quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Pastor e Mestre


Festa da Cadeira de São Pedro

A cadeira de São Pedro não é um trono, mas uma cátedra de professor, de mestre…























Perguntaram ao Papa Francisco:
- Deseja mesmo reformar a Igreja?
A sua resposta foi simples:
- Não. Só quero colocar Cristo cada vez mais no centro da Igreja. Será Ele a fazer as reformas.

Que o Papa continue a nos ensinar a guardar a fé como Mestre e nos conduza como nosso Pastor.


























quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Jonas, sinal de Cristo



4ª feira – I semana da quaresma

Aquela geração pedia um sinal.
Mas Jesus era o próprio sinal que estava no meio deles e que ninguém queria ver. Queria ver para crer em vez de crer para ver.
Então lembrou-lhes o sinal de Jonas:
Tal como este profeta foi um sinal de arrependimento para os ninivitas, assim também Jesus era um sinal de arrependimento e de conversão acessível a todos, sinal da misericórdia divina.
Tal como Jonas, Jesus apresenta-se como alguém que veio chamar os pecadores à conversão.
Tinham dúvidas da fé, queriam um sinal, um milagre ou uma prova…
Jesus queria perdoar-lhes para se desfazerem essas mesmas dúvidas.
Para um coração puro mil objeções não bastam para formar uma dúvida.
Para um coração duro mil provas não chegam para constituir uma certeza.
Conta o Pe. António Queiroz que certa vez um estudante o procurou querendo resolver algumas dúvidas de fé.
O sacerdote levou-o até à sala de atendimento. Logo que se sentaram o padre perguntou:
- Há quanto tempo não te confessas?
- Padre, eu quero mesmo é esclarecer algumas dúvidas de fé – lembrou o rapaz.
- Sim – respondeu o padre – mas seria melhor que te confessasses antes… Depois falaremos dessas dúvidas.
E a muito custo lá o convenceu a confessar-se ali mesmo.
Depois de uma longa confissão o padre pediu-lhe:
- Agora sim podes apresentar as tuas dúvidas para juntos esclarecermos.
- Padre, agora já não tenho mais dúvidas. Sinto-me plenamente feliz e esclarecido. Obrigado!
De facto só os puros de coração verão a Deus.




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Sem palavras


3ª feira – I semana da quaresma

Quando rezardes não useis muitas palavras.
Rezai assim: Pai Nosso…

Sempre que nós rezamos o Pai Nosso estamos a cumprir este duplo mandato de Jesus:
- Primeiro rezamos assim, tal como ele nos ensinou
- Segundo não usamos nenhumas palavras… nem uma palavra nossa, mas todas as que o mesmo Jesus nos ensinou.

Por coincidência este ano cai nesta terça-feira da primeira semana da quaresma a memória facultativa dos Santos Francisco e Jacinta Marto, Pastorinhos videntes de Fátima.
Eles são uma prova inequívoca de que de facto a oração não deve ser feita com muitas palavras, mas sobretudo com o coração e a atitude.
Contam que estas crianças quando tinham muita pressa ou para brincar, ou para trabalhar ou para regressar a casa, rezavam o terço de uma maneira abreviada.
Um dizia apenas AVÉ MARIA.
E o outro respondia a segunda parte apenas SANTA MARIA.
- AVÉ MARIA.
- SANTA MARIA.
E assim sucessivamente... chegando depressa ao fim.
Pode parecer uma brincadeira infantil, uma ingenuidade ou inocência…
Eles tornaram-se santos também através deste jeito de rezar.
Afinal estavam a cumprir a recomendação de Jesus: Quando rezardes não useis muitas palavras… Sim, porque a oração é mais do que palavras bonitas, longas ou repetitivas. Rezar é sobretudo uma atitude do coração.
As poucas palavras na oração não são sinónimo de oração breve, mas de oração profunda e sincera. A oração destes santos pastorinhos é a prova desta oração simples, de poucas palavras e sobretudo de contemplação do coração, isto é, sem palavras.






domingo, 18 de fevereiro de 2018

Interiorizar o deserto



Ano B – I domingo da quaresma
















Jesus esteve no deserto quarenta dias…

A quaresma é um deserto
e o deserto é uma quaresma

Não basta que entres no deserto… 
                 deixa que o deserto entre em ti.
Não basta que vás à igreja… 
                 deixa que a igreja entre em ti.
Não basta que faças quaresma… 
                 deixa que a quaresma te faça a ti.
Não és tu que estás no lugar… 
                o lugar é que está em ti.

O deserto faz parte das nossas vidas como:
- espaço de silêncio,
- lugar de busca
- local de despojamento
- lugar que nos faz tomar consciência das coisas essenciais que dão sentido à nossa existência
- ambiente privilegiado para o encontro com o Deus
- lugar onde habitam os demónios e onde os podemos combater
- vivência da espiritualidade do êxodo
- tempo de quarentena
- escola do coração
- antecâmara do infinito























sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Decálogo do jejum



6ª feira depois das cinzas


Jejum não é apenas uma dieta,
é sobretudo uma conversão.

Jejum não é apenas uma questão de estômago,
é sobretudo uma questão de coração.

Jejum não é apenas sentir fome de pão,
é sobretudo sentir fome de Deus.

Jejum não é apenas abster-se de alimentos,
é sobretudo abster-se do pecado.

Jejum não é apenas privar-se do supérfluo,
é sobretudo encher-se do essencial.

Jejum não é apenas castigar o corpo,
é sobretudo coroar a alma.

Jejum não é apenas uma prática exterior,
é sobretudo uma atitude interior.

Jejum não é apenas um exercício de paciência,
é sobretudo um poder da vontade.

Jejum não é apenas fechar a boca,
é sobretudo abrir as mãos e o coração.

Enfim, não somos nós a fazer jejum,
o jejum é que nos faz.




quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Frio da alma



Nós queixamo-nos do frio do corpo…
Deus queixa-se do frio da alma.

É este o resumo da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2018

“Porque se multiplicará a iniquidade,
vai resfriar o amor de muitos”
(Mt 24, 12).

“A Quaresma é o sinal sacramental da nossa conversão…
Na Divina Comédia, ao descrever o Inferno, Dante imagina o diabo sentado num trono de gelo; habita no gelo do amor sufocado.
Interroguemo-nos:
Como se resfria o amor em nós?
O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação nele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos.
E o amor resfria-se também nas nossas comunidades.
Os seus sinais são a acédia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar em guerras fratricidas, a mentalidade mundana, a redução do ardor missionário.
Que fazer?
Dedicar mais tempo à oração, praticar a esmola para ajudar o nosso irmão, fazer jejum que tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento.
Ouvir a palavra do Senhor e alimentar-se do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor.”



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Trocos e sinais


2ª feira – VI semana comum

Jesus não lhes deu troco
Jesus nunca virou as costas a ninguém, nem mesmo a quem queria discutir com ele.
Jesus simplesmente não lhes deu troco.
Dar troco a alguém é apegar-se a ninharias, é preocupar-se com coisas pequenas… é entrar em jogadas baixas.
Jesus deixou quem queria discutir com ele e passou para a outra margem.
É preciso continuar o seu caminho, alargar horizontes e ir mais além… não dando troco a discussões.
Não dar troco é trocar uma discussão de ninharias por algo mais vasto e eloquente.

Sinal e imagem de Deus
Esta geração quer um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado…
Sinal, em linguagem evangélica é milagre… é sinal de presença de Deus.
Esta geração quer um sinal, um milagre. Não precisa de nenhum milagre porque ela já é um sinal, um milagre do céu.
Ainda hoje nós podemos contemplar os sinais do céu na nossa vida, os milagres divinos em nós. Sim, nos somos milagres de Deus, somos sinais ou imagens de Deus, porque feitos à sua imagem e semelhança.