sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Dehonianos na Guerra


Foram devastadoras as consequências que a I Guerra Mundial infligiu à Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos), aos seus membros e às suas obras e projetos. O impacto foi maior nesta congregação pois nascera e tinha os seus principais recursos na zona central das operações desta guerra.
O recrutamento vocacional e a formação demorariam mais de 10 anos a recuperar-se deste impacto.
Dos 70 professos que foram recrutados em ambos os lados do conflito, quase metade morreria.
De facto durante todo o conflito bélico morreram 33 dehonianos ao serviço dos exércitos:
23 da Província Alemã e 10 da Província Francesa.
Destes 5 eram noviços, 18 escolásticos e 10 irmãos cooperadores.
Os padres estavam dispensados do porte de armas e por isso não eram colocados na frente de batalha.
Os mais novos (noviços e escolásticos) faziam parte dos batalhões regulares enquanto os irmãos serviam como enfermeiros.
De entre os falecidos, os mais novos foram os noviços de 20 anos e os mais velhos os irmãos cooperadores de 37 ou 38 anos.















Durante os anos da guerra, foram muitas as cartas com as quais o Pe. Dehon procurou manter-se em contacto com os seus confrades que estavam em frente de batalha, sobretudo para os confortar com o apoio espiritual, moral e humano.
Apresentamos dois exemplos, precisamente dos dois que estão na foto ao lado do Pe. Dehon no jardim da Casa do Coração de Jesus em São Quintino logo no início da guerra.

1º - Alfred Rottaire, na foto já fardado.
Tinha feito os primeiros votos a 22 de setembro de 1906.
A 17 de junho de 1915 morreu aos 27 anos, em Neuville St. Vaast, França.
Ao amanhecer desse dia tinha escrito esta breve carta aos seus pais:

Papá e mamã,
O dia promete ser quente.
Alguns dos nossos perderão hoje as suas vidas.
Se eu estiver no número destes homens mortos, não se lementem nem me chorem demasiado…
Espero reencontrar o meu irmão Honoré, morto também pela França.
Lá em cima nos reuniremos sem lágrimas…
Vosso filho que vos ama mais do que nunca
Alfred

2º - Paul Crépin, na foto ainda de batina
Antigo aluno de São João e de São Clemente de Fayet era natural de São Quintino. Fez os primeiros votos a 23 de setembro de 1910. Faleceu com 25 anos no dia 28 de junho de 1918, aos 5 meses antes do armistício.
Esta carta é dos começos de 1918, dirigida ao Pe. Dehon:

Reverendíssimo Padre…
A sua carta de janeiro, dando-se a sua direção, permite-me dar-lhe agora algumas notícias. Gostaria de tê-lo feito há mais tempo, mas no exército nem sempre se faz o que se quer.
Aqui não encontramos nenhuma trincheira, mas unicamente algumas covas de obuses cheios de água. À nossa volta só há devastação. Não há mais de dois metros que não tenha sido destroçado, cheios de cadáveres já em decomposição que sinto o dever de enterrar. Não longe de nós… os alemães.
Tudo isto me faz refletir. Vossa reverência já não conheceria o jovem tímido de outrora. A guerra mudou-me muito até me fazer o homem de hoje: cada coisa a seu tempo. Por agora é a guerra… Sinto tal aversão aos alemães que não os posso ver à minha frente nem pintados… Estou orgulhoso de ter sido chamado, embora não quisesse, para inculcar os meus sentimentos a algumas dezenas de camaradas.
A guerra também me fez conhecer a vida e o que a vida é na presença da morte.
Fora destes poucos momentos de meditação, esqueço tudo para alegrar um pouco os meus camaradas. É um belo apostolado depois de mais de três anos de guerra. Pode estar seguro que tenho cumprido o meu dever.
Com pena me despeço, pois o serviço chama por mim.
Quando voltarei a vê-lo?!


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

A cruz do Bom Pastor


5ª feira – XXXI semana comum

Três aplicações diferentes do Evangelho de hoje, à escolha do ouvinte da palavra, para que se torne cumpridor da mesma.

A) Os pecadores iam ao encontro de Jesus.
Ainda hoje ouvimos: Quem vai à igreja são os piores…
Quando oiço isto, apetece-me proclamar a início do Evangelho de hoje:
Só os pecadores é que se aproximavam de Jesus.
Se nós nos aproximamos hoje dele, é porque nos revemos nesse estatuto, somos todos pecadores.
Ainda bem que somos pecadores para nos aproximarmos de Jesus.

B) O nosso lugar no rebanho de Jesus.
Todos nós fazemos parte do grande rebanho de Jesus.
Perguntei: Onde é que acham que deve ser o meu lugar nesse rebanho?
Uns responderam que devia ser à frente, outros atrás, outros no meio, ao lado…
O meu lugar, o teu lugar, o de qualquer amigo de Jesus deve ser… nos ombros do Bom Pastor.
Aquela ovelha perdida e encontrada deve ser cada um de nós. Basta deixar-se encontrar, converter-se…
O meu lugar no rebanho só pode ser aos ombros do Pastor…

C) A alegria dos anjos.
Perguntei se no Céu havia tristeza. Todos responderam que não, não é possível haver tristeza no céu, só há alegria.
Então se um pecador se converter, há uma grande alegria entre os anjos.
E se não se converter, não há alegria… portanto a ausência de alegria é tristeza.
Isto só para nos lembrar que temos a capacidade de encher o céu de alegria ou de tristeza. O nosso poder cá na terra é tal, que podemos condicionar o céu e a eternidade.
Basta um pecador converter-se e haverá grande alegria entre os anjos.
























Cruz Peitoral do Papa Francisco

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A guerra e a paz e o Pe. Dehon


Há precisamente 100 anos o Pe. Dehon estava em Lyon quando foi preparado e assinado o armistício que pôs fim à I Guerra Mundial.
Mas a terra natal do Pe. Dehon (La Capelle) e a família do Pe. Dehon estiveram envolvidos no processo do armistício.
De facto, a delegação alemã que veio negociar a rendição passou por La Capelle no dia 7 de novembro de 1918 e foi recebida protocolarmente pelo autarca local, Henrique Dehon, irmão do Pe. Dehon.  Seguiu depois em direção à Clareira do Armistício, entre Campuégne e Soissons onde, num vagão de comboio negociaram e assinaram o acordo a 11 de novembro de 1918.














As últimas horas da guerra
Ao amanhecer do dia 7 de novembro de 1918 o capitão médico francês Artaud apresentou-se capitão Lhuillier, que comandava um batalhão do regimento 171 de infantaria na primeira linha, não longe da estrada de La Capelle a Chimay. Ia comunicar que já não tinha nenhum maqueiro, porque ou tinham morrido, ou sido feridos ou feito prisioneiros. Os dois homens olharam-se angustiados.
Nesse momento chegou um telegrama do Estado Maior. Lhuillier abriu-o e leu:
Os parlamentares que vêm solicitar o armistício apresentar-se-ão na estrada de La Capelle a partir das 8 horas. Há que tomar imediatamente todas as disposições para facilitar a sua entrada nas linhas francesas.
Lhuillier ergueu a cabeça, com os olhos brilhantes e o coração a pulsar com força. Com voz quebrada pela emoção concluiu:
- Artaud, já não necessita de mais nenhum maqueiro.
Naquela mesma noite, de madrugada, o comandante Riedinger enviou o seguinte telegrama:
Do Marchal Foch ao alto comando alemão. Se os plenipotenciários alemães desejam ver o Marechal Foch para solicitar um armistício, apresentar-se-ão diante da vanguarda francesa na estrada Chimar, Fourmies, La Capelle. Serão dadas ordens para a sua recepção e para que sejam conduzidos a um lugar fixo para o encontro.
No dia 7 de novembro, pelas 12H00 o capitão Schaube e Zobrowski esperaram os delegados alemães com ua bandeira branca em Fournies. Passando por Rocquigny e Haudroy (posto do comando de Lhuillier) chegaram a La Capelle às 20H30 onde foram acolhidos por Henrique Dehon, alcaide local. Partiram às 22H00 em direção a Hamblières e depois de comboio de Tergnier até Rethondes (Clareira do Armestício) onde se mantiveram em negociações com os franceses, britânicos e aliados desde o dia 8 a 11 de novembro, às 11H00 quando foi assinado o armistício que pôs fim à guerra.
(CF. O fim da Primeira Guerra Mundial, História e Vida, 1968)























Henrique Dehon (1839-1921) irmão do Pe. Leão Dehon. Era o prefeito de La Capelle e nessa qualidade acolheu a delegação alemã que veio negociar o armistício que há 100 anos pôs fim à grande guerra.

O Pe. Dehon na guerra
São Quintino esteve sempre em plena zona de operações da I Guerra Mundial. O Pe. Dehon manteve-se lá até ser forçado ao exílio. A guerra foi até ele e no centro da guerra ele sempre foi um homem de paz.
O diário do Pe. Dehon (NQ) desde que estalou a guerra a 1 de agosto de 1814 até à deportação para a Bélgica em março de 1817, soma mais de 766 páginas manuscritas. Além disso, em data posterior, o Pe. Dehon compôs outro manuscrito de 64 páginas sobre a sua experiência durante a guerra com o título de “A Casa do Coração de Jesus durante a guerra).
Limitamo-nos hoje a referir as atitudes do Pe. Dehon durante a I Guerra Mundial seguindo o que deixou escrito o seu primeiro biógrafo Pe. Ducampo em “O Pe. Dehon e a sua obra” Ed. Paris–Briges 1936.

a) Diante de tantas provas a que a guerra submete (morte, feridas, fome, doenças, miséria) o domínio de si é a característica que sobressai no Pe. Dehon. “A sua calma impregnada de fé era igual à dos grandes chefes militares. A sua confiança foi inquebrável… durante os bombardeamentos noturnos mais violentos, não desceu mais do que uma vez à cave…  e continuava a jogar ao gamão (jacquet ou backgammon)”.
b) O serviço aos outros, seja acolhendo a quantos vinham em massa ter com ele, ou indo a pé, por uma cidade bombardeada sem cessar. Acolhia e não julgava. Estava sempre próximo de quem sofria, independentemente se era invasor ou invadido, civil ou militar, francês ou alemão. Muitos confrades eram dominados pelos sentimentos nacionalistas e pelo ódio pelos seus rivais. O Pe. Dehon nunca tirava por ninguém e por todos implorava a misericórdia de Deus. De facto, ele era o superior de todos.
c) O seu sentido de dever, quando, por exemplo, os confrades da Província alemã lhe oferecem em abril de 1916, para sair do inferno de São Quintino, e levá-lo para Bruxelas, recusou agradecido dizendo: “Fico cá com a minha comunidade. Ou então, no momento da evacuação da cidade quando encabeça a fileira dos seus religiosos a caminho da estação.
d) A sua atividade espiritual e inteletual: porque esteve isolado da sua congregação durante dois anos e meio, sem jornais, sem viagens, sem correspondência, passou a maior parte do seu tempo lendo. “Tive tempo de ler todo o que tinha acumulado na minha biblioteca de livros ascéticos, vidas de santos e tratados de espiritualidade.” Ao deixar São Quintino lamenta ter que abandonar essa biblioteca. A guerra foi também uma oportunidade para fazer a releitura da sua obra ou congregação. Aos 40 anos da fundação, com todas as suas obras destruídas, com a basílica em ruínas, tudo é interpretado como uma mensagem divina. Por isso escreve o seu Testamento Espiritual, revê o Directório Espiritual e redige o Manual dos Agregados da Congregação.























O Colégio São João, fundado pelo Pe. Dehon e berço da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus, atingido pelos bombardeamentos da cidade de São Quintino, na França, durante a I Guerra Mundial.

Datas significativas:
1914
02/08 – Mobilização Geral.
25/08 – Os combates aproximam-se de São Quintino.
28/08 – O exército alemão ocupa São Quintino.
09/09 – sucedem-se bombardeamentos entre alemães e franceses (há cerca de 5 mil feridos).
1915-1916
A guerra continua com bombardeamentos, mortes, feridos, fome e pobreza em São Quintino.
1917
12/03 – São Quintino é evacuada. O Pe. Dehon é exilado para Enghien, perto de Bruxelas, onde é recebido pelos Jesuítas franceses, depois de uma queda grave na estação de comboio.
13/12 – Pe. Dehon parte de Bruxelas com destino a Roma com um salvo-conduto especial concedido por intercessão do Papa Bento XV.
28/12 – Pe. Dehon chega a Roma, onde permanece durante 4 meses.
1918
25/04 – Pe. Dehon em audiência despede-se do Papa e parte para França.
01/07 – Pe. Dehon permanece em Lyon.
11/11 – Em Lyon recebe a notícia do fim da guerra.




terça-feira, 6 de novembro de 2018

Desculpas esfarrapadas


3ª feira – XXXI semana comum

Todos os convidados se foram desculpando…

A pior coisa que podemos dar a Deus é...
...uma desculpa.
Porque ninguém consegue esconder-se de Deus atrás das desculpas.

Todos estamos habituados a ouvir um rol de justificações por parte dos católicos que não querem ir à Missa ao Domingo.
Essas justificações também servem para não tomar banho… Ir ou não ir à missa é como tomar ou não tomar banho, eis a questão!

Parábola das desculpas esfarrapadas 
para não tomar banho
1. Fui obrigado a tomar banho quando era criança.
2. As pessoas que tomam banho são hipócritas. Pensam que são mais limpas do que todos os outros.
3. Há tantos tipos diferentes de sabonete. Eu nunca poderia decidir qual seria o mais indicado para eu usar. 
4. Eu costumava tomar banho, mas tornou-se aborrecido e, então, deixei de o fazer.
5. Só tomo banho em ocasiões especiais, como na Páscoa e no Natal. 
6. Nenhum dos meus amigos toma banho.
7. Ainda sou jovem. Quando ficar mais velho e estiver um pouco mais sujo, talvez comece a tomar banho. 
8. Eu não tenho tempo para tomar banho. De todo.
9. A casa de banho nunca é suficientemente quente no Inverno nem suficientemente fresca no Verão. 
10. As pessoas que comercializam sabonete só têm interesse em ficar com o meu dinheiro. 
Mas há mais:
- O que interessa é fazer o bem, mesmo sem tomar banho. 
- Trabalho arduamente durante a semana e, então, estou demasiado cansado para tomar um duche no fim-de-semana. 
- O primeiro sabonete que usei causou-me reação alérgica. Por isso, nunca mais tomei banho desde então.
- Tomar banho é coisa do passado. É preciso atualizar-se…
(De autor desconhecido)

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Os presentes das pessoas e as pessoas dos presentes


2ª feira – XXI semana comum

Quando quiseres dar um banquete não convides aqueles que podem gratificar-te, mas apenas os que precisam de ti.
Mais importante do que o presente é tornar-se presente junto de quem precisa.
Por isso convida os pobres, os cegos, os aleijados…
Assim mais do que dar um banquete, te darás a ti mesmo, e serás o melhor presente… porque presente na sua vida.

As pessoas são como os presentes e os presentes são como as pessoas.
Os presentes têm embrulho, mas o mais importante é o seu conteúdo.
Assim também o mais importante das pessoas não é a sua aparência mas o seu interior.
Os presentes podem ser repetidos, mas sempre especiais.
Assim também as pessoas, podem parecer parecidas com tantas outras, mas são sempre únicas.
Os presentes têm sempre um preço que pode ser apenas um valor afetivo.
Assim também cada pessoa tem um valor infinito, um preço incalculável.
Os presentes tornam presente a pessoa que oferece.
Assim também nas pessoas o mais importante do que aquilo que se dá é aquilo que se é.
Um presente nunca exige um presente como recompensa.
Assim também nas pessoas o único presente que se dá e se deve receber é … um abraço.

Tornar-se presente é o único presente que importa.
Os melhores presentes são as pessoas.
As melhores pessoas são as presentes.


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Que seja pelas almas...


Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

Dia de fé – Dia de oração, de união a Deus e aos nossos defuntos. Não só neste dia, no cemitério, mas sobretudo em comunidade em assembleia, sobretudo na eucaristia (que é sempre comunitária). Nós rezamos para que eles estejam com Deus. Eles rezam para que Deus esteja connosco.
Dia de esperança – Alargar os nossos horizontes. A morte não é uma barreira… É preciso olhar mais além. Quem não tem esperança na vida eterna, vive encurralado neste mundo, sem sentido nem horizontes.
Dia de caridade – Praticar uma obra de caridade em memória dos nossos defuntos. Continuar a sua caridade, fazer aquilo que eles fariam se ainda estivessem cá entre nós.
Não estão cá, então façamos caridade por nós e por eles. É por isso que os antigos agradeciam um gesto de caridade dizendo: Que seja pelas almas…

























Visitar e rezar
É o convite que a Igreja nos faz neste dia:
Visitar o cemitério e rezar pelos nossos defuntos.
Porque visitar é rezar e rezar é visitar.

Rezar pelos fiéis defuntos
É lançar um pouco de nós até à eternidade.
É trazer um pouco da eternidade para nós.
Os nossos irmãos ao partirem, levaram um pouco de nós no seu coração para a eternidade.
E nós aos recordarmo-nos deles estamos a dizer-lhes que eles deixaram um pouco do si no nosso coração.
Através da oração nós unimos o tempo e a eternidade, o céu e a terra, os que estão cá com os que estão lá, os homens com os santos.

Dia de oração:
Oração de ação de graças – agradecer a vida que os nossos irmãos, partilharam connosco, o bem que nos fizeram, tudo o que nos ensinaram. Continuamos a agradecer.
Oração de união ou de comunhão – Continuamos unidos todos, porque é Deus quem nos une. A nossa união é mais forte do que o tempo ou a morte. Eles continuam a nos ajudar.
Oração de ajuda ou de auxílio – Eles continuam a ajudar-nos através da sua intercessão, rezar por eles é uma boa oportunidade de nos lembrarmos que eles rezam por nós. Eles continuam a nos ensinar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Há 100 anos no cinema






















Em 1854 o Cardeal inglês Nicholas Wiseman, 1802-1865 (o primeiro arcebispo de Westminster e também o primeiro Cardeal residente da Inglaterra desde a Reforma) publicou um romance intitulado FABÍOLA. Nessa obra, também conhecida como A Igreja das Catacumbas, abordava as perseguições da igreja cristã primitiva e os seus mártires, na visão de uma jovem da aristocracia romana. 
O livro foi adaptado 3 vezes para as telas do cinema:
- Em 1918, na Itália, com direção de Enrico Guazzoni.
- Na França em 1949 com direção de Alessandro Blassetti.
- Em 1960 também na Itália com direção de Nunzio Malasomma, com o título de A Revolta dos Escravos.
No enredo original a história passa-se nos princípios do século IV, em Roma, durante as perseguições aos cristãos decretadas pelo Imperador Diocleciano.
A heroína do livro é Fabíola, uma bela jovem romana de família nobre. Ela é mimada por seu pai, Fábio, que não lhe nega nada. Fabíola parece ter de tudo, mas não está feliz. Um dia, num acesso de raiva, ataca e fere a filha de uma escrava, Syra, que secretamente seguia a religião cristã. A fútil menina romana fica sensibilizada com a humildade de Syra, que reage a esta situação com resignação e maturidade. Uma lenta transformação tem início na jovem, que culmina finalmente com a sua própria conversão ao cristianismo, conduzida por Syra…





















Aos 19 anos Leão Dehon, estudante de Direito em Paris, foi pela segunda vez passar os meses de verão à Inglaterra para aperfeiçoar o seu inglês.
Em julho de 1862 encontrou-se com o autor deste romance Fabíola. Eis o que, a propósito, deixou escrito nas Notas Sobre a História da Minha Vida, número I com o título - O CARDEAL WISEMAN:
“Alguns dias antes da saída de Londres, tive a boa sorte de passar uma tarde com o Cardeal Wiseman, o ilustre arcebispo de Westminster, o autor de Fabíola.
Pedi-lhe uma audiência com Palustre; respondeu-nos dizendo qual era o dia em que recebia. E lá fomos.
Fez-nos um amável acolhimento e convidou-nos a tomar chá.
Tinha voltado há pouco de Roma. Falou-nos com afeição de Pio IX e mostrou-nos uma medalha bem grande que o Papa lhe oferecera.
Encontrámo-lo vestido à inglesa, meio à civil. O seu rosto corado representava bem o tipo nacional. Falava facilmente francês.
Alguns padres e leigos tomaram parte nesta reunião simples e familiar.”





















Não sabemos se o Pe. Dehon chegou a ver o filme sobre este romance, rodado precisamente há 100 anos.
Ele pode não ter visto o filme, mas com certeza leu o livro, talvez até na língua original, e tomou chá com o seu autor.
E também sabemos que antes do romance ser adaptado ao cinema (1918) já o Pe. Dehon o tinha adaptado ao teatro (1875), como padre fundador e animador do Patronato dos jovens e pároco de São Quintino:
“No Patronato nós tínhamos 3 ou 4 festas por ano e outras excecionais…
Em maio de 1875, os nossos jovens representaram para a tomada de posse do cónego Mathieu, Fabius ou os mártires, drama tirada do romance Fabíola.
Eu tornava-me então ensaiador, sugeridor (ponto), maquinista. Isso exigia-me muito tempo e paciência. Representávamos as peças duas vezes, para os benfeitores e para os pais dos nossos jovens…Nós pedíamos aos benfeitores 1 franco de entrada para o teatro e fazíamos também um peditório. Houve soirées em que arrecadámos 300 ou 400 francos. Estas iniciativas edificavam-nos e aproximavam-nos da população…” (NHV, XI).

Conclusão:
O jovem Leão Dehon sabia cultivar-se muito bem e cultivar os outros também.


Quem são e donde vieram


Solenidade de todos os santos

Quem são os estes santos?
A liturgia de hoje reponde-nos:
A oração inicial ou colecta diz-nos que Deus concede-nos a graça de venerar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos. E quem são eles? Em atenção a tão numerosos intercessores derramai sobre nós a tão desejada abundância da vossa misericórdia.
A oração sobre oblatas continua: Fazei-nos sentir a intercessão daqueles que já alcançaram a imortalidade.
O Prefácio chama-os ilustres filhos da igreja que Deus nos dá como exemplo e auxílio para a nossa fragilidade.

Santos são nos nossos intercessores, os que torcem por nós desde a eternidade, os que rezam por nós, os que nos auxiliam desde a eternidade.
Ser santo é rezar por alguém e rezar por alguém é ser santo.
É por isso que na ladainha dos santos nós repetimos a cada nomeação ROGAI POR NÓS, porque a missão de um santo é rezar pelos outros.
Os santos rezam por nós para que possamos rezar com eles…
Antecipar o céu é rezar por alguém…
Quando alguém reza por mim, é um santo…
E quando eu rezo por alguém, estou a ser um santo auxílio para ele.

Sabem quem foi a pessoa mais santa que eu conheci na minha vida?
Tenho a certeza que a minha mãe foi a pessoa que mais rezou para mim.
Portanto ela foi aqui na terra a pessoa mais santa para mim e continua a sê-lo lá no céu, pois a sua oração continua lá junto de Deus.
Os santos são os nossos intercessores.
Então rezemos e sejamos santos…



terça-feira, 30 de outubro de 2018

Jesus é grão e fermento


3ª feira – XXX semana comum

A parábola do grão de mostarda e a do fermento são as mais breves contadas por Jesus. Pequenas parábolas que falam de pequenas coisas com capacidade de fazer grandes projetos.
O principal objetivo destas parábolas é descrever o humilde começo do Reino de Deus na terra e mostrar que o seu impacto grandioso estava garantido. 
Tudo começa pequenino, pois ninguém nasce grande. Precisamos de tempo e de maturação. Às vezes sentimos que não conseguimos acompanhar a evolução dos tempos, porque precisamos crescer mais devagar… Quanto mais depressa é a subida, mais depressa será a queda.

Jesus é este grão de mostarda e este fermento.
Grão é a contração de grande, grande não no tamanho mas no potencial.
Pequenas iniciativas podem gerar grandes resultados.
Ele sendo Deus, sendo grande, humilhou-se a si mesmo, tomando a condição de pequeno… Tornou-se pobre para nos enriquecer a todos.
De facto Ele foi lançado no seio da terra nascendo na gruta de Belém. Foi preso, morto e sepultado no seio da terra. Ressuscitou no mesmo jardim, isto é, brotou e floriu para nos dar vida.

O verdadeiro grão de mostarda é Jesus que floriu na nossa terra.
O verdadeiro fermento é Jesus que nos faz crescer para Deus.


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Ver a Deus


2ª feira – XXX semana comum

No episódio do Evangelho de hoje temos uma mulher curvada que foi ouvir Jesus.
Havia 18 anos que não podia endireitar-se.
Jesus viu-a, chamou-a e absolveu-lhe, isto é, libertou-a do seu mal.
Ela não via Jesus, mas foi vista por Jesus.
Jesus ao agir assim pensou no bem da mulher e pensou também no bem de cada um de nós hoje.
O episódio é uma lição para nós:
O pecado é uma amarra que nos curva, que não nos deixa contemplar a Deus, pois só os puros de coração verão a Deus. O pecado afeta a nossa visão. O mal distorce a imagem de Deus em nós.
É preciso ser absolvidos, desamarrados ou soltos das prisões que nos mantêm encurvados.
Sozinhos não chegamos lá.
Mais do que ir vê-lo é preciso ir para ouvi-lo e para ser visto por Ele.
Ele absolver-nos-á.
Sempre que somos absolvidos estamos a endireitar a nossa vida… e a nossa visão.