segunda-feira, 9 de julho de 2018

Coragem e fé


2ª feira – XIV semana comum

Não há fé sem coragem e não há coragem sem fé.

Coragem, minha filha, a tua fé te salvou!

Coragem
Coragem, minha filha.
Foi preciso coragem para aquela mulher enfrentar a multidão, ir até Jesus e tocar-lhe no manto.
Jesus valorizou isso e pediu-lhe também coragem para continuar essa vida de fé.
Etimologicamente CORAGEM compõe-se de COR = Coração e ATICUM= ação.
Coragem é assim uma ação do coração ou o coração em ação.
Entre os judeus os fímbrias ou as franjas eram obrigatória e tinham significado religioso: Lembrar os 10 mandamentos, evitar que seguissem as inclinações pagãs, elevar o pensamento até Deus.
A mulher tocou na franja do manto de Jesus, isto é, aceitava os seus mandamentos, confiava nele, aceitava-o como Messias.
Era preciso coragem para chegar a isso e a continuar a viver assim.
É caso para dizer: Vai aonde te leva o coração. (Não tem nada a ver com o belo livro de Susanna Tamaro).

A tua fé te salvou.
- Quem não tem fé não quer salvar-se
- Quem não tem fé não tem horizontes.
- Quem não tem fé não sabe para onde ir.
- Quem não tem fé não tem a quem recorrer, vive isolado.
- Quem não tem fé não tem coragem, não põe o coração em ação.
- Quem não tem fé caminha num beco sem saída.
- Quem não tem fé vai da vida para a morte e não da morte para a vida (tal como aquela mulher que tinha um fluxo de sangue, isto é, estava a morrer pouco a pouco, pois perdia sangue, perdia vida…)

É preciso coragem e fé.
É preciso coragem para acreditar e acreditar para ter coragem.



domingo, 8 de julho de 2018

Nobel da Paz


















Nem sempre temos a oportunidade de receber em nossa casa um Nobel da Paz durante 5 dias.
Nunca me senti tão perto de um Nobel da Paz ou nunca um Nobel da Paz esteve tão perto de mim…























D. Ximenes Belo, Bispo Emérito de Díli (Timor Leste) e Prémio Nobel da Paz 1996, a convite da Câmara Municipal de Ponta Delgada para participar nas Festas do Divino Espírito Santo, ficou hospedado na nossa casa.


















Obrigado pela sua presença, oração, testemunho, amizade e simpatia.

















Que a paz seja uma realidade cada vez mais presente em todo o mundo, como um seu Nobel esteve tão perto de nós!



terça-feira, 3 de julho de 2018

A lança e o esquadro


Festa de São Tomé, Apóstolo

tsunami de dezembro de 2004 devastou a região de Malabar onde se encontra o templo que guarda as supostas relíquias de São Tomé. Todas as construções à sua volta não resistiram às ondas gigantescas exceto a igreja de São Tomé que permaneceu intacta.
A tradição afirmava que um poste fixado pelo apóstolo limitaria até o fim dos tempos as águas que jamais o ultrapassariam. Ainda hoje podemos ver este poste exatamente na porta principal da igreja das suas relíquias. Os sacerdotes hindus ficaram surpreendidos e prometeram não mais perseguir e discriminar os devotos deste Apóstolo das Índias.
Ainda hoje há quem precise de ver para crer e de crer para ver.






















Na iconografia cristã distinguimos São Tomé pela lança e pelo esquadro. Lança com a qual foi martirizado pelos hindus e esquadro com o qual edificou muitos templos, muitas igrejas vivas.
Ainda hoje precisamos destes dois instrumentos de São Tomé. Da lança para nos levar a consagrar ao mesmo Deus e Senhor. E do esquadro para continuarmos a edificar comunidades, templos vivos do Altíssimo, elevando postes ou barreiras a tudo o que é invasão e destruição da nossa fé.


segunda-feira, 2 de julho de 2018

O Principezinho e a raposa


2ª feira – XIII semana comum

- Mestre, seguir-te-ei para onde fores.
- As raposas têm as suas tocas, mas eu não tenho onde reclinar a cabeça… disse-lhe Jesus.


















Alguém queria seguir Jesus.
Seguir Jesus é querer ser como ele.
Quem é Jesus?
Jesus não é como uma raposa que tem a sua toca.

Jesus:
- Não tem onde descansar (trabalha sempre sem parar).
- Não tem onde se esconder com astúcia (é a verdade total).
- Não se apoia no que é terreno (é do céu).
- Nada tem de seu (é pobre e humilde),
- É cidadão do mundo (é de todos e de todo o lugar).

Jesus é o verdadeiro principezinho…



sábado, 30 de junho de 2018

Jovem, levanta-te

Ano B – XIII domingo comum

Jesus diz – jovem, levanta-te! Talitha kum! (em aramaico)
O ser humano é o único a poder andar ereto, isto é, de pé, na vertical. Todas outras criaturas que se deslocam, fazem-no na horizontal.
Ao dizer levanta-te, Jesus está lembrar que o homem deve ser homem… deve fazer aquilo que lhe é próprio, viver na verticalidade, na dignidade da sua condição.
Levanta-te, não desistas! Não comeces a desistir, nem desistas de começar.
Talitha kum, jovem levanta-te, homens sedes homens, gente sede gente.
Há também quem queria traduzir como acordar. Assim, jovem levanta-te, quer dizer, jovem acorda, desperta, deixa o teu leito de comodismo ou de jazer. Deixa a cama e caminha, vai em frente.


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Gravar sobre a rocha

5ª feira – XII semana comum

Peço licença a Jesus para adaptar a sua parábola.
Em vez de edificar sobre a areia ou sobre a rocha, prefiro mudar para escrever sobre a areia ou sobre a rocha.

Diz uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e num determinado ponto da viagem discutiram violentamente.
O amigo ofendido, sem nada dizer, escreveu na areia:
AQUI O MEU MELHOR AMIGO BATEU-ME NO ROSTO.
Seguiram a viagem em silêncio e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se.
O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se e foi corajosamente salvo pelo amigo.
Ao recuperar-se pegou um estilete e escreveu numa pedra:
AQUI O MEU MELHOR AMIGO SALVOU-ME A VIDA.
Intrigado, o amigo perguntou:
- Por que escreveste na areia quando te bati e agora que te salvei, escreveste na pedra?
Sorrindo, o outro respondeu:
- Quando alguém nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar. Porém quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória e do coração onde perdurará para sempre.

Assim cada um deve escrever as ofensas na areia e os benefícios na rocha.
Às vezes fazemos o contrário… e tudo fica estragado, pois valorizamos o secundário e desvalorizamos o principal.
O que é essencial deve ser gravado para sempre sobre a rocha firme.
Tudo o que é efémero ou passageiro basta ser escrito sobre a areia…
Na areia o acidental, sobre a rocha o essencial.

Hoje quero rever o que tenho escrito na areia ou tenho gravado na rocha e corrigir antes que seja tarde.


quarta-feira, 27 de junho de 2018

Três efes


4ª feira – XII semana comum

Mesmo à distância podemos identificar uma espécie de árvore.
E se virmos melhor a sua folhagem e as flores, com certeza acertamos a sua identificação.
Esta classificação é limitada.
Nós sabemos a espécie, o nome, os frutos, mas não saberemos da qualidade dos seus frutos se não os experimentarmos.
É pelo fruto que se conhece a qualidade de uma árvore.

Também nós temos folhas, flores e frutos.
Também nos damos a conhecer através destes 3 efes:
Folhas – falas (palavras)
Flores – fotografia (imagem, boas intenções, promessas)
Frutos – feitos (obras, gestos, exemplo, vida)

Não basta falar, não chega uma boa intenção, é preciso mostrar com obras o que somos, pois é pelos frutos que nos damos a conhecer verdadeiramente.
Ou seja, não vale a pena esconder-se atrás das palavras ou das boas intenções, pois Deus conhece-nos simplesmente através do que fazemos.



terça-feira, 26 de junho de 2018

Caminho apertado























3ª feira – XII semana comum

“Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida…”

Ser estreita não é uma qualificação de grandeza, mas de qualidade.
A porta é chamada estreita não por ser reduzida, mas por ser de grande dificuldade. E o caminho é apertado por ser doloroso.

“Os caminhos do Senhor não são confortáveis, são sim estreitos e pedregosos… mas nós não somos criados para o conforto, mas para as coisas grandes, para o bem.” (cf. Bento XVI, 25/04/2005)
















Aqui nos Açores uma canada é um caminho em forma de canal… passagem entre duas altas paredes pouco distantes.

Se Jesus tivesse dito este discurso do Evangelho de hoje aqui nos Açores diria:
Esforçai-vos por seguir pela canada que leva à vida, pois espaçosa é a avenida que leva à perdição e muitos são os que seguem por aí.



segunda-feira, 25 de junho de 2018

Sermão visual


2ª feira – XII semana comum

Limpa primeiro a sujidade que há em ti
e terás melhores condições para corrigir o teu irmão.





















Desenho de uloplaci10

domingo, 24 de junho de 2018

Quem será este menino?


Natividade de João Baptista 

Quem virá a ser este menino?
Assim perguntavam os judeus aquando do nascimento de João Baptista.
A resposta que eles não sabiam, sabemo-la nós.

Quem veio a ser João Baptista?
- A voz que clama no deserto – assim se autodefiniu João. Ele emprestou a sua voz à Palavra de Deus. Voz que convida à conversão.
Também eu sou chamado a ser voz para anunciar a mesma Palavra.
- O Precursor – aquele que foi à frente a preparar os Caminhos do Senhor.
Ele foi o precursor para eu ser seguidor. Ele foi à frente de Jesus para que eu possa ir atrás de Cristo.
- O Ponteiro de Deus – João apontou para Jesus e dizendo “Eis o Cordeiros de Deus”.
Também eu devo apontar para o alto em tudo aquilo que digo e faço.
- O maior e o mais humilde – Entre os filhos de mulher não houve ninguém maior que João… É bom que Jesus cresça e que eu diminua.
Também eu sou chamado a ser humilde. Só é grande quem for humilde aos olhos de Deus.
- O Baptista – João administrou um batismo de conversão. Ele batizava os convertidos para me lembrar que eu devo converter o batizado. Que eu seja fiel aos meus compromissos batismais.




quinta-feira, 21 de junho de 2018

Poucas palavras e muito devagar


5ª feira – XI semana comum

Às vezes tenho a impressão que nós, cristãos, desvirtuamos os ensinamentos de Jesus.
No trecho do Evangelho de hoje Jesus aconselha a usar poucas palavras na nossa oração… e nós o que fazemos?
Repetimos vezes sem conta essas poucas palavras… de modo que a nossa oração transforma-se numa longa sucessão de palavras.
Jesus quer que a nossa oração seja breve de palavras porque a oração deve ser mais uma questão de atitude e não de palavras. A oração deve brotar mais do coração do que da boca.

Hoje quero compreender que não basta dizer ou repetir as breves palavras do Pai Nosso… É preciso dizê-las muito devagar.

Santa Teresinha do Menino Jesus praticava perfeitamente o ensinamento de Jesus:
“Algumas vezes quando o meu espírito está numa secura tão grande que me é impossível arrancar-lhe algum pensamento para me unir a Deus, recito muito devagarinho um Pai-Nosso e depois a saudação angélica. Então essas orações encantam-me, alimentam muito mais a minha alma do que se as tivesse recitado precipitadamente uma centena de vezes.”




sábado, 16 de junho de 2018

Da semeadura à colheita


Da semeadura à colheita

Ano B – XI domingo comum

“O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra.
Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como.
A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga.
E quando o trigo permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita.”

















Lembra-te – tu só plantas a semente. O crescimento é Deus que faz.
Um planta, outro faz crescer, outro ceifa e todos beneficiam.



quinta-feira, 14 de junho de 2018

Reconciliar-se primeiro


5ª feira – X semana comum

“Se fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coia contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta.”























Jesus chama a atenção que diante do altar é preciso ter o cuidado de saber o que se oferece, como se oferece e com quem se oferece.

O quê se oferece
- Porque mais importante do que a tua oferta é o teu coração reconciliado e em paz.

Como se oferece
- Porque quem não perdoa é que é o prisioneiro. Liberta as tuas mãos perdoando ao teu irmão e as tuas mãos ficarão libertas e livres para o resto.

- Com quem se oferece
Porque já não irás sozinho apresentar a tua oferta, mas irás acompanhado com o teu irmão com quem te reconciliaste e a oferta será dos dois.




segunda-feira, 11 de junho de 2018

Proclamar que o Reino está próximo


Festa do Apóstolo São Barnabé

Jesus envia os seus discípulos a proclamar que o Reino dos Céus está próximo.
Não os envia a proclamar o Reino, mas a sua proximidade, por dois motivos:
Primeiro, porque é o próprio Jesus quem deve proclamar a presença do Reino, isto é, marcar a sua própria presença.
Segundo, porque tal como não podemos olhar diretamente para o sol, pois ficaríamos encadeados, não podemos ver diretamente a Deus, mas apenas olhar o que ele ilumina.

Como é que os apóstolos proclamam essa proximidade?
Através das obras.
Se não nos é possível ver o Reino em pessoa, podemos, vê-lo nos seus servos. Ao observar como eles fazem maravilhas, ficamos certos de que Deus habita neles.
Tal como não podemos olhar diretamente para o sol que está a nascer com todo o seu brilho, mas olhando para as montanhas iluminadas pelo sol percebemos que ele já se levantou.
Do mesmo modo, já que não podemos ver diretamente o Sol da Justiça, olhemos para as montanhas que a sua claridade ilumina, isto é, os santos apóstolos que brilham pelas suas virtudes, que resplandecem pelos seus milagres, que contagiam com a sua alegria e com serviço apostólico.

Só Deus manifesta a sua presença entre nós, mas os apóstolos de ontem, de hoje e de sempre, mostram os efeitos dessa presença neste mundo.

À margem
- O seu nome próprio era José… mas todos lhe chamavam Barnabé, isto é, Filho da Consolação pelo cuidado que prestava aos pobres e perseguidos. Tinha um porte imponente, de modo que associavam a sua figura a Zeus, pai dos deuses. Era humilde e clemente.
- Morreu na Ilha de Chipre, vítima do fanatismo religioso dos judeus que o lapidaram. O seu corpo foi encontrado por baixo das pedras, com as mãos a apertarem contra o peito uma cópia do Evangelho segundo Mateus, que ele copiado por ele mesmo.