quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Não eram crianças comuns


Memória dos Santos Pastorinhos Videntes de Fátima

Francisco Marto (11/06/1908 – 04/04/1919)

Jacinta Marto (11/03/1910 – 20/02/1920)

O adeus à Cova da Iria

Na véspera da partida, sabendo que ia deixar Fátima para sempre, Jacinta pediu à mãe que a levasse à Cova da Iria. Embora visse a filha magríssima, duma palidez cadavérica, a arder em febre e a tremer de frio, Olímpia aceitou e colocou a pequena em cima duma jumentinha. Ao chegar a certa distância da Cova da Iria, Jacinta apeou-se: para maior penitência e mais respeito e devoção a Nossa Senhora, quis fazer a última parte do caminho a pé. Colheu um ramo de flores e, rezando o terço, foi dirigindo os seus passos trémulos para o local abençoado. Ali depôs com todo o carinho e amor o ramo de flores – símbolo da sua vida, toda ela uma flor aos pés de Maria; ali se demorou em recolhida e fervorosa oração. Com que saudade e tristeza se apartou daquele lugar bendito, onde cinco vezes tinha ouvido a suave e meiga voz da Mãe do Céu e onde seus olhos se extasiaram na contemplação daquela “Senhora tão linda”, daquela “Senhora tão nossa amiga”, como a pequenita candidamente se exprimia”

 

Queria que todos olhassem para o céu

Jacinta Marto amava as estrelas, a que chamava ‘as candeias dos Anjos’, e desafiava a prima e o irmão a que contassem maior número do que ela.

Amava o Sol que doirava a serra com os seus raios esplendorosos.

Amava ainda mais a claridade da Lua, ‘a lâmpada de Nossa Senhora’, como ela também lhe chamava, porque, como dizia, a lua era humilde, não fazia mal ao olhar. Quando a lua era cheia corria a dar a boa nova. E queria que todos olhassem para o céu.

Ainda hoje Santa Jacinta Marto faz-nos todos olhar para o céu e a identificar a presença e a luz dessas candeias dos Anjos e da Lâmpada de Nossa Senhora.

 

A sua vida era um milagre vivo

D. Alberto Cosme do Amaral (bispo de Leiria-Fátima de 1972 a 1993) declarava assim a sua admiração pela Jacinta Marto:

São João diz-nos: De tal maneira Deus amou o mundo que lhe deu o seu Filho unigénito (Jo 3,16). Sim, de tal maneira Deus amou os homens deste século, que lhes deu esta maravilha, este milagre vivo que é a Jacinta, tão identificada com Jesus, no seu amor a Deus e no seu amor aos homens. Nós, os homens de hoje, temos necessidade desta loucura divina, bem patente na vida da Jacinta: a loucura do amor até dar a sua vida. Amar como a Jacinta reclama, pois, de cada um de nós, que amemos assim apaixonadamente a Jesus, de modo a não cometer pecado algum. Mas o amor não é simples ausência do pecado: é algo de positivo que leva à identificação com o Senhor. E isto supõe um despojamento total de si próprio, uma entrega total e gratuita. Para quem ama, só conta o critério e gosto da pessoa amada. Amar a Jesus reclama amar os que Jesus ama; e, por isso, a Jacinta amava os pecadores, por cuja conversão fazia essas mortificações inauditas, impensáveis numa criança, sem uma graça especial do Espírito Santo. O amor da Jacinta é para nós um desafio: com ela, também nós iremos aos cumes do amor.

 

Não eram crianças comuns

No ano 2000, aquando da beatificação de Jacinta e de Francisco Marto, numa entrevista na Televisão da Madeira, perguntaram-me por que é que a igreja declarava crianças, de apenas 10 anos, santas ou beatas. Ou teria de beatificar todas as crianças, pois são todas inocentes como estas duas, ou então estaria a imputar-lhe indevidamente uma responsabilidade ou maturidade, demasiado grande para a sua tenra idade. 

Respondi assim:

1º - Estas duas crianças, Jacinta e Francisco, não são iguais às outras crianças. Por isso mesmo é que eram beatificadas. 

2º - Elas não se limitaram a evitar o mal (ausência de pecado), mas fizeram o bem de maneira heroica muito acima da sua idade. É por isso que são diferentes e como tal devem ser destacadas. 

3º - Não são os homens os responsáveis pelas beatificações, mas é o próprio Deus que inspira, dá força e coragem para essa vida fora do comum. A igreja tem de aplaudir a santidade destas crianças, porque é o reflexo de Deus. Toda a santidade é obra de Deus.

De facto, estes pastorinhos são as únicas crianças não mártires canonizadas.

 

Ver também:

Os poderosos do mundo

Adeus até ao céu

Os santos irmãos de Fátima

Há 100 anos a rezar assim

Candeias que Deus acendeu

Francisco e Jacinta

Jacinta e Francisco

Terço de Fátima

 

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