrar-se o céu de nuvens espessas, com que não aparece o sol, nem o menor de seus raios, e contudo, ainda que não vemos o sol, vemos o dia. Por quê? Porque no-lo mostra a luz. Bem se segue logo que o dia, tão necessário e tão proveitoso ao mundo, é filho da luz, e não filho do sol.
Segunda razão: a luz é mais benigna que o sol.
O segundo título por que se deve mais festejar o dia deste nascimento é por ser a luz mais benigna. É a luz mais benigna que o sol, porque o sol alumia, mas abrasa; a luz alumia e não ofende.
Quereis ver a diferença da luz ao sol? Olhai para o mesmo sol e para a mesma luz de que ele nasce, a aurora. A aurora é o riso do céu, a alegria dos campos, a respiração das flores, a harmonia das aves, a vida e alento do mundo. Começa a sair e a crescer o sol, eis o gesto agradável do mundo e a composição da mesma natureza toda mudada. O céu acende-se, os campos secam-se, as flores murcham-se, as aves emudecem, os animais buscam as covas, os homens as sombras. E se Deus não cortara a carreira ao sol, com a interposição da noite, fervera e abrasara-se a terra, arderam as plantas, secaram-se os rios, sumiram-se as fontes. A razão natural desta diferença é porque o sol, como dizem os filósofos, ou verdadeiramente é fogo, ou de natureza mui semelhante ao fogo, elemento terrível, bravo, indômito, abrasador, executivo, e consumidor de tudo. Pelo contrário, a luz em sua pureza, é uma qualidade branda, suave, amiga, enfim, criada para companheira e instrumento da vista, sem ofensa dos olhos, que são em toda a organização do corpo humano a parte mais humana, mais delicada e mais mimosa.
Terceira razão: a luz é mais universal; o sol é limitado no tempo e no lugar.
O terceiro título, por que se deve mais festejar o dia deste nascimento, é por ser a luz mais universal. É a luz mais universal que o sol porque o sol nunca alumia mais que meio mundo e meio tempo; a luz alumia em todo o tempo e a todo o mundo. O sol nunca alumia mais que meio mundo, porque quando amanhece para nós, anoitece para os nossos antípodas, e quando amanhece aos antípodas, anoitece para nós. E nunca alumia mais que meio tempo, porque das vinte e quatro horas do dia natural as doze assiste em um hemisfério, as doze no outro. Não assim a luz. A luz não tem limitação de tempo nem de lugar: sempre alumia, e sempre em toda parte, e sempre a todos. Onde está o sol, alumia com o sol, onde está a lua, alumia com a lua, e onde não há sol nem lua, alumia com as estrelas, mas sempre alumia. De sorte que não há parte do mundo, nem movimento de tempo, ou seja dia ou seja noite, em que, maior ou menor, não haja sempre luz. Tal foi a disposição de Deus no princípio do mundo. Ao sol limitou-lhe Deus a jurisdição no tempo e no lugar; à luz não lhe deu jurisdição limitada, senão absoluta para todo o lugar e para todo o tempo. Ao sol limitou-lhe Deus tempo, porque mandou que alumiasse o dia e limitou-lhe lugar, porque só quis que andasse dentro dos trópicos de Câncer e Capricórnio, e que deles não saísse. Porém à luz, não lhe limitou tempo, porque mandou que alumiasse de dia por meio do sol, e de noite por meio da lua e das estrelas.
Quarta e última razão: a diligência de Maria.
O quarto e último título porque se deve mais festejar este dia, é por ser a luz mais apressada para nosso bem. Ser mais apressada a luz que o sol, é verdade que veem os olhos. Parte o sol do oriente e chega ao ocidente em doze horas. Aparece no oriente a luz, e em um instante fere o ocidente oposto, e se dilata e se estende por todos os horizontes, alumiando em um momento o mundo. O sol, como dizem os astrólogos, corre em cada hora trezentas e oitenta mil léguas. Grande correr! Mas toda esta pressa e ligeireza do sol, em comparação da luz, são vagares. O sol faz seu cursa em horas, em dias, em anos, em séculos; a luz sempre em um instante. O sol, no inverno, parece que anda mais tardo no amanhecer, e no verão mais diligente, mas nunca se levanta tão cedo o sol, que não madrugue a luz muito diante dele. Ó luz divina, como vos pareceis nesta diligência à luz natural!
Esse é o dia, cristãos, de despachar estas petições:
Peçamos hoje luz para nossas trevas, peçamos luz para nossas escuridades, peçamos luz para nossas cegueiras, luz com que conheçamos a Deus, luz com que conheçamos o mundo, e luz com que nos conheçamos a nós. Abramos as portas à luz para que alumie nossas casas; abramos os olhos à luz, para que alumie nossos corações; abramos os corações à luz, para que more perpetuamente neles.
Venhamos, venhamos a buscar luz a esta fonte de luz, e levemos daqui cheias de luz nossas almas. Com esta luz saberemos por onde havemos de ir; com esta luz conheceremos donde nos havemos de guardar; com esta luz, enfim, chegaremos àquela luz onde mora Deus, a que o apóstolo chamou luz inacessível que só por meio da luz que hoje nasce, se pode chegar à vista do sol que dela nasceu: Jesus.
(Pe. António Vieira, SERMÃO DO NASCIMENTO DA VIRGEM MARIA DEBAIXO DA INVOCAÇÃO DE N. SENHORA DA LUZ, TÍTULO DA IGREJA E COLÉGIO DA COMPANHIA DE JESUS, NA CIDADE DE S. LUÍS DO MARANHÃO. ANO DE 1657)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Lição do Doutor Agostinho

Memória de santo Agostinho


"O diabo acredita, mas não ama.
Quem acredita não pode deixar de amar!"

Amar é acreditar.
Acreditar é amar.

domingo, 19 de julho de 2015

Evangelização perfeita


Ano B - XVI domingo comum

Depois de terem sido enviados por Jesus para falar de Deus aos Homens...
os apóstolos regressam e falam dos Homens a Jesus, contando o que fizeram, quem encontraram, como reagiram..

É esta a evangelização perfeita:
FALAR DE DEUS AOS HOMENS
E FALAR DO HOMENS A DEUS.

sábado, 18 de julho de 2015

De saída

Sábado - XV semana comum

Na primeira leitura o povo inicia a saída ou êxodo do Egipto a Caminho da terra prometida...

Foi um acto ao mesmo tempo humano e divino,
um fenómeno pessoal e comunitário,
uma acção de hoje e de sempre,
um gesto da graça gratuita e da dedicação e conquista.

Também tudo o que fazemos pode ser divino sem deixar de ser humano,
comunitário, sem deixar de ser pessoal,
de sempre, sem deixar de ser actual,
presente ou dom sem deixar de ser conquista dedicada.


No trecho do evangelho queriam fazer desaparecer Jesus, mas este antecipou-se e saiu do meio deles, desapareceu para lhes poupar trabalho ou culpa.. Assim não puderam discutir com ele...
De facto, um só não briga. Para haver discussão é preciso haver pelo menos duas pessoas.
Que não haja discussões, pois um só não briga!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Do êxodo à misericórdia

6ª feira – XV semana comum

Hoje as duas leituras apresentam 2 temas muito queridos ao Papa Francisco.

Na Primeira, é o convite ao êxodo, a uma comunidade de saída.
É preciso sair de si mesmo, do seu comodismo ou da sua letargia e ir ao encontro do Outro e dos outros.
Sejamos uma Igreja de saída, uma comunidade que faz o seu êxodo até às periferias para que a libertação de todos seja uma realidade.


No Evangelho Jesus convida à misericórdia: Eu quero misericórdia e não sacrifícios!
Estamos a preparar um ano da Misericórdia.
Santo António de Lisboa pregava que “misericordioso é aquele que tem compaixão da miséria alheia. Daqui o chamar-se-lhe também misericórdia, por tornar miserável o coração quando se dói da miséria alheia”.
Sejamos misericordiosos como o nosso Pai celeste é Misericordioso.


quarta-feira, 15 de julho de 2015

Deus, Moisés e o espinheiro

Quarta-feira – XV semana comum

Certa vez um homem interrogou o rabino:
- Por que Deus escolheu um espinheiro para falar com Moisés?
O rabino respondeu:
- Se ele tivesse escolhido uma oliveira ou uma amoreira, tu terias feito a mesma pergunta. Mas não posso deixar-te sem uma resposta: por isso digo que Deus escolheu um mísero e pequeno espinheiro para ensinar que não há nenhum lugar na terra onde Ele não esteja presente.


Moisés disse:
- Quem sou eu para ter semelhante missão?
E Deus respondeu:
- Eu estarei contigo…
O que realmente conta não é quem somos, mas com quem estamos ou com quem vamos…



segunda-feira, 13 de julho de 2015

Jango

















Jango, cota, casa das reuniões, casa comum ou casa do fogo, é o lugar de encontro da comunidade local no centro de uma aldeia chokwe.
Se cada família tem a sua casa própria para comer e dormir, para retemperar o corpo e para a sua privacidade, cada aldeia tem a sua casa de reuniões para retemperar o espírito, para preservar a comunidade, favorecer a unidade e a coesão, formar comunidade. É ali que os corpos se aquecem e as almas se alimentam, os mais velhos partilham os seus contos e os mais novos recebem a sua formação e instrução, mas também é o lugar de descontração, de recreio e de convívio.























Os barrotes da casa das reuniões unem-se todos no cume, diz um provérbio chokwe.

De facto, é na casa das reuniões que a comunidade toma consciência da sua herança comum e da sua unidade. É aqui que se resolvem todos os problemas e desavenças, todos os atentados à unidade.

domingo, 12 de julho de 2015

Profetas de hoje


Ano B – XV domingo comum

Hoje recordei aos cristãos com quem celebrei a eucaristia que a exemplo do Profeta Amós todos nós somos profetas.
Qualquer batizado foi declarado profeta.
Ser profeta é falar de Deus aos homens e falar dos homens a Deus.
E dizia-lhes que não é preciso muitos estudos para fazer isso, nem saber ler, escrever ou falar bem para ser profeta. Pequeno ou grande, sábio ou simples cada um pode falar de Deus.
Nem é preciso abrir a boca, basta uma atitude, um gesto, um aceno para falar de Deus.
Dei então o exemplo de alguns amigos meus na Madeira, que ao passarem à frente da igreja benzem-se. Estão assim a falar de Deus a quem está a ver. Ao passarem de carro, a pé, sós ou acompanhados fazem esse sinal. Alguns até param e recolhem-se em oração sem terem necessidade de entrar no templo e assim lembram-se a si mesmo que passam ali como cristãos, como batizados que recebem a bênção de Deus.
Estes estão a falar de Deus ao próximo e estão falar do próximo a Deus.
Tentei convencer aqueles cristãos a fazerem o mesmo.
Qual não foi o meu espanto, quando no final da celebração o grupo coral que animou a missa veio convidar-me a acompanhá-lo pelo bairro a cantar os mesmos cânticos… para falarem de Deus aos homens.
De facto, ao ouvirem os cânticos dos cristãos junto das suas casas, todos se aproximavam e se questionavam… e recebiam assim, sem esperarem, uma lição de Deus.
Obrigado a quem levou a sério a minha pregação dando assim uma lição ao padre e a todos os seus irmãos do Marco 25, uma comuna mesmo junto à fronteira com a R D do Congo e com a Zâmbia, a 65 quilómetros do Luau.
Ninguém poderá dizer que hoje já não há profetas para falar de Deus aos homens ou falar dos homens a Deus.


sábado, 11 de julho de 2015

Um par de olhos


Ano B – XV domingo comum

Jesus chamou os doze Apóstolos
e começou a enviá-los DOIS a DOIS…

Enviou-os então como os olhos do seu rosto.

Os olhos caminham sempre juntos,
estão sempre lado a lado
como dois amigos inseparáveis.

Ainda que nunca se possam ver um ao outro,
estão em perfeita sintonia.
Piscam juntos, movem-se juntos,
comovem-se juntos,
sorriem juntos, choram juntos,
veem as coisas juntos…

Ajudam-se e complementam-se mutuamente.
Nunca olham para si mesmos
mas sempre os dois na mesma direção
para assim surgir uma imagem perfeita.

Nenhum quer ser superior ao outro:
Olham ambos da mesma altura,
sem complexos de superioridade ou inferioridade.

Estão sempre concordantes:
Se um diz a verdade, o outro não pode ser diferente,
Se um tem compaixão, o outro também é compassivo.

Se, por acaso, algum fica limitado,
o outro faz o serviço dos dois
de modo que nada se perca.

E quando os olhos se fecharem para sempre,
serão os dois ao mesmo tempo
para  ambos se abrirem eternamente.

Assim são os apóstolos enviados por Jesus:
São como os dois olhos do próprio Jesus.


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Brincando com pessoas sérias


Vi nas Notícias que, há dias, o Papa Francisco almoçou com  Bento XVI, o Papa Emérito.

Alguém sabe o que comeram?
Qual terá sido a ementa?

Ninguém sabe?
Eu cá sei.!
Tenha a certeza que foi um almoço de papas.