quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Ler a Bíblia de joelhos


Memória de São Jerónimo, Presbítero e Doutor da Igreja, (340-420)

O que ensinava São Jerónimo no seu tempo:

1. São Jerónimo afirmava que desconhecer a escritura é desconhecer Cristo.

2. Juntamente com São Gregório Magno, seu contemporâneo, confirmava que as Escrituras eram os armazéns de Deus.

3. A distância entre um cristão e a Bíblia revela a distância entre um cristão e Deus.

4. São Jerónimo dizia que a melhor posição para ler a Bíblia é de Joelhos. De facto, era assim que ele a lia.

 

O que podemos aprender hoje de São Jerónimo?

Sobretudo, o seguinte – Amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura.

É importante, hoje, que os cristãos vivam em contato e em diálogo pessoal com a Palavra de Deus, que nos foi dada pela Sagrada Escritura... esta Palavra também constrói comunidades, que constituem a Igreja. Logo, devemos lê-la em comunhão com a Igreja viva.

 

À margem:

Durante a Segunda Guerra Mundial um soldado foi atingido por uma bala e encontrava-se sozinho, agonizando, numa valeta. O Padre Capelão, orientado pelos gemidos, enfrentando todos os riscos, conseguiu encontrá-lo.

Com a Bíblia na mão, tentou confortá-lo acabando por lhe perguntar se ele gostaria que lhe lesse alguma coisa daquele livro. O soldado respondeu-lhe que nesse momento o que estava mais precisando era de beber um pouco de água. Estava com muita sede e tinha a boca e a garganta muito secas. O Padre, deixou a Bíblia junto dele, em cima de uma pedra e afastou-se por uns momentos, até que conseguiu encontrar uma lata. Encheu-a de água, levou-a ao soldado e ajudou-o a bebê-la. Foi muito evidente o conforto que ele sentiu depois de beber aquela água.

Em seguida, depois de relaxar por uns momentos, disse ao Padre:

- Sinto necessidade de uma coisa para apoiar a minha cabeça.

O Padre sem hesitação tirou o pulôver que tinha vestido, dobrou-o, fez uma almofada, e aconchegou-lhe a cabeça. Entretanto sabendo a importância que tem o tocar numa pessoa que está em sofrimento agarrou-lhe na mão e acariciou-a com a outra, esperando que, entretanto, chegasse algum auxílio. Não lhe falou mais no «livro» que continuava em cima de uma pedra. Simplesmente continuava junto dele segurando-lhe a mão com a mão esquerda e acariciando-a com a direita. Passaram-se mais uns momentos de silêncio e de repouso. Sempre esperando um socorro que tardava a chegar. Uns momentos depois o soldado interrompe o silêncio para dizer:

- Padre, tenho tanto frio.

O Padre imediatamente se levantou, tirou um capote grosso que tinha vestido para se defender a si próprio do frio, estendeu-o sobre o soldado e ajeitou-o como se fosse uma mãe aconchegando o seu bebé. Neste momento o soldado fechou os olhos e desfrutou daqueles momentos em que se sentia tão aconchegado com o calorzinho daquela roupa e com o carinho do Padre que ele nunca tinha visto antes. O Padre continuava a segurar-lhe a mão e silenciosamente rezava. A certa altura o soldado interrompe o silêncio e diz ao Padre Capelão:

- Padre, se esse livro ensina a fazer pelos outros o que você fez por mim, por favor leia-me desse livro. Estou muito, muito interessado em escutar. Tenho fome dessa Palavra.


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