Ano A – Solenidade
Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
A arte da genuflexão Católica
O diabo não tem joelhos, declarou certa vez o Padre do Deserto, Aba Apolo.
Na verdade, o diabo não tem humildade, nem corpo nem respeito. O seu ataque à
Sagrada Comunhão não é novidade.
Desde a época de Cristo, ele tem tentado apagar a crença na Presença Real.
Como registou São João: Que palavras insuportáveis! Quem pode entendê-las? (Jo
6, 60). Muitos discípulos se afastaram porque não conseguiam aceitar que Jesus
estivesse verdadeiramente presente na Eucaristia. Ajoelhar-se é um dos atos
mais profundos de humildade e reverência. Ajoelhar-se proclama com São Paulo:
Ao nome de Jesus se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na
terra e debaixo da terra (Fl 2,10).
A Genuflexão Católica é uma arte. A genuflexão católica é uma linguagem
corporal silenciosa, um ato expressivo de fé que combina doutrina, devoção e
fisicalidade num gesto gracioso. Ela incorpora soberania, sacramento e humilde
reverência diante do Criador. Como resposta à história da salvação nas
Escrituras, transmite reverência e humildade. Na igreja católica, um movimento
fluido quebra o silêncio: caminhar pelo corredor central, fazer uma pausa e
abaixar brevemente o joelho direito antes de se levantar. Essa é a genuflexão, um
gesto essencial à liturgia católica que pode ser confundido com rotina. Mas,
visto apenas como um hábito, ele ignora o profundo significado teológico e
humano enraizado na tradição bíblica.
A festa do Corpo de Deus é uma oportunidade para valorizar a genuflexão
diante da Eucaristia ou Santíssimo Sacramento. É que o Diabo não tem joelhos,
mas nós temos.
A Eucaristia é sempre um milagre
Milagres eucarísticos são fenómenos aparentemente sobrenaturais numa hóstia consagrada. Frequentemente, esses milagres revelavam Sangue, muitas vezes como uma suposta reação à profanação da Hóstia. Como essa profanação também era atribuída aos judeus, os milagres eucarísticos frequentemente levavam à perseguição sistemática de judeus. Mesmo na época dos primeiros relatos de milagres, eles foram criticados. São Tomás de Aquino, por exemplo, argumentou que a transubstanciação do pão e do vinho era estritamente sobrenatural e, portanto, não automaticamente observável. Hoje, especialistas católicos romanos classificam a maioria dos relatos de milagres eucarísticos como lendas ou fraudes. Muitos milagres eucarísticos agora podem ser explicados cientificamente pelo crescimento de bactérias ou mofo nas hóstias. A veneração de milagres eucarísticos atualmente só é possível após rigoroso exame.
Para um católico a Eucaristia é sempre um milagre.

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