sexta-feira, 3 de abril de 2026

O último sermão de Jesus


6ª feira da Paixão do Senhor

Hão de olhar para Aquele que trespassaram.

Assim podemos acolher o último sermão de Jesus, pregado no alto da cruz com as últimas palavras da sua boca, com o seu último olhar e com o seu coração aberto.

 

As últimas palavras da sua boca

Os carrascos esperavam que Jesus crucificado chorasse, pois todos os que foram pregados na cruz o haviam feito antes d'Ele. Séneca conta-nos que os crucificados amaldiçoavam o dia do seu nascimento, os carrascos, suas mães e até cuspiam em quem os olhasse. Cícero diz-nos que, às vezes, era necessário cortar a língua dos crucificados para impedir as suas terríveis blasfémias. Portanto, os carrascos esperavam um choro, mas não o tipo de choro que ouviram. Da boca de Cristo saíram palavras santas e abençoadas. Não amaldiçoou, mas abençoou. Ele não blasfemou, mas rezou.

Estas foram as últimas sete palavras de Jesus na cruz:

 

1 – As primeiras palavras foram dirigidas aos inimigos:

Pai, perdoa-lhes.

2 – As segundas foram dirigidas aos pecadores: Hoje estarás comigo no Paraíso,

3 – As terceiras foram dirigidas aos santos: Mulher, eis aí o teu filho, eis a tua mãe.

Inimigos, pecadores e santos – esta é a ordem do Amor e da Atenção Divina.

A quarta e a quinta palavras, revelam os sofrimentos do Deus-homem na Cruz:

4 – A quarta palavra simboliza os sofrimentos do homem abandonado por Deus - Meu Deus, Meu Deus porque me abandonastes. Reza o salmo 21(22).

5 – A quinta palavra, os sofrimentos de Deus abandonado pelo homem. É a mais curta das sete palavras. Embora na nossa língua seja composta por duas palavras, no original é uma só. Ele que fez a água, pede de beber a homem. Não era um gole de água terrena, não era isso que Ele queria dizer, mas um gole de amor. Tenho sede – de amor!

6 – Jesus proferiu a sexta palavra, o cântico de triunfo: Tudo está consumado.

7 – A sétima e última palavra foi uma palavra de perspetiva: Entrego o Meu Espírito.

A sexta palavra era voltada para o homem; a sétima, para Deus. A sexta palavra foi uma despedida da Terra; a sétima a sua entrada no Céu.

 

O seu derradeiro olhar

No Calvário Jesus na Cruz olhou em 5 Direções:

1 – Olhou para esquerda com pena o ladrão que o afrontou.

2 – Olhou para direita garantindo salvação ao ladrão que o reconheceu como rei.

3 – Olhou para baixo, mostrando cuidado com Maria e o discípulo amado.

4 – Olhou para frente dizendo: pai perdoa porque não sabes o que fazes.

5 – Olhou para cima dizendo: Pai, tudo está consumado, entrego o meu espírito.

A única direção que Jesus não olhou na cruz foi para trás. Na Cruz, o passado fica aonde deve estar, para trás!

Aprendamos a olhar do mesmo jeito e para todas as mesmas direções, exceto para trás:

- Para os lados com pena e gratidão

- Para a frente com perdão

- Para baixo com solicitude

- Para o alto com espírito de entrega e de sacrifício ou oferta.

 

O seu coração aberto a palpitar em nós

Adaptando uma quadra de Fernando Pessoa:

 

Trazes uma cruz no peito

Não sei se é por devoção

É antes o melhor jeito

De ter lá um coração

 

Olhemos a cruz que trazemos no nosso peito. Que ela seja o sinal de que no nosso peito está um coração, não apenas o nosso, mas o coração de Cristo crucificado.

 

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