sexta-feira, 5 de julho de 2024

Era mais que inclusivo


6ª feira – XIII semana comum

Os fariseus perguntaram aos discípulos:

- Por que motivo é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores.

Jesus ouviu e respondeu:

- Porque não são os que têm saúde que precisam do médico, mas os doentes.

Porque prefiro a misericórdia ao sacrifício.

Porque não vim chamar os justos, mas os pecadores.

 

1º - Os fariseus não tiravam os olhos de Jesus. Seguiam-no e questionavam tudo o que ele fazia ou dizia. É pena fazerem isso com más intenções.

2º - A pergunta foi feita aos discípulos, mas foi Jesus quem respondeu. De facto, as perguntas difíceis são sempre respondidas por Ele em vez dos outros. Ele responde com ações e palavras, com a boca e com os gestos.

3º - Jesus diz que veio como messias, mestre, salvador. Veio salvar, todos precisam de serem salvos e a todos salvará.

Conclusão: Jesus não comia com pecadores e cobradores de impostos porque queria mostrar-se inclusivo, tolerante e recetivo. Ele comia com ele para chamá-los à conversão de vida e a morrer para si mesmo e a viver para ele. O seu chamamento era à conversão da vida e não à afirmação da identidade.

 

Recordo que em 2023, durante a Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, o Papa Francisco repetiu:

- Todos, todos, todos!

E muitos quiseram ver nessas palavras e nessa atitude um gesto inclusivo, tolerante e recetivo. Suponho que deve ser muito mais e não apenas a aprovação de identidades e diferenças.

De facto, o convite à conversão é para todos. E não é apenas pata ser inclusivo, mas para se converter.

 

Ver também:

Aprender a ver como Jesus

À mesa de Mateus e de Jesus

Jesus passa vê e chama

À mesa com os pecadores

Pintar uma vocação

De banqueiro a apóstolo

Retrato de uma vocação

Comentário

 

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Uma santa Portuguesa


Memória de Santa Isabel de Portugal

É uma santa portuguesa, com certeza.

É com certeza uma santa portuguesa.

 

A rainha Santa Isabel, é chamada de Portugal, apesar de ter nascido no Reino de Aragão. De facto, veio para Portugal onde se casou com o rei D. Dinis. Morreu no ano 1336 quando mediava o acordo de paz entre seu filho e seu genro.

 

Na minha infância o meu Pároco, Pe. Agostinho de Freitas, para além de presidir à missa e à ladainha, acompanhava os cânticos ao órgão. Na ladainha, de vez em quando ele avisava com voz forte: agora vem um Santo Português… e com toda a intensidade da música e da sua potente voz invocava ou Santo António, São Teotónio, São João de Deus, São João de Brito, Santa Beatriz da Silva ou Santa Isabel de Portugal… e todo o povo acompanhava com redobrado entusiasmo e igual potência de voz o correspondente: Rogai por nós.

Aprendi assim a ter orgulho dos santos da nossa comunidade, os santos portugueses.

Afinal quem são os santos?

São os ilustres irmãos nossos de quem muito nos orgulhamos.

Aprendi também que estes santos faziam parte de nós e da nossa família e nós fazemos parte deles.

Não era o santo que precisava de mais atenção, nós é que precisávamos de mais devoção.

Quem me dera que ainda hoje alguém diga entre nós: Agora vem um santo português.

Que a Rainha Santa Isabel nos alcance essa graça.

 

Ver também:

Milagre das rosas hoje

Santa Isabel de Portugal

Visitando Santa Isabel

Rainha Santa Isabel

5ª feira – XIII semana comum

O que é mais fácil?

Que vos parece mais fácil:

- Curar um corpo enfermo ou perdoar os pecados de uma alma?

A alma é mais elevada; as suas doenças são mais difíceis de curar.

Mas, como essa cura é invisível, farei diante de vós uma cura visível, embora menos importante, diz o Senhor Jesus.

Assim ordena ao paralítico que se levante e volte para casa.

Parece estar a dizer-lhe:

- Através daquilo que te aconteceu, Eu gostaria de curar estas pessoas, que parecem de boa saúde, mas que, na realidade, têm a alma doente. Mas, visto que elas não querem, vai tu para tua casa, onde a tua cura dará frutos. (Cf. São João Crisóstomo (345-407) Homilias sobre São Mateus, n.° 29)

 

Ver também:

Levanta-te e anda

Perdoar = curar

Perdoar os pecados

 

quarta-feira, 3 de julho de 2024

S. Tomé cantado por Camões


Festa de São Tomé, Apóstolo
No seu livro Os Lusíadas, no Canto X, 108-119, Camões canta a vida, presença, pregação, milagres, morte e glorificação do Apóstolo São Tomé nas terras da Índia.
 
Olha que de Narsinga o senhorio
Tem as relíquias santas e benditas
Do corpo de Tomé, barão sagrado,
Que a Jesu Cristo teve a mão no lado.
 
Aqui a cidade foi, que se chamava
Meliapor, fermosa, grande e rica;
Os Ídolos antigos adorava,
Como inda agora faz a gente inica.
Longe do mar naquele tempo estava,
Quando a Fé, que no mundo se pubrica,
Tomé vinha pregando, e já passara
Províncias mil do mundo, que insinara.
 
Chegado aqui, pregando e junto dando
A doentes saúde, a mortos vida,
Acaso traz um dia o mar, vagando,
Um lenho de grandeza desmedida.
Deseja o Rei, que andava edificando,
Fazer dele madeira; e não duvida
Poder tirá-lo a terra, com possantes
Forças de homens, de engenhos, de aliphantes.
 
Era tão grande o peso do madeiro,
Que, só pera abalar-se, nada abasta;
Mas o núncio de Cristo verdadeiro
Menos trabalho em tal negócio gasta:
Ata o cordão, que traz, por derradeiro,
No tronco, e facilmente o leva e arrasta
Pera onde faça um sumptuoso templo,
Que ficasse aos futuros por exemplo.
 
Sabia bem que, se com fé formada
Mandar a um monte surdo que se mova,
Que obedecerá logo à voz sagrada,
Que assi lho insinou Cristo, e ele o prova.
A gente ficou disto alvoraçada;
Os Bramenes o tem por cousa nova;
Vendo os milagres, vendo a santidade,
Hão medo de perder autoridade.
 
São estes sacerdotes dos Gentios,
Em que mais penetrado tinha enveja;
Busca maneiras mil, buscam desvios,
Com que Tomé não se ouça, ou morto seja.
O principal, que ao peito traz os fios,
Um caso horrendo faz, que o mundo veja
Que inimiga não há, tão dura e fera,
Como a virtude falsa, da sincera.
 
Um filho próprio mata, e logo acusa
De homecidio Tomé, que era inocente;
Dá falsas testemunhas, como se usa:
Condenaram-lhe a morte brevemente.
O Santo, que não vê milhor escusa
Que apelar pera o Padre omnipotente,
Quer, diante do rei e dos senhores
Que se faça um milagre dos maiores.
 
O corpo morto manda ser trazido,
Que resucite e seja perguntado
Quem foi o matador, e será crido
Por testemunho, o seu, mais aprovado.
Viram todos o moço vivo, erguido,
Em nome de Jesu crucificado;
Dá graças a Tomé, que lhe deu vida,
E descobre seu pai ser homicida.
 
Este milagre fez tamanho espanto,
Que o Rei se banha logo na água santa,
E muitos após ele; um beija o manto,
Outro louvor do Deus de Tomé canta.
Os Bramenes se encheram de ódio tanto,
Com seu veneno os morde enveja tanta.
Que, persuadindo a isso o povo rudo,
Determinam matá-lo, em fim de tudo.
 
Um dia que pregando ao povo estava,
Fingiram entre a gente um arruído.
Já Cristo neste tempo lhe ordenava
Que, padecendo, fosse o Céu subido.
A multidão das pedras, que voava,
No Santo dá, já a tudo oferecido;
Um dos maus, por fartar-se mais depressa,
Com crua lança o peito lhe atravessa.
 
Choraram-te, Tomé, o Ganges e o Indo;
Chorou-te toda a terra que pisaste;
Mais te choram a almas que vestindo
Se iam da santa Fé que lhe insinaste;
Mas os anjos do Céu, cantando e rindo,
Te recebem na Glória, que ganhaste.
Pedimos-te que a Deus ajuda peças,
Com que os teus Lusitanos favoreças.
 
E vós outros que os nomes usurpais
De mandados de Deus, como Tomé,
Dizei: se sois mandados, como estais
Sem irdes a pregar a Santa Fé?
Olha que, se sois sal e vos danais
Na pátria, onde profeta ninguém é,
Com que se salgarão, em nossos dias,
(Infiéis deixo) tantas heresias?
 
Ver também:
O primeiro dia da semana
Meu criador e meu salvador
Domingo de pascoela
Misericórdia para todos
Gémeo de quem
A lança e o esquadro
Apóstolo do Coração de Jesus
Gémeo de Tomé
Crer e ver sem olhar
Meu Senhor e meu Deus
Tomé Dídimo
Confissão de Tomé
Por que acreditar
São Tomé
Tomé
 

terça-feira, 2 de julho de 2024

Acordar a nossa fé


3ª feira – XIII semana comum

O coração de cada cristão é uma barca que navega no mar e que não se afundará se o espírito mantiver bons pensamentos, isto é, se a sua fé se mantiver acordada.

 

Insultaram-te: é o vento que te fustiga.

Encolerizaste-te: é a onda que se levanta.

Surgiu a tentação: é o vento que sopra.

A tua alma está perturbada: são as vagas que se elevam.

Insultaram-te e desejas vingança; castigaste sem temperança e estás caído.

E por quê?

Porque Cristo dorme no teu coração.

O que significa que Cristo dorme?

Que tu te esqueceste dele.

Acorda Cristo, deixa que Ele te fale.

 

Quem é Este, a quem até o vento e o mar obedecem?

Imita, pois, os ventos e o mar: obedece ao Criador.

O mar mostra-se dócil à voz de Cristo e tu continuas surdo?

O mar obedece, o vento acalma-se e tu continuas a soprar?

Que queremos dizer com isso?

Lamentar-se, agitar-se, pensar na vingança: não será tudo isto continuar a soprar e não querer ceder diante da palavra de Cristo?

Quando o teu coração está perturbado, não te deixes submergir pelas vagas.

No entanto, se o vento nos mudar — porque somos apenas humanos — e acicatar as emoções más do nosso coração, não desesperemos. Acordemos Cristo, para que possamos prosseguir a nossa viagem por mares mais calmos. (Adaptação do Sermão 63 de Santo Agostinho, século V)

 

Conclusão:

Nós somos esse barco que está no mar da vida.

As tempestades são as nossas tentações e defeitos.

A nossa fé é Jesus que parece dormir no barco.

 

Ver também:

O Senhor que acalma o mar

No mar da vida

Navegar com Jesus

Envergonhados

Jesus dormia

Tempestade e bonança

 

domingo, 30 de junho de 2024

História de duas mulheres


Ano B – XIII domingo comum

Era uma vez duas mulheres.

Uma tinha 12 anos de vida;

Outra tinha 12 anos de doença.

Uma não queria crescer;

Outra não queria morrer.

Uma não queria ser mulher;

Outra não queria deixar de ser mulher.

Uma Jesus foi ter com ela;

Outra foi ter com Jesus.

Uma deixou-se tocar por Jesus;

Outra foi tocar Jesus.

Uma estava deitada;

Outra estava prostrada.

 

Ambas Jesus falou;

As duas Jesus curou.

Ambas foram levantadas.

As duas foram curadas.

Ambas venceram o medo,

As duas foram em frente.

Ambas mostraram fé

As duas tiveram vida nova.

 

Qualquer que seja a nossa vivência ou a nossa situação, Deus vem ter connosco ou espera que se vá ter com ele.

Também ele nos convida a levantarmo-nos.

Quem não se levanta, não pode ir em frente, não ultrapassa os seus obstáculos nem vai longe.


À margem

Se alguém perguntar (se é que ainda há este costume)o que é que o padre disse no sermão, podeis responder:

- Talitha Kum (em aramaico).

E se não conseguirem entender, dizei:

- Sursum corda (latim).

E se nem assim compreender, concluí em português:

- Corações ao alto!

De facto, estas três expressões, praticamente, significam o mesmo.


Ver também:

A menina está a dormir

Kum, isto é, levanta-te

Assim tocamos corações

Tocar o coração

Cordeirinha, levanta-te

Coragem e fé

Jovem, levanta-te

Talitha Kum

Tocar na orla da capa

 

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Curando e ensinando


6ª feira – XII semana comum

 

Jesus curava ensinando

E ensinava curando.



- Por que é que Jesus curou muitos leprosos?

- Por que havia muitos naquele tempo, ou porque Jesus deixava que se aproximassem dele enquanto todos fugiam deles, ou porque naquele tempo não havia cura para essa doença?  Tudo isto pode estar certo, mas estou convencido que Jesus curava muitos leprosos para nos lembrar, então ou ainda hoje, que a única lepra que temos a recear é a da alma, isto é, o pecado. De facto, a pior lepra é a da alma - doença que nos torna insensíveis ao amor.

 

- Por que é que Jesus para curar o leproso estendeu primeiro a mão e depois disse – eu quero, fica curado?

- Porque Jesus intervém com ações, gestos e palavras. Ele confirmava as suas ações com as palavras para nos ensinar que devemos confirmar as nossas palavras com as nossas obras. 

 

- Por que é que Jesus disse ao curado da lepra – vai mostrar-te ao sacerdote?

- Para lembrar a ele e a nós que quem cura é sempre Deus. O milagre é sempre dom de Deus.

 

Ver também:

Deus quer, o homem reza

Não digas nada a ninguém

Lições de um encontro

PDF da vida espiritual

Prática do dia

Lepra e má língua

Veni, vidi, veci

Ser mão

Se Deus quiser

Deus quer

Dizer e fazer

Ouvir e ser curado

Lepras

Estender a mão

Calar e contemplar

 

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Nossa língua é nossa pátria


A 27 de junho de 1214, D. Afonso II escreveu um texto que pode ser considerado um marco histórico – o dia do nascimento oficial da língua portuguesa.

Nunca antes dele, um rei, um estado, um soberano usara a nossa língua ou escrevera oficialmente em português.

Para celebrar a efeméride podemos recordar que a nossa língua é a nossa pátria e a nossa pátria é a nossa língua, segundo a inspiração de Fernando Pessoa (1888-1935).

"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintática, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.

Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há, porém, páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa seleta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. “Fabricou Salomão um palácio…” E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais – tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é – não – a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro direto que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."

(CF “Livro do Desassossego”, por Bernardo Soares. Vol. I, Fernando Pessoa)

 

Ver também:

Oito séculos da língua portuguesa

 

A parábola das duas casas


5ª feira – XII semana comum

Há uma igreja na minha casa

Há uma casa na minha igreja


Era uma vez duas casas...

Jesus quer que cada um saiba construir uma igreja na sua casa ou uma casa na sua igreja.

Há duas maneiras de construir essa casa – Modelo A ou modelo B.

Jesus apresenta essas duas casas.

Aparentemente elas são iguais:

Têm a mesma forma ou estilo.

Têm a mesma área, a mesma largura e altura.

De facto, foram construídos com os mesmos materiais.

Têm também a mesma função de acolher gente, o mesmo conforto e o mesmo espaço.

Também enfrentam as mesmas tempestades, o mesmo vento e as mesmas chuvadas.

Mas aqui acabam as semelhanças:

Uma desaba e a outra casa continua firme.

Mas porquê se aparentemente eram iguais na forma, no tamanho, nos materiais de construção?

Ambas as casas passam por intempéries, dificuldades e problemas, porque é que uma desaba e a outra não?

O Mestre diz que uma foi edificada sobre a rocha e outra sobre areia; por isso uma ficou firme e outra caiu! 

A diferença está na profundidade ou superficialidade.

 

De modo semelhante é o discípulo: o que ouve a Palavra e a põe em prática está edificando a sua morada ou a sua vida sobre a rocha profunda – seja qual for a circunstância, nunca será abalado.

Por outro lado, o que é apenas ouvinte, tem sua morada ou a sua vida alicerçada na areia fugaz, qualquer embate a coloca no chão.

A comparação de Jesus é um desafio a cada um dos seus discípulos. 

Todos já ouvimos a Palavra; sabemos o que é preciso ser feito.  Se o meu cristianismo não for além deste ouvir, a minha vida está condenada ao fracasso e à ruína; mas se praticar a sua Palavra, continuarei firme sobre a rocha.

A diferença está na profundidade (ouvir e pôr em prática).

O problema está na superficialidade (ouvir e apenas dizer).

Construir sobre a rocha é segurar-se com convicção.

Construir sobre a areia é ficar na superficialidade.

É preciso ir ao fundo, apostar nos alicerces, investir naquilo que não se vê, mas que nos dá estabilidade, segurança e continuidade.


À margem:

Um dia perguntaram à esposa de um famoso político e governante  português, se o seu marido fosse peixe, que peixe é que seria.

Ela respondeu de imediato:

- Ele seria cherne!

- E por quê?

- Por que é um peixe de profundidade.

De facto, o cherne é conhecido em Portugal como o gigante das profundidades.

Assim também um verdadeiro discípulo de Jesus deve ser um autêntico cherne, um peixe de profundidade e não de superficialidade.

Peixe de escamas; corpo grande, alto e comprimido. A coloração é marrom avermelhado, algumas vezes mais clara no ventre; a margem da parte espinhosa da nadadeira dorsal é escura. Indivíduos jovens apresentam manchas brancas distribuídas regularmente em fileiras verticais e uma grande mancha escura no pedúnculo caudal, que se origina no dorso e atravessa a linha lateral. Pode alcançar 1,2m de comprimento total e 30kg. Existe uma espécie maior, o cherne negro, que atinge mais de 2m de comprimento total e cerca de 200kg.

É um peixe de profundidade, normalmente é capturado a profundidades a mais de 100m.

Além disso é um peixe de vida longa, podendo os machos ultrapassar os 80 anos e as fêmeas os 60 anos.


Ver também:

A igreja sobre a rocha

Só vendo

Gravar sobre a rocha

Areia, rocha; dizer, fazer

Construção civil

A diferença está onde

Palhacinho, Paulinho, Pedrinho

Construir sobre a rocha

Sobre a rocha