segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Que eu veja, Senhor!

2ª Feira - XXXIII Semana Comum

Não sei de quem é este texto que partilho hoje. É interessante e cada um poderá adaptá-lo consoante a sua situação existencial.

Senhor, que eu veja!

Senhor, lembro o cego que um dia te procurou.
Quando lhe perguntaste o que queria, ele respondeu:
- Senhor, que eu veja.
Repito o pedido:
- Senhor, que eu veja.

Quando há muito que fazer,
Senhor, que eu veja o que é mais importante e mais útil aos outros.

Quando tudo se torna escuro e sombrio,
Senhor, que eu veja a tua luz a me guiar.

Quando vários caminhos estão em minha frente,
Senhor, que eu veja aquele que tu queres que eu percorra.

Quando a dúvida me assaltar,
Senhor, que eu veja a tua verdade.

Quando eu andar apressado pela vida,
Senhor, que eu veja o irmão a mendigar um sorriso, uma saudação, um gesto de atenção.

Quando eu andar pelo campo afora,
Senhor, que eu veja a flor a admirar, o riacho a preservar, a natureza toda a defender.

Quando eu ouvir falar de greves,
Senhor, que eu veja a causa delas na organização injusta do sistema social.

Diante da propaganda e de certos programas dos Meios de Comunicação Social,
Senhor, que eu veja os falsos valores que se transmitem com a finalidade de destruir princípios humanos e cristãos.

Quando a doença bater, em mim ou nos meus familiares,
Senhor, que eu veja na cruz um sentido redentor para toda a dor humana.

Quando tudo me parecer negativo, triste e chato,
Senhor, que eu veja o lado bom da vida e me revista de um sadio optimismo.

Senhor, que eu veja sempre:
As crianças sorrindo,
Os idosos aceites e amparados
Os jovens idealistas e entusiastas
Os pobres promovidos e libertados
As famílias unidas.

Senhor, que eu não veja nunca:
Máquinas, caprichos e leis acima da pessoa.
A força das armas para estabelecer a ordem
Máscaras e mentiras na Igreja
Pobres morrendo de fome ao lado de supermercados
Milhões em festinhas e uns trocados para instituições de assistência.

Senhor, que eu veja como cego à beira do caminho.
Os homens parecem gostar de andar nas trevas.
Parece que gostam de ter as vistas cobertas e andar a esmo.
Não querem ver.
Esse também é o meu pecado: muitas vezes eu não quer ser.
Tenho medo que, enxergando, a minha vida tenha que ser mudada.

Senhor, eu te suplico:
- Abre os meus olhos!

Bartimeu

2ª Feira - XXXIII Semana Comum

Lc 18,35-43
Comentário feito por São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975)

- Ouvindo aquele grande vozear das pessoas, o cego perguntou: o que é isto? Responderam-lhe: é Jesus de Nazaré. Então inflamou-se-lhe tanto a alma, que gritou: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim.»
- Não te dá vontade de gritar, a ti que também estás parado na berma do caminho, desse caminho da vida que é tão curta; a ti, a quem faltam luzes; a ti, que necessitas de mais graça para procurares a santidade? Não sentes urgência em clamar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim»?
Que bela jaculatória para repetires com frequência!

- Repreendiam-no, mas o pobre Bartimeu não os ouvia e continuava ainda com mais força: «Filho de David, tem piedade de mim». O Senhor, que o ouviu desde o começo, deixou-o perseverar na sua oração.
- Contigo, procede da mesma maneira. Jesus apercebe-Se do primeiro apelo da nossa alma, mas espera. Quer que nos convençamos de que precisamos Dele; quer que Lhe roguemos, que sejamos perseverantes, como aquele cego que estava à beira do caminho de Jericó. Imitemo-lo. Ainda que Deus não nos conceda imediatamente o que Lhe pedimos e, apesar de muitos procurarem afastar-nos da oração, não cessemos de Lhe implorar.

domingo, 14 de novembro de 2010

Mundo Novo


Ano C - XXXIII Domingo Comum

Um dia, o discípulo perguntou ao seu mestre:
- Rabi, porque é que os bons sofrem tanto, enquanto os maus singram na vida?
O mestre começou por dizer:
- Um homem tinha duas vacas. Uma era robusta e a outra muito débil, uma estava bem, a outra estava mal. Em qual das duas meteu o jugo para transportar a sua carga?
- Certamente na que estava boa.
Concluiu então o mestre:
- Assim faz o Misericordioso, que Bendito seja Ele eternamente! Para levar adiante o mundo, Ele coloca o jugo sobre os bons.

Nesta perspectiva, o Evangelho oferece-nos uma reflexão sobre o percurso que a Igreja, comunidade dos fiéis, é chamada a fazer, até à segunda vinda de Jesus. A missão dos discípulos em caminhada histórica, é comprometer-se na transformação do mundo, de forma que a velha realidade desapareça e nasça o Reino. Esse caminho será percorrido no meio de dificuldades e perseguições, mas os discípulos terão sempre a ajuda e a força de Deus.

A Segunda Leitura reforça a ideia de que, enquanto esperamos a vida definitiva, não temos o direito de nos instalarmos na preguiça e no comodismo, alheando-nos das grandes questões do mundo e evitando dar o nosso contributo para a construção de um mundo novo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Síntese do Evangelho


O Pai Nosso de cada dia (115)

A oração do Senhor é realmente a síntese de todo o Evangelho; é o compêndio do Antigo e Novo Testamento.
Em quão poucas palavras estão compendiados os ditos dos Profetas, dos Evangelhos, dos Apóstolos; os discursos; as parábolas, os exemplos e os preceitos do Senhor; e, ao mesmo tempo, quantos nossos deveres são explanados:

Na invocação do Pai – a honra de Deus
No nome – o testemunho da fé
Na sua vontade – a oferta da obediência
No reino – a recordação da esperança
No pão – o pedido da vida
Na súplica do perdão – a confissão dos pecados
Na súplica de protecção – a preocupação das tentações.

Conscientes destas realidades, oremos tal como o Senhor nos ensinou: Pai Nosso…

(TERTULIANO, De Oratione, cap. 2.9: PL Vol I, Col. 1153-1165).

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Simplesmente Pai Nosso


O Pai Nosso de cada dia (114)

Propriamente, o Pai Nosso podia terminar na primeira palavra. O resultado das sete petições ou das outras setenta que poderiam seguir-se, já está assegurado. Que pode negar-nos quem nos concedeu o direito de lhe chamar Pai. Nós, porém, dizemos distraidamente Pai e logo ansiamos em pedir-lhe coisas. É como se alguém me trouxesse uma jóia e a nossa reacção fosse: dá-nos o papel que em a envolvê-la.
Toda a oração se resume nestas duas palavras: Pai Nosso.
Rezemos, reparando que tudo o mais poderia ser omitido, ou então tudo inclui estas palavras: Pai Nosso.
........................Pai Nosso
.... .... ...Que estais nos Céus
...............Santificado seja o vosso nome

.........Venha a nós
..................O vosso reino
..Seja feita a vossa vontade
....................Assim na terra
...........Como no céu

....................O Pão nosso
.............De cada dia
.............Nos dai hoje

.....Perdoai as nossas ofensas
......Assim como nós perdoamos
........A quem nos tem ofendido
.........E não nos deixeis cair em tentação
.. .Mas livrai-nos do mal

Semana dos Seminários


Carta do Papa Bento XVI aos Seminaristas

Reflexões para cada dia da Semana a partir da Carta do Papa Bento XVI aos Seminaristas, de 18 de Outubro de 2010.

1º Dia
O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal.

Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote católico. O subtenente replicou:
- Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres…
Hoje a situação é completamente diversa, porém mesmo nos nossos dias muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma profissão de futuro, antes pertenceria já ao passado.
Caros seminaristas, contrariando tais objecções e opiniões, vós decidistes-vos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus.
Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros.
Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir.
Uma pessoa não se torna sacerdote, sozinha. É necessária a comunidade dos discípulos. (Introdução)

2º Dia
Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um homem de Deus.

O elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens… Por isso é muito importante aprender a viver em permanente contacto com Deus.
Quando o Senhor fala em orar sempre naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contacto interior com Deus… É importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura… (nº 1)

3º Dia
O centro da nossa relação com Deus é a Eucaristia.

Para nós, Deus não é só uma palavra. Nos sacramentos, dá-se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas.
Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. (nº 2)

4º Dia
Importante é também o sacramento da Penitência.

Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade.
Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje.
Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar…
E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo. (nº 3)

5º Dia
A piedade popular é um grande património da Igreja

Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo.
É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. A piedade popular faz de nós mesmos povo de Deus. (nº 4)

6º Dia
O tempo no seminário é também e sobretudo tempo de estudo.

A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. Sem tal dimensão, a fé deixaria de ser ela mesma.
Adquirir a capacidade para dar respostas é uma das principais funções dos anos de Seminário. Estudai com empenho! É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. Poderá isto servir-me no futuro? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade…
Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia à comunidade viva da Igreja… (nº 5)

7º Dia
Os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana.

Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente íntegro.
Faz parte deste contexto também a integração da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade é um dom do Criador, mas também uma função que tem a ver com o desenvolvimento do próprio ser humano.
É um elemento essencial do nosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar com Ele. (nº 6)

8º Dia
O Seminário é uma escola de tolerância

É o período em que se aprende um com o outro e um do outro.
Hoje, muitas vezes a decisão para o sacerdócio desponta nas experiências de uma profissão secular já assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos… amadurece em encontros muito pessoais com a grandeza e a miséria do ser humano.
Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor.

Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à protecção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. (nº 7)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ao colo de Deus Pai

9 de Novembro
Festa da Dedicação da Basílica de Latrão

Basílica é o templo do Rei ou o rei dos templos.

A Irmã Mary Wilson dizia:
"Cultivaremos o espírito de oração, fazendo em nossos próprios corações uma cela onde possamos constantemente conversar com o nosso divino Esposo."


Uma vez perguntei aos alunos da Catequese se costumavam falar muitas vezes com o seu pai.
- Sim, bastante.
- E onde é que vocês acham que é o melhor lugar para falar com o pai?
- Em casa!
- À mesa!
- Ao seu colo, entre os seus braços!

Depois perguntei aos adultos:
- Onde será o melhor lugar para falar com Deus Pai?
- Na casa de Deus (Igreja)!
- À sua mesa (à volta do altar)!
- Entre os seus braços (envolvidos na sua intimidade e comunhão)!
E não pude deixar de perguntar se costumavam falar muito com o Pai do Céu.
- Nem por isso. Bem pouco.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A flor da mostarda

2ª Feira - XXXII Semana Comum

"Se tivésseis fé como um grão de mostarda..."

A Mostarda é classificada pelos botânicos como uma planta da família das CRUCÍFERAS.
Talvez este detalhe não desperte a nossa atenção, mas quem sabe se Jesus não a escolheu de propósito também por isso.
As crucíferas compreendem a família das plantas cuja flor tem uma corola caracterizada pela disposição das suas quatro pétalas em forma de CRUZ.
Este pormenor revela-nos algo abrangente: Deus semeou a sua única semente, pequena e humilde cá na terra, onde cresceu como uma planta vistosa, formando uma flor que morreu com morte de cruz para produzir frutos, e frutos em abundância.
Jesus ao falar da semente da mostarda estava a falar de si mesmo e da sua cruz para produzir em nós estes frutos em abundância.

domingo, 7 de novembro de 2010

Se digo Pai Nosso


O Pai Nosso de cada dia (113)

Vós, que não entendeis o breviário por ser em outra língua, rezai o rosário na vossa e vede se há palavras nas suas orações que da língua ao coração não excite ardentíssimos desejos!

Se digo – Pai nosso – esta palavra me excita a amar um Deus, que me criou e do nada me deu o ser que tenho, e a não degenerar de filho de tão soberano Pai.

Se digo – que estás nos céus – esta palavra me lembra que o Céu, e não a Terra, é a minha Pátria, e que viva na passagem deste mundo, como quem há-de viver lá eternamente.

Se digo – santificado seja o teu nome – esta palavra me ensina a veneração com que devo tomar na boca o nome de Deus, e a verdade com que, sendo necessário, hei-de jurar por ele.

Se digo – venha a nós o teu reino – esta palavra verdadeiramente saudosa me admoesta do fim para que fui criado e que se agora sirvo neste cativeiro entre os homens, é para depois reinar entre os anjos.

Se digo – seja feita a tua vontade assim na terra como no céu – esta palavra conforma a minha vontade com o divino, para que, querendo o que ele quer, tudo o que se faz ou sucede seja também o que eu quero.

Se digo – o pão nosso de cada dia nos dá hoje – nesta palavra me livro de todos os cuidados da vida e, com os seguros tesouros de não desejar o supérfluo, sou mais rico que todos os ambiciosos do mundo.

Se digo – perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos – com este pequeno cabedal de perder o pouco que me devem, pago as infinitas dívidas de quanto devo a Deus, pelo que dele recebi e o tenho ofendido.

Se digo – não nos deixes cair em tentação – nesta palavra reconheço, para a cautela, a própria fraqueza, e me ponho naquelas poderosas mãos de quem só me pode ter mão, para que não caia.

Se digo finalmente – mas livra-nos do mal – nesta última palavra confesso que muitos dos que tenho por bens, verdadeiramente são males, e que só me pode livrar deles quem só os antevê e combate.

(Pe. ANTÓNIO VIEIRA, Cf. Bíblica 92, 1970, página 288).

Todos Vivem


Ano C - XXXII Domingo Comum

Estava eu a falar aos meus alunos sobre a vida de santidade que consistia em fazer a vontade de Deus. Para concluir, pedi a alguém que me explicasse o que se devia fazer, em primeiro lugar, para ir para o céu. Querendo apenas brincar, ou fazer-se engraçado perante os colegas. Respondeu:
- Para ir para o céu, em primeiro lugar é preciso morrer!
Ele pensava que estava a gozar. Mas fiz-lhe ver que tinha toda a razão. É preciso morrer todos os dias, cortar com muita coisa. Ninguém pode ver a Deus e viver. Tem de morrer para si mesmo, aceitar a morte dos seus projectos, ideias etc. É preciso morrer para ser criaturas novas. Só viverá quem souber morrer.

Ao olhar à nossa volta, chegamos à conclusão que todos passam pela morte, isto é, todos vivem para morrer. Mas, quem tem fé, não vive apenas para morrer mas morre para viver. Só morrendo pode entrar na plenitude da vida.
Não há cristianismo sem ressurreição e não há vitória se não houver batalha.
A morte futura já a vivemos hoje, quando dizemos não a muita coisa, nas renúncias, opções etc. Do mesmo modo a ressurreição futura já a vivemos agora, contida em limites, que detêm o seu esplendor e plenitude. Na esperança já somos ressuscitados.
Em tudo o que vivemos e fazemos há um germe de morte e de ressurreição.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

As finanças de Jesus


6ª Feira - XXXI Semana Comum

Jesus não entendia nada de finanças nem de economia

- Jesus elogiou um administrador desonesto. Isto não é só não se importar com a corrupção, mas ainda mais grave é dar cobertura, proteger e defender os corruptos.
- Quis que fosse pago o mesmo salário a quem trabalho horas diferentes na vinha. Isto levaria à bancarrota qualquer empresa.
- Também não sabia a diferença entre as avultadas quantias de dinheiro e uma simples moeda da pobre viúva.
- Se Jesus fosse entendido em economia não teria entregado a bolsa do dinheiro a Judas Iscariotes.

Assim sendo, Jesus só podia viver na pobreza e em crise económica permanente.
Estes defeitos poderiam ter feito de Jesus um fracassado.
Por que é que ele assumiu estes defeitos?
Porque á AMOR.
O Amor autêntico não raciocina, não mede, não levanta barreiras, não calcula, não tem contabilidade organizada, nem medidas nem orçamentos.
São defeitos incorrigíveis. Só quem ama é capaz de os compreender.

Como dizia Santa Teresinha do Menino Jesus:
“Viver de amor é dar sem medida, sem nesta terra salário reclamar; sem fazer conta eu dou, pois convencida de que quem ama já não sabe calcular!”

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Rezai assim

O Pai Nosso de cada dia (112)

Pai nosso, que estais em toda a parte,
queremos que todos vos conheçam e amem.
Queremos viver nesse reino que prometeis
e que dia a dia preparamos com o nosso esforço:
Reino de iguais, de livres e de irmãos,
orientados pela vossa paz, a vossa luz, a vossa alegria.

Queremos repartir entre nós
o pão, as flores, o tempo, o trabalho.
E esperamos de vós o perdão necessário
para vivermos frente ao futuro.

Também nós queremos perdoar,
renovando este mundo estragado pelo ódio egoísta,
pela louca soberba e pela cega violência.
Convosco seremos libertos de todo o mal.
Assim seja!

Aos ombros do Pastor


5ª Feira - XXXI Semana Comum

As duas parábolas do Evangelho mostram precisamente o contrário daquilo que nós costumamos fazer:

Se uma ovelha nossa estivesse perdida, quando a encontrássemos nós puxaríamos pelas suas orelhas, daríamos uma repreensão, castigaríamos e fecharíamos no curral. Deus faz precisamente o contrário: afaga, carrega aos ombros, trata melhor do que se estivesse sempre no curral.

Também a segunda parábola, quando nós não sabemos onde está um determinado valor pensamos logo nos vizinhos ou desconfiamos que alguém o roubou ou mexeu sem a nossa autorização: chamamos logo os vizinhos para os incriminar.
Deus faz o contrário, procura, faz tudo o que está ao seu alcance até encontrar e depois vai chamar os amigos para partilhar a alegria do achado.

Isto faz-me lembrar uma parábola moderna sobre o ombros e a sua importância.
É que Deus carrega-nos aos seus ombros como ovelhas perdidas e reencontradas:


Quando eu era menino e moço, a minha mãe perguntou-me qual era a parte mais importante do corpo. Eu achava que o som era muito importante para nós, seres humanos, por isso respondi:
- Os ouvidos, mãe.
Ela corrigiu:
- Não. Muitas pessoas são surdas. Mas continua a pensar sobre este assunto. Noutra oportunidade volto a perguntar-te.
Algum tempo se passou, até que a minha mãe me perguntou outra vez. Desde que fiz a minha primeira tentativa, imaginava ter encontrado a resposta correcta. Assim, desta vez, eu disse:
- Mãe, a visão é muito importante para todos, por isso devem ser os olhos.
Ela olhou-me e disse:
- Estás a aprender depressa, mas a resposta ainda não está certa, porque há muitas pessoas que são cegas.
Continuei a minha busca ao longo do tempo e a minha mãe perguntou-me várias vezes, mas era sempre a mesma a conclusão:
- Não. Ainda não chegaste à resposta perfeita.
Então, um dia, o meu avô faleceu. Todos estavam tristes. Todos choravam. Até mesmo o meu pai chorou.
Lembro-me bem, porque tinha sido apenas a segunda vez que eu o via chorar.
A minha mãe olhou para mim, quando fui dar o adeus final ao meu avô. Ela perguntou:
- Já sabes qual é a parte do corpo mais importante?
Fiquei meio chocado por ela me fazer a pergunta naquele momento. Estava convencido de que se tratava apenas de um jogo entre nós. Vendo que eu estava confuso ela continuou:
- Esta pergunta é muito importante. Mostra como estás a viver realmente a tua vida. Para cada parte do corpo que citaste no passado, eu disse-te que estava errada e dei-te um exemplo que justificava. Mas hoje é o dia em que precisas de aprender esta importante lição.
Olhou-me de um jeito que somente uma mãe pode ter. Vi lágrimas nos seus olhos. Disse:
- Meu filho, a parte do corpo mais importante é o ombro.
Eu perguntei:
- Sim, porque sustenta a minha cabeça?
Ela corrigiu-me:
- Não. Porque no ombro, um filho, um amigo ou alguém que ama, pode apoiar a cabeça quando chora.
Então, apoiei a minha cabeça no ombro de minha mãe, e chorei...

Esta história não é minha, mas posso rever-me nela perfeitamente.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Que ousadia Pai Nosso


O Pai Nosso de cada dia (111)

Pai Nosso
Que ousadia! Não ouso chamar Pai as pessoa de alta categoria, mas posso chamar Pai ao próprio Deus. Digo NOSSO e não MEU, porque rezo no Mundo, com o Mundo, para o Mundo.

Que estais nos céus
Ele não é de longe, não mora longe… Ele está no Céu; o Céu é onde Ele está… Se está no meu coração, lá é Céu… O Céu começou para mim, quando comecei a amá-lo…

Santificado seja o vosso nome
A glória do Pai é a glória dos filhos. É meu trabalho que pode tornar santificado o nome de nosso Pai. É minha dedicação aos irmãos que pode tornar santificado o nome do nosso Pai.

Venha a nós o vosso reino
O reino de Deus é o último lugar que escolhemos: somos competitivos demais. Deixemos o melhor lugar para os outros, porque aceitar o reino de Deus é lutar pela sua implantação em nós, nos outros, no mundo.

Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu
A vontade de um Pai é que um filho seja feliz, Deus só pode querer a nossa felicidade, porque Ele é bondade. Deus serve-se dos nossos actos livres para construir a nossa felicidade. É esta a única maneira de fazer a vontade de Deus.

O pão nosso de cada dia
Se o Pai é nosso, o pão é nosso. Não há muita gente sem pão; há aqueles cujo pão os outros retêm. Há a falta de amor que retém o pão em casa de quem já o tem, vindo a faltar aos outros. Não há pão meu, como não Pai meu.

O pão nosso nos dai hoje
O pão de cada dia nos liga ao Pai, cada dia. O pão de sempre me desligaria da família orante. Pedir o pão de hoje me afasta da tentação de amontoar riquezas ou recursos a pretexto de ter sempre pão. Devo confiar no Pai e esperar dele o pão de cada HOJE. Assim vou multiplicando os actos de amor.

Perdoai as nossas ofensas
Quando o Pai me perdoa, não esquece a minha ofensa: transforma-a em elementos de amor. O Pai nunca perde a confiança em nós: Não percamos a confiança no seu amor.

Perdoai-nos como nós perdoamos
O nosso Pai sempre quer perdoar, mas nem sempre pode perdoar; depende de nós. Ele só nos pode perdoar nossas ofensas, se nós perdoamos a quem nos ofendeu. Posso deter o perdão do Pai. Perdoar sem amar é humilhar. Pedir perdão sem amar é ludibriar.

Não nos deixeis cair em tentação
Cair na tentação pode servir de advertência. A maior tentação é não querer reerguer-se da queda; é não acreditar no perdão, na regeneração. Isto pode também significar: ‘não nos deixeis ficar caídos’.

Mas livrai-nos do mal
Livrai-nos do mal… Guardai-nos no bem… Deixai-nos livres… Só há mérito onde há liberdade… Mal e Bem, alternativas livres.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Quanto falta ainda?

O Pai Nosso de cada dia (110)

Pai Nosso que estás connosco,
quanto falta ainda
para que o teu nome seja conhecido e louvado
por todos os homens, meus irmãos?

Quanto falta ainda
para que chegue a nós o teu reino
de justiça, amor e paz?

Quanto falta ainda
para que todos façamos o que tu queres;
para que todos amemos esta terra
como um dia amaremos o céu?

Pai, dá-nos o pão de cada dia.
Que não falte o pão em nenhuma mesa,
nem o grão nos campos de trigo,
nem a saúde a quem o semeia
e o prepara para nós.

Que não falte o pão da tua palavra
nem o da eucaristia.

Pai, que ninguém caia em tentação,
e livra-nos a todos do mal.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Todos os Santos

Dia de todos os santos

3 perguntas:
1 - O que é ser santo?
2 - Como ser santo?
3 - Onde ser santo?

1 - Ser santo é ser feliz ou bem-avenurado
e ser feliz é ser santo, pois ninguém é realmente feliz se não for santo.

2. Ser santo é estar em paz consigo mesmo, com Deus, cos os outros e com toda a criação. É este o dia de São Nunca, pois quando não queríamos pagar algo dizíamos que esperasse pelo dia de sã Nunca. Como no calendário dos santos não havia o nome desse santo estão estávamos dispensados desse pagamento. Mas hoje, dia de todos os santos é dia também de São Nunca. Pequemos todas as nossas dívidas, respindamos a todos os nossos comprimissos, assumamos todas as nossas promessas, cumpramos todos os nossos proósitos.
Para ser santo é preciso ter todas as suas contas em dia.

3. Onde ser santo? Aqui, onde Deus nos plantou é aí que devemos florir. Não podemos arranjar a desculpa de que o ambiente não nos favorece, que lá seria melhor, ou com outra companhia conseguiria ser mais santo. É aqui que Deus me plantou e é aqui que deve florir e dar frutos de santidade.
Efeméride: a 1 de Novembro de 1911 Mary Jane Wilson, a Irmão São Francisco chegou à Madeira depois de cerca de um ano de deportação por causa das novas leis da República. Aqui foi a terra onde ela se tornou santa.

Quando... ensina-me a rezar

O Pai Nosso de cada dia (109)

Quando… ensina-me a rezar!

Quando eu estiver só,
Perdido no meio da multidão,
Que eu diga:
Pai Nosso que estais nos Céus.

Quando tudo for negro à minha volta,
Nos momentos de desânimo e incerteza,
Que eu diga:
Santificado seja o vosso nome.

Quando me sentir ultrajado e humilhado,
Quando for perseguido e destronado,
Que eu diga:
Venha a nós o vosso reino.

Quando for tocado pelo orgulho
E me fizer mais do que aquilo que sou,
Que eu diga:
Seja feita a vossa vontade
Assim na terra como no céu.

Quando atravessar o deserto estéril,
Quando desfalecer sem razões de viver,
Que eu diga:
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Quando me sentir ofendido
E injustamente maltratado,
Quando a ira me invadir
E o ódio me vencer,
Que eu diga:
Perdoai as nossas ofensas
Assim como nós perdoamos
A quem nos tem ofendido.

Quando fizer do prazer um direito
E do ódio uma desculpa,
Que eu diga:
Não nos deixeis cair em tentação,
Mas livrai-nos do mal.

sábado, 30 de outubro de 2010

Ver e ser visto


Ano C - XXXI Domingo Comum

Uma senhora, com uma forte depressão, quis falar comigo depois da missa.
- Senhor Padre, eu acho que não tenho fé. Não consigo rezar. Conheço poucas coisas acerca de Deus…
Olhei para o relógio. Não tinha muito tempo para ouvi-la, mas ela continuou:
- Deus é um ilustre desconhecido para mim. Que devo fazer?
- Se acha que não gosta de Deus, Deus nunca deixou de gostar de si. Ele conhece-a bem e tem muita coisa para lhe falar.
Milagre santo: a mulher não disse mais nada e foi-se embora repetindo toda satisfeita: Deus conhece-me. Ele gosta de mim…

Recordo este episódio verídico ao reler a experiência de Zaqueu.
Também Zaqueu queria conhecer a Deus, mas tinha dificuldades. Lucas sinaliza duas: a multidão e a sua baixa estatura. A primeira simboliza os problemas exteriores, condicionamentos sociais, culturais etc. que não dependem de nós, mas fruto das circunstâncias, da família, da comunidade, da Igreja. A baixa estatura significa os problemas pessoais, as nossas mágoas, traumas, experiências negativas do passado, ressentimentos, falhas.
Ao saber que Jesus conhecia o seu nome e queria hospedar-se em sua casa, sentiu-se valorizado. Foi a cura do seu coração que fez ultrapassar as suas dificuldades.
Só os puros de coração verão a Deus.

Protesto ao Pai Nosso

O Pai Nosso de cada dia (108)

Velho nosso,
Para mim dá tudo na mesma
se tu estás lá em cima no céu.

Tu só poderias ficar aborrecido
porque os cristãos usam
o nome por camuflagem.

Seria melhor que tu desistisses
de fazer vir outra vez o teu reino.
Ele não vai ter chance;
eles não te deixarão intervir.

A tua vontade…
No céu, vá lá!
Dá na mesma para mim.
Não posso imaginar
que, aqui entre nós, algo vá mudar,
pois aqui cada qual faz
o que lhe dá na veneta.

Pão…
Isso é importante.
Já chegamos lá.
A outros ronca ainda o estômago.
Se puderes ajudar,
vá lá!

Culpa?
Tudo bem.
Aí há pílulas amargas
que a gente põe aos pedaços na sopa
e depois tem de comer às colheradas.
E quem vai comer os pedaços dos outros?

Tu aí,
a maldade dos outros,
essa conheço bem.
Isso, posso dizer para ti:
Aí preciso de redenção.
Mas,
como queres fazer isso
lá do alto…

Assim é a coisa.
Os outros…
Eles depois dizem
Ámen.

(Cf. PETER GLEISS, citado por A. Lapple, Poder de novo rezar, Ed. Paulinas, São Paulo , 1983, páginas 54-55)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Pois eu rezo o Pai Nosso

O Pai Nosso de cada dia (107)

Se os amigos me deixarem
Em caminhos de miséria e orfandade,
Nada temo porque o Pai está comigo,
Pois eu rezo:
Pai Nosso que estais nos céus
Santificado seja o vosso nome.

Se me envolve a noite escura
E caminho sobre abismos de amargura,
Nada temo porque a luz está comigo,
Pois eu rezo:
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade
Assim na terra como no céu.

Se me perco no deserto
E de sede me consumo e desfaleço,
Nada temo porque a fonte está comigo,
Pois eu rezo:
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Se os descrentes me insultarem
E se os ímpios mortalmente me odiarem,
Nada temo porque a vida está comigo,
Pois eu rezo:
Perdoai as nossas ofensas
Assim como nós perdoamos
A quem nos tem ofendido.

Se me colhe a tempestade
E Jesus vai a dormir na minha barca,
Nada temo porque a paz está comigo,
Pois eu rezo:
Não nos deixeis cair em tentação
Mas livrai-nos do mal.