sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

No meio de lobos


Memória de São Timóteo e São Tito

Jesus envia os seus discípulos como cordeiros para o meio de lobos.
Quem
O quê
Como
Para onde

Quem
Quem envia é sempre Jesus. Ninguém é missionário por conta própria. O enviado está em nome ou na pessoa de Jesus.
O quê
O que Jesus envia são cordeiros. Jesus envia cordeiros… os mais novos, os que ainda sonham como ele e não os experientes, os que já sabem tudo.
Como
Os enviados são os indefesos, pois toda a segurança e poder vem de Deus. Envia os frágeis para mostrarem donde lhes vem a força.
Para onde
Os enviados vão para o meio dos lobos. Os cordeiros não podem ficar bem guardadinhos e protegidos. Têm de sair e ficar no meio das tempestades da vida. Os cordeiros no meio dos lobos são uma provocação, mas se assim não for nunca haverá nenhuma conversão…

É assim que Jesus trata os seus cordeiros…
Foi assim que ele experimentou nesta terra: 
Ele veio como cordeiro para o meio dos lobos. Ele bem podia ter ficado lá no cantinho do céu, mas não. Ele veio para transformar esta terra num cantinho do céu. 
Jesus envia os seus cordeiros para o meio de lobos, pois é onde o próprio Jesus se encontra.

Estamos todos no mesmo saco:
Ou como lobos, e Jesus está connosco;
Ou como cordeiros, e devemos estar com Jesus,
e é por isso que Jesus envia os seus discípulos como cordeiros para o meio dos lobos.



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Paulo o imparável


Festa da Conversão de São Paulo, Apóstolo

Nunca parou este pequeno grande missionário.
Ele foi mais do que hiperativo, foi francamente imparável…
Fez-se tudo para todos por Cristo seu Senhor.
Parece não ter havido nenhum outro apóstolo que tivesse viajado tanto, apesar de ter passado vários anos na prisão.

Quantos quilómetros fez São Paulo nas suas viagens missionárias?

Local
Via terra
Via mar
Subtotal
Arábia
300 km 
(12 dias)
300 km 
(12 dias)
Síria/Cilícia
1.800 km 
(70 dias)
1.800 km 
(70 dias)
Jerusalém
1.080 km 
(45 dias)
1.080 km 
(45 dias)
Galátia
1.440 km 
(60 dias)
980 km 
(10 dias)
2.420 km 
(70 dias)
Jerusalém
1.080 km 
(45 dias)
1.080 km 
(45 dias)
Macedônia/
Acaia
3.110 km 
(125 dias)
2.060 km 
(20 dias)
5.170 km 
(145 dias)
Ásia
2.900 km 
(115 dias)
3.210 km 
(35 dias)
6.110 km 
(150 dias)
Espanha
1.000 km 
(40 dias)
1.800 km 
(15 dias)
2.800 km 
(55 dias)
Creta
120 km 
(5 dias)
1.300 km 
(14 dias)
1.420 km 
(19 dias)
Últimas viagens
900 km 
(35 dias)
1.700 km 
(17 dias)
2.570 km 
(52 dias)
Total
13.730 km 
(552 dias)
11.050 km 
(111 dias)
24.780 km 
(663 dias)
Fonte: Eckhard J. Schnabel. Paul the Missionary. Downers Grove: InterVarsity Press, 2008. p. 122.
Observações: Primeiro, as viagens de Paulo para Síria e Cilícia ocuparam 10 anos de sua vida e por isto, o cálculo de distância é baixo, pois certamente viajou mais durante este período. Segundo, uma viagem para a Espanha não é confirmada no Novo Testamento (veja a intenção da viagem em Rm 15.23-29) mas é fortemente sugerida pelo bispo Clemente em 95 d.C., e na tradição antiga. Paulo menciona a viagem para Creta na sua Carta a Tito e outras viagens nas suas outras cartas.

São Paulo, com a sua conversão, deu uma volta à sua vida e com as suas viagens deu meia volta ao mundo para que todos pudessem dar também uma volta às suas vidas.

No rasto de São Paulo podemos ver outros dois missionários em séculos muito distintos:
São Francisco Xavier que durante os 10 anos que esteve em missão na Índia, Indonésia e Japão, percorreu mais de 80.000 Km. Isto é o equivalente a 3 voltas à Terra.
O Papa São João Paulo II que visitou 129 países diferentes e mais de mil cidades, num total de quase 1300 mil quilómetros percorridos, suficientes para mais de três viagens entre a terra e a lua e 29 voltas à terra.



quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Deus é agricultor


4ª feira – III semana comum

Deus é semeador, agricultor ou lavrador.















O cuidado da nossa alma é semelhante ao cultivo da terra.
Assim como para cultivar a terra se arranca de um lado e se extirpa do outro até à raiz para semear o bom grão, o mesmo se deve fazer à nossa alma:
- arrancar o que é mau e plantar o que é bom;
- extirpar o que é prejudicial, transplantar o que é útil;
- desenraizar o orgulho e plantar a humildade;
- deitar fora a avareza e guardar a misericórdia;
- desprezar a imoralidade e amar a castidade. […]
Efetivamente, vós sabeis como se cultiva a terra.
Em primeiro lugar, arrancam-se as silvas e atiram-se as pedras para longe, seguidamente lavra-se a própria terra, recomeça-se uma segunda vez, uma terceira, e finalmente […] semeia-se.
Que seja assim na nossa alma: em primeiro lugar, arranquemos as silvas, ou seja os maus pensamentos; seguidamente retiremos as pedras, isto é, a malícia e a dureza.
Por último, lavremos o nosso coração com o arado do Evangelho e a relha da cruz e, quebrado pela penitência, amolecido pela esmola e pela caridade, preparemo-lo para a semente do Senhor […], para que possa receber com alegria a semente da palavra divina e não dar apenas trinta, mas sessenta e cem vezes o seu fruto.
(CF. São Cesário de Arles, 470-543, monge, bispo, Sermões ao povo, n°6 passim; SC 175)























terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A mão direita de Deus


O hino The right hand of God, foi criado na década de oitenta numa assembleia do movimento ecuménico das Caraíbas. É um canto de vitória e de liberdade inspirado no cântico de Miriam e Moisés, Ex 15. 
Através dele podemo-nos unir mais fortemente a Deus e aos irmãos, neste oitavário de oração pela unidade dos cristãos aceitando o convite dos cristãos das Caraíbas.


















A mão direita de Deus

A mão direita de Deus
Está escrevendo na nossa terra,
Escrevendo com poder e amor.
Os nossos conflitos e os nossos medos,
Os nossos triunfos e as nossas lágrimas
São gravados pela mão direita de Deus.

A mão direita de Deus
Está atingindo a nossa terra,
Pondo para fora a inveja, o ódio e a ambição.
O nosso egoísmo e a luxúria,
O nosso orgulho e os atos injustos
São destruídos pela mão direita de Deus.

A mão direita de Deus
Está elevando a nossa terra,
Erguendo os caídos um por um.
Cada um tem o seu nome conhecido
E é resgatado agora da vergonha
Pela elevação da mão direita de Deus.

A mão direita de Deus
Está curando a nossa terra,
Curando dilacerados corpos, mentes e almas.
Tão maravilhoso é o seu toque,
Com amor que tanto significa,
Quando somos curados pela mão direita de Deus. 



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Meia palavra basta


2ª feira – III semana comum

Do Evangelho de hoje:
Quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão…
Porque diziam – Está possesso dum espírito impuro.

Para a nossa reflexão de hoje, meia palavra basta:

Quem não acredita no Senhor do Perdão, como pode ser perdoado?
Para ser perdoado é preciso acreditar em quem dá o perdão.
Quem dá o perdão é o Espírito Santo de Deus.
Os escribas diziam que Jesus agia sob a ação de um espírito impuro e não sob a ação do Espírito Divino.

É uma lição para nós:
Só é perdoado quem acredita em quem perdoa.
Confiemos em Deus.
















quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A barca de Jesus


5ª feira – II semana comum














Jesus pediu aos discípulos que lhe preparassem uma barca…

O mar é o mundo.
A barca é a Igreja.
A preparação é a obra de evangelização.
O trabalho é de equipa.
A viagem é a progressão.
Jesus é presença constante.
O mal não tem lugar.
O espaço reduzido é a intimidade de Jesus com os seus discípulos.

Jónatas, filho de Saul, era muito amigo de David…

Hoje é o dia do amigo.
A inveja mata.
A amizade salva.
Li na janela de um carro: A inveja mata… Não morras por causa de mim.
De facto o invejoso destrói-se a si mesmo e ao outro, enquanto a amizade beneficia a ambos.





quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A renovação de Portugal


Há precisamente 100 anos o Pe. Dehon, escrevia no seu diário:

“Roma, 17 de janeiro de 1918.
Encontrei-me com o Cardeal Scapinelli que é muito amável…(Ele foi núncio em Viena e adido na Secretaria de Estado do Vaticano para os serviços da nunciatura em Lisboa).
Encontrei-me também com o Cardeal Tonti que é meu antigo condiscípulo de estenografia. A conversa foi agradável. Ele conhece bem o Brasil e Portugal, onde a aristocracia é miguelista, disse-me ele. No Brasil fundam-se por toda a parte seminário sque funcionam bem, e em cada nova diocese a Santa Sé exige que sejam enviados dois seminaristas para estudarem em Roma. O seminário português também funciona muito bem e ajudará a renovação de Portugal.” (Cf. NQ 42)
Já em março de 1899, numa crónica na Revista O Reino do Coração de Jesus, o Pe. Dehon regozijava-se pela fundação do Colégio Português em Roma: “A bela Universidade Gregoriana, dirigida pelos Padres Jesuítas, tem sempre e de longe o primeiro lugar em Roma. Os cursos são seguidos por 19 colégios de diversas nações e por 37 comunidades religiosas… Um vigésimo colégio nacional vai ser fundado pelos portugueses…”

A renovação de Portugal passava pelo seminário, há 100 anos.
E hoje?



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

David era pastor


3ª feira – II semana comum

O jovem David era pastor e andava a guardar o rebanho de seu pai quando foi escolhido e ungido rei de Judá.

- O pastor
Pregava o Pe. António Vieira em 1655 que “Só dois reis elegeu Deus por si mesmo, que foram Saul e David, e a ambos os tirou de pastores, para que, pela experiência dos rebanhos que guardavam, soubessem como haviam de tratar o povo.”
Assim também os presbíteros são chamados pastores para se lembrarem como devem tratar o povo de Deus que devem servir.

- O rebanho
Poucos animais são tão indefesos como as ovelhas. Com muito pouca defesa contra inimigos naturais, pouco senso de direção e nenhuma capacidade para encontrar o seu próprio alimento, elas são muito dependentes do homem para prover as suas necessidades. No tempo em que não havia cercas, os proprietários de ovelhas tinham que ficar com elas nos campos durante vários meses seguidos.
O pastor tinha que providenciar para as ovelhas tudo que elas não podiam providenciar para si mesmas. Ele procurava pastos verdes onde pudessem encontrar comida (1 Crónicas 4,39-40) e as conduzia gentilmente para lá, sempre cuidadoso com as que estavam com filhotes (Isaías 40,11). Ele as protegia até com a sua própria vida. O jovem David relatou a Saul como tinha arrancado um cordeiro da boca de um leão e tinha matado tanto leões como ursos (1 Samuel 17).
Dando tanto de si mesmos ao cuidado das ovelhas e estando tão frequentemente sem companhia humana, o pastor desenvolvia uma íntima amizade com as ovelhas. Ele dava um nome a cada uma; as ovelhas conheciam a sua voz e vinham quando ele as chamava (João 10,3-4). Ele as contava todas as noites para ter a certeza de que estavam todas a salvo no aprisco (Jeremias 33,13). Se ao menos uma estivesse a faltar, ele esquadrinhava o campo para encontrá-la (Lucas 15,4).
O desamparo das ovelhas, a sua total dependência do pastor e do seu amor por elas tornavam esta relação uma das mais finas e a figura da relação de Deus com seu povo mais frequentemente usada. Somos tão parecidos com as ovelhas. O rei David, o pastor, expressou isso tão lindamente naquelas palavras familiares: "O SENHOR é meu pastor; nada me faltará" (Salmo 23).   
Os proprietários de ovelhas algumas vezes tinham problemas quando o número delas ficava tão grande que já não podiam mais atendê-las pessoalmente. Frequentemente, as ovelhas tinham que ser divididas em rebanhos e deixadas sob os cuidados de empregados. Jesus explicou: "O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então o lobo as arrebata e dispersa" (João 10,12).
Hoje em dia a igreja é o rebanho das ovelhas do Senhor. Os presbíteros são aqueles que estão encarregados: "Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho" (1 Pedro 5,2-3).
(Cf. Sewell Hall)

























segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Retalhos


2ª feira – II semana comum

Unir a obediência à docilidade
e aliar o querer ao fazer.

Na 1ª leitura
Não basta a obediência de Saul.
É preciso docilidade, isto é, fazer com agrado e com amor aquilo que se faz por obediência.
Quando se obedece com revolta recusamos o mérito daquilo que se faz.

No trecho do Evangelho
Não basta querer, é preciso fazer.
Não chega ter um tecido novo.
É preciso desfazer-se do velho e fazer um vestido novo, do princípio ao fim.
Quando somos uma manta de retalhos, não sabemos o que somos.
Não somos nada, nem novos nem velhos.
Deitar vinho novo em odres velhos é querer dizer sim a Deus, sem dizer não ao diabo.
Não basta querer mudar, é preciso fazer diferente.
Já alguém disse que insanidade é continuar a fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes.