Reflexão para o Dia da Criança ou para as crianças de hoje, para as crianças que somos ou para as crianças que temos.
Dizer “não” também é cuidar.
E há crianças a crescer quase sem ouvir isto. O “não” não traumatiza. O que
desorganiza é a ausência de limites. As crianças precisam de saber até onde
podem ir. Um “não” claro é segurança. Porque mostra que há um adulto a sustentar
o que é importante… mesmo quando é difícil. E sim… vai haver choro. A
frustração faz parte do crescimento. E o adulto não está ali para evitar
emoções. Está ali para ensinar a lidar com elas. “Não, não podes bater.” “Não,
não vamos comprar isso hoje.” “Não, agora é hora de dormir.” Isto não é
rigidez. É estrutura. Uma criança que nunca ouve “não” não se torna mais livre.
Torna-se mais perdida.
Muitos pais acreditam que
ceder aos filhos é mais fácil do que aguentar o grito. No início até parece mas
depois vem outro e o próximo grito. Se a criança aprender que gritar funciona
depois de uma birra vem duas ou três.
As crianças precisam
aprender a pensar. As crianças necessitam de vários momentos diários de
diálogos que não cabem no tempo. E com a mesma intensidade, as crianças carecem
de tempo passado no estado de tédio e solidão. Muitas crianças não conseguem
ficar 5 minutos sem clicar no ecrã dos telemóveis e dos tablets porque sentem
um vazio comunicacional.
Todas as crianças, todos nós
precisamos de regras não porque são rígidas mas porque estruturam-nos e dão-nos
segurança.
(CF. Drª. Luísa Maria Terapeuta
da Fala Especialista em Miofuncional Orofacial)

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