Memória dos Santos Pastorinhos
Videntes de Fátima
Francisco Marto (11/06/1908
– 04/04/1919)
Jacinta Marto (11/03/1910 – 20/02/1920)
O adeus à Cova da
Iria
Na véspera da
partida, sabendo que ia deixar Fátima para sempre, Jacinta pediu à mãe que a
levasse à Cova da Iria. Embora visse a filha magríssima, duma palidez
cadavérica, a arder em febre e a tremer de frio, Olímpia aceitou e colocou a
pequena em cima duma jumentinha. Ao chegar a certa distância da Cova da Iria,
Jacinta apeou-se: para maior penitência e mais respeito e devoção a Nossa
Senhora, quis fazer a última parte do caminho a pé. Colheu um ramo de flores e,
rezando o terço, foi dirigindo os seus passos trémulos para o local abençoado.
Ali depôs com todo o carinho e amor o ramo de flores – símbolo da sua vida,
toda ela uma flor aos pés de Maria; ali se demorou em recolhida e fervorosa
oração. Com que saudade e tristeza se apartou daquele lugar bendito, onde cinco
vezes tinha ouvido a suave e meiga voz da Mãe do Céu e onde seus olhos se
extasiaram na contemplação daquela “Senhora tão linda”, daquela “Senhora tão
nossa amiga”, como a pequenita candidamente se exprimia”
Queria que todos
olhassem para o céu
Jacinta Marto amava
as estrelas, a que chamava ‘as candeias dos Anjos’, e desafiava a prima e o
irmão a que contassem maior número do que ela.
Amava o Sol que doirava
a serra com os seus raios esplendorosos.
Amava ainda mais a
claridade da Lua, ‘a lâmpada de Nossa Senhora’, como ela também lhe chamava,
porque, como dizia, a lua era humilde, não fazia mal ao olhar. Quando a lua era
cheia corria a dar a boa nova. E queria que todos olhassem para o céu.
Ainda hoje Santa
Jacinta Marto faz-nos todos olhar para o céu e a identificar a presença e a luz
dessas candeias dos Anjos e da Lâmpada de Nossa Senhora.
A sua vida era um
milagre vivo
D. Alberto Cosme do
Amaral (bispo de Leiria-Fátima de 1972 a 1993) declarava assim a sua admiração
pela Jacinta Marto:
São João diz-nos: De
tal maneira Deus amou o mundo que lhe deu o seu Filho unigénito (Jo 3,16). Sim,
de tal maneira Deus amou os homens deste século, que lhes deu esta maravilha,
este milagre vivo que é a Jacinta, tão identificada com Jesus, no seu amor a
Deus e no seu amor aos homens. Nós, os homens de hoje, temos necessidade desta
loucura divina, bem patente na vida da Jacinta: a loucura do amor até dar a sua
vida. Amar como a Jacinta reclama, pois, de cada um de nós, que amemos assim
apaixonadamente a Jesus, de modo a não cometer pecado algum. Mas o amor não é
simples ausência do pecado: é algo de positivo que leva à identificação com o
Senhor. E isto supõe um despojamento total de si próprio, uma entrega total e
gratuita. Para quem ama, só conta o critério e gosto da pessoa amada. Amar a
Jesus reclama amar os que Jesus ama; e, por isso, a Jacinta amava os pecadores,
por cuja conversão fazia essas mortificações inauditas, impensáveis numa
criança, sem uma graça especial do Espírito Santo. O amor da Jacinta é para nós
um desafio: com ela, também nós iremos aos cumes do amor.
Não eram crianças
comuns
No ano 2000, aquando
da beatificação de Jacinta e de Francisco Marto, numa entrevista na Televisão
da Madeira, perguntaram-me por que é que a igreja declarava crianças, de apenas 10 anos, santas ou beatas. Ou teria de beatificar todas as crianças, pois
são todas inocentes como estas duas, ou então estaria a imputar-lhe
indevidamente uma responsabilidade ou maturidade, demasiado grande para a sua tenra
idade.
Respondi assim:
1º - Estas duas crianças, Jacinta e Francisco, não são iguais às outras crianças. Por isso mesmo é que eram beatificadas.
2º - Elas não se limitaram a evitar o mal (ausência de pecado), mas fizeram o bem de maneira heroica muito acima da sua idade. É por isso que são diferentes e como tal devem ser destacadas.
3º - Não são os homens os responsáveis pelas beatificações, mas é o próprio
Deus que inspira, dá força e coragem para essa vida fora do comum. A igreja tem
de aplaudir a santidade destas crianças, porque é o reflexo de Deus. Toda a santidade é obra de Deus.
De facto, estes pastorinhos são as únicas crianças não mártires canonizadas.
Ver também:
Sem comentários:
Enviar um comentário