terça-feira, 11 de dezembro de 2018

À procura da ovelha perdida


3ª feira – II semana do advento

Versão universitária da parábola da Ovelha Perdida

Um dia, estava eu de pé na porta da sala, esperando que os meus alunos entrassem para o nosso 1º dia de aula. Foi aí que vi o Tom, pela primeira vez. Não consegui evitar que meus olhos piscassem de espanto. Ele tinha cabelos longos e muito louros que batiam uns 20 cm abaixo dos ombros. Eu nunca vira um rapaz com cabelos tão longos.
Acho que a moda estava apenas a começar nessa época. O que importa não é o que está fora, mas o que vai por dentro da cabeça, pensei, mas confesso que fiquei chocado. Logo classifiquei o Tom com um ‘E’ de ‘estranho’, muito estranho! E ele acabou se revelando como o ‘ateu da turma’ no meu curso de Teologia. Constantemente fazia objeções e questionava a possibilidade de existência de um Deus-Pai que nos amasse incondicionalmente. Convivemos em relativa paz durante o semestre, embora admito que às vezes ele era bastante incómodo.
No fim do curso, ele aproximou-se e perguntou-me, num tom ligeiramente irónico: 
- O senhor acredita mesmo que eu possa encontrar Deus algum dia?
Resolvi usar uma terapia de choque: 
- Não, eu não acredito!- respondi.
- Ah! – Respondeu – pensei que era este o produto que o senhor esteve tentando vender-nos nestes últimos meses.
Deixei que ele se afastasse um pouco e disse bem alto: 
- Eu não acredito que tu consigas encontrar Deus, mas tenho a certeza absoluta de que Ele te encontrará um dia
Ele encolheu os ombros e foi embora da minha sala e da minha vida. Algum tempo depois soube que se tinha formado e, em seguida, recebi uma notícia triste: ele estava com um cancro terminal. E antes que eu fosse à sua procura, ele veio ver-me. Quando entrou na minha sala, percebi que o seu corpo tinha sido devastado pela doença e que os cabelos longos já não existiam mais por causa da quimioterapia. Entretanto, os seus olhos estavam brilhantes e a sua voz era firme, bem diferente daquele jovem que conheci.
- Tom, tenho pensado em ti. Soube que estás doente!- disse-lhe.
- Ah, é verdade, estou seriamente doente. Tenho cancro nos pulmões. É uma questão de semanas, agora. 
- Queres falar comigo sobre isso? 
- Claro, o que é que o senhor gostaria de saber?
Como é ter vinte e quatro anos e saber que se está morrendo?
- Acho que poderia ser pior.
- Como assim?
- Bem, eu poderia ter cinquenta anos e não ter noção de valores ou ideais, ou ter sessenta anos e pensar que bebida, mulheres e dinheiro são as coisas mais ‘importantes’ da vida...
Lembrei-me da classificação que lhe atribuí: ‘E’ de ‘estranho’. Penso que quem recebeu classificações desse tipo, é enviado de volta por Deus, para que eu possa refazer o meu preconceito... 
- Mas a razão pela qual eu realmente vim vê-lo  foi a frase que o senhor me disse no último dia de aula. (Ele se lembrava!...) – E o Tom continuou: Eu perguntei-lhe se o senhor acreditava que eu encontraria Deus algum dia e respondeu-me 'Não!', o que me surpreendeu. Em seguida, o senhor disse, ‘mas Ele te encontrará’. Eu pensei um bocado a respeito daquela frase, embora na época não estivesse muito interessado no assunto. Mas quando os médicos removeram um nódulo da minha virilha e me disseram que se tratava de um tumor maligno, comecei a pensar com mais seriedade sobre a ideia de procurar Deus. E quando a doença se espalhou por outros órgãos, comecei realmente a dar murros desesperados nas portas de bronze do paraíso. Mas Deus não apareceu. De facto, nada aconteceu. O senhor já tentou fazer alguma coisa por um longo período, sem sucesso? Eu fiquei cansado e desanimado. 
Um dia, ao invés de continuar atirando apelos por cima do muro alto atrás de onde Deus poderia estar ou não, eu desisti, simplesmente. Decidi que de facto não me estava importando com Deus, com uma possível vida eterna ou qualquer coisa parecida. E decidi utilizar o tempo que me restava fazendo alguma coisa mais proveitosa. Pensei no senhor e nas suas aulas e lembrei-me de uma coisa que o senhor tinha dito noutra ocasião: A tristeza mais profunda é passar pela vida sem amar ou sem nunca ter dito às pessoas queridas o quanto as amou.
Então resolvi começar pela pessoa mais difícil: o meu pai. Ele estava a ler o jornal quando me aproximei dele: 
Pai... – disse eu.
Sim, o que é? – perguntou, sem baixar o jornal
Pai, eu gostaria de conversar consigo.
Então fala.
É um assunto muito importante! 
O jornal desceu alguns centímetros, vagarosamente.
- O que é?
Pai, eu amo-o muitoSó queria que soubesse disso.
O jornal escorregou para o chão e meu pai fez duas coisas que eu jamais tinha visto: Ele começou a chorar e abraçou-me com força. E conversamos durante toda a noite, embora ele tivesse que ir trabalhar na manhã seguinte. 
- Foi tão bom poder sentar-me junto do meu pai, conversar, ver as suas lágrimas, sentir o seu abraço, ouvi-lo dizer que também me amava! Foi uma emoção indescritível! Foi mais fácil com a minha mãe e com o meu irmão mais novo. Eles choraram também e nós nos abraçamos e falamos de coisas realmente boas uns para os outros. Falamos sobre as coisas que tínhamos mantido em segredo por tantos anos, e que era tão bom partilhar. Só lamentei uma coisa: que eu tivesse desperdiçado tanto tempo, privando-me de momentos tão especiais. 
Naquela hora eu estava apenas começando a me abrir com as pessoas que amava. Então, um dia, eu olhei, e lá estava ELE. Ele não veio ao meu encontro quando Lhe implorei. Acredito que estava agindo como um domador de animais que, segurando um chicote, diz: ‘Vamos, pule! Eu lhe dou três dias... três semanas...’. Parece que Deus não se deixa impressionar. Ele age a Seu modo e a seu tempo. Mas o que importa é que Ele estava lá. Ele me encontrou... O senhor estava certo. Ele me encontrou mesmo depois de eu ter desistido de procurar por Ele. 
- Tom – disse-lhe comovido, o que estás a dizer é muito mais importante do que podes imaginar. Para mim, pelo menos, estás dizendo que a maneira certa de encontrar Deus, não é fazendo dEle um bem pessoal, uma solução para os nossos problemas ou um consolo em tempos difíceis, mas sim se tornando disponível para o verdadeiro Amor. O apóstolo João disse isto: ‘Deus é Amor e aquele que vive no Amor, vive com Deus e Deus vive com Ele’. Posso pedir-te um favor? Tu sabes que me deste bastante trabalho quando foste meu aluno (risos). Mas agora podes compensar-me por isso. Podes vir à minha aula de Teologia e contar aos meus alunos o que acabaste de me contar? Se eu lhes contasse não seria a mesma coisa, não tocaria tão fundo neles! 
- Oooh!... eu preparei-me para vir vê-lo, mas não sei se estou preparado para enfrentar os seus alunos.
- Então, pense nisto. Se te sentires preparado, telefona-me…
Alguns dias mais tarde, Tom telefonou e disse que falaria à minha turma. Ele queria fazer aquilo por Deus e por mim. Então marcámos uma data... O dia chegou, mas ele não pôde vir. Tom tinha outro encontro, muito mais importante do que aquele. E lá se foi... Antes de morrer, ainda conversamos uma vez:
- Não vou ter condições de falar com a sua turma.
- Eu sei, Tom. 
- O senhor falaria com eles por mim? O senhor falaria... com todo o mundo por mim? 
- Vou falar, Tom. Vou falar com todo o mundo. Vou fazer o melhor que puder.
Portanto, a todos os que leram esta declaração de amor tão sincera, obrigado por fazerem-no. E a ti, Tom, onde quer que estejas, podes crer: eu falei de ti a todo mundo, do melhor modo que consegui. E espero que as pessoas que tiveram conhecimento desta história, possam contá-la aos seus amigos, para que mais gente possa conhecê-la...

Uma pergunta: Tu também conheces algum jovem como o TOM?

(Cf. John Joseph Powel, SJ, 1925-2009, Professor de Teologia e Psicologia na Universidade de Loyola, USA)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Lições de um paralítico


2ª feira – II semana do advento

4 homens e 1 paralítico junto de Jesus














6 lições que podemos aprender do episódio da cura do paralítico de Cafarnaum:

- A casa de Jesus é a igreja, a comunidade dos seus discípulos.
- O paralítico é cada um que precisa de perdão e de libertação.
- Os 4 homens que transportam o catre com o paralítico são os 4 Evangelhos que nos mostram onde podemos encontrar Jesus.
- Descer pelo telhado é ter a humildade e a coragem para ficar aos pés de Jesus e reconhecer a nossa condição.
- O perdão, a cura ou a mudança de vida começa no interior do coração e manifesta-se depois em gestos exteriores, isto é, em obras.
- Nós podemos levar os outros até Jesus, mas só Ele é que nos pode salvar.

Segunda semana do Advento


Ofício de Leitura

II Domingo Advento
1ª – Demolistes casas para reforçar a muralha, construístes um reservatório … mas não olhastes para o Autor de tudo isto, não vistes Aquele que o realiza desde há muito.
2ª – Uma voz clama no deserto… Não é em Jerusalém mas no deserto, que se há-de realizar a profecia da manifestação da glória do Senhor. Todo o género humano era um deserto totalmente fechado ao conhecimento de Deus.

2ª feira
1ª – O Senhor vai devastar a terra. O sacerdote ficará como o povo, o senhor como o escravo, a senhora como a serva, o vendedor como o comprador, o que empresta como quem pede emprestado, o credo como o devedor. A terra ficara totalmente devastada.
2ª – Deus falou-nos por meio do seu Filho. Depois disso Deus ficou como mudo e não tem mais que falar porque disse tudo em Jesus Cristo.

3ª feira
1ª – A lua ficará envergonhada e o sol empalidecerá, porque o Senhor do Universo reinará no monte de Sião e a sua glória brilhará.
2ª – A Igreja, à qual somos todos chamados em Cristo, só será consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas.
Santoral – 11/12 – O povo cristão celebra a memória dos seus Mártires com religiosa solenidade, para se animar a imitá-los, participar dos seus méritos e ser ajudado com a sua intercessão.

4ª feira
1ª – Sobre este monte o Senhor há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos. Moab estenderá as mãos como as estende o nadador para nadar, mas o Senhor humilhará a sua arrogância.
2ª – Era pouco para Deus revelar-nos o caminho por meio de seu Filho: quis que Ele mesmo fosse o Caminho, a fim de que te deixasses conduzir por Ele, caminhando sobre o próprio Caminho.
Santoral – 12/12 – Há outro martírio, o martírio do amor com que Deus conservando a vida de seus servos e servas para que continuem a trabalhar para sua glória.

5ª feira
1ª – Embora se tenha indulgência pelo ímpio, ele não aprende a justiça. Senhor, a vossa mão está levantada e eles não a veem.
2ª – A força do amor não mede as possibilidades, ignora os limites. O amor não desiste perante o impossível, não desarma perante as dificuldades.
Santoral – 12/12 – Com que laços se pode segurar a Cristo? Não com laços de violência, nem com cordas bem apertadas, mas com os vínculos da caridade, com as cadeias do espírito e o afeto da alma. Se queres conservar a Cristo contigo, busca-o incansavelmente e não temas o sacrifício. Muitas vezes Ele encontra-se mais facilmente no meio dos suplícios corporais e nas mãos dos perseguidores.

6ª feira
1ª – Naquele dia entoai este cântico à vinha deliciosa: Eu, o Senhor, sou o seu guardião e rego-a a todo o momento; para que não a danifiquem, guardo-a noite e dia.
2ª – O Senhor abraçou a condição humana e manifestou-se no mundo que era seu: a natureza humana sustentava o Verbo de Deus, mas era o Verbo que sustentava a natureza humana.
Santoral – 14/12 – Para entrar nas riquezas desta sabedoria, a porta é a cruz, que é uma porta estreita, e desejar entrar por ela é de poucos; mas desejar os deleites a que se chega por ela, é de muitos.

Sábado
1ª – Como o faminto que sonha que está a comer, mas acorda com o estômago vazio, ou ao sequioso que sonha que está a beber, mas acorda extenuado com a garganta seca, assim sucederá à turba das nações que lutam contra o monte de Sião.
2ª – Cada alma fiel é igualmente, a seu modo, esposa do Verbo de Deus, mãe de Cristo, filha e irmã, virgem e mãe fecunda. No tabernáculo do ventre de Maria, Cristo habitou durante nove meses; no tabernáculo da fé da Igreja, permanecerá até ao fim do mundo; no conhecimento e amor da alma fiel habitará pelos séculos dos séculos.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Preparando o caminho


Ano C – II Domingo do Advento

Preparando o caminho... com o código de estrada

Toda a nossa vida é um caminho em direção a Deus.
O Advento o caminho que nos traz Deus até nós e também o caminho que nos deve levar até Deus.
Nesta estrada é preciso prestar atenção aos sinais de trânsito para que a nossa caminhada seja mais segura e nos leva até à meta final.























No passado domingo podemos lembrar que o sinal de trânsito podia ser o de Perigos Vários, pois a palavra de ordem era Vigilância. É preciso caminhar com atenção, vigilantes, despertos e com a cabeça bem levantada para não corrermos nenhum perigo e avançar em frente.























Hoje vamos colocar outro sinal de trânsito e acolher outras condições da nossa caminhada.
É o sinal de informação de trânsito nos dois sentidos.
Isto quer dizer 3 coisas:
1º - O caminho tem 2 sentidos – Ir até Deus pelo Homem e ir ao Homem por Deus.
2º - O caminho tem 2 destinos ou 2 metas – Jesus desceu à terra para nos fazer subir ao céu.
3º - O caminho tem subidas e descidas – É preciso subir até Deus e descer até aos irmãos.



sábado, 8 de dezembro de 2018

Dia das montras






















Perguntei a um jovem o que havia de especial no dia 8 de dezembro, dia feriado, dia santo de guardar preceito.
- Então o senhor padre não sabe que é o dia das montras?!
Por cá é tradição no final do dia 8 a inauguração das montras de natal no comércio local que se submetem a um concurso. É um pretexto para fazer compras de natal, comer e beber, com muita animação pelas ruas, música, canções, brinquedos e barretes de pai natal. De facto são poucos os dias em que se junta tanta gente nas ruas como hoje.
Fiquei desiludido pela resposta. Eu queria lembrar que o dia 8 era a solenidade da Imaculada Conceição… e afinal esta ficou esquecida porque as montras chamaram mais a atenção.

Mas pensando melhor, temos ambos razão.
É o dia das montras porque a Senhora da Conceição é a mais perfeita e eloquente montra, imagem, vitrina ou espelho de Deus, do Evangelho, da Igreja e da nossa vida.
Maria de Nazaré é a imagem perfeita da nossa vida religiosa, assim rezam os dehonianos.
Ela é a figura da igreja, é o ícone da comunidade dos crentes.

No dia das montras, vou contemplar a verdadeira montra do negócio de Deus que é Maria Imaculada na sua Conceição.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Areia/Rocha=Dizer/Fazer


5ª feira – I Semana do Advento

Areia ou Rocha
Palavras ou Obras
Dizer ou Fazer

A diferença entre construir sobre a areia ou sobre a rocha é como a diferença entre mostrar a fé apenas com palavras e mostrá-la com obras e ações. De facto, a areia é como as palavras, leva-as o vento, dispersa-se com a água.
As nossas palavras dizem o que pretendemos ser.
As nossas ações dizem o que realmente somos.

Foi o que o Papa Francisco pregou hoje:  
“Dizer e fazer, marcam dois caminhos opostos da vida cristã: O dizer é um modo de acreditar, mas muito superficial, na metade do caminho: eu digo que sou cristão, mas não faço as coisas do cristão. É um pouco – para dizê-lo simplesmente – maquilhar-se como cristão: dizer somente é um truque, dizer sem fazer. A proposta de Jesus é sempre concreta. Quando alguém se aproximava e pedia conselho, sempre coisas concretas. As obras de misericórdia são concretas.
A areia não é sólida, é uma consequência do dizer, um maquilhar-se como cristão, uma vida construída sem fundamentos. A rocha, ao invés, é o Senhor.
É Ele, a força. Mas muitas vezes quem confia no Senhor não aparece, não tem sucesso, está escondido, mas é firme. Não tem a sua esperança no dizer, na vaidade, no orgulho, nos efémeros poderes da vida. Só o Senhor Jesus é a rocha.”



Santa Claus ou santa ignorância


















Celebramos neste dia a memória de São Nicolau (270-342) bispo de Mira, na Turquia.
Seus pais eram cristãos fervorosos e deixaram-lhe uma fortuna considerável que ele pôs imediatamente ao serviço dos necessitados.
Um dia soube que um dos vizinhos tinha obrigado as duas filhas a prostituírem-se para arrecadar dinheiro para o seu casamento. Nicolau atirou pela janela, sem ser notado, dois sacos com dinheiro que foram cair dentro dos sapatos da donzelas e que lhes tornou possível mudar de vida.
Ao ser escolhido um novo bispo para Mira resolveram que seria a primeira pessoa a entrar na igreja no dia seguinte. Foi Nicolau quem entrou para rezar logo pela manhã, como era seu costume. Tornou-se assim Bispo de Mira.
Foi este santo e a sua caridade e generosidade que inspirou a figura do Pai Natal do consumismo moderno, até na abreviatura do nome ‘Santa Claus’.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Milagre ou simples partilha


4ª feira – I semana do Advento

A multiplicação dos pães e dos peixes é um milagre ou uma simples partilha?
O que eu sei é que um milagre é sempre uma partilha e uma simples partilha é sempre um milagre.













A Eucaristia, qual nova multiplicação dos pães, é também um milagre e uma partilha.

- Jesus tomou os sete pães e os peixes,
- e dando graças,
- partiu-os
- e foi–os entregando aos discípulos
- e estes distribuíram-nos pela multidão.

São os 5 gestos da Celebração Eucarística:
- Apresentação das ofertas = tomou o pão
- Oração Eucarística = deu graças
- Fração do pão = partiu-o
- Entregou aos discípulos = Fazei isto em memória de mim
- Que distribuíram pela multidão = Comunhão.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Primeira semana do Advento

Tenho o meu Breviário, ou a Liturgia das Horas, todo sublinhado e anotado - são os autores dos hinos, o seu século de origem, a idade dos santos, a sua terra natal, e os sublinhados ou realces do Ofício das Leituras. É uma pia distração! Neste novo ano litúrgico proponho-me partilhar, por enquanto, apenas os sublinhados dessas leituras... Por comodismo não indico a origem dessas leituras, quer da 1ª leitura (Sagrada Escritura) que da 2ª (Padres da Igreja, Santos e Documentos Eclesiais e Tradição). Para identificar a sua origem, basta abrir o Breviário. Na citação do Santoral apenas indicamos o dia para identificar, também no Breviário, o Santo do dia.

Ofício de Leitura

I Domingo do Advento
1ª – Criei filhos e fi-los crescer, mas eles revoltaram-se contra mim. O boi reconhece o seu dono, e o jumento o estábulo do seu possuidor, mas Israel nada conhece, o meu povo nada compreende.
2ª – Anunciamos o advento de Cristo, não, porém um só, mas também o segundo… Todas as coisas são duplas em Jesus. Duplo o seu nascimento, um de Deus desde toda a eternidade e outro da Virgem na plenitude dos tempos. Dupla também é a sua descida, a primeira na obscuridade, outra no esplendor. No seu primeiro advento, foi envolvido em faixas e deitado no presépio, no segundo será revestido de com um manto de luz. No primeiro suportou a cruz, no segundo aparecerá glorioso.

2ª feira
1ª – Como se prostituiu a cidade fiel! A tua prata converteu-se em escória, o teu vinho generoso diluiu-se me água.
2ª – A Igreja nos ensina que o advento de Cristo não foi apenas para os seus contemporâneos, mas que a sua eficácia nos é comunicada a todos nós.
Santoral – 03/12 – Descobri nesses povos grande inteligência. Se houvesse quem os instruísse na fé tenho por certo que seriam bons cristãos. Muitos deixam de se fazer cristãos nestas terras, por não haver quem se ocupe de tão santas obras. Quantas almas deixam de ir à glória e vão ao inferno por negligência deles!

3ª feira
1ª – Deus criará sobre as suas assembleias uma nuvem de fumo durante o dia e m esplendor de fogo ardente durante a noite. E, por cima de tudo, a glória do Senhor será uma cobertura e uma tenda, para fazer sombra contra o calor do dia e servir de refúgio e abrigo conta a tempestade e a chuva.
2ª – Por amor do homem se faz homem. Assume um corpo para salvar o corpo e une-se a uma alma racional por amor da minha alma. Aquele que enriquece os outros faz-se pobre. Aceita a pobreza da minha condição humana para que eu possa receber as riquezas da sua divindade.
Santoral – 04/12 – Vós me alimentastes com o leite espiritual dos vossos divinos ensinamentos. Vós me sustentastes com o vigoroso alimento do Corpo de Cristo e me inebriastes com o cálice divino do seu Sangue vivificante.

4ª feira
1ª – Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel e os homens de Judá a sua plantação preferida.
2ª – Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma vinda intermédia. Aquelas duas são visíveis, mas esta não. A vinda intermédia é como que uma estrada que nos leva da primeira à última: na primeira Cristo foi a nossa redenção, na última aparecerá como nossa vida, na intermédia é o nosso descanso e consolação.
Santoral – 05/12 - Sê flexível, mas não leviano; constante, mas não teimoso. Considera a todos iguais a ti; não desprezes os inferiores com altivez, e não temas os superiores, se vives retamente. Para todos deves ser afável; para ninguém, adulador; com poucos, familiar; para todos, justo. A minguem desprezes por ignorante. Fala pouco, mas tolera pacientemente os faladores. Sê sério mas não desumano, e não menosprezes as pessoas alegres.

5ª feira
1ª – Naquele dia o homem voltará o olhar para Aquele que o criou e os seus olhos volver-se-ão para o Santo de Israel.
2ª – Cristo não revelou o dia da sua vinda, principalmente por esta razão: para que todos compreendessem aquele Aquele a cujo poder e domínio estão submetidos os números e os tempos, não está submetido a qualquer vicissitude e a qualquer tempo.
Santoral – 06/12 - À tríplice negação de Pedro corresponde a tríplice confissão, para que a língua não sirva menos ao amor que ao temor, e não pareça que a eminência da morte o obrigou a falar mais do que a presença da vida. Se me amas, não penses em apascentar a ti mesmo, mas sim as minhas ovelhas; apascenta-as como minhas, não como tuas; procura nelas a minha glória e não a tua…De todos nós Ele fez suas ovelhas, por todos nós padeceu; e, para padecer por todos nós, Ele mesmo se fez Cordeiro.

6ª feira
1ª – Naquele dia, os egípcios serão como as mulheres: tremerão de medo ao verem agitar-se a mão que o Senhor do Universo vai erguer contra eles.
2ª – Deixa um momento as tuas ocupações habituais, ó homem, entra um instante em ti mesmo, longe do tumulto dos teus pensamentos. Olhai, senhor, para nós. Desejando vos procurarei e procurando vos desejarei, amando vos encontrarei e encontrando vos amarei.
Santoral – 07/12 - Quem muito lê e entende, enche-se com aquilo que lê; e quem está cheio pode regar os demais. As tuas pregações sejam fluentes, puras e claras.

Sábado
1ª – No meu posto de vigia, senhor, me conservo o dia inteiro; no meu posto de guarda, fico de pé toda a noite.
2ª – A esperança e a paciência são necessárias para levarmos a bom termo o que começámos a ser e para conseguirmos, por mercê de Deus, o que esperamos e acreditamos. Só a caridade pode permanecer, porque é capaz de tudo suportar. Não se pode conservar a unidade e a paz, se os irmãos não se ajudam uns aos outros com mútua compreensão e não conservam o vínculo da unidade com a virtude da paciência.
Santoral – 08/12 - Tudo o que nasce é criatura de Deus, e Deus nasce de Maria. E refez tudo o que tinha feito. Deus é o Pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai a quem se deve a constituição do mundo, e Maria a mãe a quem se deve a sua restauração.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

O fim dos tempos e o tempo do fim


4ª feira – XXXIV semana comum





















Não sabemos quando será o fim dos tempos, mas podemos saber como é que será o tempo do fim.

O tempo do fim será tempo de:
Perseguição
Purificação
Preparação
Perseverança
Proximidade
Pequeninos
Presença Divina.

De facto a Igreja é:
Una
Santa
Católica
Apostólica
Perseguida

Na cruz Cristo sofreu pela igreja.
Hoje Cristo continua a sofrer com a igreja, na igreja e pela igreja.
Então não é a igreja que sofre, é Cristo que continua a sofrer pela igreja.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Sem alarmes


3ª feira – XXXIV semana comum

Não vos alarmeis…
Porquê?

1º - Porque o tempo da ceifa e da vindima é sempre tempo de alegria.
2º - Porque é bom deixar o tempo para alcançar a eternidade, deixar o efémero para pegar no definitivo.
3º - Porque estamos de passagem e chegar ao fim da viagem é sempre bom, é alcançar o nosso objetivo, é cortar a meta.

Citações:
- Disse Jesus: O mundo é uma ponte. Atravessa a ponte, mas não construas sobre ela. (Abdakkah ibn Qutayba +884 in Tarif Khalidi, Jesus Muçulmano, máximas e histórias da literatura islâmica)
- Quem não deve, não teme, diz a sabedoria popular.
- Não podes voltar atrás e mudar o teu começo, mas podes começar onde estás e mudar o teu final. (C.S. Lewis)

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Da oferta da viúva à viúva da oferta

2ª feira – XXXIV semana comum






















Em geral nós contemplamos e refletimos sobre a oferta da pobre viúva, num compromisso de fazermos o mesmo, de sermos tão caridosos e generosos.
Olhamos mais para a oferta da viúva do que para a viúva da oferta.
Hoje vamos olhar sobretudo para a viúva da oferta.

Quem era essa viúva?
Há quem diga que era Maria de Nazaré.
Era viúva, tinha o rosto coberto, tinha entregado tudo o que tinha e tudo o que era nas mãos de Deus – Eis a serva do Senhor.
Só assim se compreende porque é que Jesus notou a presença daquela mulher, anónima, discreta, escondida, humilde serva.
Era a sua mãe e os seus olhos a identificavam, por mais disfarçada que estivesse.
Além disso, como é que ele sabia que ofereceu duas moedas, até o seu valor, como é que sabia que era tudo o que ela possuía, e que era generosa e desprendida?
Está certo que Jesus sabia tudo, até o que se passava no íntimo do coração de qualquer pessoa, mas neste caso, ele conhecia por experiência própria.
Ele sabia quem tinha em casa…
E Jesus não revelou a identidade desta pobre viúva por cumplicidade, para não comprometer a sua própria mãe e para poder alargar assim a lição a todos.
Aliás, podemos inverter os papéis de outra maneira – Esta pobre viúva cumpria a vontade de Deus Pai e portanto era, com toda a propriedade e segundo as palavras de Jesus, a sua Mãe…, as suas irmãs e os seus irmãos, pois quem eram sua mãe e seus irmãos? Quem faz a vontade de seu Pai é que é sua mãe e seus irmãos.
Maria, mãe de Jesus, foi a pobre viúva que entregou no templo tudo o que tinha. Ela aponta assim para outra figura materna que é a Igreja… que oferece tudo o que tem e tudo o que é no altar divino…
A viúva da oferta é Maria, mãe de Jesus, para nos lembrar que a nossa mãe Igreja é convidada a fazer o mesmo, a oferecer tudo, aquilo que é e aquele que tem no templo santo deste mundo divino.