terça-feira, 18 de julho de 2017

Lenda das 5 Badaladas

Memória do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires

A lenda que vou contar tem como cenário a bela cidade de Viana de Castelo, e está ligada à história maravilhosa de D. Frei Bartolomeu dos Mártires. Na sua velhice, Frei Bartolomeu resolvera recolher-se ao mosteiro de S. Domingos, em Viana, mosteiro que ele fundara à custa de um esforço sem limites e de uma vontade de antes quebrar que torcer. Sentindo-se cansado, já perto da morte, Frei Bartolomeu dos Mártires preferiu aos tumultos do mundo o sossego e a simplicidade da sua cela. E é nesse sossego que nasce a lenda que vou contar. 
Na sua cela, Frei Bartolomeu não se cansava de implorar ao Senhor: 
— Ó meu Deus! Se não valeis depressa a este mundo desvairado, os homens perdem-se, os homens enlouquecem! A guerra, para eles, acabou por se tornar um hábito. Acabai com esse flagelo, Deus meu! Chamai-os à razão! Mostrai-lhes mais uma vez o caminho da Verdade! Eles hão-de acabar por compreender. 
Mas os homens afastavam-se cada vez mais desse caminho. As lutas entre irmãos do mesmo sangue, erguidas pela ambição do poderio, tornavam-se mais frequentes e mais sinistras. 
Ora aconteceu que nas imediações do convento, a caminho do rio, um pescador vindo de longe veio estabelecer ali a sua companha. Esse pescador era viúvo e tinha apenas uma filha.
Numa das suas visitas habituais ao bairro dos pescadores — levando-lhes o conforto espiritual e todo o auxilio que podia arrancar às suas modestas posses — Frei Bartolomeu dos Mártires entrou, também, na casa desse velho pescador. Com o sorriso nos lábios, saudou-o: 
— Deus vos abençoe, bom homem! Posso entrar? 
O pescador olhou o frade com dureza. 
— Para que pede licença, se entra antes de ouvir a resposta? Na minha terra bate-se primeiro à porta!  
Frei Bartolomeu não se amofinou. Sorriu com doçura e humildade. 
— Desculpai... mas aqui os costumes são outros... E ninguém faz cerimónia com um pobre frade como eu. 
Parou no meio da casa e perguntou: 
— Dais licença que me sente? Estou velho e as minhas pernas estão gastas... Já não aguento muito tempo de pé... 
O pescador não respondeu logo. Olhou o frade com atenção. Depois gritou para um outro aposento: 
— Eh, rapariga! Traz uma cadeira para este frade. Ele quer sentar-se. 
Uma rapariga bastante jovem e de aspecto decidido apareceu. A sua voz era agreste. 
— Está aqui um banco. É o que se pode arranjar. Isto não é casa de ricos. 
Sem se perturbar, Frei Bartolomeu respondeu com o mesmo sorriso complacente: 
— Eu sei... eu sei... Por isso vim até aqui... 
Ela franziu as sobrancelhas: 
— E porquê, aqui? 
— Porque os ricos não precisam das minhas visitas. 
Rude, o homem replicou: 
— Nem nós, apesar de sermos pobres. Basta-nos o nosso trabalho. 
A jovem apoiou a opinião do pescador: 
— Tem razão, meu pai! Não é com palavras que a gente se governa. E com isto me vou.
Tenho a roupa à minha espera. E tem que ficar ainda hoje enxuta. 
Uma sombra de tristeza anuviou a expressão de Frei Bartolomeu, que se apressou a dizer. 
— Esperai, não vos ides embora. Gostava tanto de conversar com os dois! 
Sempre ríspida, a rapariga retorquiu: 
— Mas nós é que não temos tempo para conversas. E para mais, conversas que não nos interessam... 
— Que sabeis disso? 
— Ora! Sei que o trabalho não pode esperar! 
Frei Bartolomeu voltou a sorrir. 
— Se Deus quiser... ficai sabendo que o vosso trabalho se despachará a tempo e horas. 
Ela soltou uma gargalhada que soou falsa. 
— Era o que faltava agora! Deus vir ajudar-me a lavar e a enxugar a roupa! 
E num trejeito de desafio: 
— Eu já não vou nessas patranhas, senhor padre!... 
O pescador achou por bem intervir para pôr cobro à conversa. 
— Olhe, se vem cá com a mania de nos levar à igreja, engana-se redondamente. Isso acabou para nós há muito tempo! 
Assombrou-se o rosto do pescador. Ficou mais fechada a expressão da rapariga. O frade ficou alerta. E quis saber: 
— Disseste... que isso já acabou? 
A jovem, menos ríspida, esclareceu: 
— Sim, há muito tempo... quando a minha mãe morreu. 
Houve um pequeno silêncio que o santo frade respeitou. Depois, numa voz cariciosa, retomou a palavra: 
— Compreendo a vossa dor. Não há nada na Terra que possa substituir o amor de um ente querido, principalmente o amor de mãe! Mas... dizei-me: como foi que ela morreu? 
O pescador voltou a mostrar-se desabrido. 
— Como foi? Pergunte ao seu Deus! Ele é que lhe pode responder. Ele é que a matou! 
Frei Bartolomeu abriu os olhos. Ia responder à afronta. Mas já a rapariga, chorando, exclamava: 
— E tanto que ela acreditava n’Ele, tanto! Não se deitava nem se levantava sem lhe rezar as suas orações. E afinal... afinal… para quê? 
O frade lembrou, na sua voz serena: 
— Deus sabe o que faz, meus filhos. Se a chamou para seu lado, foi porque ela o merecia. 
Num eco, o pescador começou desfiando o seu rosário de recordações.
— Nunca mais esquecerei essa noite! Fizemos tudo o que era possível para a salvar.
Rezámos... rezámos... sei lá quantas vezes... Pedimos a Deus... pedimos a todos os santos... Fiz promessas... Mas nada! Ela morreu! 
E numa súbita revolta: 
— Ouviu bem, seu coruja? Ela morreu, apesar disso tudo! Desde aí nunca mais quis ouvir falar em Deus! Só conto com os meus braços, o meu trabalho e a minha filha! 
A rapariga pareceu afligir-se. 
— Pai! Não esteja a falar com tanta exaltação! Isso faz-lhe mal! 
E voltando-se para Frei Bartolomeu: 
— O senhor quer mais alguma coisa de nós? Se não quer... vá-se embora! Já ouviu o bastante. Nesta casa não há lugar para Deus! 
O bom do frade empalideceu, mas continuou aparentemente calmo. Levantou-se e disse, sereno: 
— Vou-me embora, sim. Não os quero afligir mais com a minha presença. Mas pedirei a
Deus que vos ajude... que vos encaminhe... 
E sem esperar resposta, Frei Bartolomeu saiu da casa do pescador. 
Algum tempo passou. Frei Bartolomeu não esquecia o pobre marítimo e a sua filha, tão atormentados pela perda de um ente querido. Orava por eles dia e noite. Fizera mesmo várias tentativas para voltar a visitá-los mas dessas vezes nem consentiram na sua entrada. Recusaram mesmo receber qualquer esmola, num assomo de orgulho desmedido. E bateram-lhe com a porta na cara! 
Desde esse momento, Frei Bartolomeu dos Mártires não mais procurou a casa do pescador revoltado. Mas continuava pedindo a Deus por ele e pela filha, nas suas orações diárias. 
Certo dia de Inverno rigoroso, o pescador fez-se ao rio com mais quatro companheiros. Sem quase darem por isso, o barco, levado por medonho temporal, começou a afastar-se e a entrar no oceano. O mar estava tenebroso e em terra todos temiam pela sorte dos cinco homens.
Quando a filha do pescador se deu conta do perigo, correu de porta em porta a suplicar que fossem acudir ao pai. Mas ninguém se atrevia, com um temporal assim, a afrontar o oceano. Então, como último recurso, ela subiu as escadas do convento de S. Domingos. Bateu à porta. Quando a entrada do convento lhe foi franqueada, ela pediu, com voz repassada de amargura e de cansaço: 
— Preciso falar com aquele frade velhinho… aquele frade que costuma visitar os pescadores... 
Levaram-na a presença de Frei Bartolomeu dos Mártires. Quando o avistou correu para ele, olhos rasos de lágrimas, voz suplicante e humilde. 
— Senhor padre! Por tudo vos peço! Ajudai-me a salvar meu pai que a tempestade levou para o oceano! Perdoai o que nós dissemos e fizemos! Mas salvai-o agora! 
Torcia as mãos, num desespero. Frei Bartolomeu perguntou: 
— Está sozinho? 
— Não! Leva quatro companheiros no barco! 
— Está longe? 
— Não está longe… mas o barco não aguenta mais as vagas! Salvai-o! Da janela podeis ver o seu barquinho sacudido pela tempestade! Pedi a Deus que o salve, senhor padre!
Frei Bartolomeu olhou um crucifixo que trazia ao peito. Murmurou baixinho uma oração. Depois voltou-se carinhosamente para a rapariga, que continuava chorando. 
— Dizeis que posso vê-los da janela? Sim, lá estão eles… Que temporal horrível! Pois esperai aqui por mim. Vou pedir a Deus que os salve. São cinco homens, dizeis? Tende fé, e Deus os salvará! 
A jovem caiu de joelhos e assim ficou chorando, enquanto o frade saía de mansinho. 
Daí a instantes, no sino grande do convento soaram cinco fortes badaladas, como se fossem um sinal divino. E logo o mar se acalmou como por encanto, e os cinco homens puderam chegar a terra sãos e salvos! Frei Bartolomeu dos Mártires, por intermédio do Coração Divino de Jesus, conseguira salvá-los. Por cada badalada que ele tocava, cada um dos homens sentia forças redobradas para remar e enfrentar o temporal. 
Na casa do velho pescador já houve lugar para Deus. As ovelhas transviadas voltaram ao seu Bom Pastor. E tudo porque um frade do convento de S. Domingos lembrara que acima das ansiedades terrenas existe o amor de Deus. Cinco badaladas soaram na torre do convento. Cinco homens foram salvos da fúria do mar. Cinco almas ficaram tementes a Deus e a louvá-lo para todo o sempre!


Fonte BiblioMARQUES, Gentil Lendas de Portugal Lisboa, Círculo de Leitores, 1997 [1962] , p.Volume IV, pp. 59-63



Pai Nosso do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires

O Pai Nosso de cada dia (127)


Pai.
Por natureza e graça, nos comunicastes o ser, os sentidos e os movimentos naturais, bem como a essência da graça, isto é, o seu movimento, que nos faz viver.

Nosso.
Porque, com a concessão liberal da vossa bondade, gerais em cada dia muitos filhos segundo o ser espiritual da graça e do amor.

Que estais nos céus.
Quer dizer, que habitais admiravelmente naqueles que são chamados a viver no Céu, isto é, que estão firmes no vosso amor, sempre movidos pela assiduidade dos desejos sublimes, como se estivessem ornados de estrelas, o mesmo é dizer, de virtudes.

Santificado seja o vosso nome.
Realize-se em mim, sem nada de terreno, o vosso nome, com a purificação de todos os afetos mundanos.

Venha a nós o vosso reino.
Reina inteiramente e sempre em mim, não só para que não haja nenhum movimento ou ato contra os vossos preceitos, mas para que todas as minhas ações sejam feitas com a aprovação da vossa providência. São Bernardo, no comentário septuagésimo terceiro ao Cântico dos Cânticos, expõe esta matéria do segundo advento, dizendo: «Oh se acabasse já este mundo e se manifestasse o vosso reino! Isto é o que ardentemente deseja a esposa, ou seja, a Igreja».

Seja feita a vossa vontade.
Nos homens da terra como nos habitantes do Céu, isto é, nos firmes, nos que sempre estão em crescimento, ornados de estrelas, como acima dissemos.

O pão nosso de cada dia.
Ó Pai, se não mandardes, lá do alto, o pão do fervor e da consolação espiritual, todos os dias e a todas as horas, depressa desfaleceremos e iremos procurar pão vilíssimo de consolações exteriores. Enviai-nos, Pai benigníssimo, as migalhas daquela mesa opulentíssima, pois se com elas (quer dizer, com os atos de amor unitivo) não for alimentado todos os dias, perderei por certo, o vigor da fortaleza.

Perdoai-nos as nossas dívidas.
Perdoai o castigo devido até pelos mais leves pecados. Detesto-os, odeio-os, porque fazem obscurecer o raio da vossa luz e tornam tíbio o fervor do meu amor.

Não nos deixeis cair em tentação.
Quanto mais Vos amo, benigníssimo Senhor, mais temo separar-me de Vós, considerando a fragilidade da minha carne e a astúcia das investidas do inimigo.

Não permitais, que alguma vez eu ceda às suas carícias ou ciladas, mas livrai-me das muitas inclinações para o mal, bem como das penas do Purgatório, na medida em que podem adiar a vossa dulcíssima visão.

Cf. Secretariado Nacional de Liturgia



Dia do Pe. António Vieira

















Paiaçu ou Grande Pai, Grande Padre

Hoje quero recordar a figura ímpar de um padre jesuíta, missionário, escritor e precursor da abolição da escravatura, Padre António Vieira, falecido faz hoje 320 anos e por quem tenho grande admiração… conforme tenho mostrado em muitas páginas deste QUINTAL DO VIEIRA.
António Vieira, nascido em Lisboa em 1608, chegou com a sua família ao Brasil quando tinha 6 anos, onde se formou como jesuíta, filósofo, exímio escritor e excelente orador.
Defendeu os povos indígenas, combatendo a sua exploração e escravização, sendo chamado carinhosamente PAIAÇU (grande Padre/Pai, em língua Tupi).
A sua vasta obra, com mais de 30 volumes, inclui sermões, cartas, escritos políticos, estudos históricos e proféticos, poesia e teatro. É reconhecido sobretudo como orador ou pregador e conhecido como o Imperador da língua portuguesa.
Morreu na Baía aos 89 anos, a 18 de julho de 1697.

Embora não conste no cânone dos santos nem tenha pertencido à Igreja Episcopal do Brasil, é tido como tal por essa mesma igreja, pela sua coragem como testemunha profética de Cristo sendo celebrada a sua memória neste dia 18 de julho.






segunda-feira, 17 de julho de 2017

Da nossa raça


Memória dos mártires Inácio de Azevedo e Companheiros

Da raça dos santos
A igreja em Portugal propõe-nos hoje a memória dos missionários Inácio de Azevedo e seus companheiros martirizados a 15 de julho de 1750 ao largo das Canárias. Destes 40 missionários 32 eram portugueses e os restantes espanhóis.
É bom saber que eles pertencem à nossa raça, para nos lembrar que nós pertencemos à raça dos santos.

Andaram por aqui
Sabendo que os santos percorreram estes nossos caminhos, queremos comprometer-nos a percorrer o seu caminho de santidade.
Inácio de Azevedo e os seus companheiros de martírio ao largo das Canárias, a caminho do Brasil, estiveram na Quinta do Pico do Cardo, Ilha da Madeira, onde ergueram uma cruz.
O jesuíta P. Lopes, em carta escrita ao seu companheiro José Leite a partir da Cidade do Funchal e com a data de 20 de Março de 1752, mencionou uma lâmina em mármore datada de 1743 contendo a seguinte inscrição:

«EM MEMÓRIA. DOS GLORIOSOS.MARTIRES, DA COMP.A DE.JESU. O. IGNACIO.DE AZEVEDO. E SEUS. 39 COMPANHEIROS. QUE. NAVEGANDO. P.A O BRASIL NO. ANNO. DE 1570. AOS. 15. DE. JULHO. A. VISTA. DA. ILHA. DA. PALMA. MERECERÃO.A. DO. MARTIRIO. PELLA. FÉ. DE. CHRISTO, LANÇADOS AO. MAR. PELLOS. HEREJES. E. TENDO. ESTADO. NESTA QUINTA. DE. PICO. DE CARDO. VINHÃO. A. ESTE. LUGAR. COM. A. SUA. CRUS. E NELLE. FAZIÃO. AS. SUAS DEVOÇÕES. SE EREGIO. ESTA. P.A MAIOR GLORIA. DE DEOS. NA. DE. 1745»

(Biblioteca Pública Municipal do Porto [8BPMP], Manuscr. 162: Sylvio Mondano, Chronica dos PP. Jezuitas de Portugal, finais séc. XVII/ séc. XVIII, ff. 833-835)




sexta-feira, 14 de julho de 2017

Serpentes prudentes

6ª feira - XIV semana comum

Sede prudentes como as serpentes

- Porque é que Jesus diz que as serpentes são prudentes?
- São prudentes porque nunca dão um passo em falso.
- Mas elas não têm patas, só rastejam…
- Por isso mesmo… nunca dão um passo em falso.

As serpentes são prudentes porque não podem ser outra coisa, pois não podem dar nenhum passo em falso…
Nós somos prudentes porque queremos, pois podemos dar um passo em falso e não o fazemos…




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Há 100 anos a rezar assim
















Rosário pelo qual rezava São Francisco Marto

13 de Julho 1917
Nesta 3ª aparição de Nossa Senhora havia muita gente na Cova da Iria.
Ela prometeu: 
"Em Outubro direi quem sou e farei um milagre para acreditarem em mim. Vistes o inferno. Rezai o terço. Depois de cada mistério dizei:
Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem."

Para os incentivar a rezar pela conversão dos pecadores, Maria, como mestra e Mãe, pedagogicamente proporciona-lhes imagens do inferno... eles levaram isso muito a sério.
Jacinta quando por mortificação não queria comer dizia-lhe para comer e ela respondia:
- Não. Ofereço este sacrifício pelos pecadores que comem demais.
Quando doente, ia algum dia à missa, dizia-lhe: 
- Jacinta, não venhas. Tu não podes. Hoje não é Domingo.
- Não importa. Vou pelos pecadores que nem ao Domingo vão.

Continuemos a rezar a jaculatória secular... e a levar a sua mensagem a sério:

Ó meu Jesus, perdoai-nos 
e livrai-nos do fogo do inferno;
Levai as almas todas para o Céu, 
principalmente as que mais precisarem.



















Terço pelo qual rezava Santa Jacinta Marto



segunda-feira, 10 de julho de 2017

Tocar e ser tocado

2ª feira - XIV semana comum

Se eu ao menos lhe tocar na fímbria do manto, ficarei curada…
Jesus tomou a menina pela mão e ela levantou-se…

Duas mulheres curadas…
Duas mulheres que padeciam há 12 anos…
Uma tocou em Jesus...
Outra foi tocada por Jesus...
Aquela estendeu a Jesus a mão...
A esta foi Jesus quem lhe estendeu a mão...

É preciso tocar e ser tocado.
É preciso estender a mão e acolher a mão que se nos estendem.

Porque é que todos queriam tocar em Jesus, nem que fosse na orla do manto?
- Porque no livro dos Números 15,38-39 – “tereis franjas que quando olhardes para elas vos recordarão todos os preceitos do Senhor”. Assim ao tocarem em Jesus lembravam-se dos preceitos de Deus, do seu cumprimento e da santidade que elas propunham.
- Porque quem tocasse no manto do Messias apanhava boleia para a eternidade. Quem tocava no manto de Jesus reconhecia que ele era o messias e candidatava-se a boleia para o céu.
- Porque quem tocava num santo pedia queria tornar-se como seu prolongamento, como sua continuação…







segunda-feira, 26 de junho de 2017

Calendário de devoções

















Visitando o Brasil, a 5 de outubro de 1906, em Camaragibe (Recife) o Pe. Dehon anota um diálogo com o povo local:
“De tarde passeei pelo campo com o Padre Cura. Os habitantes são simples e gostam de conversar. Nós perguntámos a um homem novo a sua idade, a data do seu nascimento. Respondeu-nos: Nasci no mês de santa Ana.
O povo deste país não tem como nós o respeito exagerado pelos nomes clássicos de Janus, Marte, Júlio César Augusto, etc. O mês de Santa Ana é julho, o mês de São João é junho; o mês das Dores (de Nossa Senhora das Sete Dores) é setembro, o mês das almas é novembro, o mês da Festa é dezembro porque o Natal é a grande festa, a festa por excelência, Março é o mês de São José, Maio é o mês mariano”
(cf. Pe. Leão Dehon, Mil légua na américa do Sul, Brasil, Uruguai, Argentina, 
Editores Pontificais, Paris 1909, página 94)

No seu livro “O ano com o Coração de Jesus, meditações para todos os dias do ano”, Paris 1919, o Pe. Dehon identifica cada mês com uma festa especial desse data.

Janeiro – mês da santa infância
Fevereiro – mês da vida escondida de Nosso Senhor
Março – mês da paixão e de São José
Abril – mês das alegrias pascais e de São João
Maio – mês de Maria e do Espírito Santo
Junho – mês do Coração de Jesus e do Santíssimo Sacramento
Julho – mês do precioso Sangue
Agosto – mês do Coração de Maria
Setembro – mês das Sete Dores de Maria
Outubro – mês do Rosário e de Santa Margarida Maria
Novembro – mês dos mortos e de santa Gertrudes
Dezembro - mês do Advento e do Natal

Ter-se-á inspirado na tradição portuguesa de identificar cada mês com as suas respetivas devoções?

É apenas a vivência espiritual e devocional a marcar o ritmo do tempo!

























Fotos do relógio de prata usado pelo Pe. Dehon, e que ainda hoje funciona, contendo no verso o relevo do Coração de Jesus e no interior o Coração de Maria. 
(cf. museu do Pe. Dehon da Cúria Geral em Roma)




sábado, 24 de junho de 2017

O precursor e o seguidor

Solenidade do Nascimento de João Baptista

João Baptista é o precursor de Cristo para nos lembrar que cada um de nós deve ser seguidor do mesmo Cristo.

Ele foi à frente de Jesus, a preparar o seu caminho, para nos dizer que nós devemos ir atrás de Jesus a seguindo o mesmo caminho.

João Baptista nasceu para ser Precursor de Cristo.
Hoje cada um de nós renasce para ser Seguidor de Cristo.











segunda-feira, 19 de junho de 2017

A outra face


2ª feira - XI semana comum

"Se alguém te bater na face direita, 
oferece-lhe também a esquerda..."

Oferecer a outra face

É mudar a paisagem
É recusar o assunto
É alterar o rumo das coisas




quinta-feira, 15 de junho de 2017

Credo eucarístico


Solenidade do "Corpo de Deus"

Credes em Deus Pai, que pela santa Eucaristia, é louvado e reconhecido no seu Amor?
- Sim, creio.
Credes em Jesus Cristo, que pela Eucaristia, fortalece a sua amizade com cada um de vós e vos une uns aos outros no mesmo amor?
- Sim, creio.
Credes no Espírito Santo que, invocado na celebração da Eucaristia, transforma os dons de Pão e do Vinho, no Corpo e Sangue de Jesus?
- Sim, creio.
Credes na Igreja, que vive da Eucaristia, dela se alimenta e por ela cresce continuamente?
- Sim, creio.
Credes na Ressurreição, prometida a todo aquele que comer do Pão Santo da Eucaristia?
- Sim, creio.
Credes na Vida Eterna que, de certo modo, nos é dada já como penhor, como sinal e garantia, cada vez que celebramos a Santíssima Eucaristia?
- Sim, creio.



terça-feira, 13 de junho de 2017

De Lisboa ou de Pádua

Festa de Santo António

Dos Sermões do Padre António Vieira (Século XVII)
A um português italiano, e a um italiano português celebra hoje a Itália e Portugal. Portugal a Santo António de Lisboa Itália a Santo António de Pádua. De Lisboa porque lhe deu o nascimento; de Pádua porque lhe deu a sepultura.
Santo António foi luz do mundo: Se António não nascera para o Sol, tivera a sepultura onde teve o nascimento; mas como Deus o criou para a luz do mundo, nascer em uma parte e sepultar-se na outra, é obrigação do Sol.
Neste templo e naquele sepulcro se vê dividido António entre Portugal e Itália; nestes dois horizontes tão distantes se vê dividida a luz do mundo entre Pádua e Lisboa. Gloriosa Pádua porque pode dizer aqui jaz: gloriosa Lisboa porque pode dizer aqui nasceu. Mas qual das duas mais gloriosa? Não quero decidir a questão, dividi-la sim. Fiquem as glórias de Santo António de Pádua para a eloquência elegantíssima dos oradores de Itália. E eu que me devo acomodar ao lugar e ao auditório só falarei hoje de Santo António de Lisboa.
Que Santo António foi luz do mundo, porque foi verdadeiro português; e foi verdadeiro português porque foi luz do mundo. Bem pudera Santo António ser luz do mundo sendo de outra nação; mas uma vez que nasceu português, não fora verdadeiro português se não for a luz do mundo porque o ser luz do mundo nos outros homens, é só privilégio da Graça, nos Portugueses é também obrigação da natureza.
E se António era luz do mundo, como não havia de sair da pátria? Saiu como luz do mundo e saiu como português. Sem sair ninguém pode ser grande. Saiu para ser grande, e porque era grande, saiu.
Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento e tantas para a sepultura. Para nascer pouca terra; para morrer toda a terra; para nascer Portugal; para morrer, o mundo.
Santo António entrou triunfante no céu no dia de sua morte; mas os sinos de Lisboa não se repicaram milagrosamente, senão no dia de sua canonização; porque não tem Portugal as glórias por glórias, senão quando as vê confirmadas e estabelecidas por Roma.



domingo, 11 de junho de 2017

Spinner da Trindade





















Ano A - Solenidade da Santíssima Trindade

Coloca a tua mão no coração da Trindade e deixa que o Pai e o Filho e o Espírito Santo girem e guiem a tua vida…
O Pai Criador e o Filho Redentor e o Espírito Santificador são um só Deus e Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza.
Contemplando e adorando a verdadeira e sempiterna divindade, adora as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.
Essa contemplação traz calma, paz e serenidade ao corpo e ao espírito.