quinta-feira, 21 de março de 2013

Via Sacra (13)


A via-sacra dos sinais de trânsito
ou os sinais do trânsito da Via-sacra
1ª Estação - Jesus é condenado à morte
Sentido obrigatório












Jesus ao ser condenado à morte seguiu o caminho do Calvário como sentido obrigatório.
Também na nossa vida temos tantas setas que nos indicam o caminho que devemos seguir.
Uma vez perguntaram a Santa Teresinha do Menino Jesus, que estava muito doente, se tinha passado melhor a noite ou se tinha sofrido muito. Ela simplesmente respondeu:
- Sim, sofri muito porque quis…
A Madre mostrou-se surpreendida: Como é que sofreu porque quis?
- Sim porque eu quero tudo o que Deus quer.
Assim também saibamos através da nossa vontade seguir o nosso caminho do Calvário, querendo o que Deus quer e deixando-nos orientar por esse sentido obrigatório.


2ª Estação - Jesus carrega com a cruz
Cruzamento











Podemos contemplar Jesus a carregar com a sua cruz pelo caminho do Calvário. Nós podemos encontrá-l'O hoje nas encruzilhadas da nossa vida com a mesma cruz e sempre com a mesma determinação.
Às vezes as encruzilhadas da nossa vida são para nós autênticas cruzes. Saibamos passar por elas com a determinação, coragem e amor do Senhor Jesus.
Que saibamos discernir qual o caminho que o Senhor nos indica e prosseguir mais além, pois mais cedo ou mais tarde nos cruzaremos com o Senhor Jesus nos caminhos da nossa vida.


3ª Estação - Jesus cai pela 1ª vez
Proibido Parar ou Estacionar













No Caminho do Calvário Jesus avançou por entre a azáfama da multidão e o desprezo dos opressores. Jesus caiu na calçada, mas era proibido parar ou estacionar. Ele teve de levantar-se e avançar, mesmo com as forças a esgotarem-se.
Também na nossa vida, apesar das dificuldades e da escassez de condições, devemos avançar sempre. Não podemos parar, cruzar os braços ou desistir.
Que o Senhor Jesus nos ensine a persistir na nossa caminhada para que possamos alcançar a meta que nos está destinada.

4ª Estação - Jesus encontra a sua mãe
Pista para Peões












Maria de Nazaré nunca perdeu de vista o seu filho Jesus. Quer nos momentos de alegria e de festa, quer nos momentos de desterro, de amargura e dor, esta estava sempre junto de Jesus. Silenciosa guardava tudo e todos no seu coração. Ela caminha lado a lado com Jesus.
Acompanhando o seu Filho no caminho do Calvário, transforma essa via em pista de peões. E não sabemos se afinal é ela quem acompanha o Filho ou se é este que dá a mão à sua Mãe.
Que saibamos saborear da companhia de Jesus e de Maria. Como caminhantes, nunca vamos sozinhos. Ao contemplar Maria acompanhando Jesus, recordemos que tanto Jesus como Maria Santíssima nunca nos abandonam. Sobretudo nos momentos mais dolorosos podemos contar com a sua companhia e proteção.

5ª Estação - Jesus é ajudado pelo Cireneu
Trânsito nos dois sentidos












Jesus tinha feito eco das Escrituras que convidavam a amar o próximo como a si mesmo, como se o outro fizesse parte de cada um.
Jesus, ao ser ajudado por Simão de Cirene, confirmou que essa palavra foi aqui plenamente realizada e cabalmente vivenciada.
A solidariedade, a interajuda, a caridade ou a generosidade é uma estrada com dois sentidos: É uma dar e um receber, um duplo benefício, um intercâmbio de valores.
Não sabemos quem recebeu mais ou ofereceu mais: se Jesus que foi ajudado, se o Cireneu que O ajudou. Com certeza ambos deram e receberam.
Que Jesus nos ensine a ir ao encontro dos outros para que todos possamos crescer e avançar.
Se nem toda a gente valoriza a caridade, a caridade vem valorizar toda a gente.


6ª Estação - Jesus encontra Verónica
Posto de Primeiros Socorros












Jesus seguiu com a sua cruz, no meio de encontrões, tropeços, acusações tal como por entre ignorância ou indiferença total. Ninguém podia dizer que não sabia o que se estava a passar, ou que não se apercebia da presença e da necessidade de Jesus.
Apenas uma mulher, que ficou para a história com o nome de Verónica, que quer dizer rosto verdadeiro, é que se aproximou e lhe prestou assistência. Ela foi um posto de socorro para Jesus. Limpou-lhe o rosto e guardou para sempre essa figura, não só no lenço, mas sobretudo no seu coração e na nossa memória coletiva.
Sempre que alguém se aproxima de um necessitado está a ser um posto de socorro.
Sempre que alguém presta assistência a um indigente, está a recompor o rosto de toda a humanidade, o rosto de Cristo, pois cada pessoa é imagem e semelhança de Deus.


7ª Estação - Jesus cai pela 2ª vez
Queda de Pedras












Jesus caiu como pedra sobre as pedras do caminho. Apesar disso Ele é a rocha firme, sobre a qual podemos edificar. Ele é o rochedo da nossa salvação.
Nesta estação, mais do que contemplar a Cristo a cair, podemos tomar consciência das pedras que caiam sobre Jesus. Eram pedras que feriam, eram palavras odiosas, acusações injustas… E no meio de tanta pedra a cair, Ele também cai para logo se levantar.
Uma vez Ele disse que quem não tivesse pecado algum poderia atirar a primeira pedra sobre alguém. Mas ninguém quis ouvir tais palavras e por isso vivemos no meio de tanta pedrada.
Para que deixe de cair pedras no caminho de Deus ou dos nossos irmãos, olhemos para as nossas mãos e limpemos as nossas mãos de qualquer tipo de pedra, pois se as nossas mãos estão cheias de pedras, não estarão livres para cumprimentar e ajudar quem precisa.


8ª Estação - Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Proibido Buzinar












Um grupo de mulheres acompanhou Jesus, chorando e compadecendo-se do seu estado.
Jesus sugeriu-lhes que nunca se esquecessem de ter a mesma atenção para com os seus filhos. Estas mulheres sem pronunciarem palavra alguma, no meio de tanta algazarra e gritaria de acusações, choravam… De facto as lágrimas são uma eloquente maneira de partilhar silenciosamente as penas dos outros…  
Jesus também experimentou tal partilha silenciosa das lágrimas: Ele chorou sobre Jerusalém, chorou pela ausência do seu amigo Lázaro, chorou o abandono dos seus amigos no Jardim das Oliveiras.
Saibamos nós também chorar em silêncio com os que choram para que possamos então alegrarmo-nos também com os que se alegram. Seremos bem-aventurados pois se agora choramos, um dia seremos consolados.

9ª Estação - Jesus cai pela 3ª vez
Piso Escorregadio











Nesta estação podemos ver Jesus de novo a cair. Não sabemos se caiu por causa do peso da cruz, se foi devido ao esgotamento das suas forças ou se foi por causa do caminho tortuoso, escorregadio e doloroso. Com certeza que a conjugação de tantos fatores fez com que Jesus ficasse durante alguns momentos de rasto.
O convite a preparar o caminho do Senhor, tem sido uma constante desde as mais remotas etapas da nossa salvação.
Também o caminho da nossa vida não é um mar de rosas. Há troços que escorregam, troços esburacados, não cuidados ou mal preparados.
Apesar disso é preciso avançar.
Peçamos a Jesus que nos ensine a caminhar sempre mesmo pelos caminhos tortuosos da nossa vida. Que saibamos avançar sem nunca nos deixarmos cair ou sujar pelos caminhos deste mundo e nem sequer nos queixarmos do caminho.

10ª Estação - Jesus é despojado das suas vestes
Outros Perigos












No meio de tantas dificuldades e tormentos, ainda faltava mais este constrangimento. Jesus foi despojado de tudo o que tinha.
Que outros perigos tinha ainda de enfrentar?
Jesus, que nasceu pobre, viveu humilde e simples, e morreu despojado de tudo ensina-nos que o verdadeiro perigo não é nem a pobreza nem a riqueza. O verdadeiro perigo é a dureza do coração…
É por isso que retiraram as vestes de Jesus para que ficasse com o peito despido, à vista de todos… Assim podemos contemplar a pureza do seu coração.
Que saibamos nós também enfrentar todos os perigos que nos cercam, sempre com um coração puro à imagem do Coração de Jesus.
Aprendamos d'Ele que é manso e humilde de coração e venceremos todos os perigos.

11ª Estação - Jesus é crucificado
Obras na via












No alto do Calvário Jesus foi pregado ao madeiro da cruz.
Ele estava habituado a esses instrumentos de trabalho: madeira, pregos, martelos, traves, barrotes etc. Ele era conhecido como o carpinteiro, ou como filho de carpinteiro.
Mas aqui o seu trabalho é outro.
A sua obra por excelência é a obra da redenção.
Jesus é crucificado para completar a sua obra.
Que saibamos então fazer do nosso trabalho, da nossa atividade, uma obra de redenção e fazer da nossa salvação uma atividade ou um trabalho que envolva todas as nossas forças e toda a nossa vida.

12ª Estação - Jesus morre na cruz
Paragem Obrigatória












Segundo a tradição, às três horas da tarde, Jesus morreu no alto da cruz e… toda a criação parou, todas as criaturas suspenderam a respiração, toda a natureza suspirou.
Saibamos parar para contemplar aquele que morreu por nós.
Como diziam os pastorinhos de Fátima, Jesus morreu para pararmos de fazer o mal.
Contemplemos aquele que trespassaram.
Dizem que o termo STOP é constituído pelas iniciais de: Se Tens Olhos Pára.
Olhemos então para Jesus, paremos para refletir e para mostrar que podemos iniciar uma vida nova, de mudança e conversão.
Quem não sabe parar não sabe para onde vai, tal como quem não morrer não pode viver para a eternidade.
13ª Estação - Jesus é descido da cruz
Descida Acentuada












Jesus ao nascer, ao descer do Céu à terra, passou pelos braços de Maria, sua mãe. Agora também ao morrer, ao descer da Cruz para o Sepulcro passa pelos mesmos braços de sua mãe.
Jesus disse um dia que quem se humilhar será exaltado e vice-versa…
É por isso que ele humilhou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo, humilhando-se até à morte e morte de Cruz. Mas Deus O exaltou e O glorificou.
Que saibamos fazer das nossas descidas o sinal da nossa humildade e a nossa entrega nas mãos da nossa Mãe do Céu.

14ª Estação - Jesus é sepultado
Túnel












Às vezes temos, de ao entrar num túnel das nossas estradas, a sensação de estarmos a entrar numa gruta sem saída.
Nesta estação o que podemos contemplar é precisamente o contrário.
Jesus ao entrar na gruta do seu túmulo, não entra numa gruta mas sim num autêntico túnel… pois o seu túmulo foi a gruta do seu novo nascimento, foi o túnel que o conduziu à ressurreição e à vida eterna.
Saibamos nós também atravessar os túneis das trevas da nossa vida para que possamos com Cristo ressuscitar e alcançar a vida em abundância.
15ª Estação - Jesus Ressuscita
Semáforos











Com a sua Ressurreição, Cristo abriu-nos o caminho da salvação e escancarou para todos a porta da eternidade. A partir daí há sempre luz verde para prosseguirmos o caminho da plenitude de vida.
Mas ao mesmo tempo há que renunciar a tudo o que nos pode travar nesse caminho. É preciso respeitar o sinal vermelho do pecado, da falta de fé, falta de esperança ou ou falta de caridade.
Para além disso, Jesus ensina-nos a prudência e a vigilância, qual luz amarela ou sinal intermitente deve merecer a nossa atenção.
Estejamos atentos aos sinais dos tempos, ao código de trânsito, aos sinais de orientação que o Senhor continua a colocar na nossa vida para que O possamos seguir, pois só Ele é o Caminho, a Verdade e a vida.

Eu sou


5ª Feira - V Semana Comum
 
- Foi por Jesus ter dito: Eu sou! - que os seus ouvintes queriam apedrejá-lo. Eles levavam estas palavras muito a sério.
De facto, Jesus dizia que antes de Abraão existir, já "Eu sou!"
Tal como Moisés ouviu da Sarça Ardente Deus dizer: Eu sou aquele que é! Eu sou Javé, Jesus também revela-se do mesmo modo.
Ao dizer simplesmente EU SOU, Jesus está a revelar-se Deus.
De facto só Ele é o nosso Deus. Só a Ele devemos adorar, invocar, escutar.
 
- Ao ouvir esta declaração, tenho a tentação de compará-la com as nossas declarações:
Eu penso, afirma o filósofo.
Eu tenho, diz o rico.
Aqui mando eu, diz o opressor.
Eu faço, previne o operário.
Eu posso, vangloria-se o ditador.
Eu ensino, orgulha-se o professor...
EU SOU, diz Deus simplesmente.
 
Aprendamos com ele a afirmarmo-nos não por aquilo que sabemos, temos ou fazemos... mas simplesmente por aquilo que SOMOS... verdadeiros filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança.

terça-feira, 19 de março de 2013

Guardiões


Hoje, solenidade de São José, patrono da Igreja universal, é também o dia do início oficial do pontificado do Papa Francisco, Pastor da Igreja.

Rezamos no início da celebração:
"... Na aurora dos novos tempos foi confiada a São José a guarda dos mistérios da salvação...
Que a Igreja tenha a graça de os conservar fielmente e de os realizar plenamente..."

A missão de São José é a missão de cada cristão, de cada um de nós.

O Papa Francisco disse hoje na sua homilia de início do seu pontificado:

"São José guardando Jesus e Maria, guarda toda a criação, guarda a todos, especialmente os pobres.
Guardar quer dizer vigiar os sentimentos do nosso coração...
Sejamos guardiões da criação, do desígnio de Deus na natureza, guardiões do outro, do ambiente, e até huardiões de nós mesmos...
(Peço-vos - disse ao telefone aos cristãos reunidos nesta madrugada na catedral de Buenes Aires . peço-vos que caminhem todos juntos, tomando cuidado uns dos outros. Não vos façam mal, cuidem de vós, da família, da vida, da natureza, das crianças, dos idosos.
Não tenham medo de Deus, Ele é Pai.)
São José parece um homem forte, corajoso, trabalhador, mas na sua alma há uma grande ternura que é a virtude dos fracos, que denota a força da mente e a capacidade de se concentrar, a compaixão, a a abertura genuína ao outro, a ca+acidade de amar...
Não devemos ter medo da bondade, da ternura..."

segunda-feira, 18 de março de 2013

Tal Pai, tal Filho

2ª Feira - V Semana Quaresma
 
- Da 1ª Leitura
Ninguém julga ninguém e ninguém deve condenar ninguém, pois nós é que nos condenamos a nós mesmos. Nem Deus nos condena, nós é que somos vítimas das nossas próprias ações e julgamentos. Tal sucedeu no episódio da intervenção de Daniel.
 
- Do Evangelho
Jesus e o Pai são um SÓ, por isso podemos dizer tal Pai, tal Filho ou tal Filho, tal Pai. É por isso que Jesus está na Terra sem deixar de estar no Céu e está no Céu sem deixar de estar na Terra.
Assim nós também se estivermos unidos a Jesus, estamos unidos ao Pai e estaremos cá na terra sem deixarmos de estar no céu e estaremos no céu sem deixarmos de estar na terra.
 
 

Via Sacra (12)



A Via-sacra da água e a água da via-sacra

2013 Ano Internacional da Cooperação da Água

1ª Estação - Jesus é condenado à morte
Lavar as mãos

O tribunal, ao condenar um inocente que só tinha feito o bem, incorreu numa notória injustiça. Apesar disso, ninguém protestou, ninguém procurou defender a verdade, ninguém quis ficar ao lado do inocente. Todos quiseram lavar as suas mãos, livrando-se de qualquer responsabilidade naquela condenação injusta.
Ao contemplarmos Pilatos e todos os outros a lavar as suas mãos, podemos concluir que nem tudo pode ser lavado pela água. Há determinadas coisas que a água não limpa.
Examinemos a nossa consciência. Procuremos defender sempre a verdade. A água não lava tudo. Só a verdade nos purifica e nos liberta.

2ª Estação - Jesus carrega com a cruz
Faz-te ao largo

Em várias ocasiões Jesus caminhou pelo mar adentro. Costumava atravessar para outra margem na companhia dos seus discípulos.
Nesta estação Jesus encetou outra travessia, não no madeiro de um barco, mas de uma cruz. E desta vez viajou sozinho, pois parecia que todos o abandonavam.
Ele convidou os seus amigos a fazerem-se ao largo, a ir mais além, a passar para o outro lado do mar.
Nas nossas travessias, saibamos ir mais além, firmes no mastro que é a cruz de Cristo.
Apesar de ninguém ter estado, nesta estação, a seu lado, nas nossas travessias Ele está sempre connosco.

3ª Estação - Jesus cai pela 1ª vez
Água da chuva

Tal como a chuva que cai e não volta ao céu sem ter primeiro regado e fecundado a terra, também o Verbo de Deus caiu à terra e a regou com o seu sangue.
Jesus caiu por terra não tanto porque as suas forças eram poucas ou a cruz era demasiado pesada. Ele caiu porque a terra precisava de ser regada, purificada e alimentada com o seu sangue redentor.
Se a nossa terra ou a nossa vida está árida e seca, não é por falta de água, pois Cristo continua a cair qual chuva fortificante. Nós é que muitas vezes queremos saciar a nossa sede noutras fontes que não nos dão a vida para a eternidade.


4ª Estação - Jesus encontra a sua mãe
Água benta

A proximidade de Maria mãe de Jesus foi uma bênção e um alento para Jesus. O nome de Maria tem a mesma raiz que a palavra Mar. Maria é a estrela do mar, é a fonte de água benta.
Não sabemos se foi Jesus quem Se aproximou de Maria ou se foi Maria quem se aproximou de Jesus nesta estação. Tal como não sabemos se somos nós que recebemos água benta ou se é a água benta que nos recebe.
Sempre que alguém se aproxima de Maria, ou sempre que Maria se aproxima de nós, somos abençoados, pois dela emana uma fonte sagrada de água de todas as graças.

5ª Estação - Jesus é ajudado pelo Cireneu
Dar um copo de água

Jesus um dia prometeu recompensar a generosidade nem que fosse de um simples copo de água. Simão de Cirene deu muito mais. Ele ajudou a levar a cruz de Cristo. Por isso não deixará de receber a sua recompensa que é a alegria da doação, a felicidade da caridade e a gratidão da generosidade.
Quem faz o bem prolonga-se na eternidade através do bem realizado, porque o bem para ser bem tem de ser eterno. É essa a recompensa prometida a quem der nem que seja um copo de água.
Saibamos partilhar o que temos e somos, saibamos saciar a sede de Deus e saibamos agradecer todos os benefícios que o Senhor nos faz.


6ª Estação - Jesus encontra Verónica
Suor do rosto

Jesus no caminho do Calvário, com o peso da cruz, os obstáculos da calçada, as provocações dos agressores, o calor do sol, avançava coberto de sangue e suor. Já na noite anterior, na antevisão da sua paixão, havia suado gotas de sangue. Toda a gente olhava para Jesus, mas ninguém reparava no seu suor ou se reparava ninguém se atrevia a aproximar-se e a aliviá-lo.
No Paraíso, o homem foi condenado a trabalhar para comer o pão com o suor do seu rosto, por causa da sua desobediência. Na paixão, é Jesus que redime o homem com o suor do seu rosto para restaurar a sua obediência.
Que o suor do nosso rosto seja sinal do nosso empenho para sermos dignos de alcançar a redenção de Cristo.

7ª Estação - Jesus cai pela 2ª vez
Água da humildade

Diz-se que a água é tão humilde que procura sempre os lugares mais baixos. Assim Jesus, ao cair pela segunda vez, mostra que é a encarnação perfeita da humildade. Ele veio para servir e não para ser servido. Ele é manso e humilde de coração. É por isso que como a água humilde, Jesus deixa-se escorregar pela terra, na sua humildade, para que todos possam ser regados, purificados e vivificados.
Para além desta humildade a água é exemplo de constância. É humilde porque cai, é constante porque “água mole em pedra dura, tanto dá, até que fura. É por isso que Jesus caiu pela segunda vez, porque é humilde, e levantou-se da queda porque é persistente.
É preciso ser humilde e constante para que as quedas possam transformar-se em canções e regar as raízes para que nova vida possa brotar, erguer-se e florir numa nova e eterna primavera.

8ª Estação - Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Água nos olhos

Um grupo de mulheres de Jerusalém chorou com Jesus. Os seus olhos ficaram rasos de água. Jesus agradeceu-lhes mas aconselhou-as a estar atentas aos seus filhos…
Jesus chamou assim a atenção para aquilo que às vezes nos acontece. Se a nossa vida é dura, se as tormentas são dolorosas, se a noite é de trevas, então os nossos olhos podem encher-se de lágrimas. Mas atenção: se não pararmos de nos lamentar, se não deixarmos de chorar, as nossas lágrimas impedir-nos-ão de ver as novas realidades, como diz uma canção popular – se choras por teres perdido o sol, as lágrimas vão impedir-te de ver as estrelas.
Que Jesus nos ajude a secar as lágrimas de tantos olhos para podermos olhar mais além.

9ª Estação - Jesus cai pela 3ª vez
Água do Dilúvio

Jesus estava de rastos outra vez. Jesus parecia a chuva de um dilúvio que não parava de cair e inundava tudo. Caiu, mas não foi para tirar a vida, mas sim para salvar. A sua paixão foi um novo dilúvio… foi a purificação da humanidade. A sua cruz foi a nova arca de Noé.
É preciso navegar pelas águas imensas… Não haverá perigo, mesmo se as ondas forem encapeladas, desde que a água não entre para dentro do barco.
Assim a nossa vida. Também podemos cair tantas vezes, ser atingidos por tantos dilúvios ou inundações, mas que esse mal não entre dentro do nosso coração.
Ao contemplarmos esta terceira queda de Jesus aprendamos a resistir às quedas sem nos deixar abater interiormente.


10ª Estação - Jesus é despojado das suas vestes
Água transparente

Diz-se que a água é transparente, é modesta, não tem cor, nem cheiro… A água não é vaidosa, mas apresenta-se com toda a simplicidade e verdade.
Jesus ao ser despojado das suas vestes foi como a água pura, verdade revelada, coração sincero.
Também nós somos chamados a viver na verdade e na sinceridade, pois só os puros de coração verão a Deus.
Apesar da água ser transparente, ela só deixa ver o fundo de um poço quando está serena e pacífica.
Que a nossa mansidão seja transparente para podermos ver no fundo do nosso interior as marcas da nossa filiação divina, a imagem e semelhança de Deus.

11ª Estação - Jesus é crucificado
Tenho sede

Jesus no alto da cruz pediu água para saciar a sua sede, para que nunca tenhamos medo de Lhe pedir água de vida eterna.
Ele mostrou-Se com sede, para que não nos esqueçamos de beber da sua fonte.
Jesus continua a ter sede de almas santas, tal como nós temos sede de Deus.
E se algum de nós morre de sede, não será por falta de água, mas sim por não querer beber.
Jesus ao dizer que tem sede recorda-nos que só quem tiver fome e sede de justiça será saciado e entrará na bem-aventurança eterna.
Sempre que tivermos sede de água, lembremo-nos da sede de justiça que só o Senhor nos pode saciar, pois sem a sua ajuda nada podemos alcançar.

12ª Estação - Jesus morre na cruz
Fonte de água viva

Um dos soldados chegando junto de Jesus abriu-Lhe o peito, donde saiu sangue e água.
O Coração de Jesus é a fonte de água viva… É uma fonte inesgotável de todas as graças. Jesus de coração aberto é manancial de amor. Do seu lado aberto nasce a Igreja, a Eucaristia e os sacramentos.
Sempre que alguém leva no seu coração a Cruz de Cristo ou  o Cristo na Cruz , leva consigo uma fonte de vida nova. É uma espécie de fonte portátil… acessível a todos, em qualquer tempo ou em qualquer lugar ou situação.
Que o nosso coração seja também uma fonte inesgotável de amor a Deus e ao próximo.


13ª Estação - Jesus é descido da cruz
Água parada

Jesus ficou inerte nos braços da sua mãe. Mais do que um mar agitado, o coração da sua mãe manteve serenidade. E nos seus braços o corpo de Jesus morto, é como a água estagnada. E sabemos que a água parada ou estagnada é água estragada, elemento morto. Mas no caso de Jesus isso não é verdade, pois ao terceiro dia ressuscitará conforme as Escrituras.
Apesar de nesta estação se parecer com água estagnada, Jesus não conheceu a corrupção.
Ao contemplarmos Jesus que não sofreu corrupção, saibamos viver sem que a corrupção nos conheça. Só assim estaremos unidos a Jesus, como a Senhora da Piedade estava unida ao seu filho.

14ª Estação - Jesus é sepultado
Vapor de água

Jesus ao ser sepultado no túmulo foi como alguém que se escondeu por detrás de uma nuvem para depois, oportunamente Se revelar como homem novo.
De facto a água ao evaporar-se, parece que desparece, mas continua a ser água, apenas muda o seu estado.
Tal aconteceu com Jesus. Através da sua paixão e morte, Ele não despareceu, apenas mudou de estado… Ficou escondido por detrás de uma nuvem. Mas tal como o sol surgindo por detrás das nuvens, depois de um dia cinzento, assim Jesus ressurgirá após a ocultação do cinzento do seu sepulcro.
Nós também somos convidados a deixarmo-nos elevar, como água a evaporar-se, aspirando sempre aos valores do alto.

15ª Estação - Jesus Ressuscita
Renascer pela água e pelo espírito

Jesus ao ressuscitar convida-nos a ressuscitarmos todos com Ele.
A maneira de ressuscitarmos hoje com Ele é deixar-se renascer pela água e pelo espírito. É através da água do Batismo que podemos renascer e fazer Páscoa na nossa vida.
É através do Espírito que podemos viver essa nova dimensão da nossa adesão à ressurreição de Cristo em nós.
Recordemos a água batismal que nos fez nascer para a vida.
Participemos na ressurreição de Cristo, deixando-nos sepultar nas águas do Batismo para que possamos viver sempre com Cristo ressuscitado.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Há cem anos atrás



No dia em que celebra os 170 anos do nascimento do Pe. Dehon, fundador dos Sacerdotes do Coração de Jesus, partilhamos a página do seu diário de há precisamente 100 anos atrás:

 
O meu 70º aniversário

O Santo Padre enviou-me as felicitações e a sua bênção pelo meu 70º aniversário. É muita honra para um pequeno nada, e menos que nada, como eu. Tudo isso prepara o fim, que não está longe.

Transcrevo a carta da Secretaria de Estado:

“Reverendíssimo Superior Geral, foi com agrado que Sua Santidade soube que os membros da Congregação por si fundada em 1877 propõem-se celebrar o 70º aniversário do seu nascimento, e de lhe dar nesta ocasião uma prova da sua afeição e do seu apego.

O Soberano Pontífice, que não esquece o seu zelo, a sua dedicação e as obras que estabeleceu, une-se de boa vontade à alegria da sua família religiosa, e implora para si, para o seu Instituto e para as suas obras a abundância das graças celestes. Ele envia-lhe de todo o coração as felicitações e os seus votos de uma especial Bênção Apostólica, extensiva aos membros da Congregação.

Queira ajuntar, Reverendíssimo Superior Geral, as minhas felicitações e os meus votos pessoais, a garantia dos meus sentimentos dedicados em Nosso Senhor.” R.Card. Merry del Val.

Na Congregação, reza-se hoje por mim, é o que há de melhor. Os Conselheiros enviaram a todas as casas uma circular convidando a fazer deste dia 14 uma jornada de oração e de ação de graças. Os padres foram convidados a celebrar a santa missa pelas minhas intenções e os outros confrades a oferecer uma sagrada comunhão. Deo gratias! Eu preciso tanto da misericórdia do Coração de Jesus!

(Pe. Leão Dehon, in Notas Quotidianas, 14 de março de 1913, Cidade de Roma)

 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Levar a sério

 
 
4ª Feira - IV Semana Quaresma
 
 Os judeus levaram a sério as obras e as palavras de Jesus a ponto de o quererem matar , pois curava aos sábados e dizia-se filho de Deus.
 
E nós também levamos a sério as obras e as palavras do mesmo Jesus?
 
Às vezes parecemos piores do que os perseguidores de Jesus, pois não levamos nada a sério.
 
Aliás o que causa maior perturbação não são os que fazem o mal, mas os que olham para isso sem nada fazerem.
 
 

terça-feira, 12 de março de 2013

Diálogo


3ª Feira - IV Semana Quaresma

Do Evangelho de hoje sublinho duas curiosidades:
 
1ª - Jesus Começa a falar com o homem que jazia paralizado há 38 anos, perguntando-lhe se queria ser curado. Isto, à primeira vista, até parece ter piada. Então era preciso perguntar-lhe? É como perguntar a um cego se quer ver! Mas há uma lição neste pormenor: Jesus vem lembrar que o mais importante é o diálogo, é a comunicação ou a interação das pessoas. Por isso ele começa a conversar, a interessar-se e a questionar. Aliás Jesus já tinha conversado com mais alguém acerca deste homem, pois já sabia há quanto tempo jazia ali.
O importante é comunicar, pois é a falar que a gente se entende, é a dialogar que a gente se salva...
 
2ª - O homem respondeu que bem queria curar-se, mas não tinha ninguém que o ajudasse...
Este episódio vem mostrar que ninguém se salva a si próprio e ninguém se salva sozinho. A cura, a salvação é sempre fruto de uma conjugação de ações, é sempre um ato plural, um resultado de responsabilidade partilhada.
Ninguém se salva a si mesmo, pois é interagindo que a gente se salva. É Deus quem salva, mas sempre em interação com os demais...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia da mulher


Neste dia partilho duas mensagens que muito aprecio.

1. A frase
"As mulheres que procuram ser iguais aos homens são muito pouco ambiciosas."
Timothy Leary (psicólogo americano, professor de Harvard (1920-1996)

2. A figura

quinta-feira, 7 de março de 2013

Via Sacra (11)

A via-sacra das portas - As portas da via-sacra
1ª Estação - Jesus é condenado à morte
A porta do tribunal
À porta do tribunal levaram Jesus, que só tinha feito o bem, e condenaram-n'O à morte e morte de cruz.
Os acusadores é que deviam ser condenados.
Deus foi condenado pelos homens.
Mas os homens não foram condenados por Deus.
Antes pelo contrário, Deus fez-Se condenar pelos homens.
2ª Estação - Jesus carrega com a cruz
A porta de saída
Jesus iniciou o seu caminho do Calvário abraçando a sua cruz.
A cruz é o caminho, a cruz é a porta da redenção.
Jesus dissera um dia:
Quem quiser seguir-Me, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me.
Quem quiser seguir Jesus tem de passar pela porta de saída que é a cruz.
Então será seu discípulo e seu companheiro no caminho do Calvário.
3ª Estação - Jesus cai pela 1ª vez
A porta fechada
Jesus, ao cair na calçada do Calvário, mostra que às vezes as portas à nossa volta podem parecer fechadas.
Uma porta fechada é sinal de derrota e de desânimo.
Mas Jesus cobrou ânimo e levantou-Se porque a Deus nada é impossível.
Deus nunca fecha uma porta, sem que abra uma outra oportunidade para se seguir em frente.
4ª Estação - Jesus encontra a sua mãe
A porta do Coração
Diz-se que o coração de uma mãe está sempre aberto para o seu filho.
Maria, mãe de Jesus, cruzou o seu olhar com o de seu filho Jesus.
Diz-se que a porta do coração só pode ser aberta por dentro.
Maria é exemplo de quem soube abrir o seu coração para aí guardar todos os desígnios divinos e acolher o Verbo de Deus.
Que saibamos abrir a porta do nosso coração a todos os que precisam de Deus e de nós.
5ª Estação - Jesus é ajudado pelo Cireneu
Bater à porta
No Livro do Apocalipse podemos ler-se:
Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e estarei com ele e ele comigo.
De facto Deus bateu à porta de Maria, bateu à porta dos discípulos Pedro, André, Tiago e João, bateu à porta de Zaqueu, à porta de Levi ou Mateus.
Nesta estação da sua via-sacra Jesus bate à porta de Simão de Cirene.
Pedir ajuda é bater à porta.
Ajudar alguém é abrir a porta do nosso coração.
Saibamos bater à porta do coração de Jesus e estejamos atentos porque Ele também bate à porta do nosso coração para estarmos com Ele e Ele connosco.
6ª Estação - Jesus encontra Verónica
A porta do olhar
A sabedoria popular diz que o olhar é a porta do coração.
Verónica olha para Jesus que passa e abeira-se d'Ele com prontidão, coragem e carinho.
Jesus olha-a nos olhos e deixa-lhe gravado o seu olhar de gratidão e compaixão.
Jesus sempre olhou assim para todos quantos se abeiravam d'Ele.
Olhou assim para o jovem rico, olhou assim para a pecadora, para a samaritana ou para Maria Madalena.
O olhar de Jesus deixou sempre marcas indeléveis de salvação.
Que a porta do nosso olhar esteja sempre aberta para nos abeirarmos dos outros com a mesma prontidão, coragem e compaixão.
7ª Estação - Jesus cai pela 2ª vez
A porta estreita
O caminho do Calvário é longo e a porta é estreita, isto é, difícil de passar.
Jesus ficou de rastos.
Esta 2ª queda de Jesus mostra a sua pequenez.
Também nós, pobres e fracos como somos, temos uma porta estreita por onde devemos avançar.
Que nunca nos falta a força para avançar apesar da estreiteza nos nossos trajetos.
8ª Estação - Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
A porta da solidariedade
Um dia Jesus chorou por Jerusalém.
Nesta estação é Jerusalém que chorou por Jesus.
A solidariedade é um edifício com tantas portas quantas as carências ou necessidades dos irmãos.
A solidariedade é a porta do amor.
Partilhando as lágrimas, partilhamos os sofrimentos.
Somos solidários quando sofremos com as dores dos outros.
Uma cruz partilhada não deixa de ser uma cruz, mas deixa de ser tão pesada.
9ª Estação - Jesus cai pela 3ª vez
A porta da terra
Jesus nasceu na Gruta de Belém, como se o ventre da terra se tivesse aberto para o acolher.
Nesta 3ª queda parece que a terra se abre outra vez e Jesus fica prostrado.
Se o grão de trigo não cair e não entrar na porta aberta da terra não pode erguer-se como espiga dourada e dar o seu fruto.
É descendo à terra que nos podemos erguer para Deus porque quem se humilha será exaltado.
10ª Estação - Jesus é despojado das suas vestes
A porta da obediência
Jesus caminha em direção ao Calvário para fazer a vontade do Pai.
Jesus despojou-se das suas vestes como se despojara da sua condição de Filho de Deus para cumprir o eterno desígnio divino.
A obediência é a porta que dá acesso à realização dos planos de Deus.
Quem obedece, escuta a Deus.
Quem obedece cumpre a vontade de Deus.
11ª Estação - Jesus é crucificado
A porta do Céu
Jesus ao ser crucificado mostra-nos que podemos às vezes encontrar uma cruz sem Cristo, mas nunca poderemos encontrar Cristo sem cruz.
Cristo e cruz são a mesma realidade.
Outrora Jesus tinha dito:
Eu sou a porta… Quem entrar por Mim, entrará no reino dos Céus.
A cruz é a chave de entrada no Reino dos Céus.
Quem abraça a sua cruz, abraça a Cristo; quem abraça a Cristo abraça a cruz.
Quem abraça a sua cruz tem a chave da porta do Paraíso.
12ª Estação - Jesus morre na cruz
A porta da Vida
A morte é sempre uma porta para a vida eterna.
Nós recebemos a verdadeira vida pela morte de Cristo.
É pela cruz que chegamos à sua glória.
Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos.
Seremos amigos de Deus e amigos dos nossos irmãos se nos amarmos, se nos perdoarmos e se nos entregarmos nas mãos de Deus.
Só assim entraremos na Vida, ou melhor, a vida entrará em nós porque é morrendo que se vive para a vida eterna.
13ª Estação - Jesus é descido da cruz
A porta da esperança
Jesus desce da cruz.
A cruz converteu-se em fonte.
Um soldado abriu com a lança o peito de Jesus e logo começou a jorrar uma torrente de graça e de esperança.
Maria ao receber nos seus braços o corpo do seu Filho é a Senhora da Piedade, mas é sobretudo a Mãe da Esperança.
Quem confia em Deus nunca perderá a esperança.
Tal como o sol que se esconde no horizonte no final de um dia, Jesus ao esconder-se nos braços de sua mãe é a porta da esperança de um novo dia que vai nascer.
14ª Estação - Jesus é sepultado
A porta de chegada
À ida vão chorando levando as sementes, mas à volta virão a contar trazendo os molhes de espigas.
Tal acontece quando depositam o corpo de Jesus e fecham o seu túmulo.
Foi para isso que Ele encarnou, foi para tal que peregrinou entre nós.
Esta estação é uma porta de chegada, não o fim de um caminho, mas o início de uma nova caminhada.
Que saibamos fazer de cada fase ou etapa da nossa vida um recomeçar.
Cada porta de chegada se transforme em nova partida cada vez mais perto da nossa meta que é a eternidade.
15ª Estação - Jesus Ressuscita
A porta aberta
A morte foi vencida.
Cristo ressuscitou para nunca mais morrer.
A porta da vida está para sempre aberta.
Mortos com Cristo, com Cristo ressuscitaremos e viveremos.
A porta da vida está escancarada para nós.
A ressurreição de Jesus é a porta aberta da vida eterna, porta de uma nova primavera, porto do novo Paraíso.
Cristo ressuscitado, de braços abertos para nós, é a porta aberta que nos acolhe.
Através do Batismo, da conversão e da fé entremos por essa porta que é vida e ressurreição.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Pela estrada fora


4ª Feira - III Semana Quaresma

“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar.”
 
Quando viajamos por uma estrada para um destino que não conhecemos bem, precisamos de seguir as indicações, as placas informativas, os sinais de trânsito...
Ao avistarmos a placa identificativa da cidade onde queremos chegar, ficamos felizes e pensamos que vamos na direção certa.
Nem nos passa pela cabeça, parar junto a uma placa indicativa de uma cidade e ficar aí a contemplá-la pois não está aí a meta da nossa viagem.
Nem será prudente ignorar, arrancar ou alterar nenhum desses sinais de trânsito.
Será perigoso para nós e para todos os que vierem depois.
 
Jesus diz que alguns fariseus ficaram parados nas placas indicativas do Antigo Testamento, na Lei de Moisés e dos Profetas, pois não compreendiam que essas Leis acenavam apenas a direção correta a seguir, pois o destino valioso estava mais à frente.
Jesus não quer revogar a Lei ou os Profetas, isto é, não quer arrancar as placas indicativas presentes na história, na vida e na Escrituras Antigas, pois tudo isso apontava o caminho para chegar à plenitude dos tempos.
 
Desprezar os mandamentos é arrancar os sinais de trânsito, levando à perdição todos os que estão na estrada, incluindo nós próprios.
Quem quiser chegar até Deus tem de respeitar todos os sinais dos mandamentos, todas as placas indicativas da Lei e dos Profetas.
Tudo o que nos ajuda a prosseguir, a ir em frente ao encontro de Deus não pode ser ignorado, revogado ou substituído.
 
Só há duas maneiras de prescindir dos sinais de trânsito e revogar todos os sinais:
- Ou quando se vem na viagem de regresso, pois já sabemos o caminho… O que não acontece connosco.
- Ou quando viajamos de boleia de alguém que conhece muito bem a estrada e o nosso destino. Isto só acontece a quem se entregou totalmente a Deus e deixa-se conduzir inteiramente por Ele. Aliás já terá assim chegado ao seu destino, pois quem ama, já cumpriu toda a Lei.
 

terça-feira, 5 de março de 2013

Perdoar é libertar-se


3ª Feira - III Semana Quaresma


Quantas vezes devo perdoar?
Sempre, porque perdoar é libertar-se a si mesmo e libertar quem nos ofendeu.

Quando alguém me atira uma pedra, posso assumir 2 atitudes:
Ou retiro-me silencioso e desimportado, deixando a pedra onde caiu…
Ou guardo a pedra para devolver ao agressor numa outra oportunidade.

Pensando melhor, não sei se vale a pena guardar a pedra no bolso para atirá-la de volta, por vários motivos:
1º porque no meu bolso será um peso morto a dificultar a minha caminhada para onde quer que eu vá. E se eu fizer isso com todas as pedras que me atiram será bonito!
2º porque cada vez que eu tentar abraçar alguém, ambos sentiremos algo de estranho a incomoda uma maior aproximação. E correrei o risco de magoar sem querer…
3º porque se eu quiser guardar algo de mais precioso no meu bolso já não haverá mais espaço para tal. Se o meu bolso já estiver cheio de pedras, como poderei guardar as coisas boas?
4º porque posso cansar-me e frustrar-me inutilmente: se o meu agressor desaparecer da minha vista e nunca mais aparecer, terei carregado em vão a pedra para lhe retribuir.

Tal acontece com as ofensas que me fazem:
Se as guardo, ficarei mais pesado e cansado.
Se as quero devolver ao ofensor, perderei o meu tempo imaginando planos e oportunidades. Tenho de aproveitar o tempo para fazer outras coisas mais positivas.
Se não me liberto delas, continuo magoado e triste. Até os meus amigos ficarão prejudicados com essa minha falta de alegria.
E se eu insistir nos meus intentos, verei passar o tempo, talvez perderei de vista o meu ofensor, não terei oportunidade de retribuir e tornar-me-ei uma pessoa amarga e infeliz… porque não plenamente realizada.

Perdoar é libertar-se.
Quem perdoa ao seu agressor é verdadeiramente uma pessoa livre.
Perdoar é uma questão de inteligência, de liberdade, de amor e de felicidade.

 
Perdoar sempre?
Ensinaram-me um dia que:
Deus perdoa sempre;
Os homens perdoam às vezes;
A natureza nunca perdoa.

Mas afinal, Jesus nega isto.
No seu ensino e no exemplo de vida:
Deus perdoa sempre;
Os homens perdoam sempre que querem;
E é sempre a natureza que perdoa.

De facto na natureza podemos constatar que:
A pedra bruta perdoa as mãos que a ferem com o cinzel, transformando-se em estátua perfeita.
O grão de trigo perdoa o agricultor que o atira para a terra, multiplicando-se em muitos grãos.
O ferro deixa-se dobrar sob altas temperaturas e à martelada e perdoa aqueles que o modelam, retribuindo segurança e consistência.

Perdoar é um imperativo de tudo e de todos, de todos os tempos e lugares…

segunda-feira, 4 de março de 2013

Simples e acessível


2ª Feira - III Semana Quaresma

- Da primeira leitura: Gente humilde aconselha o grande General... e manda-lhe fazer coisas simples e acessíveis.
Há que descobrir hoje: A simplicidade das coisas grandes e a grandeza das coisas simples.

- Do Evangelho: Nenhum profeta é bem recebido na sua casa e entre os seus.
Há que descobrir hoje: A distância dos que estão próximos e a proximidade dos que estão distantes.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Ámen

Crer é dizer Ámen e dizer Ámen é crer.

O Catecismo da Igreja Católica conclui a exposição sobre o CREDO com a explicação do ÁMEN final:
 
1061. O Credo, tal como o último livro da Sagrada Escritura termina com a palavra hebraica Ámen, palavra que se encontra com frequência no final das orações do Novo Testamento. Do mesmo modo, a Igreja termina com um «Ámen» as suas orações.
 
1062. Em hebraico, Ámen está ligado à mesma raiz que a palavra «crer», raiz que exprime solidez, confiança, fidelidade. Assim se compreende porque é que o «Ámen» se pode dizer tanto da fidelidade de Deus para connosco como da nossa confiança n'Ele.

1063. No profeta Isaías encontramos a expressão «Deus de verdade», literalmente «Deus do Ámen», quer dizer, o Deus fiel às suas promessas: «Todo aquele que desejar ser abençoado sobre a terra deve desejar sê-lo pelo Deus fiel (do Ámen)» (Is 65, 16). Nosso Senhor emprega frequentemente a palavra «Ámen», por vezes sob forma redobrada», para sublinhar a confiança que deve inspirar a sua doutrina, a sua autoridade fundada na verdade de Deus.
 
1064. O «Ámen» final do Credo retoma e confirma, portanto, a palavra com que começa: «Creio». Crer é dizer «Ámen» às palavras, às promessas, aos mandamentos de Deus; é fiar-se totalmente n'Aquele que é o «Ámen» de infinito amor e perfeita fidelidade. A vida cristã de cada dia será, então, o «Ámen» ao «Creio» da profissão de fé do nosso Batismo:
«Que o teu Símbolo seja para ti como um espelho. Revê-te nele, para ver se crês tudo quanto dizes crer. E alegra-te todos os dias na tua fé».
 
1065. O próprio Jesus Cristo é o «Ámen» (Ap 3, 14). É o Ámen definitivo do amor do Pai para connosco: assume e leva a bom termo o nosso «Ámen» ao Pai: «É que todas as promessas de Deus encontram n'Ele um «sim»! Desse modo, por seu intermédio, nós dizemos «Ámen» a Deus, a fim de lhe darmos glória» (2 Cor 1, 20):
 
«Por Cristo, com Cristo, em Cristo,
a Vós, Deus Pai todo-poderoso,
na unidade do Espírito Santo,
toda a honra e toda a glória
agora e para sempre.
ÁMEN».