segunda-feira, 17 de abril de 2023

Foi ter com Jesus à noite


2ª feira – II semana da Páscoa

 

O fariseu Nicodemos, que era um dos principais entre os judeus, foi ter com Jesus à noite…

Um encontro à noite para encontrar a LUZ...

O que disseram as más línguas:

Foi por medo ou por vergonha, ou por não se querer comprometer que Nicodemos foi dialogar com Jesus à noite.

 

O que disseram as boas línguas:

É assim que os judeus e a Bíblia contam o tempo – A noite não é o fim do dia, mas o começo de um novo dia. Não é um ponto de chegada, é um ponto de partida.

 

O que disse Nicodemos:

É uma declaração de fé em Cristo Luz do mundo – Na noite da minha vida quero encontrar-me com a Luz. É à noite que a luz brilha mais.

 

O que disse Jesus:

Vieste à noite porque queres ser dado à luz. De facto, é preciso renascer, ser dado à luz, nascer de novo.

 

O que dizemos nós:

Jesus acolhe-nos a todos, a todas as horas da noite ou do dia.

 

À margem:

Em Angola aprendi o seguinte provérbio – O dia dispersa, a noite concentra.

 

Ver também:

Embora seja noite

 

domingo, 16 de abril de 2023

Meu Criador e meu Salvador


Ano A – II domingo da Páscoa ou da Divina Misericórdia

Em geral, nós prestamos atenção àquilo que Jesus diz aos seus discípulos e amigos.

Hoje não vamos fazer isso, porque Jesus mais do que dizer, ele mostra o seu amor misericordioso aos seus discípulos, mostrando-lhes o lado e as mãos, ícones do seu grande amor pelos homens.

Hoje vamos fazer o contrário. Vamos prestar atenção não àquilo que Jesus diz, mas àquilo que os discípulos dizem a Jesus.

E podemos resumir tudo isso num ato de fé, de esperança e de amor.

- Ato de fé – Meu Senhor e meu Deus.

Foi o que disse Tomé a Jesus.

Ao dizer isto, está a reconhecer Deus como seu criador e ao Senhor como seu Salvador.

É um ato de fé ao seu Deus e Senhor ao seu Criador e Salvador.

- Ato de esperança – Jesus, eu confio em vós.

Foi o que disse a Irmã Faustina, na presença de Jesus da Divina Misericórdia a partir de 1931. Esta freira polaca, falecida aos 33 anos em 1938 em Cracóvia, autoapresentava-se como a Apóstola ou Secretária da Divina Misericórdia.

Ela traduziu assim a expressão de Tomé, transformando-a num ato de esperança dizendo – Jesus, eu confio em vós.

- Ato de amor ou de caridade – Senhor, eu vos amo.

Foi o que disse o Papa Bento XVI momentos antes de falecer na madrugada de 31 de janeiro de 2022.

Ele resumiu as duas expressões anteriores numa única expressão: Senhor, eu vos amo!

Foi um ato de amor a Deus a quem serviu e a quem entregava o seu espírito.

 

Conclusão:

Aprendamos a traduzir a frase de Tomé num mesmo ato de fé, de esperança e de caridade.

Essas frases resumem toda uma vida.

Meu Senhor e meu Deus, ou seja, Jesus, eu confio em vós, ou ainda Senhor, eu vos amo.

Quanto a nós, podemos ainda resumir mais numa única palavra – Ámen.

É este o nosso ato de fé de Tomé, ou o ato de esperança da Irmã Faustina ou o ato de amor de Bento XVI.

 

Ver também:

Domingo de Pascoela


Senhor, eu vos confio:

O meu passado à vossa misericórdia

O meu futuro à vossa providência

O meu presente ao vosso amor.


sexta-feira, 14 de abril de 2023

Pequeno almoço com Jesus


6ª feira – Oitava da Páscoa

 

Ao romper da manhã Jesus pediu algo para comer, fruto do trabalho dos discípulos, mas eles nada tinham. Então Jesus deu-lhes orientações e o resultado foi enorme. E Jesus preparou na praia o pequeno almoço para eles.

Qual a importância deste pequeno almoço?

- Não foi para compensar a desilusão de não terem pescado nada durante a noite.

- Não foi para premiar a obediência dos discípulos que os levou à pesca milagrosa.

- Não foi para gratificá-los por o terem identificado.

- Não foi para agradecer terem declarado que Jesus era o Senhor.

- Não foi para pagar tantas horas de trabalho noturno.

 

- Foi para confirmar que Jesus, mesmo depois da ressurreição, estava ali para servir e não para ser servido.

- Foi para alimentar e dar força aos discípulos no início de uma nova jornada ou no começo de uma nova realidade.

- Foi para lembrar que os discípulos deviam continuar a esforçar-se, mas seria sempre Deus a providenciar e dar o alimento.

- Foi para mostrar que Jesus estava com os discípulos a todas as horas do dia e da noite, não só à ceia, ao cair da tarde, mas também ao romper da manhã.

- O pequeno almoço na praia, num local de chegada e de partida, realçava que o Senhor Ressuscitado acompanhava, animava e guiava os discípulos nas encruzilhadas da vida.

- Jesus, sem se dar a conhecer começa por pedir algo para comer, para que os discípulos aceitassem o alimento que ele tinha para eles que é a sua presença. Este pequeno almoço é indício da Eucaristia no raiar de um novo dia que congrega os discípulos que estavam dispersos.

- A presença de Jesus é sempre um amanhecer e o alimento de que precisamos para caminharmos em pleno dia. Ele é o sol que nasce cada manhã.

 

Ver também:

Pescados por Jesus

 

 

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Onde está o Ressuscitado


5ª feira – Oitava da Páscoa

Durante esta oitava da Páscoa, onde podemos encontrar a Cristo Ressuscitado?

 

- Junto de quem chora com saudades de Deus, junto ao sepulcro vazio (com Maria Madalena).

- No caminho fazendo companhia e animando os discípulos que estão na estrada (com os discípulos de Emaús ou precedendo os apóstolos a caminho da Galileia).

- Na mesa com os discípulos, abençoando e partilhando o pão da eucaristia (na Ceia em Emaús ou à mesa com os onze).

- No meio dos discípulos reunidos em seu nome (com os apóstolos reunidos sem ou com Tomé).

- Junto de quem dá testemunho e anuncia a sua vivência (no encontro dos apóstolos com os discípulos de Emaús).

De facto, na página do Evangelho de hoje "os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes – a paz esteja convosco."

Quem partilha a sua experiência de fé, revive o mesmo mistério e fá-lo acontecer de novo contagiando os seus irmãos.

 

Onde está então o Ressuscitado?

Ele está onde nós precisamos que ele esteja:

- No nosso lado quando choramos

- Nos caminhos da nossa vida

- Na mesa da nossa celebração

- Na assembleia dos irmãos

- No testemunho da nossa fé

 

Ver também:

Cristo é a nossa paz

 

 

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Da desilusão ao ardor


4ª feira – Oitava da Páscoa

a) A minha pregação

Dois discípulos regressando a Emaús partilharam a sua tristeza e desilusão com Jesus, mesmo sem saberem que era Ele.

E Jesus partilhou a sua graça e o seu ardor com eles.

Os amigos de Emaús quiseram partilhar a ceia com o seu colega de viagem.

E Jesus partilhou a sua bênção e o seu pão eucarístico.

Ainda hoje acontece o mesmo.

Quando alguém abre o seu coração e desabafa as suas amarguras, tristezas e desilusões a Jesus… o mesmo Jesus enche esse coração de ardor, de alegrias e bênçãos.

O caminho de Emaús é o percurso que vai da desilusão ao ardor, da tristeza à alegria, da dúvida à fé, da lamentação ao anúncio, da procura ao encontro, da desmotivação à animação, das trevas à luz, da busca à descoberta.

Emaús caminho, verdade e vida.

Emaús é Jesus.

O caminho de Emaús é a confirmação da palavra de Jesus:
Onde 2 ou 3 estiverem reunidos em meu nome
Eu estarei no meio deles.

b) A pregação do Papa Francisco

O Papa Francisco disse hoje que "não se anuncia o Evangelho parado, fechado em um escritório, na escrivaninha ou no computador, fazendo polêmicas como "leões do teclado" e substituindo a criatividade do anúncio com copiar e colar ideias tiradas daqui e dali. O Evangelho é anunciado movendo-se, caminhando, indo".

 

Ver também:

Ficai connosco, Senhor

 

terça-feira, 11 de abril de 2023

A importância do seu nome


3ª feira – Oitava da Páscoa

 

Disse-lhe Jesus:

- Maria!

Ela voltou-se e respondeu:

- Mestre!


O nome de alguém é como o azeite e as suas cinco propriedades, assim pregava Santo António de Lisboa:

- Sobrenada a todos os líquidos.

- Amolece as coisas duras.

- Dulcifica as ásperas.

- Ilumina as obscuras.

- Sacia os corpos.

 

Assim Maria Madalena ao ouvir o seu nome na boca de Jesus:

- Elevou-se acima de toda a realidade.

- Amoleceu o seu coração.

- Adocicou as suas lágrimas.

- Iluminou a sua vida.

- Saciou o seu espírito.

 

De imediato Maria chamou pelo nome de Jesus, seu Mestre:

- O nome de Jesus confirmado com fé fica acima de todos os nomes, de tudo e de todos.

- Pronunciado com carinho amolece os corações endurecidos pelo sofrimento.

- Invocado com esperança dulcifica as amarguras.

- Suspirado com ardor ilumina as trevas interiores.

- Abraçado com amor e fortaleza sacia todo o espírito.

 

Que o nosso nome e o dos nossos amigos seja como o azeite

já que o azeite é como o nosso nome.

 

Ver também:

O dia que o Senhor fez

 

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Ritmo frenético da Páscoa


2ª feira da Oitava Pascal

 

A Páscoa tem o seu ritmo acelerado.

A Páscoa é tempo de ação.

Que ninguém fique parado.

Como as santas mulheres, pés ao caminho!

Como Pedro e João, toca a correr!

Como os Apóstolos, regressar às origens, aos caminhos da Galileia.

Como os discípulos de Emaús partir imediatamente de regresso para anunciar.

Porque Cristo Ressuscitado vem ao nosso encontro.

Ele está vivo, nem a morte nos pode parar.

 

Não somos nós a marcar o ritmo da Páscoa.

A Páscoa é que marca o nosso ritmo.

 

Ver também:

Anúncio da Ressurreição

Nossa Senhora corre ao encontro de Jesus Ressuscitado.

É grande a sua alegria ao ver o Filho ressuscitado!

Isso acontece na ocasião da Páscoa, numa festividade na cidade italiana de Sulmona.

Quando ela avista Jesus ao longe, o seu manto negro de luto cai, e 12 pombas se põem a voar.

É uma tradição secular realizada pela irmandade de Santa Maria de Loreto

 

Clicar aqui para ver o video

 

domingo, 9 de abril de 2023

Da Páscoa anual à semanal


Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

A pedra do sepulcro foi rolada a fim de permitir que os discípulos entrassem, vissem e acreditassem e não para que Jesus saísse.

Entremos então e vejamos 2 conclusões:

 

1ª – Deus tem sempre a última palavra

Na Criação Deus tem a primeira palavra que é criadora.

Na Redenção Deus tem a última palavra que é libertadora.

Jesus ressuscitou como tinha dito.

A morte não é a última palavra, mas a Vida e a Ressurreição.

O mal, as acusações, os sofrimentos, os flagelos, a opressão, os abusos, as dores, o ódio ou a condenação não podem vencer, não podem ser a última palavra.

O amor, o bem, a vida, a paz, o perdão, a alegria e a ressurreição são os vencedores, porque a última palavra é sempre de Deus.

 

2ª – A missa é a renovação da Páscoa do Senhor

Celebrar a Missa é estar aos pés da Cruz e estar à porta do sepulcro vazio e encontrar-se com Cristo vivo e Ressuscitado.

É por isso que nós aclamamos: Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição.

Não nos contentemos em celebrar a Páscoa anual. Celebremos a Páscoa semanal que é a missa dominical, pois todas as vezes que celebramos a missa a Páscoa se renova, entramos na Páscoa e a Páscoa entra em nós.

Imagino o dia da vinda do Senhor:

- Vinde, benditos de meu Pai, porque tive fome e destes-me de comer… Vinde benditos porque anunciastes a minha morte e ressurreição.

Então eles perguntar-lhes-ão:

- Senhor, quando é que te fizemos isso?

- Em verdade vos digo… sempre que celebrastes a Eucaristia estivestes comigo junto à cruz.

E o mesmo Senhor dirá a outros:

- Afastai-vos de mim porque não vos aproximastes da minha cruz, paixão e ressurreição.

E eles também irão perguntar surpresos:

- Senhor, quando é que não fizemos isso?

- Sempre que deixastes de celebrar a eucaristia deixastes de estar comigo, na minha paixão, morte e ressurreição.

 

À margem:

- Qual é o acontecimento mais importante do mundo?

- É a Ressurreição de Cristo, pois se Ele está vivo então resta uma esperança para todo o mundo. É a vitória da vida.

- Mas isso é válido só para os cristãos, para os discípulos de Cristo. O resto da humanidade não dá importância a nada disso.

- Enganas-te. É a Ressurreição de Cristo, é o seu dia, o domingo, o Dia do Senhor e da sua ressurreição que marca o ritmo semanal da vida por todo o mundo.

Mesmo que o mundo não reconheça isso, toda a humanidade vive ao ritmo da Ressurreição de Cristo.

 

Ver também:

Páscoa é passagem

 

Nota final:

Ide depressa dizer aos discípulos:

Ele ressuscitou dos mortos

e vai diante de vós para a Galileia.

Lá O verão.

De facto, Cristo Ressuscitado

vai à nossa frente nos caminhos deste mundo.

 

 

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Olhar para o trespassado


Sexta-feira da Paixão do Senhor

 

Diz outro passo da Escritura:

Hão de olhar para aquele que trespassaram.

(Jo 19,37)

 

Olhar para a cruz

- O sr. Padre não imagina como é a cruz da minha vida. Ainda bem que você não se casou. O casamento é uma verdadeira cruz.

Fiquei com vontade de dizer que quando ela se casou já sabia que a vida teria luz e sombras, sol e trevas. É como o nosso dia aqui nos Açores, há momentos cinzentos e logo depois momentos luminosos, há sol, mas logo depois chuva.Por isso é que aceitou e prometeu viver assim na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da sua vida.

Mas optei por enquadrar de maneira mais global.

- Diga-me uma coisa. Quando você se casou, já havia nesta igreja esta via-sacra, estas cruzes?

- Sim já estavam cá.

- Mas nesse dia de alegria quando subiu solenemente ao altar para se casar você reparou nelas? Claro que não, nem as viu, mas estavam aqui. A cruz está sempre presente em todos os momentos da nossa vida.

Também quando fui ordenado padre nem reparei na via sacra que sempre esteve na igreja mas ela estava lá. De vez em quando ela sobressai.

O mesmo para uma criança quando é batizada, ou na festa da primeira comunhão, ela nem repara na via sacra do calvário, mas ela faz parte da nossa caminhada, assim como também quando um jovem é crismado, nem olha para a cruz, mas a cruz olha para ele.

Não há alegria ininterrupta, nem cruz ininterrupta. A cruz leva sempre à ressurreição, à plenitude de vida.

 

Hoje, sexta-feira santa é dia de ver, de reparar e contemplar as luzes e sombras da nossa vida, de olhar para a via-sacra, a nossa e a de Jesus.

 

Olhar para o alto

É dia de agradecer as nossas cruzes, agradecer a cruz de Cristo:

- porque é preciso subir ao alto para ver a realidade com os olhos de Deus.

- porque do alto do monte vê-se tudo diferente e melhor.

- porque para ver Jesus é preciso subir ao Calvário e olhar para a cruz

 

Ser olhado do alto

É preciso olhar para a cruz por tudo isso, mas acima de tudo olhemos para Cristo na Cruz para que ele olhe por nós.

Mais que olhar para ele, que nos lembremos que ele está a olhar para nós e por nós.

À margem

No final da celebração alguém veio corrigir-me:

- O Senhor Padre disse que devemos olhar para Jesus para que ele olhe por e para nós. Mas repare bem. Jesus está de cabeça inclinada, a olhar para o chão. Ele não está a olhar para nós.

- Estás enganado. Onde é que julgas estar? Tu, eu, nós estamos de rastos, estamos no chão, cá em baixo. É por isso que Jesus olha para o chão…


Trabalho para casa:

Procurar Jo 19,37 e fazer o que aí se manda fazer.

Ver também:

O trevo da Judeia

 

 

Lembranças de uma 5ª feira


Quinta-feira Santa

1ª – Eucaristia

O maior dom de Deus é o próprio Deus:

Tomai e comei, isto é o meu corpo.

Tomai e bebeu, isto é o meu sangue.

 

2ª – Sacerdócio

Cristo, sacerdote eterno, de braços abertos.

Cada sacerdote ao rezar de braços abertos está a estender o amor de Cristo:

Estende a todos os que Cristo alcança com os seus braços abertos na cruz.

 

3ª – Mandamento do amor e do serviço

Que o nosso amor seja a continuação do amor de Cristo.

 

“Se eu tivesse que escolher

uma relíquia da tua Paixão,

eu levaria apenas essa bacia

cheia de água suja.

Andaria pelo mundo com esse recipiente.

Dobar-me-ia com a toalha sobre cada pé

e inclinada, de olhos baixos,

nunca levantaria a cabeça

para não distinguir inimigos de amigos…

e lavaria os pés do vagabundo, do ateu,

do toxicodependente, do prisioneiro, do assassino,

de quem nunca me saúda,

daquele companheiro por quem não rezo.

Em silêncio…

até que todos entendessem.

no meu, o Teu amor." (Cf. Madeleine Delbrêl)

 

Ver também:

Ecos de uma 5ª feira