segunda-feira, 1 de junho de 2026

Crianças que temos e somos


Reflexão para o Dia da Criança ou para as crianças de hoje, para as crianças que somos ou para as crianças que temos.

Dizer “não” também é cuidar. E há crianças a crescer quase sem ouvir isto. O “não” não traumatiza. O que desorganiza é a ausência de limites. As crianças precisam de saber até onde podem ir. Um “não” claro é segurança. Porque mostra que há um adulto a sustentar o que é importante… mesmo quando é difícil. E sim… vai haver choro. A frustração faz parte do crescimento. E o adulto não está ali para evitar emoções. Está ali para ensinar a lidar com elas. “Não, não podes bater.” “Não, não vamos comprar isso hoje.” “Não, agora é hora de dormir.” Isto não é rigidez. É estrutura. Uma criança que nunca ouve “não” não se torna mais livre. Torna-se mais perdida.

Muitos pais acreditam que ceder aos filhos é mais fácil do que aguentar o grito. No início até parece mas depois vem outro e o próximo grito. Se a criança aprender que gritar funciona depois de uma birra vem duas ou três.

As crianças precisam aprender a pensar. As crianças necessitam de vários momentos diários de diálogos que não cabem no tempo. E com a mesma intensidade, as crianças carecem de tempo passado no estado de tédio e solidão. Muitas crianças não conseguem ficar 5 minutos sem clicar no ecrã dos telemóveis e dos tablets porque sentem um vazio comunicacional.

Todas as crianças, todos nós precisamos de regras não porque são rígidas mas porque estruturam-nos e dão-nos segurança.

(CF. Drª. Luísa Maria Terapeuta da Fala Especialista em Miofuncional Orofacial)


Sem comentários: