sexta-feira, 25 de setembro de 2026

O Bispo que ganhou o Emmy


O Arcebispo Fulton Sheen, que fez da rádio e da televisão instrumentos de evangelização foi beatificado em Saint Louis, nos Estados Unidos da América, ontem, 24 de setembro de 2026.

Venceu o prémio Emmy de "Personalidade mais notável da televisão" em 1953.

Peter John Sheen nasceu em 8 de maio de 1895, em El Paso, Illinois, como o primeiro dos quatro filhos de Newton e Delia Sheen. Desde pequeno, foi chamado pelo sobrenome de solteira da mãe, Fulton.

Criado numa família católica devota, desenvolveu muito cedo a vocação ao sacerdócio e foi ordenado sacerdote para a Diocese de Peoria em 20 de setembro de 1919.

Reconhecendo seus dotes intelectuais, os seus superiores enviaram-no à Europa para realizar estudos avançados. Em 1923, obteve o doutorado em Filosofia pela Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica. Foi nomeado vigário paroquial numa igreja do centro de Peoria. Posteriormente, foi enviado para ensinar Filosofia e Teologia na Catholic University of America, em Washington, D.C.

A partir de 1930, Sheen apresentou The Catholic Hour, um programa de rádio que levou o ensinamento católico aos lares dos Estados Unidos. O seu raciocínio claro, a sua exposição envolvente e o seu calor pastoral atraíram um público de mais de quatro milhões de pessoas. Foi apreciado por sua caridade intelectual, que o levava a apresentar verdades difíceis de maneira clara, sem perder de vista a necessidade de encorajamento em meio aos desafios da sociedade moderna. As suas obras literárias desenvolveram-se paralelamente à sua carreira no rádio e na televisão: dos 66 livros que publicou, Vida de Cristo é considerado uma de suas contribuições mais inspiradas.

Em 1951, começou a apresentar o programa de televisão Life Is Worth Living (A Vida Vale a Pena Ser Vivida). Com um cenário simples e um quadro de lousa, conquistou um público de mais de 30 milhões de pessoas, abordando de maneira clara e sincera questões relacionadas à fé, à moral, ao sofrimento, à família e à dignidade humana. Era um comunicador habilidoso, que utilizava a argumentação filosófica, a intuição teológica, o senso de humor e a narrativa para transmitir sua mensagem inspiradora não apenas aos católicos, mas também a protestantes e judeus.

Sheen participou do Concílio Vaticano II, onde encontrou dois futuros papas: Karol Wojtyła e Joseph Ratzinger. Em 1966, aos 71 anos, foi nomeado bispo de Rochester, em Nova York. Dedicou-se diligentemente à implementação do Concílio e à evangelização dos fiéis. Em 1969, apresentou a sua renúncia ao governo pastoral e recebeu o título pessoal de arcebispo.

Passou os últimos anos de sua vida escrevendo, pregando e orientando retiros, continuando sempre a dedicar seu tempo à oração. Pouco antes de morrer, escreveu sua autobiografia, Minha Vida.

Morreu a 9 de dezembro de 1979, em Nova York.

 

Embora os seus escritos sobre a igreja e a sociedade tenham sido publicados pela primeira vez antes de 1950, continuam atuais como se tivessem sido escritos ontem.

Porque ele continua a ser um evangelizador se fronteiras, partilhamos alguns desses  escritos.

 

O crucifixo é a minha autobiografia.

Se existe uma passagem que resume a espiritualidade de Fulton Sheen melhor do que qualquer outra, ela pode ser encontrada em sua autobiografia, Tesouro em Barro. Poucos parágrafos revelam sua compreensão da cruz de forma tão profunda quanto estas palavras:

A vida de cada um de nós foi escrita ali.

O crucifixo é a minha autobiografia.

O sangue é a tinta.

Os pregos, a caneta.

A pele, o pergaminho.

Em cada linha daquele corpo, posso traçar a minha vida.

Na coroa de espinhos, posso ler o meu orgulho.

Nas mãos cravadas de pregos, posso ler a avareza e a ganância.

Na carne que pende dele como trapos púrpura, posso ler a minha luxúria.

Nos pés acorrentados, posso encontrar as vezes em que fugi e não o segui.

Qualquer pecado que possas imaginar está ali escrito.

 

A consciência do peado

O Arcebispo Sheen brincava:

Bem, a questão é que hoje ninguém é pecador. Ninguém tem a consciência do pecado.

Antigamente, só nós acreditávamos na Imaculada Conceição.

Hoje, todos são concebidos imaculadamente.

Todos dizem que não têm pecados. O pecado deixou de existir. Parece ser o novo milagre da imaculada conceição.

 

Adoração eucarística

Para o Arcebispo Sheen, a Hora Santa não era apenas mais uma devoção entre muitas. Tornou-se o alicerce do seu sacerdócio, a fonte de força para a sua vida apostólica e a âncora da sua vida interior. Na Presença do Senhor Eucarístico, ele encontrou a graça para pregar, ensinar, sofrer e conduzir almas a Jesus Cristo.

Dizia – Não sei como poderia viver sem a minha hora santa diária. É essa hora que dá sentido ao meu dia.

Mas por que dedicar uma hora por dia à meditação? Porque vivemos na superfície de nossas almas, conhecendo pouco de Deus ou do nosso interior. O nosso conhecimento concentra-se principalmente nas coisas materiais, não no nosso destino. A maioria das nossas dificuldades e deceções na vida se deve a erros nos nossos planos. Tendo esquecido o propósito da vida, duvidamos até mesmo do seu valor. Um osso quebrado dói porque não está no lugar certo; as nossas almas sofrem porque não estamos cultivando a plenitude da Vida, da Verdade e do Amor, que é Deus.

 

A Eucaristia: O Coração da Vida Cristã

No coração da Igreja reside um mistério ao mesmo tempo oculto e revelado: a Eucaristia.

O Arcebispo Sheen frequentemente lembrava aos ouvintes que onde quer que a Eucaristia esteja, Cristo está presente, e onde Cristo está, há amor.

A Eucaristia não é uma obrigação, mas uma história de amor, um encontro diário onde o coração de Deus fala ao coração do homem. Toda a graça – da conversão à cura, da força ao perdão – flui dessa fonte viva de amor.

A Eucaristia é, na verdade, a continuação de Belém, a extensão do Calvário, o abraço de Cristo Ressuscitado e o antegosto do céu. Por essa razão, frequentemente declarava que a maior história de amor de todos os tempos está contida em uma pequena Hóstia branca.

 

Devoção Mariana

O Arcebispo Sheen escolheu como lema do seu brasão episcopal um verso do hino tradicional mariano Stabat Mater.

- Da per matrem me venire

Faz-me por meio da Mãe chegar (…à palma da vitória).

Escreveu vários livros sobre Nossa Senhora e rezava diariamente o Rosário.


 

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