quinta-feira, 19 de abril de 2018

Pela estrada fora


5ª feira –  III semana da Páscoa




















O caminho ou a estrada é o lugar onde deve ser anunciada a Palavra de Deus para nos recordar que a Palavra é o caminho que nos leva até Deus.

É o que nos diz as leituras deste dia:
- Nos Actos dos Apóstolos, Filipe foi enviado ao caminho por onde viajava o funcionário etíope para lhe anunciar a palavra que o levou até Jesus.
- No Evangelho, Jesus lembra que ninguém pode ir até Ele, se o Pai o não conduzir por esse caminho.

Esta experiência do caminho é uma realidade transversal a toda a experiência bíblica:
- O povo era formado pela Palavra durante a sua caminhada no deserto.
- Jesus passou (pelos caminhos dos homens) anunciando o reino e fazendo o bem…
- Jesus caminhando ao longo do mar… chamou os seus apóstolos.
- Ele apresentou-se como o caminho, a verdade e a vida, porque ninguém vai ao Pai, senão por Ele.
- Depois de ressuscitar Jesus fez-se companheiro de caminho dos discípulos de Emaús.
- Cruza-se no caminho com as mulheres que vinham do sepulcro, vazio, cruza-se no com Paulo a caminho de Damasco e muda-lhe os planos.

É preciso anunciar Jesus pelo caminho para que o anúncio seja o caminho que nos leva a Jesus.

Pregação semelhante partilhou esta manhã o Papa Francisco alertando que não existe evangelização de poltrona… De facto a evangelização é sempre de saída, de estrada, de caminho, de avanço, de etapas e de metas.
A evangelização sempre se estruturou sobre três ações-chaves: levantar-se, aproximar-se e partir da situação. Numa só palavra – fazer caminho.

Conclusão
Fazer do caminho uma evangelização
e fazer da evangelização um caminho.
Evangelizar caminhando
e caminhar evangelizando.


terça-feira, 17 de abril de 2018

Identificações




















3ª feira – III semana da Páscoa

Tanto na primeira leitura como no evangelho de hoje há quem queira identificar-se com alguém.

Nos Actos dos Apóstolos Estêvão ao ser martirizado segue as atitudes de Jesus:
- Prega para ninguém resistir ao Espírito Santo (como Jesus pregou)
- Diz - vejo o céu aberto, tal como se disse de Jesus (os céus abriram-se e fez-se ouvir uma voz…)
- É conduzido para fora da cidade para ser condenado à morte, tal como Jesus foi levado para fora da cidade.
- Faz a mesma oração de Jesus – Pai, não lhes atribuas este pecado.
- Oferece-se tal como Jesus – nas vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
De facto Cristo viveu, morreu e ressuscitou entre nós para nos ensinar a seguir os seus passos e sermos cada vez mais parecidos com Ele.

No Evangelho é Jesus quem se identifica com Moisés:
- Conduz uma multidão pelo deserto, tal como Moisés.
- Atravessa o mar a pé, como no mar Vermelho.
- Dá-lhes uma nova lei ou novo mandamento.
- Dá-lhes o pão do Céu, como o maná de Moisés.
- Promete água viva, como Moisés fez brotar água no deserto.
De facto Jesus é o novo e definitivo Moisés:
Ele veio conduzir-nos não apenas para a terra prometida, mas para a eternidade.
Ele não nos dá apenas a água para esta vida, mas dá-nos a própria vida.
Ele não nos dá apenas o pão de cada dia, mas Ele próprio se nos dá como Pão do Céu.
Então não é Jesus a identificar-se com Moisés, mas é este quem se identifica com Jesus.

Conclusão
Estêvão, Moisés e nós parecidos com Jesus:
Moisés, parecido com Jesus por antecipação ou prefiguração.
Estêvão, parecido com Jesus a posteriori, por seguimento.
Nós, parecidos com Jesus, pela sua Encarnação e Redenção.




segunda-feira, 16 de abril de 2018

Do pão ao PÃO



2ª feira – III semana da páscoa

"A maior pensão com que Deus criou o homem, é o comer.
Lançai os olhos por todo o mundo, e vereis que tudo a ele se vem a resolver em buscar o pão para a boca.
Que faz o lavrador na terra, cortando-a com o arado, cavando, regando, mondando, semeando? Busca o pão.
Que faz o soldado na campanha carregado de ferro, vigiando, pelejando, derramando o sangue? Busca o pão.
Que faz o navegante no mar, içando, amainando, sondando, lutando com as ondas, e com os ventos? Busca o pão.
O mercador nas casas de contratação, passando letras, ajustando contas, formando companhias? Busca o pão.
O estudante nas universidades, tomando postilas, revolvendo livros, queimando as pestanas? Busca o pão
O requerente nos tribunais, pedindo, alegando, replicando, dando, prometendo, anulando? Busca pão.
Em buscar pão se resolve tudo, e tudo se aplica a o buscar.
Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; os de espíritos baixos dão pelo pão a honra; os de nenhum espírito dão pelo pão a alma, e nenhum homem há que não dê pelo pão e ao pão todo o seu cuidado."
(cfr. Pe. António Vieira, Sermão da quarta dominga da quaresma, S. Luís Maranhão, 1657)

Até muitos que procuram Jesus, buscam apenas o pão.
É o que aparece no trecho do evangelho de hoje:
“Vós procurais-me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna.”

Continuemos a trabalhar para o pão da terra com todo o empenho e dedicação.
Mas não esqueçamos a trabalhar ainda mais para aquele PÃO, não passageiros, mas que nos alimenta a vida eterna… que é a fé e a comunhão de Cristo Senhor.

O pão da terra fica duro.
O pão do Céu dura para a vida eterna

Tudo isto pode ser resumido na letra de uma canção do Pe. Zezinho:

Trabalhar o pão
Celebrar o pão
Oferecer e consagrar 
e comungar o pão

Fruto do suor e do trabalho
Sacrifício que Jesus pediu
Pão da liberdade e da justiça
Pão da vida, pão do céu
Te ofertamos porque tudo é teu

Fruto da esperança e da partilha
Santa missa que nos faz irmãos
Pão da liberdade e da justiça
Pão da vida, pão do céu
Pão bendito de libertação!


sexta-feira, 13 de abril de 2018

O verbo fez-se pão




















6ª feira da II semana da Páscoa

O pão feito palavra
A palavra feita pão

Santo António pregava que os cinco pães que Jesus abençoou e com quais saciou a fome a mais de Cinco mil homens, era os cinco primeiros livros da Bíblia, ou seja, o Pentateuco.
De facto, Jesus nos advertiu que não só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra.

Assim, os pães são os livros que nos deixou Moisés:
- Génesis que relata a obra da criação
- Êxodo que narra a peregrinação de purificação no deserto
- Levítico que orienta a oração
- Números que regulamento a vida da comunidade
- Deuteronómio que apresenta a lei ou os mandamentos de Deus.

Hoje Deus continua a servir-nos os mesmos pães, ou os mesmos livros:
O alimento que nós precisamos vem donde?
Vem do livro ou do pão das obras ou da criação.
Vem do livro ou do pão da purificação, da nossa caminhada.
Vem do livro ou do pão da oração.
Vem do livro ou do pão da comunidade.
Vem do livro ou do pão da vontade de Deus, da sua Lei ou Mandamentos.



quinta-feira, 12 de abril de 2018

O meu Reino não é daqui


Disse Jesus a Nicodemos:
- Aquele que vem do alto está acima de todos; quem é da terra, à terra pertence e da terra fala.




Obedecer a Deus


5ª feira da II semana da Páscoa

Deve obedecer antes a Deus que aos homens

A quem?
Quem?
E porquê?

A quem? - sempre a Deus primeiro e quem obedece a Deus primeiro vai levar todos a fazer o mesmo.

Quem - Os apóstolos (já vos proibimos) obedeciam ao mandato de Deus.
         - Mas também os que acolhiam a pregação (que enchia Jerusalém) obedeciam à pregação.

Por isso Pedro disse - nós e o Espírito Santo somos testemunhas disto (nós e o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que lhe obedecem. Os pregadores e os ouvintes devem então obedecer antes a Deus que aos homens.

Conclusão:
- Pregar é obedecer
- Acolher a pregação é obedecer.

- Quem recebe o Espírito Santo está a obedecer.
- Quem obedece recebe o Espírito Santo.

Obedecer? Adeus! Não!
Obedecer a Deus! Sim!




quarta-feira, 11 de abril de 2018

Por amor



4ª feira da II semana da Páscoa

Se houvesse um concurso para escolher qual a frase ou versículo que resumisse todo o Evangelho ou toda a História da Salvação, eu votaria em Jo 3, 16 – Deus amou de tal modo o mundo que enviou o seu filho para salvar o mundo.

De facto tudo se resume ao amor.

Recordo uma canção de Jocy Rodrigues para completar com tantas intervenções de Deus só por amor… Quem é que nos perdoa? É o amor. Quem nos ensina? É o amor. Quem é que nos anima? É o amor! Etc.

Quem foi que aqui nos reuniu?

1. Quem foi que aqui nos reuniu? Foi o amor!
Quem foi que, um dia, na cruz, nos redimiu? Foi o amor!
Quem livrará do fracasso este mundo? É o amor!
Quem é o maior? É o amor! E o mais profundo? É o amor!

Juntemos nossas vozes e demo-nos as mãos,
Assim ninguém nos poderá vencer...
Pelo Cristo Libertador, nEle, por Ele,
Libertaremos este mundo pelo amor!

2.Que levaremos nós daqui? É o amor
Qual a mensagem que vamos transmitir? É o amor!
Como é possível nossa vida transformar? Pelo amor!
E o mundo todo Pelo amor! Valorizar? Pelo amor!

3. Que quis Jesus nos ensinar? Foi o amor
Quando na Ceia a tal ponto se humilhou? Foi o amor
Lavando os pés dos discípulos assim? Por nosso amor
Qual servo humilde? Por amor! Até o fim? Por nosso amor!

4. Por que Jesus tomou pão? É por amor
Tomou o vinho e se deu em refeição? É por amor
E vem nutrir o faminto pecador, por seu amor
Fazendo dele, por amor, Co-redentor, eterno amor.

5. Jesus nos manda repetir, por seu amor,
Como presença de sua redenção, por seu amor,
O que Ele fez nesta ceia singular, por seu amor,
Em cada Missa, por amor, Continuar, ETERNO AMOR!




terça-feira, 10 de abril de 2018

Nascer do alto



3ª feira da II semana da Páscoa

Diz Jesus a Nicodemos que é preciso nascer de novo, isto é, nascer do alto.

Todas as outras criaturas nascem de baixo:
- seguram-se na terra
- alimentam-se a partir da terra
- elevam-se com superioridade
- e quando acabam voltam à terra.

Só as pessoas é que são capazes de nascer do alto:
- são seguradas pelo alto
- alimentadas pelo sustento celeste
- crescem para baixo, na humildade
- e quando acabam voltam ao alto donde vieram.

Quem não cresce do alto está apenas ao nível das outras criaturas.
Nascer do alto ou nascer de novo é fazer aquilo que só as criaturas humanas podem fazer e que mais nenhuma outra criatura pode fazer.

Para nascer do alto nem é necessário estarmos dentro do céu, mas apenas que o céu esteja dentro de nós.
Por isso para crescer do alto, basta crescer interiormente.




segunda-feira, 9 de abril de 2018

Da Anunciação do Senhor à Senhora da Anunciação


Solenidade da Anunciação do Senhor





















Nova Eva

1ª contemplação - Pai e Mãe do mesmo Filho
Hoje contemplamos o grande mistério da Anunciação em que Deus Todo-Poderoso e a Humanidade, na pessoa de Maria, se tornam o Pai e a Mãe do mesmo Filho.
O louvor do Pai e da Mãe basta falar de um para louvar ambos.
Assim o louvor do Pai é honra da Mãe, e o louvor da Mãe é a glória do Pai.

2ª contemplação - Maria e os 7 sacramentos
Santo Cirilo de Alexandria, no Concílio de Éfeso (431) disse que a graça do batismo, confirmação e sagradas ordens chegam à Igreja através de Maria.
Podemos salientar esta ligação de Maria Santíssima aos 7 Sacramentos da nossa vida na fé. A união de Maria ao projeto de Deus manifesta-se também na sua ligação aos sacramentos da Igreja.

Batismo limpa a mancha de Eva (Maria é a Nova Eva), dá-nos o Espírito Santo (o Esposo de Maria) e une-nos à morte e Ressurreição de Cristo, nova e eterna aliança.
Confirmação é o sacramento que confere a graça do Pentecostes a cada um de nós. Maria é a Esposa do Espírito e estava presente no Pentecostes.
Eucaristia é o Corpo e Sangue de Cristo. Esta carne e sangue do Verbo Eterno vieram do ventre da Santíssima Virgem Maria. Sem Mãe humana não há Corpo e Sangue de Cristo.
Penitência é a aplicação do mérito e sangue de Cristo ao pecador. A presença mediadora de Maria junto à Cruz confirma o seu papel neste sacramento. A compaixão da Mãe está unida à Paixão do Filho. Ela é a Senhora da Piedade.
Santa Unção é o sacramento que nos conforta nos momentos de debilidade. Ela continua a ir ao encontro de quem precisa. Por isso rezamos que rogue por nós na hora da nossa morte.
As Sagradas Ordens são o mistério do sacerdócio e Cristo tornou-se o Sumo Sacerdote da Humanidade por virtude da Sua Encarnação. Ela é a mãe de todos os sacerdotes, que com o Seu Filho Jesus são pontífices, isto é, fazem a ponte entre a terra e o céu, entre Deus e os homens. Maria ensina os sacerdotes a levarem Deus aos homens e estes a Deus.
Matrimónio foi elevado à dignidade de sacramento com a bênção divina. O milagre de Cristo e a bênção nas Bodas de Caná ocorrem por mediação direta de Maria. Assim, também ela é medianeira da graça sacramental do Santo Matrimónio.

Maria está assim unida a cada sacramento da Igreja para que todo aquele que o receber esteja unido a Maria.



















quinta-feira, 5 de abril de 2018

A paz convosco























5ª feira – Oitava da Páscoa

Os discípulos estavam tristes e temerosos.
Porquê?
Porque eram como escola sem mestre, ou soldados sem capitão ou filhos sem pai? Não!
Porque tinham saudades de Jesus? Não!
Porque tinham pena da condenação, paixão e morte de Jesus? Não!
Eles estavam com medo porque sabiam o que eles mesmos tinham feito a Jesus – um traiu-o, outro negou-o, uns fugiram e quase todos se afastaram.
Isso fazia com que não estivessem em paz consigo mesmos e que tivessem medo que Jesus, agora ressuscitado, lhes chamasse a atenção por essas atitudes.
Mas Jesus depois da ressurreição, nunca aludiu a esse comportamento. Nunca julgou, nem condenou ninguém por essas ações. Antes pelo contrário, pediu que o Pai lhes perdoasse, pois não sabiam o que estavam a fazer. Mas quase ninguém estava por perto para ouvir essa declaração de Jesus.
É por isso que Jesus ressuscitado, quando aparece aos seus discípulos, deseja sempre a paz… porque eles bem precisavam de sossegar o seu coração e a sua consciência.
Só um amor assim é salvífico.
Primeiro dá valor incondicional e único à pessoa amada.
Depois reconhece e satisfaz as necessidades do outro, a começar pela paz.
Por fim perdoa – o amor perdoa e esquece as faltas da pessoa amada.





quarta-feira, 4 de abril de 2018

Somos todos Emaús















4ª feira – Oitava da Páscoa

Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús… Enquanto falavam Jesus aproximou-se deles e pôs-se a caminhar com eles, mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem…

Onde 2 ou 3 estivermos reunidos em Seu nome, Ele estará no meio de nós.

Um deles era chamado Cléofas e o outro era anónimo, porque podes ser tu, posso ser eu ou qualquer outro amigo de Jesus.

Nós somos os discípulos de Emaús…

É estando em comunidade,
é falando de Jesus
é dialogando com Jesus,
é sentando-nos à mesa com Ele,
é acolhendo o seu pão abençoado
que nós O podemos reconhecer,
senão os nossos olhos continuarão impedidos de O reconhecerem.


Foto de LawrenceOP-Fan

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Jesus apareceu à sua Mãe


2ª feira da Oitava da Páscoa

Santo Inácio de Loiola, nos seus Exercícios Espirituais, afirmou que a primeira aparição do Senhor Ressuscitado foi a Maria, sua Mãe:
“Primeiro apareceu à Virgem Maria, que ainda que não se diga na Escritura, se tem por dito ao referir que apareceu a muitos outros... ”
Uma coisa é certa: Jesus Ressuscitado apareceu primeiro às santas mulheres… Maria, sua Mãe, com certeza não ficou à margem dessa experiência.

Inspirados nesta sugestão, imaginemos como pode ter sido essa primeira aparição:

No primeiro dia da semana, Maria, mãe de Jesus, foi a primeira a acordar em casa de José de Arimateia. Todos os discípulos do Senhor e ele mesmo costumavam ficar ali quando subiam a Jerusalém. Tudo ficava desarrumado quando vinham à festa da Páscoa. Ninguém trabalhava no dia de sábado, a não ser Maria que não deixava de recolher túnicas e mantos, pondo um pouco de ordem na casa para que ninguém tropeçasse.
Nessa manhã Maria levantou-se cedo, tinha o seu coração oprimido e seus olhos vermelhos pelas intensas lágrimas derramadas. Tinha passado todo o sábado em oração a Deus Todo-poderoso pelo seu filho.
Era ainda escuro quando foi para a cozinha atravessando a sala invadida pelos apóstolos. Todos dormiam e ressonavam numa polifonia dirigida por Pedro, pois era o mais ruidoso.
Começou a acender a lareira com alguns paus secos… queria amassar um pouco de farinha para preparar o pão quando se lembrou de Jesus que gostava de comer a massa ainda crua. Aprendera de José, seu pai, e dizia que o melhor fermento era o que fazia levedar a massa dentro de cada um e não dentro do forno.
Bateram à porta. Era Jeremias, o pequeno pastor, que trazia um pouco de leite que o pai mandara. Maria recebe-o carinhosamente e disse-lhe que esperasse um minuto, pois estava prestes a sair a primeira fornada de pão. O pequeno começou a ajudá-la a manter o lume aceso.
Chegou também Madalena para convidar Maria a ir ao sepulcro embalsamar o corpo de Jesus. Maria disse-lhe:
- Vai indo. Assim que eu termine esta amassadura de pão e deixe algo quente para estes rapazes, vou logo ter contigo.
E Madalena saiu apressadamente a caminho do sepulcro.
Assim que ficou pronta a primeira fornada Jeremias recebeu um pão a escaldar nas mãos, sorriu para Maria e saiu para a casa.
Maria sentia o seu coração a arder dentro do peito e voltando-se de repente para a lareira viu Jesus junto do alguidar da massa por cozer. Perturbou-se um pouco, duvidou, teve medo, mas recompôs-se e sorrindo disse:
- És sempre o mesmo… gosto muito de te ver comer a massa crua.
- Foi o pai José que me ensinou a comer assim – respondeu-lhe o filho a sorrir.
Jesus olhava-a com carinho e apontando para a sala onde dormiam os seus apóstolos disse:
- Cuida deles. Sê para todos eles o que foste para mim.
E Maria fechou os olhos, exultou de alegria e cantou:
- A minha alma glorifica o Senhor…
Os discípulos acordaram e vieram até à cozinha atraídos pela voz de Maria e pelo cheiro do pão fresco.
Abrindo os olhos, Maria viu-se rodeada apenas pelos apóstolos, mas não lhes contou nada da sua experiência com Jesus, com medo de precipitar as coisas…
Os discípulos perceberam que desde aquela manhã Maria estava diferente e que transbordava do seu coração uma misteriosa alegria.
Nisto chegaram Madalena e a outra Maria dizendo que Jesus estava vivo… Pedro e João nem ouviram todo o relato e desataram a correr para o sepulcro…  
Maria, mãe de Jesus, apenas sorria.
Só quando os apóstolos se encontraram com Jesus Ressuscitado é que perceberam a origem dessa misteriosa alegria de Maria, ou da Mãe Maria, como espontaneamente  começaram a chamar-lhe.










(Mosaico Resurrexit tertia die, foto de LawrenceOP-Fan. Texto - adaptação livre de uma reflexão de Hermann Rodríguez Osorio, S.J.)