sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Paisagens do céu (3)


Já vi cavalos terrestres e cavalos-marinhos,
cavalos na terra e cavalos no mar.















Agora descobri que também há cavalos-celestes, 
no céu!


Casa de oração


6ª feira – XXXIII semana comum

A minha casa é casa de oração... disse o Senhor.

1. Casa
Pregou Santo António que qualquer casa compreende alicerces, paredes e teto:
Os alicerces designam a humildade.
As paredes são formadas pelo conjunto das virtudes.
O teto é constituído pela caridade.
Onde estes três elementos se encontram reunidos aí está o Senhor.

2. Oração
Se oração fosse comida ou alimento, quanto é que tu pesarias?

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Paisagens do céu (2)


No céu também há bichinhos de estimação!


Outra versão

4ª feira - XXXIII Comum

Versão de fusão da parábola das minas do Evangelho de hoje

Jesus ensinava os seus discípulos em parábolas e dizia-lhes:
O Reino dos céus é semelhante a dois irmãos que viviam felizes e contentes, até que receberam o chamamento de Deus para entrarem ao seu serviço.
O mais velho respondeu com generosidade ao chamamento ainda que teve de ver como se desfazia o seu coração ao separar-se da sua família e dos amigos que muito amava e daquela com quem sonhava casar-se. Mas, por fim, partiu para um país longínquo, onde consumiu a sua própria vida ao serviço dos mais pobres de entre os pobres. Houve então uma grande perseguição naquele país. Foi então falsamente acusado, preso, torturado e condenado à morte.
O Senhor disse-lhe:
- Muito bem, servo fiel e cumpridor. Serviste-me por um valor de mil talentos. Vou recompensar-te com mil milhões de talentos. Entra no gozo do teu Senhor!
A resposta do mais jovem foi muito menos generosa. Decidiu ignorar o chamamento, seguindo um caminho diferente. Casou-se com quem muito amava. Foi feliz no casamento, teve sucesso nos negócios e chegou a ser rico e próspero. De vez em quando dava uma esmola aos necessitados e, uma vez por outra, não se esquecia de mandar uma boa quantia de dinheiro para o seu irmão mais velho, anexando apenas uma indicação: Talvez com isto possas ajudar melhor os pobres diabos desse país distante.
Quando chegou a sua hora derradeira, o Senhor disse-lhe:
- Muito bem, servo fiel e cumpridor. Serviste-me pelo valor de dez talentos. Vou recompensar-te com mil milhões de talentos. Entra no gozo do teu Senhor!
O irmão mais velho ficou surpreendido ao ouvir que o outro ia receber a mesma recompensa que ele próprio recebera. Mas ficou agradado com isso e disse:
- Senhor, mesmo sabendo deste final, se eu tivesse de fazer tudo de novo, voltaria a viver por ti exatamente o mesmo que vivi anteriormente.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Paisagens do céu (1)


Cheguei a Angola, em 2014, no início da estação das chuvas (outubro-abril) e fiquei encantado com o céu, sempre diferente, sempre movimentado, com nuvens de variadas formas artísticas. Em cada momento descobria paisagens diferentes lá no céu.
Para ver um panorama diferente de 2 em 2 minutos bastava olhar para o céu.
Nos momentos de monotonia bastava olhar para o céu e tudo se transformava.
Nas horas mais pacatas bastava levantar os olhos para o céu para tudo se animar.
















Na estação seca, por seu lado, o céu estava sempre limpo e azul. Era preciso esperar 15 dias para ver uma nuvem.
Eu que tanto apreciava o céu limpo e azul, passei a gostar mais do céu com nuvens.
E como em qualquer lugar, também o céu é sempre mais bonito quando povoado!



sábado, 14 de novembro de 2015

Cada árvore é um livro

Ano B - XXXIII Domingo comum

"Aprendei da figueira"

Havemos de aprender mais nos bosques, que nos livros, lembrava São Bernardo.
Que árvore há num busque, ou mais alta, ou mais humilde, que não cresça sempre para o céu?
E se tanto anelam ao céu as que tem raízes na terra; que devem fazer as que não tem raízes?
As do povoado, e cultivadas, dependem da indústria dos homens; as do deserto, e sem cultura, dependem só do Céu e de Deus, e nem por isso crescem ou duram menos,
As que desde o inverno, ensinam a esperar pelo verão; e as que veste e enriquece o verão, a não fiar da presente fortuna, porque lhe há de suceder o inverno.
As que se dobram ao vento ensinam a conservação própria; e as que antes querem quebrar que torcer, a retidão, e a constância.
Enfim, cada árvore é um livro, cada folha uma lição, cada flor um desengano, e cada fruto, três frutos: os verdes ainda não o são, os maduros duram pouco, e os passados já foram. (Pe. António Vieira. 4º domingo quaresma 1655)

Se quereis saber para onde há de cair a árvore, quando for cortada, olhai para ela, e vede para onde inclina, com o peso dos ramos. Se inclina para a parte direita, para a parte direita há de cair; e pelo contrário, se o peso a tem dobrado para a parte esquerda, da mesma maneira há de cair para a parte esquerda, e uma e outra cousa é sem dúvida.
Olhe agora cada um, e olhe bem para a sua alma, para a sua vida, e para as suas obras, que estas são os ramos da árvore. Se vir que são de fé, de piedade, de temor de Deus, de obediência a seus preceitos, de religião, de oração, de mortificação das próprias paixões, de verdade, de justiça, de caridade, enfim, de pureza de consciência, de frequência dos sacramentos e das outras virtudes e obrigações de cristão, entenda que perseverando, há de cair sem dúvida para a mão direita.
Mas se as obras, pelo contrário, são de liberdade e soltura de vida, de ambição, de cobiça, de soberba, de inveja, de ódio, de vingança. De sensualidade, de esquecimento de Deus e da salvação, sem uma muita resoluta e verdadeira emenda, e perseverança nela, entenda da mesma maneira, que a árvore há de cair para a mão esquerda, e que tem certa a condenação. (Pe. António Vieira, 1º dominga advento 1652)


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

As mãos da terra





















Na estrada de Malanje descobri
as mãos desta terra abençoada;
são as mais sólidas que já vi.
Apontando sempre para os céus
elevam uma oração velada,
consagrando este povo a Deus. 


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

No meio de nós

5ª feira - XXXII Comum

A)
A primeira leitura faz uma longa lista dos atributos e qualidades da sabedoria.
Tanta palavra para dizer o que poderia ser dito apenas por uma: Divina. 
A sabedoria é divina, e como tal é tudo o que ali se diz e muito mais.

B)
O evangelho recorda que o Reino de Deus está em nós. 
Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que compreendia muito bem e por experiência própria “que o Reino de Deus está em nós. Jesus não precisa de livros nem de doutrinas para instruir as almas; Ele, que é Doutor dos doutores, que ensina sem ruído de palavras. Nunca O ouvi falar, mas sinto que Ele está em mim; em cada instante, Ele guia-me e inspira-me o que devo dizer ou fazer. Descubro, precisamente no momento em que delas necessito, luzes que nunca tinha visto; e não é especialmente durante as minhas orações que essas luzes me são dadas, é antes no meio das ocupações do meu dia.

C)
Deus está sempre connosco para nós estarmos sempre com Ele.

Mbolo
















O postal ilustrado de hoje vem recordar o pão de cada dia que durante um ano saboreei no Luau.
Antes das 7 horas da manhã, lá estávamos na Padaria Kassenguege Adolfo para pegar o pão ainda quente, neste caso bem fresco. Era logo após a missa, depois de saborear o pão do Céu, queríamos saborear o pão da terra.
Se se chegava pela esquerda dizíamos que queríamos PÃO COM QUALIDADE.
E se chegava pela direita é porque queríamos PÃO DE QUALIDADE, conforme o que se podia ler nas respetivas paredes.
Estávamos à espera que em breve houvesse no centro escrito PÃO EM QUANTIDADE para quem chegasse pela frente.
O pão era delicioso, o pessoal atencioso e simpático e o apetite constante.





















Em Chokwe não havia vocábulo para dizer pão, por isso foi adaptado do português o termo MBOLO.
Sempre que eu pedia Mbolo (pão) tinha a sensação de estar a pedir bolo ou algum pastel. De facto na alimentação local o pão é mais um pastel de dia especial ou de festa do que um alimento quotidiano.
Até na oração do Pai Nosso, não se pede o PÃO ou o Mbolo de cada dia, mas sim KULYA, ou seja o alimento ou a comida quotidiana.
Recordo por isso a dificuldade que tive em falar sobre o Pão do Céu, nas homilias dos domingos XVII e seguintes do tempo comum.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Vermelho lá vai Violeta






















Recordo os frequentes arcos-íris que contemplei nesta época das chuvas no interior de Angola.
Recordo também a mnemónica para elencar corretamente as suas cores:
Vermelho lá vai Violeta = V. l. a. v. a. i. V. = Vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, indigo, violeta.

















Duplo arco-íris
No arco superior as cores estão invertidas em relação ao principal.
















Arco-íris circular
É também duplo em que as cores do superior, mais abatidas, estão invertidas.


sábado, 7 de novembro de 2015

Deu tudo


Ano B – XXXII domingo comum

Versão infantil do episódio do Episódio da pobre viúva que deu tudo

Uma jovem mãe estava a ter um dos piores dias da sua vida.
O marido havia perdido o emprego, o esquentador tinha avariado, o carteiro trouxe um monte de contas que ela não podia pagar, o seu cabelo estava péssimo, sentia-se desajeitada e infeliz.
Estava quase no ponto de rotura quando pegou ao colo o seu filho de um ano.
Encostou a sua cabeça na do bebé e começou a chorar compulsivamente.
Sem hesitação, a criança tirou a chucha que tinha na sua boca e… carinhosamente colocou-a na boca da mãe que chorava.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Dracma perdida


5ª feira - XXXI semana comum

Parábola de um rei que, em sua casa, perdeu uma moeda de ouro ou uma pedra preciosa.
Não a busca com uma candeia que não vale mais que um cêntimo?
Assim a parábola não pode ser uma coisa insignificante a teus olhos, já que graças a ela se podem encontrar as palavras da Torá.

Os amigos são assim


O Daniel queria uma foto individual, 
mas não conseguiu.
O Bolinha não se afastava.
Os amigos são assim: 
nunca nos deixam sós.



Um grande abraço para ti, Daniel!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Cão fotogénico (10)



Adeus Bolinha, até sempre!



- Porque é que o cão abana o rabo?

- Porque está a acenar dizendo adeus.
- Para não cheirar mal.
- Para dizer que não, não. Não se deve cortar o rabo ao cão.
- Ele abana o rabo porque o tem!
- Não, não. O cão abana o rabo porque o rabo não pode abanar o cão!
- O cão abana o rabo porque o rabo não é para ele um peso como o é para muita gente.
- Não sei. Não uso essa linguagem. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Celebrar óbito


No dia dos fiéis defuntos recordo o que aprendi entre os Chokwes em Angola.












Quando morre alguém, os amigos vão passar a noite e o dia em casa do defunto, onde há música, dança, comida e bebida. Dizem que estão a celebrar óbito, durante o qual nenhum amigo ou familiar vai trabalhar.
Antes do defunto sair de casa, alguém da família (pai, mãe, marido ou mulher) faz-lhe um discurso de despedida.
O cortejo funerário até ao cemitério é acompanhado de cânticos e de danças.
Antes do féretro descer à terra, alguém da aldeia ou do bairro lê a biografia do falecido.
Sobre a campa são colocados o prato, a caneca e o talher que o falecido costumava usar.
É sinal de respeito. Assim ninguém mais usará esses utensílios… continuarão a ser sua pertença por toda a eternidade.










Habitualmente ninguém vai limpar ou pôr flores no cemitério. Se o fizesse estaria a chamar alguém para ali, isto é, a desejar que alguém morra…
Só preparam, limpam e enfeitam os cemitérios quando há já um morto à espera de ser sepultado.












Quero aprender com eles a enfrentar a morte com mais coragem e serenidade.
Espero que eles aprendam comigo a celebrar a morte com fé e esperança.

Mútua intercessão


Neste dia de todos os fiéis defuntos
nós rezamos para que eles estejam com Deus
e eles rezam para que Deus esteja connosco.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Cão fotogénico (9)


Não, não está a dormir, está a pensar!
A mão a segurar a cabeça é o gesto próprio de um pensador.
Em terras onde o Pensador é a figura emblemática, até o Bolinha não resiste em tomar uma pose de pensador…
















Cão pensador


O meu principal inimigo

5ª feira da XXX Semana Comum

Na 1ª leitura está a pergunta:
Quem nos separará do amor de Deus?
Nada e ninguém!
Mas eu sei quem me pode separar desse amor de Deus.
Eu mesmo!
Basta eu não aceitar esse amor para provocar essa separação.
Então não devo temer nada e ninguém a não ser a mim mesmo para que não queira separar-me de Deus.

No Evangelho continua-se a mesma reflexão:
Jesus (qual galinha) não tem medo da raposa (Herodes ou outros adversários) mas tem medo apenas dos próprios pintainhos (os seus amigos). O mal não está nas raposas, mas apenas nos pintainhos que não querem abrigar-se debaixo das suas da sua proteção.

Sinto-me às vezes um pintainho rebelde…
Rezo para que eu não seja o meu principal inimigo…