segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Dehonianos no Vaticano II


Ocorrendo os 60 anos do encerramento dos trabalhos do Concílio Vaticano II (08/12/1965) evocamos a memória e o contributo dos dehonianos nos trabalhos conciliares.

Quantos dehonianos participaram

Na 1ª sessão – 11 de outubro a 08 de dezembro de 1962 – participaram 11 dehonianos: 10 bispos e o Superior Geral.

Na 2ª Sessão – 29 de setembro a 04 de dezembro de 1963 – participaram 12 dehonianos: 11 bispos e o Superior Geral.

Na 3ª Sessão – 14 de setembro a 21 de novembro de 1964 – participaram 10 dehonianos: 9 bispos e o Superior Geral.

Na 4ª e última sessão – 14 de setembro a 08 de dezembro de 1965 – participaram 10 dehonianos: 9 bispos e o Superior Geral

 

Quem e quando participou

No conjunto, em todo o Concílio Vaticano II estiveram presentes 13 dehonianos, 12 Bispos e o Superior Geral, por ordem alfabética:

- Albert Hermelink Gentiaras (05/08/1898–25/02/1983), como Bispo de Tandjungkarang (Indonésia) participou na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª sessão

- Camille Verfaillie (04/07/1892–22/01/1980), como Vigário Apostólico emérito de Santley-ville (República Democrática do Congo) participou na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª sessão

- Franz Wolfgang Demont (22/11/1880-15/06/1964), como Bispo emérito de Aliwal (África do Sul), participou na 1ª e 2ª sessão

- Henri Martin Mekkelholt (25/02/1896-26/12/1969), como Bispo emérito de Palembang (Indonésia) participou na 2ª, 3ª e 4ª sessão

- Honorato Piazera (06/11/1911-23/10/1990), como Bispo de Nova Iguaçu (Brasil) participou na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª sessão

-  Johannes Baptist Luck (08/05/1909-06/10/2000), como Bispo de Aliwal (África do Sul) participou na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª sessão

- Joseph Antony de Palma (04/09/1913-03/02/2005), como Superior Geral SCJ, participou na 1ª, 2ª, 3º e 4ª sessão

- Joseph Hubertus Soudant (30/03/1922-29/12/2003), como Bispo de Palembang (Indonésia) participou na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª sessão

- Joseph Pierre Albert Witteblos (12/04/1912-26/11/1964), como Bispo de Wamba (República Democrática do Congo) participou na 1ª e 2ª sessão

- Nicolas Kinsch (31/10/1904-23/03/1973), como Arcebispo de Kisangani (República Democrática do Congo) participou na 1ª e 2ª sessão

- Paul Verschuren (26/03/1925-19/02/2000) como Bispo coadjutor de Helsínquia (Finlândia) participou na 3ª e 4ª sessão

- Paul Bouque (05/09/1896-15/08/1979), como Bispo de Nkongsamba (Camarões) participou na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª sessão

- Willem Petrus Bhartolomaeus Cobben (29/06/1897-27/01/1985) como Bispo de Helsinki, participou na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª sessão

 

Curiosidades:

O Bispo dehoniano mais novo a participar no Concílio foi o de Palembang (Indonésia) D. Joseph Hubertus Soudant com 40 anos desde a 1ª sessão, seguindo-se o Coadjutor de Helsíquia (Finlândia), D. Paul Verschuren desde a 3ª sessão com 40 anos.

O Bispo dehoniano mais velho a participar no Concílio foi D. Franz Wolfgang Demont, Vigário Apostólico Emérito de Aliwal (África do Sul) na 1ª sessão aos 83 anos.

O Pe. Joseph Anthony de Palma, foi Superior Geral de 15/07/1959 a 13/04/1967, e nessa qualidade participou nas 4 sessões do Concílio. A 13/04/1967 foi eleito Bispo de De Aar (África do Sul).

Todos estes participantes já faleceram. O primeiro a falecer foi Franz Wolfgang a 15/06/1964) depois de ter participado na 2ª sessão. No mesmo ano D. Joseph Pierre Albert Witteblos foi martirizado na República Democrática do Congo a 26/11/1964, sem ter participado na 3ª sessão. O último dehoniano participante no concílio a falecer foi D. Joseph Antony de Palma, a 03/02/2005, ex-Superior Geral e Bispo Emérito de Bispo de De Aar (África do Sul).

Para além de D. De Palma (que morreu 43 anos depois do início do Concilio), há a assinalar quem chegou a celebrar os 25 anos do Concílio:

D. Joseph Hubertus Soudant (41 anos depois do início); D. Johannes Baptist Luck (38 anos depois); D.  Paul Verschuren (36 anos depois de ter participado); D. Honorato Piazera (28 anos depois).

Dos 12 bispos dehonianos participantes 1 era Arcebispo, 7 bispos residenciais, 1 Coadjutor, 2 bispos eméritos e 1 Vigário Apostólico Emérito.

Destes 12 participantes 6 eram bispos em África (3 na República Democrática do Congo, 2 na África do Sul e 1 nos Camarões), 3 bispos na Ásia (na Indonésia), 2 na Europa (Finlândia) e 1 da América (Brasil). Com exceção do Brasil, nenhum bispo era natural do país onde exercia, pois todos eram missionários.

Na 1ª sessão, dos 2448 padres conciliares 11 eram dehonianos.

Na 2ª sessão, dos 2488 padres conciliares 12 eram denonianos.

Na 3ª sessão, dos 2468 padres conciliares 10 eram dehonianos.

Na 4ª e última sessão, dos 2625 padres conciliares, 9 eram dehonianos.

Conclui-se assim que nas sessões do Concílio a presença dos dehonianos rondava os 0,4%.

 

O Pe. Dehon também esteve presente no Concílio Vaticano II

É verdade.

Depois de ter participado no Concílio Vaticano I convocado por Pio IX (08/12/1869 – 18/12/1870) como estenógrafo, o Pe. Dehon publicou os seus apontamentos e as suas reflexões sobre essa experiência sem igual com o título de “Diário do Concílio Vaticano I”.

Na preparação do Concílio Vaticano II, o Cardeal Suenens, bispo de Bruxelas, foi encarregado pelo Papa de coordenar todos os esquemas preparatórios numa unidade orgânica. O Papa João XXIII aconselhou-o precisamente a ler o Diário do Pe. Dehon, como ajuda imprescindível nessa preparação. O Cardeal Suenens dá-nos conta disso numa carta dirigida ao Papa João XXIII, em 1962:

“Acabo de ler o Diário do Concílio Vaticano I do Pe. Dehon, cuja leitura Vossa Santidade me tinha aconselhado: é cheio de interesse, de vida e de ensinamento quer sobre aquilo que é necessário fazer... quer sobre aquilo que não é preciso fazer. É um livro à glória do Espírito Santo, que age através de instrumentos sempre muito deficientes e, por vezes, tão pobremente humanos” (Cardeal Suenens, Aux origines du Concile Vatican II, in NRT 107/1985, 10).

Desse modo, o P. Dehon, pelos seus escritos e pela sua ação posterior, contribuiu remota e ativamente para o grande acontecimento da Igreja no século XX, o Concílio Vaticano II. (CF P. Manuel Joaquim Gomes Barbosa SCJ, Padre Dehon Homem de Igreja, Curia Generale SCJ, Roma – 2004)

 

Conclusão

O Pe. Dehon participou nos trabalhos do Concílio vaticano II não só por meio do seu sucessor como Superior Geral, Pe. Joseph Antony de Palma, como também pela participação dos 12 confrades bispos da Congregação SCJ, mas ainda através dos seus escritos, estudados e aplicados pelo Papa João XXIII e pelo cardeal Suenens na preparação do mesmo Concílio.

A Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus, o P. Dehon e os dehonianos que participaram no Concílio Vaticano II foram homens da renovação da Igreja, a partir de dentro.

Ainda hoje ocorre o mesmo fenómeno: o Pe. Dehon continua presente e ativo na Igreja através de nós.

 

Ver também:

O Pe. Dehon estava lá

Bela obra do Espírito

 

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