domingo, 16 de dezembro de 2012

Alegrai-vos

Ano C - III Domingo do Advento
 
Alegrai-vos por quê?
 
- Alegremo-nos ao olhar para as nossas mãos e vermos as obras que podemos fazer por Deus...
Recordo que quando pequeno confessava-me como toda a gente: Eu não roubei, nem matei, não levantei falsos testemunhos, não cobicei, não... não...
E o confessor disse-me:
- Parabéns... as tuas mãos estãoimpinhas....
- Obrigado padre, mas sou pecador...
- Sim, as tuas mãos estão limpas, mas também estão vazias... não basta evitar o mal, é preciso fazer o bem...
Alegremo-nos porque perguntamos: Que podemos fazer? Para que as nossas mãos se mantenham limpas, mas nunca vazias...
 
- Alegremo-nos acima de tudo por aquilo que Deusfaz por nós.
Em vez de perguntar o que podemos fazer, perguntemos e demos graças a Deus por tudo o que Ele faz por nós e então a nossa alegria será completa.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Deus virá como puder

 
3ª feira - 2ª semana Advento
 
A pessoa que leu o salmo na missa que celebrei em vez de ler o refrão "O Senhor Jesus virá com poder e majestade", leu com a maior da naturalidade: "O Senhor virá como puder e majestade."
 
Algumas pessoas repetiam sem se aperceber, mas outros olhavam para mim para ver a minha reação...
Eu continei impávido sem reagir, mas por dentro tive a certeza de que se tratava de uma verdade divina. De facto o Senhor virá como puder, isto é, Ele vem como pode... como o deixamos que venha, ou como pode porque só ele pode e sabe...
É que todos nós somos ovelhas tresmalhadas e o nosso Pastor vem até nós como pode, como deixamos que se aproxime de nós...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Êxito Plural

 
2ª Feira - II Semana Advento
 
Do Evangelho de hoje podemos realçar 2 mensagens:
 
1ª - Para chegar até Jesus é preciso descer. Tal aconteceu com este paralítico que desceu do teto, tal aconteceu com Zaqueu que deceu do sicómoro e tal aconteceu com Maria Madalena que se prostou de joelhos aos pés de Jesus... Descer é humilhar-se, abaixar-se, pôr no nível da sua insignificância, tornar-se pequenino.
Aproximar-se de Jesus é descer para que Ele nos ajuda a crescer, a levantar, a subir com Ele.
 
2ª - Jesus admirou-se com a fé daquela gente toda... e o milagre aconteceu.
O êxito, o sucesso, o milagre foi plural. Aliás não há êxito ou sucesso singular... pois todos concorrem para o desempenho perfeito.
Quando todos colaboram o milagre é geral e o sucesso plural.

domingo, 9 de dezembro de 2012

GPS

Ano C - II Domingo Advento

Voz que clama...
Preparai o caminho so Senhor
 
 
Há dias um amigo levou-me a passear por aí...
Sentámo-nos no carro e pediu um minuto para preparar a viagem. Colocou então um aparelho no tablier, ligou-o à bateria da viatura, programou-o teclando o destino e eis que apareceu no monitor o mapa do percurso e quando arrancámos ouvimos uma voz que dizia: no próximo cruzamento, vire a esquerda... etc. etc.... Era um GPS ou sistema de posicionamento global ou um sistema de navegação Geo-Posicionamento por Satélite.
 
E eu fiquei a pensar:
Isto é tal e qual a nossa vida, ou a nossa vida, qual viagem, é tal e qual isto.
Deus é essa voz que nos orienta e sabe o caminho melhor por onde nos quer conduzir...
 
Na viagem da minha vida o meu GPS é Deus...
 
1. É preciso ler primeiro o manual de utilização… que está em tantas línguas…
2. Ligar à bateria da viatura porque só tem autonomia para poucos minutos e depois apaga-se. É preciso alimentar essa liação.
 3. Saber para onde se quer ir, estabelecer uma meta, um objetivo. Depois deixar-se orientar por essa voz.
4. É preciso ouvir as orientações… e para isso é preciso fazer silêncio, baixar a música, fechar a janela…para não ouvir ruídos estranhos.
5. Às vezes ao passar em túneis podemos perder o contacto com o satélite… É preciso esperar e continuar em frente, pois de certeza que recuperaremos o contacto.
6. Outras vezes, distraímo-nos, desorientamo-nos e vamos por onde não nos devíamos… e a voz  nos chama a atenção e nos pede uma pausa para recalcular a rota para prosseguirmos com segurança. Mas não nos repreende, nem chama a atenção… respeita a liberdade e dá-nos nova hipótese.
7. De vem em quando é preciso atualizar o nosso GPS… pois outras ruas vão aparecendo, novas alternativas, condicionamentos de estradas etc. Atualizar-se num retiro, na oração, meditação..
- Se assim fizermos tudo isto, se confiarmos na voz do GPS, se nos esquecermos de nós mesmos e nos entregarmos, ouviremos: Parabéns, Chegou ao seu destino!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Fé sem obras


5ª feira - I Semana Advento


Quem ouve a Palavra

e não a pratica:

É um cristão sem fé

Ou uma fé sem obras

Uma casa sem alicerces

Uma árvore sem raízes

Um carro sem rodas

Um cavalo sem pernas

Um pássaro sem asas

Um vaso sem fundo

Um mar sem costa

Uma fonte sem água

Uma lâmpada sem azeite

Uma noz sem miolo

Um dia sem sol

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

As grandes lições dos pequeninos

 
2ª Feira - I Semana Advento
 
"Eu te bendigo ó Deus porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos..."
 
 
Três lições:
 
- Deus não escolhe os qualificados, mas qualifica os escolhidos...
Nós estamos sempre a ser qualificados, porque escolhidos...
 
- Os pequeninos não complicam as coisas simples, mas simplificam as coisas complicadas.
Sejamos simples como elas a ponto de simplicar o complexo e nunca complicar o simples.
 
- Não é Deus que está mais perto dos pequeninos, porque Deus está perto de todos... Os pequeninos é que estão mais perto de Deus, pois nunca se afastaram dele.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Francisco Missionário

 
Ao comemorar a memória de São Francisco Xavier, podemos contemplar nele 3 páginas das Sagradas Escrituras. De fato ele é a encarnação viva:
 
- Do 1º Mandamento - Amar e servir a Deus com todas as forças.
O Missionário Francisco Xavier na ìndia esgotou totalmente as suas forças... Nunca se poupou a sacrifícios para servir a Deus. Morreu aos 46 anos de esgotamento quando se preparava para entrar na China para a evangelizar.
Um dia ele disse: Se não encontrar um barco para me levar até áquela ilha, irei a nado...
 
- Da página da Viúva que deu tudo o que tinha.
Francisco Xavier também nada guardou para si. Doou tudo o que tinha, sabia e podia ao serviço do reino dos Céus.
Um dia, ele ardia de febre e mal se segurava. Então pediu que o atassem no dorso de um cavalo para poder prosseguir a sua viagem missionária.
 
- É também a encarnação da missão e do zelo apostólico de São Paulo.
Foi de facto chamado o São Paulo dos tempos modernos (+1552), pois como São Paulo fez-se à estrada para muitas viagens apostólicas.
Ele batizou mais de 30.000 convertidos, batendo assim um recorde de todos os tempos.
Durante os 10 anos que esteve em missão na Índia, Indonésia e Japão, percorreu mais de 80.000 Km. Isto é o equivalente a 3 voltas à Terra. Quer isto dizer que Francisco Xavier deu 3 voltas ao mundo para que o mundo desse uma volta à sua vida, ou seja, que se convertesse ao Evangelho.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Perseguidos em casa


4ª Feira - XXXIV Semana Comum

"Sereis entregues pelos da vossa casa..."

Quem é quem?
Quem são os nossos perseguidores?
Quem nos martiriza ou tira a paciência?
Quem está mais perto de nós ou quem está longe?

Padre Antóntio Vieira:
"O que excede todo o espano... é que os perseguidores de Cristo e dos seus pregadores não são hoje os infiéis, mas sim os cristãos...
Nas perseguições dos Neros e Dioclecianos os gentios perseguiam e matavam os mártires e os cristãos veneravam esses mártires.
Hoje os cristãos são os que perseguem os seguidores de Cristo, e os gentios veneram esses cristãos..."

domingo, 25 de novembro de 2012

Rei de Amor


Cristo Rei e Senhor do Universo

Celebrar Cristo Rei é celebrar uma verdade da fé que proclamamos no Credo:
Creio em Jesus… e no Seu reino que não terá fim.
É celebrar também o que rezamos na oração do Pai Nosso: Venha a nós o vosso reino.

 Mas que Rei é o Senhor Jesus?
Não é um rei de coroa, de trono, de cetro, de honra ou majestade, nem de poder ou autoritarismo.
É um rei de amor.

 Em Almada foi inaugurado em 1959 um monumento a Cristo Rei, do escultor madeirense Francisco Franco. No alto de um pedestal é apresentado um Cristo de pé de braços abertos. No seu peito está saliente um coração desproporcional. Segundo parece é maior do que o cérebro ou a cabeça. Não é um erro escultórico. È a mensagem de que Cristo reina com o coração… Ele é rei de amor.

 Contemplemos este rei de amor e peçamos: Venha a nós vosso reino… e o nosso coração será semelhante ao seu.
 
 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Negócios à parte


6ª Feira - XXXIII Semana Comum


“Jesus expulsa os vendilhões do Templo…”
 
- Comércio não é oração.
            Posso rezar enquanto faço os meus negócios, mas não posso fazer negócio nenhum enquanto rezo.
 
- Oração não é comércio.
            Seria um negócio desproporcional, pois que podemos dar a Deus em troca daquilo que Ele nos dá? Aliás, tudo o que temos nos vem de Deus e nada temos de nosso para lhe dar em recompensa.
 
- Oração é graça, amor, dom.
            Rezar faz desaparecer a distância entre nós e Deus e entre Deus e nós num gesto de amor, aceitação e gratidão.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

E Jesus chorou


5ª Feira - XXXIII Semana Comum


"E Jesus chorou sobre Jerusalém..."

Ele chorou por nós para nós podermos chorar com Ele.

Ele chorou para que nós tivéssemos alguém que chorasse connosco.

Ele chorou por nós porque nós não choramos o suficiente.



Já agora fico a pensar que nos evangelhos temos pelo menos 3 situações em que Jesus chorou.
E eu fico a pensar: E Jesus a cantar? Temos algumas citações?
Sim, temos. Foi na última ceia na quinta-feira... no final da refeição, cantaram os salmos e depois sairam para o Jardim das Oliveiras.
Jesus chora, Jesus canta, dorme, bebe, jejua, descansa, reza...
Tudo normal...
Conclusão: Jesus faz tudo como nós para que nós possamos fazer tudo como Ele!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sobe e desce

 
3ª Feira - XXXIII Semana Comum
 
 
Dois verbos, duas acções, duas atitudes e duas personagens na mesma pessoa no Evangelho de hoje: ZAQUEU.
 
Subir/Descer; Ver/Ser Visto; O Velho Zaqueu/O Novo Zaqueu; O Cobrador de Impostos/O Dispensador Generoso; O chefe dos Publicanos/O Exemplo dos Convertidos.
 
Zaqueu SUBIU para ver. Ele foi visto e DESCEU porque SUBIU na consideração de Jesus e por isso DESCEU na humildade reconhecendo a alguma injustiça praticada.
 
Quando Zaqueu sobe, então é que desce... e quando desce então é que está a subir.
É preciso subir, elevar-se para ver Jesus.
Este subir supõe sempre um descer.
Zaqueu ao subir teve de descer de si mesmo, do seu posto de chefe de cobradores de impostos, do seu estatuto de pessoa rica ou importante.
 
Assim também acontece connosco:
É a subir que a gente desce.
É a descer que a gente sobe.
É preciso às vezes dar um passo atrás para poder avançar mais além.
Às vezes é preciso calar para se fazer ouvir.
Ou é preciso ver para ser visto.
Outras vezes é preciso dar o braço a torcer para que ele fique direito.
É preciso humilhar-se para ser exaltado.
Enfm, é preciso baixar-se para subir mais alto, descer para subir ou subir para descer.

domingo, 18 de novembro de 2012

Onde estão os seminaristas

Duplo testemunho
 
Neste dia dos seminários tive a oportunidade de celebrar a eucaristia dominical na Capela do Seminário Dehoniano, no Funchal, Colégio Missionário do Sagrado Coração. Como é habitual, os seminaristas estavam em fim de semana com a família nas diversas paróquias.
Perguntei então aos presentes:
- Onde é que acham que estão os seminaristas?
A resposta foi imediata...
- Estão na casa deles!
- Não, não - disse eu - os seminarisas não estão na casa deles, estão sim nas vossas casas.
Pois é. Os seminaristas estão a morar convosco, são vossos filhos, vossos familiares, vossos vizinhos.
Os seminaristas, futuros sacerdotes e animadores das comunidades eclesiais, não estão longe de nós... pertencem à nossa família.
É preciso apoiá-los, animá-los, acarinhá-los...
 
Durante a semana passada alguém na minha presença lamentava-se do seu pároco.
Perguntei-lhe muito simplesmente:
- E tu o que tens feito para exigires um padre melhor?
De facto quem não ajuda o seminário não merece os padres que tem.
Por que criticamos os padres, quando nada fazemos para os merecermos?
E eu? Tenho o pároco que mereço?
Como posso esperar a sua ajuda se nunca o ajudei.
Quem não ajuda os seminaristas não merece os padres que tem.

O tempo e a eternidade


Ano B - XXXIII Domingo Comum

 

Faltam-nos duas semanas para terminar o ano litúrgico, qual ciclo pedagógico que pretende ajudar-nos no nosso crescimento espiritual, sobretudo com a meditação e a celebração do mistério de Cristo. O mês de Novembro, em pleno clima de Outono, traz-nos as últimas etapas desta caminhada, convocando todos os cristãos para uma meditação sobre o fim dos tempos e o cumprimento da história da salvação. É bom pensar serenamente no final para poder entender melhor o princípio e sobretudo para saber viver o presente. Meditar nas realidades ultimas é sinal de valentia espiritual.
As leituras deste domingo convidam-nos a transcender o tempo para desvendar a eternidade, quando Jesus, o filho do homem, voltará para encerrar a etapa temporal da História. Recordam que o céu e a terra passarão e que tudo acabará, mas isso não será um fim mas um recomeço.
O discípulo de Cristo não deve angustiar-se por conhecer de antemão o futuro nem viver preocupado com concepções milenaristas. O futuro está nas mãos de Deus tal como o começo de tudo esteve nas Suas mãos. Por isso o cristão não está dependente de curiosidades imaginárias para adivinhar o seu futuro e o fim do mundo, mas viver no presente em atitude vigilante e cheia de esperança.
Para nós, verdadeiramente, não nos importa saber ou não quando, ainda que, certamente, nos ajudará saber que o fim do tempo, no plano de Deus, não será um desastre aniquilador, mas o coroamento da sua obra criadora que então entrará na eternidade. A Parábola da figueira é um convite à vigilância e à interpretação dos sinais dos tempos. Quando dos seus ramos brotam rebentos novos, sabe-se que a primavera está próxima, embora ainda não tenha começado. Os sinais dos tempos não anunciam o fim do mundo, mas a proximidade para qualquer geração ou nova criação. A história final do mundo ou de cada pessoa não é uma catástrofe, mas salvação. E não poderia ser de outra forma, pois no começo da história humana, a criação foi um grande gesto de amor.
Com serenidade e confiança utilizemos o tempo que nos resta para observar a realidade em que vivemos, para descobrir o que o Senhor nos diz em cada circunstância, e façamos de toda a nossa vida uma preparação. Isto deveria ser a nossa vida de agora: um tempo de preparação para saborear antecipadamente aquilo que nos está reservado para quando nos encontrarmos com o Senhor. O tempo é apenas um ensaio ou estágio da eternidade.
É por isso que a Liturgia das horas assim reza:
 
“Troquemos o instante pelo eterno
Sigamos o caminho de Jesus
A Primavera vem depois do Inverno
A alegria virá depois da cruz.
 
Passa o tempo e com ele as nossas vidas
Tal como passa o bem, passa a desgraça
Passam todas as coisas conhecidas
Só o nome de Deus é que não passa”.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Do seminário ao sacerdócio

A igreja celebra nestes dias a Semana dos Seminários.
Neste ano da fé o tema de reflexão e de oração para esta semana é:
Sacerdote – irmão na fé e servidor da fé dos irmãos.
Partilhamos um itinerário de reflexão e de motivação e apoio para cada dia da semana.
 
1º dia
Seminarista escreve-se com 3 ‘esses’
S de Santo – porque é um homem de Deus
S de Sábio – porque é um homem bem formado
S de Sorridente – porque é um homem feliz.
 
2º dia
A vocação dum filho ao sacerdócio
Um poeta português, António Sardinha, cantou a morte de seu filho pequenino numa série de sentidos sonetilhos a que pôs o título Era Uma Vez um Menino. Rememora neles os destinos gloriosos que sonhara para o seu primogénito; e procurando consolar-se cristãmente naquela perda irreparável, pondera que Deus reservou para o inocentinho destino mais glorioso ainda: - Escolheu-o para anjo!
Que todas as famílias tenham em grande estima a vocação dos filhos ao sacerdócio! Isso seria mais glorioso do que ser anjo, afinal o sacerdote não é senão o Embaixador de Cristo.
 
3º dia
Se a vocação for sincera a tudo resistirá
É um falso argumento. Imaginemos que um pai de família nos diz: mandei dormir o meu filho num quarto muito húmido; passado algum tempo começou a tossir um pouco, o que me inquietou. Consultei, porém um médico afamado, e ele tranquilizou-me dizendo: se seu filho tiver um peito robusto, não há nada a temer da humidade do quarto onde dorme; se foi definhando nesse aposento doentio, é porque a constituição física dele deixa muito a desejar. Continue a obrigá-lo a dormir ali; a humidade do local virá manifestar a qualidade da sua resistência.
Não é certo que tacharíamos de criminoso o proceder desse pai? Mas, se é criminoso proceder assim, tratando-se da vida corporal, porque não o há de ser igualmente quando se trata da vida das almas?
 
4º dia
O 1º padre surdo-mudo
Em 1930 ordenou-se o primeiro padre surdo-mudo de que há memória na história do mundo. Chama-se João Maria Lafonta. Nasceu numa aldeia perto de Bordéus na França. Além de Padre é religioso da Congregação dos Agostinhos da Assunção. Nasceu surdo-mudo. Cuidados aturados e processos especiais conseguiram que desde os 10 anos falasse e entendesse regularmente as palavras dos outros pelos movimentos labiais. De inteligência vivíssima, entrou nos estudos secundários, obtendo os melhores prémios dos cursos. Ia matricular-se numa Universidade, quando sentiu a voz de Deus para uma escola mais alta: A do sacrifício, da imolação exigida aos eleitos do Senhor. Entrou no noviciado dos agostinhos da Assunção, num convento perto da sua terra natal.
Era tudo? Ao lado desta vocação religiosa sentiu outra mais forte ainda: A do sacerdócio. Um surdo-mudo Padre!
Só a sua fé e força de vontade podiam admitir tal possibilidade. As leis canónicas proibiam-lho e nenhum exemplo anterior atenuava o rigor dessa regra. Não desanimou. No seu coração crescia com o amor de Deus, a ânsia de subir um dia, quanto antes, ao altar do sacrifício. Todas as dificuldades as venceu a oração, o exemplo admirável da sua piedade, constância e sede de Apostolado. O feliz beneficiado da extraordinária graça comenta-a nestas palavras:
- Ser Padre, sendo surdo-mudo, é milagre maior do que a cura da minha deficiência. Bem haja o Senhor por ela. (Mensageiro do Coração de Jesus, tomo LXVI, 1948, página 180)
 
5º dia
Sacerdote, Alter Cristus!
Vede a dignidade do sacerdote. Imaginai que um pecador, ao morrer, exclama:
- Salvem-me! Perdoem-me os pecados!
Se passasse um imperador, dever-se-ia confessar impotente.
Se passasse um anjo, a mesma resposta.
Se passasse um a Virgem Santíssima, ela própria não poderia diretamente perdoar o pecado.
Passa um neo-sacerdote, ordenado naquela mesma manhã. Ele tem esse poder espiritual porque é outro Jesus Cristo.
São Bernardo dizia:
- Sacerdote, a que grande dignidade Deus te elevou! Pôs-te acima dos reis e dos imperadores. Colocou-te mais alto que os anjos e os arcanjos.
A Imitação de Cristo descreve:
- Sublime mistério e grande dignidade a dos sacerdotes, a quem foi dado o que se não concedeu aos anjos.
São Francisco de Assis, que era diácono e não sacerdote ousou dizer:
- Supondo que encontrava um padre e um anjo, saudaria, primeiro, o padre.
(Mensageiro do Coração de Jesus, tomo LXVI, 1948, página 181)
 
 
6º dia
Grandeza do sacerdócio
Quem poderá imaginar a fecundidade da vida dum padre?
O padre é o catecismo às crianças.
O padre é o casamento abençoado, o pobre assistido, o defunto honrado.
O padre é o farol sobre o oceano do mundo; é a pequena estrela na noite de tantas almas.
Quanto ajunta a esta missão a gravidade terrível da hora presente!... Este ódio mundial, esta luta de classes, todas as potências do mal a rodar desaçaimadas.
Quando estamos tocados pela angústia ou pelo luto, quando a alma manchada precisa de se purificar, quem é o homem especialmente designado? O padre.
Vai-lhe pedir o conselho desinteressado.
No segredo do confessionário revela-se-lhe o grande segredo que, numa vida descobre o fundo do fundo!
Fazem-se-lhe confidências tão íntimas que não se diria semelhante coisa nem à mãe ou ao melhor aligo.
Mas porque escondê-los a Jesus Cristo? O padre faz as vezes de Jesus Cristo.
(Mensageiro do Coração de Jesus, tomo LXVI, 1948, página 482)
 
7º dia
Missão do Sacerdote
Tão ampla e espinhosa como excelsa e benéfica é a missão do sacerdote católico.
No altar faz as vezes de Cristo, verdadeiro oferente e vítima real do misterium fidei, serve de mediador entre o Céu e a Terra, prestando a Deus, no ato supremo do culto, homenagem de amor e adoração, ação de graças pelos benefícios recebidos, satisfação pelos pecados e impetração das graças celestes, em nome de todos os fiéis.
No púlpito pela palavra e através da vida pelo exemplo, é apóstolo, enviado de Deus aos homens para revelar-lhes os mistérios divinos e guiá-los pelo caminho da salvação eterna.
No confessionário é juiz para julgar com plena ciência potestatis, júris et facti as culpas e as disposições do penitente; médico para derramar, com mão amiga, o bálsamo salvador nas chagas do coração humano; pai para acolher a todos sem distinção, com caridade, paciência e doçura.
E em qualquer parte e sempre, ministro de Cristo, outro cristo.
Mas além de tudo isto, o sacerdote também é um educador de almas, um formador de consciências. “A educação não é uma profissão, escreve Charmot, é um ministério sagrado; é, em certo sentido, um sacerdócio; um apostolado por sua própria natureza. Assim, os padres são de pleno direito e antes de mais nada educadores da humanidade” (L’Ame de l’éducation, pag 30).
(A.G. Notas, in Lumen, vol X, Janeiro 1946, fasc 1, pag. 5-7)
 
 
8º dia
Regra de vida sacerdotal
No início da sua carreira sacerdotal Afonso Maria de Ligório traçou para si as seguintes regras de conduta:
1. Sou sacerdote. Supera a minha dignidade a dos anjos. É, pois, minha obrigação viver angelicamente puro.
2. Deus digna-se obedecer-me. Muito mais, portanto, sou eu quem deve obedecer à sua voz, às sias inspirações da graça, à vontade dos meus superiores.
3. A santa Igreja prestou-me a maior honra; por minha vez devo eu honrá-la pela santidade da minha vida, por meu trabalho, por um combate indefeso contra o erro e a impiedade.
4. Ofereço Jesus ao Pai Celeste. Tenho, por conseguinte, que me revestir das Suas virtudes a fim de tratar dignamente este mistério de todos o mais sublime.
5. O Senhor me constituiu ministro de reconciliação, medianeiro entre Deus e os homens. Logo, tenho que perseverar na amizade de Deus a fim de tornar fecundo o seu ministério.
6. Os fiéis consideram-me exemplo das virtudes que devem praticar; é, pois, dever meu edificá-los constantemente e portar-me digna, prudente e seriamente, mas sem grossaria ou altivez.
7. O padre deve triunfar sobre o inferno, o mundo e a carne; razão por que devo corresponder à graça a fim de alcançar a vitória neste tremendo combate.
8. Os pecadores esperam de mim a sua conversão. Logo, tenho de me esforçar nesse sentido pelas minhas orações, exemplos, palavras e obras.
9. Na qualidade de sacerdote é meu dever odiar o respeito humano, a amizade mundana, a ambição e o interesse próprio, pois que essas coisas deslustram o sacerdócio e levam bastantes padres à perdição.
10. Recolhimento, zelo ardoroso, oração meditativa, virtude sólida, têm que constituir a minha ocupação diária, se eu quiser agradar a Deus.
11. Não me é lícito procurar coisa alguma a não ser a glória de Deus, a santificação da minha alma, a salvação do meu próximo. Tenho que me empenhar nisso incessantemente, mesmo à custa da minha vida.
12. Finalmente: sou sacerdote, quer dizer: obriga-me um dever de estado a ornar de virtudes as almas e a glorificar a Jesus, Sacerdote Eterno.
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Nas mãos de Deus

5ª Feira - XXXII Semana Comum

Frederico, o Grande, numa visita a uma escola primária de Beaudelougs, dirigindo-se a um petiz, perguntou-lhe onde estava situada a sua aldeia natal.
- Na Prússia – responde a criança.
- E onde está a Prússia?
- Na Alemanha.
- E a Alemanha onde está?
- Na Europa.
- E onde se encontra a Europa?
- No planeta Terra.
- E agora onde está o planeta Terra?
- Está no Universo.
- E o Universo onde está – perguntou ainda o soberano.
A criança refletiu um momento e depois exclamou:
- Está nas mãos de Deus!

Conclusão:
Não é a mão de Deus (ou o seu reino) que está aqui.
Tudo e todos é que estamos nas mãos de Deus.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Gratidão

 
4ª Feira - XXXII Semana Comum
 
Só um voltou para agradecer!
 
Segundo as palavras do Pe. Dehon:
 
- "A gratidão é a salvação" (NHV, vol VII, pag 64)
Isto quer dizer que 10 foram os curados, mas só recebeu a salvação ao mostrar gratidão. Não basta deixar-se curar por fora. É preciso salvar-se por dentro. Só se salva quem é grato, quem se deixar salvar.
 
- "A gratidão das almas é também o salário do padre" (CS, pag 625)
Isto quer dizer que o serviço sacerdotal é gratuito, não espera recompensa... e pura gratuitidade, mas merece gratidão, reconhecimento e valorização.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A fé de um Mestre e um Mestre de fé

Neste ano da Fé partilhamos alguns pensamentos, frases ou citações sobre a fé retirados dos escritos do Pe. Leão Dehon:
 
A é ainda a luz e a chave da história. (Acerca das Letras Cristãs, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 303)
 
A nunca extingue o amor da pátria; ela ilumina-a e fortifica-a, como cultiva e faz crescer tudo o que é nobre e bom na natureza. (Acerca do Patriotismo Cristão, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 310)
 
A Incarnação é um mistério de ; a paixão é um mistério de esperança; a eucaristia é um mistério de amor. (CA, Pág. 142)
 
A razão e a são duas filhas de Deus, que não devem estar em desacordo. (CR, Pág. 470)
 
A tropa é uma grande fonte de méritos para aqueles que vivem a . (Carta ao escolástico Bodin, 02/11/1908, Inv. 315.04, AD: B20/8.7)
 
Cumprir a vontade divina em espírito de e de obediência, é bom. Mas cumpri-la pela caridade, por amor, é um meio bem mais poderoso, mais agradável a Deus. (VA, Pág. 152)
 
Deus é amor, nós acreditamos no amor, eis todo o objecto da nossa . (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, Pág. 82)
 
Dispor de poupança é bom, mas juntamente com a virtude e a . (Discurso Acerca da Educação, 20/01/1888, Inventário 43.04 AD: B7/3)
 
Educar um cristão não é somente dar-lhe noções de ciência humana… não é somente ensinar-lhe boas maneiras…dar-lhes uma ciência… é sobretudo formar nele um nobre e grande carácter, virtudes vigorosas… fazer crescer na sua alma a (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág.
 
Mostremos a bandeira do Coração de Jesus e a simplicidade da nossa reacenderá os fracos.
 
Nas épocas de , a arte aperfeiçoa-se, engrandece, aproxima-se de um ideal celeste. (CR, Pág. 232)
 
O abandono é como que a síntese das virtudes da , obediência, confiança e amor. (DE, Pág. 202)
 
O espírito de nos ajudará a superar as nossas antipatias naturais. (CC 17/10/1897, Pág. 104)
 
O rumo da minha vida interior, travada, é verdade, por inúmeros falhanços, tem sido sempre o amor do Senhor, mantido pela e pela pureza de coração e de consciência. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, Pág. 47)
 
São Pedro é o apóstolo da , S. Tiago Maior, da esperança, S. João da caridade, Santo André do amor das cruzes, S. Filipe da alegria espiritual, S. Bartolomeu da força, S. Mateus da ciência divina, S. Tiago Menor da contemplação, S. Tomé da confiança no Coração de Jesus que ele adquiriu ao tocar-lhe com as suas mãos, S. Tadeu da ação de graças, S. Matias sucessor de Judas, da humildade. (CA, Pág. 141-142)
 
 

 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ovelha tresmalhada


5ª Feira - XXXI Semana Comum

O Pastor à procura da ovelha tresmalhada, perdida ou transviada.

 
Fonte da foto:

 



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A forma do amor


4ª Feira - XXXI Semana Comum
 
Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo.
 
- Seguir a Cristo é abraçar a cruz e abraçar a cruz é seguir a Cristo. A cruz é Cristo, pois não há Cristo sem cruz.
 
- Eu pensava que o amor tinha a forma de um coração, mas afinal o amor tem a forma de uma cruz. Será um coração em forma de cruz ou uma cruz em forma de coração?