Memória de Santa Maria, Medianeira de todas as graças
Próprio da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Com esta memória seguimos a devoção do Pe. Dehon a Nossa Senhora tal como a expressa no seu Diretório Espiritual: Com a sua vida de vítima. Com os seus sacrifícios e as suas dores, Maria tornou-se reparadora e medianeira entre Deus e os homens (DSP 47).
Esclarecimento sobre a Medianeira
O conceito de mediação é utilizado na Patrística oriental a partir do século VI. Nos séculos seguintes, Santo André de Creta, São Germano de Constantinopla e São João Damasceno utilizam este título com diferentes significados. No Ocidente, tornou-se mais frequente o seu uso a partir do século XII, ainda que apenas no século XVII será enunciado como tese doutrinal. Em 1921 o Cardeal Mercier, Arcebispo de Malinas, com a colaboração científica da Universidade Católica de Lovaina e o apoio dos bispos, do clero e do povo belga, pediu ao Papa Bento XV a definição dogmática da mediação universal de Maria, porém o Papa não consentiu.
Bento XV, respondendo ao pedido do Cardeal Désire-Joseph Mercier, concedeu
a toda a Bélgica o Ofício e a Missa de Santa Maria Virgem “Medianeira de todas
as graças”, para serem celebrados no dia 31 de maio. A Sé Apostólica concedeu
posteriormente a muitas outras Dioceses e Congregações religiosas, mediante
prévia solicitação, o mesmo Ofício e Missa.
Desde então, até o ano de 1950 desenvolveu-se uma investigação teológica
sobre a questão, que chegaria à fase preparatória do Concílio Vaticano II. O
Concílio não entrou em declarações dogmáticas, mas preferiu apresentar uma
extensa síntese «da doutrina católica acerca do lugar que Maria Santíssima
ocupa no mistério de Cristo e da Igreja».
O Cardeal Ratzinger expressou (em 1996) que o título de Maria medianeira de
todas as graças não era claramente fundado na Revelação, e em sintonia com essa
convicção podemos reconhecer as dificuldades que este título implica tanto na
reflexão teológica como na espiritualidade.
(Cf. Dicastério para a Doutrina da fé, Mater Populi fidelis, 7 de outubro
de 2025)
Ato de Oblação Dehoniano para este dia:
Irmãos, unamos a nossa oblação à do próprio Coração de Jesus e
apresentemo-la pelas mãos puríssimas do Coração Imaculado de Maria.
Senhor Jesus,
pelas mãos de Maria, tua e minha Mãe,
Ofereço-te a minha inteligência
para os teus pensamentos;
ofereço-te a minha vontade
para os teus desejos:
ofereço-te os meus sentidos
para as tuas obras;
ofereço-te o meu coração
para o teu amor.
Faz que, vivendo de ti, trabalhando por ti,
eu me transforme em ti.
Mãe de Jesus, faz de mim outro Jesus.
Ámen.

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