terça-feira, 29 de março de 2011

Amigo, servo e santo

3ª Feira - III Semana da Quaresma

Na 1ª Leitura são recordados a Deus os 3 patriarcas: Abraão seu amigo, Isaac seu servo e Israel seu santo.

Para além de ser uma referência a 3 personalidades, nós podemos uni-las numa única entidade, como se fossem uma pessoa colectiva. Assim, essa pessoa apresentava 3 qualidades distintas. Mas podemos aplicar melhor - a ordem com que nos são apresentados é muito significativa. Primeiro amigo, depois servo e por fim santo. Se fores bom amigo, com certeza serás um bom servo e chegarás a santo.

Peço a Deus que me conceda estas virtudes por esta ordem bíblica: se amigo para ser bom servo e chegar a ser santo!

sábado, 26 de março de 2011

Água Viva

Ano A - III Domingo da Quaresma

- Senhor Padre, qual é a diferença entre a água benta e a água normal?
- A água benta é água normal que recebeu uma benção. É símbolo de Cristo que se apresentou como fonte de água viva.
- E o que é água viva?
- Então tu não sabes? – atalhou um seu colega – Quando a água está a mexer-se nós dizemos que ela está viva. Não é assim, Senhor Padre?
- É pois! - Respondi pensativo. É Cristo que se mexe e que põe-nos a mexer também, e nos faz renascer e reviver. Jesus é a água que corre para a eternidade.
Entre os gregos, as fontes eram divindades veneradas como doadoras da fertilidade, protectoras do casamento. A Bíblia vê nelas a figura da vida eterna que jamais seca, mas também expressão do renascimento baptismal. Tanto pode ser criativa como destrutiva, conforme o simbolismo pascal do morrer e ressuscitar.

No diálogo com a Samaritana, junto ao poço de Jacob, Jesus apresenta-se como fonte de água que jorra para a eternidade. É como a água que vem do alto, lembrando-nos que é divino. Reparte-se em mil gotas, sem perder a sua identidade e para se fazer chegar a todos. Transforma-se em seiva viva de cada um, é fonte de energia e sinal de purificação.
A iconografia cristã representa essa fonte divina no coração trespassado de Jesus, derramando o seu amor para saciar a nossa sede de salvação.
Todos nós bebemos desta fonte viva. Não podemos estagnar.


quinta-feira, 24 de março de 2011

O fardo da pobreza e o da riqueza

5ª Feira - II Domingo da Quaresma

Hoje ao contempar a pobreza de Lázaro e a riqueza do rico Epulão podemos aplicar uma reflexão de Santo Agostinho:

A pobreza é o fardo de alguns,
e a riqueza é o fardo de outros, e talvez o maior.
Fardos que podem pesar-lhes para a sua perdição.

Ajuda o teu próximo a levar o seu fardo de pobreza
e deixa que ele te ajude a levar o teu fardo de riqueza.
Aliviarás a tua carga
aliviando a dele.

Todos somos ricos nalguma coisa e pobres noutras,
ricos em capacidades, ou pobres em iniciativas...
às vezes somos Lázaros, outras vezes Epulões!
Ajudemo-nos então mutuamente a levar esses fardos....

quarta-feira, 23 de março de 2011

Vamos subir a Jerusalém


4ª Feira - II Semana da Quaresma

Um corpo, pelo seu peso, tende para o seu lugar próprio; o peso não significa necessariamente ir para baixo, mas para o lugar próprio de cada coisa. O fogo tende para cima, a pedra para baixo, cada coisa para o seu lugar próprio; o óleo sobe para cima da água, a água desce para baixo do óleo. Se uma coisa não está no seu lugar, não está em repouso; mas, quando encontra o seu lugar, fica em repouso.
O meu peso é o meu amor: é ele que me leva para onde me leva.
O Teu dom, ó Deus, inflama-nos e leva-nos para cima; ele abrasa-nos e nós partimos. O Teu fogo, o Teu fogo bom, faz-nos arder e nós vamos, subimos para a paz da Jerusalém celeste – porque encontrei a minha alegria quando me disseram: «Vamos para a casa do Senhor!» (Sl 121, 1). É para aí que a boa vontade nos conduz por ser o nosso lugar, aí onde não desejaremos mais nada do que assim permanecer para toda a eternidade: Deus connosco e nós com Deus!

Santo Agostinho (354-430), Bispo (África do Norte) e Doutor da Igreja Confissões, XIII, 9

domingo, 20 de março de 2011

Retirar-se para transfigurar-se


Ano A - II Domingo Quaresma

Mt 17, 1-9
“Jesus tomou conSigo Pedro, Tiago e João
e levou-os, em particular,
a um alto monte
e transfigurou-Se diante deles”.

Após três anos de seguimento de Cristo, os apóstolos encontravam-se ainda impermeáveis à sua mensagem. Quanto mais sermões escutavam menos se impressionavam. Viam tantas boas obras, mas não se sentiam contagiados.
Então Jesus julgou impossível continuar assim. Tomou alguns discípulos à parte, levou-os para longe das multidões, no meio das quais se julgavam importantes. Conduziu-os para um lugar retirado, para um sítio calmo e solitário. Lá se acalmaram, se recolheram e começaram a ver claro. Despojaram-se das suas ambições e a sós com Jesus, sentiram a radiação da sua influência. Tornaram-se atentos, começaram a escutá-l’O como nunca tinham feito e a sentir a sua presença como nunca tinham notado.
Os discípulos sentiram-se então tão bem que desejaram aí ficar para sempre. Era bom ficar por ali e instalar a sua tenda. Não tinham sido grandes entusiastas da subida, mas notaram que a estadia fora muito curta. Queriam prolongá-la. Tinham gostado do retiro.

O tempo da Quaresma é a oportunidade para cada cristão sair da rotina, converter-se, renovar-se, isto é, mudar de vida. Para isso é preciso passar pelo deserto, retirar-se para se encontrar consigo mesmo e estar em condições de se aproximar dos outros e do Outro, de Deus. Onde quer que esteja, pode fazer o seu retiro ou caminhada quaresmal para chegar à glória da Ressurreição e deixar-se envolver por essa vida nova.

E como é que hoje se pode fazer retiro?
Vive-se um retiro da mesma forma que se escreve.
Retiro escreve-se assim:

R
de Recolhimento
E de Escuta
T de Transformação
I de Igreja
R de Reflexão
O de Oração.

sábado, 19 de março de 2011

Ser Transfigurado


Ano A - II Domingo Quaresma

Um dia, uma velhinha deu por falta do seu colar de ouro. Procurou-o por todo o lado mas não o encontrou. Suspeitou então da sua vizinha, mulher nova, bonita e atrevida. Devia ficar-lhe bem esse colar. Começou a espreitá-la por detrás das cortinas da janela. O modo de andar, o aspecto e o seu olhar pareciam mesmo de alguém que tinha culpas no cartório.
Alguns dias mais tarde, por casualidade, a velhinha encontrou o seu colar no fundo de uma gaveta. Então tornou a vigiar a sua vizinha: o modo de andar, o aspecto e o seu olhar pareciam mesmo de alguém inocente.

Ver com perfeição não depende tanto do que é visto mas do modo como nós vemos. E muitas vezes só vemos o que queremos ver.

Ao contemplarmos a Transfiguração de Jesus, parece, à primeira vista, que foi Ele que mudou. Mas isto depende de nós. Apenas nós temos de mudar. Somos o único obstáculo à manifestação de Deus. Uma luz emanava, sem cessar, de Cristo, mas os olhos distraídos e obscurecidos não viam. Por isso retirou-se, com alguns apóstolos, para um lugar calmo. Aí, a sós com Ele, tornaram-se atentos, começaram a escutá-lo como ainda o não haviam feito, a ver como Ele se encontrava sempre entre eles e como eles nunca o haviam reparado. Somos tão responsáveis pelas transfigurações como pelas desfigurações. Não é Deus que as recusa, somos nós que não nos prestamos a isso. Não teremos nunca revelações de Deus e dos irmãos além das que tivermos provocado e merecido.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Dia do PAI


ABENÇOADO PAI

Abençoado o Pai
que chama a criança à vida e sabe dar educação aos seus filhos!
Abençoado o Pai
que sabe jogar com os filhos e ‘perder’ tempo com eles!
Abençoado o Pai
para quem os filhos contam mais que os ‘hobies’ e as partidas de futebol!
Abençoado o Pai
que sabe escutar e dialogar, mesmo quando está cansado!
Abençoado o Pai
que dá segurança com a sua presença e o seu amor!
Abençoado o Pai
que sabe rezar com os filhos e confrontar a vida com o Evangelho!
Abençoado o Pai
convicto de que um sorriso vale mais do que uma repreensão;
uma brincadeira mais que uma crítica;
um abraço mais que qualquer recomendação!
Abençoado o Pai
que cresce conjuntamente com os filhos
e os ajuda a tornarem-se eles mesmo!
Abençoado o Pai
que sabe entender e perdoar os erros dos filhos
e reconhecer os próprios!
Abençoado o Pai
que caminha com os filhos em direcção a horizontes sem confins,
abertos ao homem, ao mundo e à eternidade!
Pai abençoado
és o maior tesouro, quero-te tanto!
Neste dia abro-me ao dom da tua pessoa,
à riqueza da tua paternidade, à tua saúde
e que Deu nos conserve unidos
e amigos para sempre.

(Adaptado de autor desconhecido)

terça-feira, 15 de março de 2011

os 7 Pês


3ª Feira - I Semana da Quaresma

O Pai-Nosso

Muitos segredos de salvação estão contidos nesta prece e começam com a letra “P”. Não que isso seja muito importante ou que esconda grandes segredos. Mas pode ser uma forma “prática” de gravar algumas lições que o Mestre de Nazaré nos pregou.
A primeira parte fala do “Pai”, que é nosso, e a segunda parte fala do “pão” partilhado, que também é nosso.
Uma parte aponta para o “paraíso” e a outra para a “planície”, ou seja, para a nossa terra, ou se se preferir, com “p”, nosso “planeta”.
Contei sete “pês” na oração do pai-nosso. Certamente uma procura mais atenta poderemos encontrar muito mais.

1. PAI
“Pai nosso…”

2. PARAÍSO
“…que estais nos céus”

3. PRECE
“…santificado seja o vosso nome”

4. PREPARAR-SE
“venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”

5. PÃO
“o pão nosso de cada dia nos dai hoje”

6. PERDÃO
“…perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido…”

7. PAZ
“e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”



segunda-feira, 14 de março de 2011

Omissão


2ª Feira - I Semana Quaresma

«O que fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos,
a Mim o fizestes»

Sabei, Cristãos, que se vos há-de pedir estreita conta do que fizestes, mas muito mais estreita do que deixastes de fazer.
Pelo que fizeram, se hão-de condenar muitos; pelo que não fizeram, todos.
Cinco cargos, e todos omissões: «porque não destes de comer, porque não destes de beber, porque não recolhestes, porque não visitastes, porque não vestistes».
Em suma, que os pecados que ultimamente hão-de levar os condenados ao Inferno, são os pecados de omissão.
Por uma omissão perde-se uma inspiração, por uma inspiração perde-se um auxílio, por um auxílio perde-se uma contrição, por uma contrição perde-se uma alma; dai conta a Deus de uma alma, por uma omissão.
A omissão é o pecado que com mais facilidade se comete e com mais dificuldade se conhece; e o que facilmente se comete e dificultosamente se conhece, raramente se emenda. A omissão é um pecado que se faz não fazendo.
Mas porque se perdem tantos?
Os menos maus perdem-se pelo que fazem, que estes são os menos maus; os piores perdem-se pelo que deixam de fazer, que estes são os piores: por omissões, por negligências, por descuidos, por desatenções, por divertimentos, por vagares, por dilações, por eternidades.
Eis aqui um pecado de que não fazem escrúpulo os ministros, e um pecado por que se perdem muitos. Mas percam-se eles embora, já que assim o querem; o mal é que se perdem a si e perdem a todos, mas de todos hão-de dar conta a Deus.

(Pe. ANTÓNIO VIEIRA, Pregando na Capela Real, no ano de 1650)

domingo, 13 de março de 2011

Ser Tentado


Ano A - I Domingo da Quaresma

No primeiro Domingo da Quaresma temos oportunidade de seguir a Jesus Cristo, no deserto, e a vencer as tentações, que ainda hoje nos pressionam. A expressão dominante de resistência, escrita em latim, tem outro sabor: Vade retro Satana.
Isto faz lembrar dois episódios que ilustram as nossas disposições.

Quando eu era pequeno, nas brincadeiras de infância, não se podia andar em arrecuas, porque era ensinar o caminho ao Diabo. Nós pensávamos que fazendo isso éramos apanhados por ele. O diabo é aquele que nos leva para trás, quem nos impede de avançar. Assim se deve compreender a palavra tentação. Só Cristo nos faz progredir.

O segundo episódio diz respeito à palavra Satanás. Num baptismo, o sacerdote perguntava:
- Renunciais a Satanás?
Os presentes, não habituados a essas cerimónias, olharam-se indecisos, sem saber que responder.
- A quem? A Santa Anás?
Depois de insistir, o reverendo traduz a expressão em linguagem mais familiar:
- Mandais o Diabo àquela banda?
- Sim, sim. Se é isso, está bem.

Parece que as maiores dificuldades no nosso caminhar surgem com uma capa de bondade, felicidade ou santidade. Parece que o tentador é uma pessoa de bem. É preciso mandar para bem longe tudo o que dificulta o nosso andamento. O seu lugar é lá atrás, para nunca mais nos atrapalhar. Quem olha para a frente e está sempre em progressão, não tem nada a temer. Quando alguém nos tenta agarrar é precisamente nessa altura que avançamos mais depressa.




sábado, 12 de março de 2011

Tempo de Rejuvenescimento

Quaresma,
tempo de Rejuvenescimento

“Os que fizeram penitência ou conversão tornar-se-ão jovens em todo o seu ser e estarão firmes sobre a rocha, desde que se convertam de todo o coração.” (Pastor de Hermas, III, 16,4)
Assim a Quaresma é um processo de rejuvenescimento.
Se detectamos em nós ou na nossa comunidade sintomas de velhice, é porque precisamos de conversão… É preciso fazer Quaresma.
Habitualmente pensamos o contrário: os exercícios quaresmais são coisas antiquadas. Quem se preocupa hoje com os temas de Jejum, abstinência, cinzas, via-sacra? São coisas caducas do passado.
A Quaresma é uma coisa de velhos!
É verdade, sim senhor. Quem não passa pelos exercícios quaresmais permanece velho… Só a penitência e a conversão nos transformam em criaturas novas. Então Quaresma é rejuvenescimento.
“Somos jovens, somos um povo novo, muito diferente do povo antigo: aprendemos o bem totalmente novo.
Para nós a fecundidade da juventude, o ardor de conhecer sempre.
Somos sempre jovens, sempre novos.
É preciso que sejamos novos, que tenhamos parte na verdade do Verbo.
Os que participam do eterno devem parecer-se com algo de incorruptível.
Como os adolescentes, toda a nossa vida é primavera, porque temos em nós a verdade que não envelhece, e porque essa Verdade anima a nossa vida.” (Clemente de Alexandria, Século III)
Inspirado in Um Manancial Inesgotável, Madrid 1998

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tempo de optimismo

Quaresma, tempo de optimismo

A Quaresma é um tempo positivo, luminoso e gerador de esperança.
Não se deve negar as exigências, o esforço, a austeridade, mas destacar os efeitos mais libertadores da caminhada quaresmal.
Não escondemos que a Quaresma nos pede um esforço acrescentado, mas o esforço é próprio de quem quer renascer.

Em vez de dizer mortificações, digamos vivificações.
Em vez de dizer negações, digamos libertação.
Em vez de dizer abstinência, digamos austeridade.
Em vez de dizer penitência, digamos coração novo.
Em vez de dizer pranto, digamos misericórdia.
Em vez de dizer rezas, digamos encontro consigo mesmo e com Deus.
Em vez de dizer exercícios, digamos actualização do mistério de Cristo.
Em vez de dizer tristeza, digamos felicidade crescente.

A Quaresma não é um tempo antipático, mas de esforço de superação.
A Quaresma não é um tempo de pena, mas de graça.
A Quaresma não é uma coisa de velhos, mas de quem deseja ser jovem.
A Quaresma não é negativa, mas criativa.
A Quaresma não mortifica, mas prepara à vida pelo caminho do amor.
A Quaresma não fere, mas poda a folhagem.
A Quaresma não proíbe, mas afirma a lei do amor.
A Quaresma corta amarras, para sermos mais livres.
A Quaresma é austera, para sermos solidários.
A Quaresma reza, porque temos fome de Deus.
A Quaresma golpeia o coração, para que este possa engrandecer.


Inspirado in Um Manancial Inesgotável, Madrid 1998

quinta-feira, 10 de março de 2011

A alma do mundo

5ª Feira depois das Cinzas

No Evangelho ouvimos Jesus dizer:
De que vale ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma!

Alma de quem? A sua ou a dele?

De que vale ganhar o mundo e não ganhar a alma do mundo?
Ganhar só o mundo é como alcançar um corpo sem alma.

Nós somos a alma do mundo,
somos nós quem dá dignidade ao mundo, quem lhe dá vida, quem lhe dá razão de ser...

Ganhemos o mundo e não nos esqueçamos de nos ganhar a nós mesmo, pois nós somos a alma do mundo.

Vale a pena ganhar o mundo com a integridade da sua alma que somos nós.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Início da Quaresma

Os exercícios da Quaresma:
a esmola, a oração, o jejum

Meus irmãos, começamos hoje a grande viagem da Quaresma.
Levemos, pois, no navio todas as nossas provisões de alimento e bebida, colocando sobre elas a misericórdia abundante de que teremos necessidade.
Porque o nosso jejum tem fome, o nosso jejum tem sede se não se alimentar de bondade, se não se dessedentar com misericórdia.
O nosso jejum tem frio, o nosso jejum desfalece se o velo da esmola não o cobrir, se a capa da compaixão não o envolver.
Irmãos, a misericórdia está para o jejum como a Primavera está para os solos: o suave vento primaveril faz florescer todos os rebentos nas planícies; a misericórdia do jejum faz brotar todas as nossas sementes até à floração, fá-las encherem-se de frutos até à colheita celeste.
A bondade está para o jejum como o óleo está para o candeeiro. Tal como a matéria gorda do óleo alimenta a luz do candeeiro e, com tão pouco alimento o faz brilhar para o conforto de toda a noite, assim a bondade faz o jejum resplandecer: lança raios até atingir o brilho pleno da continência.
A esmola está para o jejum como o sol está para o dia: o esplendor do sol aumenta o brilho do dia, dissipa a obscuridade das nuvens; a esmola que acompanha o jejum santifica a santidade do mesmo e, graças à luz da bondade, remove dos nossos desejos tudo o que poderia ser mortífero. Em suma, a generosidade está para o jejum como o corpo está para a alma: quando a alma se retira do corpo, traz-lhe a morte; se a generosidade se afastar do jejum, é a morte deste.

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Pedro Crisólogo (c. 406-450), Bispo de Ravena, Doutor da Igreja Sermão 8; CCL 24, 59; PL 52, 208 (a partir da trad. Matthieu commenté, DDB 1985, p. 59 rev.)

Lembra-te ó pó que és homem


Dias de Cinzas
Início da Quaresma

Lembra-te ó pó que és homem e em homem te hás-de tornar!

Na Quarta-feira de Cinzas, alertei os alunos para a celebração do início da Quaresma. Perguntei se alguém sabia o que é que o sacerdote dizia ao impor as cinzas. Ninguém era capaz de dizer. Então fui sugerindo:
- Lembra-te que… quem é capaz de completar a frase? Eu ajudo … pó… homem…
- Já sei – respondei um aluno mais espevitado - Lembra-te, ó pó, que és homem e em homem te hás-de tornar!
Eu comecei a rir com aquele trocadilho e corrigi: “Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás-de tornar.”
Mas logo depois compreendi que, afinal, lhe tinha fugido a boca para a verdade. Mas quem somos nós?! Somos barro, somos pó, limitados mas portadores de um grande tesouro, chamados a ser filhos de Deus.
Já Paulo VI, aquando da sua visita a Fátima em 1967, fizera o apelo: “Homens, sede homens!”
Somos chamados a ser homens segundo a estatura de Cristo. Levamos no nosso corpo os sofrimentos da morte de Jesus, a fim de que se manifeste também no nosso corpo a vida de Cristo.

terça-feira, 8 de março de 2011

João de Deus

Hoje celebramos a Memória de São João de Deus.
É um santo português, humilde, não foi padre, nem estudou teologia, mas foi fundador de uma ordem de irmãos, servidor dos últimos da sociedade (os deficientes mentais).

Podemos acolher duas mensagens para a nossa vida:

1ª - O povo e os que eram acolhidos por este santo não sabiam o seu nome, ou melhor, o seu sobrenome, e chamavam-lhe de JOÂO de DEUS. Ele era João Cidade, mas o povo baptizo-o de João de Deus porque via nele um homem enviado por Deus...
Quem dera que todos nós também fôssemos homens ou mulheres de Deus, enviados por Deus, a fazer as obras de Deus.

2ª - João Cidade foi durante 43 anos um homem de muitas profissões: primeiro foi pastor, depois camponês, soldado, trabalhador braçal, vendedor ambulante e livreiro... e a partir daí, foi apanhado e levado como louco para um manicónio e lá despertou o seu carisma para servir os mais desprezados da sociedade... tornando-se assim irmão religioso, enfermeiro, auxiliar...
Isto quer dizer que - De todas as profissões podem surgir santos.
Mas tamdém quer dizer que - Os santos têm de desenpenhar todas estas actividades. Um Santo tem de ser pastor, camponês, soldado, livreiro etc.etc..
Quem dera que todos nós fôssemos capazes de santificar o nosso trabalho e deixar-nos santificar pelas nossas actividades...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Perpétua e Felicidade

Hoje a Igreja propõre-nos a memória de duas mártires no II Século: Perpétua e Felicidade.

Como é que pomos duas pessoas na mesma festa e no mesmo nível se elas eram de condições diferentes: Uma era nobre (perpétua) e a outra escrava (Felicidade).

É que estas duas mártires têm muito mais em comum do que em separação:
- Ambas viviam na mesma casa
- Ambas tinham sido pagãs
- Ambas eram mulheres
- Ambas eram jovens
- Ambas eram mães há pouco tempo
- Ambas tornaram-se cristãs
- Ambas foram perseguidas
- Ambas foram martirizadas pela sua fé em Cristo.
Assim se ultrapassou a diferença de condição: Da nobre Perpétua e da escrava Felicidade.

E não foi a nobre que se tornou como a escrava, nem a escrava que foi promovida ao nível de nobre. As duas foam irmanadas, foram igualadas - É que Deus exalta os humildes e humilha os altivos...

Deus nivela-nos pela mesma condição... não nos nivela por cima ou por baixo, torna-nos simplesmente irmãos, iguais...

Além disso saibamos fazer jus ao nome destas duas santas mártires: Pérpétua e Felicidade - Sejamos felizes e singramos os caminhos da eternidade...

sábado, 5 de março de 2011

Gravar as Palavras


Ano A - IX Domingo Comum

"As palavras que eu te digo, gravai-as no vosso coração e na vossa alma..." Falou Deus a Moisés.
Os preceitos de Deus, os mandamentos da Lei do Senhor não são imposições ou obrigações, mas simplesmente algo que deve brotar do coração. Será como uma espécie de etiquete ou ficha de fabrico. Tal como um casaco tem anexada uma ficha técnica - Esta peça tem tanto por cento de algodão, outro tanto de nylon, deve ser lavado em água fria, não pode ser passado a ferro etc.

Assim no nosso coração há também uma marca indelével do nosso Criador - Esta pessoa foi criada para amar a Deus sobre todas as coisas, foi feito para não matar, para respeitar os outros, para não invocar o santo nome de Deus em vão etc. Então deve ser fácil amar porque para isso fomos criados; será mais fácil respeitar a vida porque está inscrita no nosso coração...

É por isso que qualquer expressão de amor a Deus deve ser sincera, isto é, deve brotar do seu coração: "Nem todo aquele que Me diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus".
É por isso também que podem surgir tempestades que não o deitarão abaixo porque a sua confiança tem raízes no coração.
A relação com Deus e o fazer o bem surgem do fundo de nós mesmos, onde Deus gravou a sua marca.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Limpeza no templo

6ª Feira - VIII Semana Comum

1ª Leitura:
Os homens justos morrem, mas a sua memoria permanece por gerações e gerações...
Quem é bom, derdura através das suas boas obras que fez em vida.

2ª Leitura
Jesus expulsa os vendilhões e comerciantes do Templo:
- Jesus purifica o Templo para nos lembrar que é o nosso coração que Ele quer realmente limpar e purificar.
- Jesus expulsou os vendilhões porque estes já O tinham expuksado há muito tempo. Quem dá morte a Deus, é com Ele enterrado. Jesus expulsou porque ja tinham expulsado a Deus.
- Jesus expulsa os comerciantes do templo para que nós nunca tentemos expulsá-lo da nossa vida.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Que eu veja

5ª Feira - VIII Semana Comum

Jesus: Que queres que eu te faça?
Bartimeu: Que eu veja, Senhor!

Que eu veja o quê?
Que eu vejo o que tu fazes,
Que eu veja o tu queres,
Que eu veja o que tu vás fazer...

Nós que temos os olhos abertos peçamos também a capacidade de ver as obras, as maravilhas que Deus faz, em nós, e através de nós...

E não esqueçamos que Deus também vê as nossas obras...