quarta-feira, 19 de abril de 2017

A Palavra e a Eucaristia






















4ª feira da Oitava da Páscoa

A experiência dos Discípulos de Emaús mostra-nos
o mistério da Palavra e da Eucaristia.
A Palavra leva-nos à Eucaristia.
A Eucaristia revela-nos Cristo Ressuscitado.

As Escrituras são o caminho de Deus connosco.
Mas é preciso ir mais além.
Não basta a Palavra,
é preciso a Eucaristia.

Só assim, através da Fração do Pão,
no caminho das Escrituras,
podemos encontrar-nos com Deus Connosco.





segunda-feira, 17 de abril de 2017

Círculo virtuoso














2ª feira da Oitava da Páscoa

Jesus ressuscitado faz-se presente na comunidade dos discípulos e mostra-lhes as chagas da sua paixão e morte.

- Porquê?

- Para nos lembrar que a paixão, morte e ressurreição é um único mistério.
- E para nos comprometer numa vida santa, pois “não tem direito a cantar aleluia na manhã de Domingo de Páscoa quem não chorou os seus pecados na tarde de Sexta-feira Santa." (cf Dogma e anúncio, José Ratzinger)

Quanto mais cantarmos aleluias, mais choraremos os nossos pecados, e quanto mais chorarmos as nossas faltas, mais cantaremos aleluias a Cristo que nos salvou pela sua morte e Ressurreição.




domingo, 16 de abril de 2017

Ressuscitar



Domingo de Páscoa

Ressuscitar é um verbo para ser conjugado todos os dias e não apenas no dia de Páscoa.
É um verbo para ser conjugado por todos os cristãos e não apenas por Jesus Cristo.
Aprendamos então a conjugar o verbo ressuscitar.
Sempre que passamos da tristeza para a alegria, do pecado para a graça, do mal para o bem, das trevas para a luz, estamos a ressuscitar.
Só assim, depois de tantos pequenos ensaios de ressurreição, entraremos na vida plena, na ressurreição eterna.

Aprendamos a conjugar o verbo ressuscitar, dizendo com Jesus:

Eu ressuscito
Tu ressuscitas
Ele ressuscita
Nós ressuscitamos
Vós ressuscitais
Eles ressuscitam

Boa Páscoa!
Feliz ressurreição!



sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ser beijado pela cruz


Sexta-feira santa

Aprendi em Angola que as ´mamãs´ quando vão buscar água ao rio trazem à cabeça as latas bem cheias… E para não verterem nada pelo caminho colocam uma pequena tábua de madeira a boiar sobre a água. Isto segura a água no seu balanço…
É tal e qual na nossa vida. É preciso colocar umas tábuas de madeira, uma cruz na nossa vida para não nos dispersarmos, para não perdermos nada, para segurarmos o tesouro que trazemos dentro de nós.
É o que acontece quando recebemos uma bênção, quando fazemos o sinal da cruz… estamos a colocar no nosso vaso um pedaço de madeira, uma cruz, para nos ajudar a levar com integridade e dignidade a graça divina.
Recordando tudo isto, hoje na paróquia onde celebrei esta Sexta-feira de Paixão do Senhor, colocamos sobre a cabeça de cada cristão a cruz de Cristo... ninguém beijou a cruz, mas todos foram beijados ou tocados pela cruz.
Cada um por sua vez ajoelhou com humildade no degrau do altar e o sacerdote num breve momento repousou a cruz sobre a sua cabeça.
Cada um, em vez de beijar, foi beijado. Em vez de tocar, foi tocado pela cruz…





terça-feira, 11 de abril de 2017

O mistério de Judas


3ª feira da semana santa

Torna-se ainda mais denso o mistério acerca do destino eterno de Judas, sabendo que “se arrependeu e restituiu as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos idosos, dizendo: “Pequei, entregando sangue inocente” mesmo se em seguida ele se afastou para se ir enforcar não compete a nós julgar o seu gesto, substituindo-nos a Deus infinitamente misericordioso e justo.
Porque Judas traiu Jesus? A questão é objeto de várias hipóteses. Alguns recorrem ao fator da sua avidez de dinheiro; outros dão uma explicação de ordem messiânica: Judas teria ficado desiludido ao ver que Jesus não inseria no seu programa a libertação político-militar do seu próprio País. Na realidade os textos evangélicos insistem sobre outro aspeto: João diz expressamente que “tendo já o diabo metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que O entregasse”; analogamente escreve Lucas: “Entrou Satanás em Judas, chamado Iscariotes que era do número dos Doze”.
Desta forma, vai-se além das motivações históricas e explica-se a vicissitude com base na responsabilidade pessoal de Judas, o qual cedeu miseravelmente a uma tentação do maligno. A traição de Judas permanece, contudo, um mistério. Jesus tratou-o como um amigo, mas, nos seus convites a segui-lo pelo caminho das bem-aventuranças, não forçava as vontades nem as preservava das tentações de Satanás, respeitando a liberdade humana.
Pedro, depois da sua negação, arrependeu-se e encontrou perdão e graça.
Também Judas se arrependeu, mas o seu arrependimento degenerou em desespero e assim tornou-se autodestruição.
Para nós isto é um convite a ter sempre presente quanto diz São Bento no final do fundamental capítulo V da sua “Regra”: “Nunca desesperar da misericórdia divina”.
Na realidade Deus “é maior que o nosso coração”. Por conseguinte, tenhamos presente duas coisas:
A primeira: Jesus respeita a nossa liberdade.
A segunda: Jesus espera a nossa disponibilidade para o arrependimento e para a conversão; é rico de misericórdia e de perdão.
Afinal, quando pensamos no papel negativo desempenhado por Judas devemos inseri-lo na condução superior dos acontecimentos por parte de Deus. A sua traição levou à morte de Jesus, o qual transformou este tremendo suplício em espaço de amor salvífico e em entrega de si ao Pai.

(Cf Bento XVI, audiência-geral, 16/10/2006)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Nardo puro





















2ª feira da semana santa

Significado profético
Anúncio e prefiguração da morte e ressurreição de Jesus - Tal como é preciso partir o vaso de alabastro para libertar todo o perfume de nardo, assim também Jesus precisa de passar pela morte para inundar toda a terra da sua graça e salvação.

Significado simbólico
É preciso partir o vaso em mil pedaços e libertar o perfume para espantar o cheiro da morte e adorar a Deus de maneira tão intensa até que o nardo se espalhe enchendo toda a casa invadindo a terra e o céu na presença de Deus e dos homens.

Significado pessoal
Canção - O Nardo

Sobre os cansados e sobrecarregados
Sobre os aflitos e amargurados
Sobre os enfermos, feridos de alma
Faz descer o nardo
O nardo, o nardo

Sobre os que choram, os abandonados
Sobre os cativos, sobre o solitário
Sobre o fracassado, o dilacerado
Faz descer o nardo
O nardo, o nardo

Pra tirar a dor
Pra fechar o corte
Pra banhar a alma
Fazer o fraco forte
O nardo que exala
Pra tirar o cheiro da morte

Faz descer o nardo
O nardo, o nardo

(Compositores: Luiz Arcanjo, Ronald Fonseca, André Mattos, Deco Rodrigues, Isaac Ramos, cantado pelo Grupo Trazendo a Arca)

sábado, 8 de abril de 2017

Dos Ramos à Paixão























Domingo de Ramos ou Domingo da Paixão


Tão depressa os ramos para aclamar
se transformam em vergastas para flagelar.

Tão depressa as fitas da aclamação
se transformam em chicote de condenação.

Jesus é sempre o mesmo
nós é que mudamos.

E o problema não está no que temos na nossa mão
mas o que temos no nosso coração.

................

Papa Francisco:
“Esta celebração tem, por assim dizer, duplo sabor: doce e amargo. É jubilosa e dolorosa, pois nela celebramos o Senhor que entra em Jerusalém, aclamado pelos seus discípulos como rei; ao mesmo tempo, porém, proclama-se solenemente a narração evangélica da sua Paixão. Por isso o nosso coração experimenta o contraste pungente e prova, embora numa medida mínima, aquilo que deve ter sentido Jesus em seu coração naquele dia, quando rejubilou com os seus amigos e chorou sobre Jerusalém…
Jesus, que aceita ser aclamado, mesmo sabendo que O espera o «crucifica-o!», não nos pede para O contemplarmos apenas nos quadros, nas fotografias, ou nos vídeos que circulam na rede. Não. Está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que hoje, sim hoje, padecem tribulações como Ele: sofrem com um trabalho de escravos, sofrem com os dramas familiares, as doenças... Sofrem por causa das guerras e do terrorismo, por causa dos interesses que se movem por detrás das armas que não cessam de matar. Homens e mulheres enganados, violados na sua dignidade, descartados.... Jesus está neles, em cada um deles, e com aquele rosto desfigurado, com aquela voz rouca, pede para ser enxergado, reconhecido, amado.
Não há outro Jesus: é o mesmo que entrou em Jerusalém por entre o acenar de ramos de palmeira e oliveira. É o mesmo que foi pregado na cruz e morreu entre dois malfeitores. Não temos outro Senhor para além d’Ele: Jesus, humilde Rei de justiça, misericórdia e paz.”


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Fazer as mesma obras


4ª feira - V semana da quaresma

Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as mesmas obras de Abraão…

Tal pai, tal filho.

Sois filhos de Deus… portanto, fazei as suas obras.

- Senhor padre, quem vai à igreja é pior que os outros. Aproxima-se do altar, mas cá fora é pior do que aqueles não vão à missa.
- Tens razão, quem vai à igreja é mau, a começar pelo padre. Mas se eles, indo à missa, são assim tão maus, imagina como seriam se não fossem… seriam piores!

Ser filho de Deus é fazer as mesmas ações do Pai, viver do mesmo jeito, ter os mesmos valores.






segunda-feira, 3 de abril de 2017

Jesus inclinou-se...


2ª feira - V semana da quaresma

Jesus inclinou-se e começou a escrever com o dedo no chão…
- Porque é que Jesus abaixou-se?
- Porque queria ficar do tamanho da mulher pecadora, ali jogada no pó da terra, e não do tamanho dos acusadores.
Jesus, identificando-se com os acusados, assume a sua condição de pecadores e morrendo por eles os liberta.

Segundo a nossa lei, esta mulher deve morrer…
De facto, a mulher pecadora morreu ali, pois com a misericórdia de Jesus nasceu criatura nova, morreu a mulher adúltera e renasceu a discípula, a convertida.



sexta-feira, 31 de março de 2017

A hora de Jesus


6ª feira – IV semana da quaresma

1ª leitura
Os ímpios provocam e põem à prova os justos:
- Vejamos se as suas palavras e obras são verdadeiras…Ponhamos à prova a sua paciência… Vejamos se confia realmente em Deus…

Santo Agostinho dizia:
Prefiro os que me criticam porque me corrigem, aos que me elogiam porque me corrompem.

Perguntou Plutarco a um jovem:
- Porque foges assim tão aflito?
- Porque um colega persegue-me pois quer levar-me para o caminho do mal…
- Envergonha-te, ó rapaz, por não ter sido ele quem fugiu de ti por quereres ensinar-lhe o caminho do bem.


Do Evangelho
Procuravam prender Jesus, mas ninguém lhe deitou a mão, porque ainda não chegara a sua hora.

A hora de Jesus:
- Para Deus nunca é tarde.
- Deus dá sempre oportunidade.
- Há uma hora certa para tudo na vida.


sexta-feira, 24 de março de 2017

Escutar é amar e amar é escutar


6ª feira - III semana da quaresma

Escuta, Israel, 
ama a Deus acima de tudo 
e ao teu próximo como a ti mesmo.


Escutar é amar.
Amar é escutar.

Quem escuta ama.
Quem ama escuta.



segunda-feira, 20 de março de 2017

São José sonhador























Solenidade de São José.

Assim pregou hoje o Papa Francisco:
"São José é um homem capaz de sonhar. É um sonhador! É também o “guardião do sonho de Deus”: o sonho de Deus de nos salvar, de nos redimir, foi confiado a ele. É grande este carpinteiro! Silencioso, trabalhador obediente, e guardião que carrega as fraquezas e é capaz de sonhar. Uma figura que tem uma mensagem para todos.
Eu hoje quero lhe pedir que dê a todos nós a capacidade de sonhar, porque quando sonhamos coisas grandes, coisas bonitas, nos aproximamos do sonho de Deus, das coisas que Deus sonha para nós. Que aos jovens dê, porque ele era jovem, a capacidade de sonhar, de arriscar e assumir as tarefas difíceis que viram nos sonhos. E dê a todos nós a fidelidade que geralmente cresce num comportamento justo, e ele era justo, cresce no silêncio, escondido, poucas palavras, e cresce na ternura que é capaz de proteger as próprias fraquezas e as dos outros.”


Assim escrevo hoje JOSÉ:
J de Jovem
O de Obediente
S de Sonhador
E de Escondido



quinta-feira, 16 de março de 2017

A riqueza da humildade


5ª feira - II semana da quaresma

1ª reflexão
A importância do nome.
De todas as parábolas contadas por Jesus a única cujo personagem recebe um nome próprio é a da página do Evangelho de Hoje – Lc 16, 19-31. Nela o mendigo recebe o nome de Lázaro e o rico permanece sem nome…
a) Porque o nome é uma bênção de Deus, tanto mais que etimologicamente Lázaro quer dizer Deus ajuda (Eleazar em hebraico).
b) Porque Jesus é sempre coerente na sua pregação e nas suas atitudes: Ele como pastor conhece as suas ovelhas e chama-as pelo seu próprio nome.
c) Porque quer realçar a importância do ser e não do ter. Lázaro não tinha, mas era. O rico podia ter, mas não era…

2ª reflexão
A importância da mensagem.
a) O destino eterno de cada pessoa é decidido nesta vida, pois o que se leva desta vida é a vida que se leva.
b) A verdadeira riqueza é a humildade (exemplo de Lázaro) e a verdadeira pobreza ou miséria é o orgulho.
c) A última palavra é um convite a escutar e levar a sério a Palavra de Deus que os profetas nos transmitem.




terça-feira, 14 de março de 2017

Deportado há 100 anos
























Há 100 anos o Pe. Dehon celebrou este dia do seu aniversário em plena deportação durante a I Grande Guerra. De facto ele foi deportado de São Quintino a 12 de março e chegou exausto a Enghien (diocese de Tournai, próximo de Bruxelas, Bélgica. Na estação de comboios sofreu uma queda com uma certa gravidade, por ser noite escura, por ver mal e por estar muito debilitado. Parece que nesse ocasião teve um ataque cardíaco. Foi acolhido, juntamente com os seus confrades, pelos padres Jesuítas dessa cidade.
O Pe. Dehon viveu no centro do palco da I Guerra Mundial. A sua saúde foi afetada (doenças, fome, falta de assistência médica). As suas casas foram ocupadas ou bombardeadas. A sua ação pastoral, social e missionária foram drasticamente reduzidas. A administração da congregação e das obras altamente condicionada. Os seus confrades mais novos foram mobilizados, os seus bens, nomeadamente os livros, foram abandonados…
Podemos resumir esta experiência do Pe. Dehon em 5 aspetos:
- Domínio de si mesmo.
A sua calma, a sua confiança e fé continuaram iguais. Nunca perdeu a calma durante os bombardeamentos noturnos, ocupação, saques e deportação.
- O serviço ao próximo.
Procurava acolher a todos, independentemente da sua origem, pois dizia que “no céu não haverá nações.”
- Sentido do dever.
Recusou abandonar a sua comunidade, quando a Província Alemã queria retirá-lo de São Quintino. Continuou no seu posto até à deportação completa da cidade.
- Atividade espiritual.
Entre bombas e batalhas em São Quintino continuou a ler, a estudar e a escrever. Tomou apontamentos e escreveu o Manual dos Agregados da Congregação e fez a revisão do Diretório Espiritual.
- Abandono a Deus.
"A justiça de Deus acontece para curar e perdoar. Que o Coração de Jesus e Maria Mãe de Misericórdia venham em nosso auxílio."














Do Diário do Pe. Dehon:
Março 1917
A 12 de março foi o exílio depois de muitos dias de penosa preparação. Foi preciso abandonar as nossas casas e sacrificar um mobiliário considerável, mais de 25.000 francos em livros. Fiat!
Dia de viagem em carruagens. Chegámos à noite exaustos e doloridos. Pensei que iria morrer com o bater do coração ao sair da estação. Os Jesuítas receberam-nos fraternalmente...
Foi bom o convite para visitar a casa dos Padres Capuchinhos. O Pe. Guardian, parente do nosso Pe. Jean Guillaume, disse-nos que este nosso querido padre teria aparecido depois de sua morte à sua irmã em Namur...
A 14 de março, entrei no meu 75º ano de vida. Estou exilado em Enghien. Faço uma breve revisão das memórias da minha vida…
(NQ 40, 114-117, 1917)
















Das cartas do Pe. Dehon
Ao Pe. Falleur a 17 de Março de 1917 (Inventário: 299,09 AD: B20/7.3):
Enghien. Caro amigo, estamos aqui deportados no dia 13 da casa do SC.
Vou tentar enviar-vos alguns confrades e espero ir a Bruxelas. Rezemos para que Deus se deixe tocar. O Coração de Jesus há-de intervir. Vós sabeis que recebi de Sittard por engano uma lista de missas que não encomendei. Fazei a troca. Em Novembro de 1915 enviei-vos 9.353 intenções de missa, mais 62 trintários. Devolvei tudo. Eu estou envelhecido, rezai por mim. 
A Chère Mère está idosa e doente em Soignies com a sua comunidade*. A Sra Santerre em Coteau, a Sra Batteux arruinada não sei onde. A Sra Malezieux perto de Bruxelas. Paciência e oração. Saudações aos Padres e a todos. L. Dehon
* A sua morte ocorreu a 17 de março.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Versão do outro lado

2ª feira - I semana da quaresma

A parábola do Juízo Final, vista do outro lado

O inferno já estava cheio e fora ainda uma longa fila de pessoas para entrar. O diabo foi obrigado a fechar a porta. Proclamou:
- Há só um lugar livre, e como é lógico deve ser para o maior dos pecadores. Está no meio de vós alguém que tenha cometido vários homicídios?
Para encontrar o pior de todos, o diabo começou a examinar os pecadores que estavam na fila.
A um certo momento, viu um em quem não tinha reparado antes. Perguntou-lhe:
- Tu o que é que fizeste?
- Nada. Eu sou um homem bom e estou aqui apenas por engano.
Murmurou o diabo:
- Certamente que fizeste alguma coisa. Todos fazem alguma coisa.
O homem convencido disse:
- É verdade. Mas eu nunca me meti em nada. Vi como os homens perseguiam ouros homens, mas não participei nessas loucuras. Deixam que as crianças morram de fome ou vendem-nas como escravas. Marginalizam os idosos como se fosse lixo. Não fazem outra coisa senão excogitar maneiras para se atraiçoarem uns aos outros. Mas eu resisti sempre à tentação de me meter nessas coisas sujas, e nada fiz. Nada.
O diabo, incrédulo, perguntou-lhe:
- Tens a certeza de que vistes isso tudo? E não fizeste absolutamente nada?
- Vi tudo com os meus olhos.
O diabo insistiu:
- E não fizeste nada?
- Não!
O diabo sorriu e disse:
- Entra, meu amigo. O lugar livre é para ti.


Ovelhas e cabritos


Conta-se por aqui que um certo bispo foi celebrar a missa a uma igreja desta diocese cheia de crianças da catequese. Durante a homilia o prelado esforçou-se para que a reflexão fosse dialogada.
- Digam-me lá, meus meninos. Se vocês são as ovelhas, como diz Jesus no Evangelho, então quem é que eu sou?
Ninguém se atrevia a responder. E o Bispo insistia.
- Então meninos, vocês são as ovelhas… eu sou o...?
- O cabrito – respondeu prontamente um miúdo.
O Bispo queria que dissessem que ele era o Pastor pois as crianças eram as ovelhinhas do seu rebanho, conforme Jo 10, 11= Eu sou o pastor e vós as minhas ovelhas.
Por seu lado as crianças preferiram Mt 25, 33 em que Jesus diz que separará as ovelhas dos cabritos para os julgar no fim dos tempos.
E a senhora catequista deu a nota de Mau Comportamento ao seu menino por ter chamado Cabrito ao Senhor Bispo.




domingo, 5 de março de 2017

Pedra e pão














Ano A - I Domingo da quaresma

Satanás queria que Jesus convertesse as pedras em pão.
O mesmo Satanás quer que nós convertamos o pão em pedras…
Caímos nessa tentação quando não partilhamos o pão com o nosso irmão e esse pão fica mais duro que uma pedra.
Ou então quando olhamos para a nossa vida e nos queixamos das pedras que o Senhor nos dá… as duras dificuldades ou os pesados obstáculos.
Mas afinal tudo isso não é pedra, mas pão que nos fortalece e nos alimenta na nossa caminhada.
De facto, as pedras são parecidas com o pão... e o pão às vezes pode confundir-se com as pedras.