domingo, 30 de agosto de 2026

A Cruz e o Crucificado


Ano A – XXII domingo comum

Seguir a Cruz e o Crucificado

Numa época em que o conforto é idolatrado e o sofrimento deve ser evitado a todo o custo, o crucifixo católico permanece uma proclamação ousada: Anunciamos Cristo crucificado (1 Cor 1, 23). Para muitos católicos, a escolha de exibir e venerar um crucifixo – em vez de uma simples cruz ou uma imagem de Cristo ressuscitado – não é meramente uma questão de preferência. É uma declaração teológica enraizada no âmago da vida litúrgica e devocional da Igreja. Esta não é uma decoração arbitrária. É uma exigência litúrgica. A presença do crucifixo não visa apenas suscitar emoções, mas sim catequizar e envolver todos os presentes no mistério que se celebra no altar: a representação do sacrifício único e definitivo de Cristo no Calvário.

Fulton J. Sheen, uma voz influente na evangelização católica do século XX, destacou a importância desta imagem sagrada:

Mantenham os olhos fixos no crucifixo, pois Jesus sem a cruz é um homem sem missão, e a cruz sem Jesus é um fardo sem alívio. Além disso, o crucifixo é um convite à participação. Jesus disse: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz diariamente e siga-me (Lc 9, 23).

Contemplar o crucifixo não é permanecer um mero espectador, mas ser atraído para o discipulado. Ele nos desafia a abraçar o amor sacrificial, a viver não para nós mesmos, mas para os outros.

 

À margem

Padrão

 

O esforço é grande e o homem é pequeno.

Eu, Diogo Cão, navegador, deixei

Este padrão ao pé do areal moreno

E para diante naveguei.

 

A alma é divina e a obra é imperfeita.

Este padrão sinala ao vento e aos céus

Que, da obra ousada, é minha a parte feita:

O por-fazer é só com Deus.

 

E ao imenso e possível oceano

Ensinam estas Quinas, que aqui vês,

Que o mar com fim será grego ou romano:

O mar sem fim é português.

 

E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma

E faz a febre em mim de navegar

Só encontrará de Deus na eterna calma

O porto sempre por achar.

 

13-9-1918, Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed. 1972).  - 60.

 

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