Maria no mistério de Cristo e da Igreja
Os dogmas, verdades de fé declaradas por um Concílio ou por um Papa, foram
enunciados em momentos importantes para a história da Igreja e tocam em pontos
sensíveis relativos à doutrina. São quatro os dogmas que historicamente a
Igreja definiu sobre Maria.
Os dogmas ou verdades da nossa fé, mais do que para serem professados devem
ser contemplados e rezados.
Rezemos o terço do Rosário meditando nesses mistérios marianos.
1º Mistério – A Maternidade divina de Maria
Cristo é uma pessoa divina e Maria é a sua mãe.
Esta verdade e dogma foi declarado no Concílio de Éfeso, em 431.
Na época a Igreja vivia uma profunda polémica interna causada pelos
nestorianos, corrente muito popular entre as comunidades cristãs do Oriente.
Segundo eles, Jesus tinha duas naturezas, uma humana e outra divina, mas pouco
ligadas. Maria seria mãe apenas de Cristo. Para combater esse pensamento, a
Igreja outorgou-lhe o título de Theotokos, expressão grega que significa 'Mãe
de Deus'.
Maria é a mãe de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
2º Mistério – A Virgindade perpétua de Maria
Maria foi virgem antes, durante e depois do parto.
Esta verdade ou dogma declarado no segundo Concílio de Constantinopla, em
553.
A virgindade de Maria é uma ideia tradicional, que remonta às origens do
cristianismo, mas gerou bastante polémica ao longo da história da Igreja. Foi
questionada pelos pagãos, que não compreendiam como uma virgem poderia dar à
luz e continuar virgem. Já as tendências gnósticas dentro do cristianismo
achavam que Jesus era filho de José.
A virgindade perpétua de Maria é a lembrança do sonho de Deus para cada um
de nós.
3º Mistério – A Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria
Maria foi durante a sua vida isenta de pecado.
Esta verdade ou dogma foi proclamado pelo Papa Pio IX a 8 de dezembro de
1854.
Teve como pano de fundo a luta que na época a Igreja travava contra o
racionalismo. A corrente negava a possibilidade de forças sobrenaturais agirem
no mundo. Todo o resto da humanidade, desde os nossos primeiros pais, nasceu
com pecado original, daí a necessidade da Salvação. Este dogma realça
justamente a intervenção direta de Deus no mundo, ao preservar Maria do pecado
original.
O mistério da Imaculada é um convite à nossa integridade de vida.
4º Mistério – A Assunção da Virgem Santa Maria
Após a morte, Maria subiu ao Céu em corpo e alma. Depois de Cristo, foi a
única criatura que teve esta distinção.
Esta verdade ou dogma foi declarado por Pio XII no pós-guerra, em 1950.
Após a maciça mortandade da Segunda Guerra Mundial, este dogma fala da
santidade da vida e da dignidade dos corpos humanos, ao lembrar que eles também
estão destinados à Ressurreição.
A Assunção de Maria é certeza da nossa esperança.
5º Mistério – Maria no mistério de Cristo e da Igreja
Esta síntese da doutrina da fé foi apresentada no Concílio Vaticano II em
1964.
Antes disso, em 1921 o Cardeal Mercier, Arcebispo de Malinas, com a
colaboração científica da Universidade Católica de Lovaina e o apoio dos
bispos, do clero e do povo belga, pediu ao Papa Bento XV a definição dogmática
da mediação universal de Maria, porém o Papa não consentiu.
Mais tarde os Bispos italianos queriam que o Concílio Vaticano II
proclamasse o dogma da Mediação Universal da Bem-Aventurada Virgem Maria.
O Concílio não entrou em declarações dogmáticas, mas preferiu apresentar
uma síntese da doutrina católica acerca do lugar que Maria Santíssima ocupa no
mistério de Cristo e da Igreja.
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