sábado, 9 de maio de 2020

Da inveja à confiança


Sábado – IV semana da Páscoa

Por inveja
Os judeus não aceitavam a mensagem de Paulo e Barnabé, nem queriam que os outros aceitassem, por pura inveja.
Ter inveja é não se alegrar com o bem dos outros, e por isso querer destruir esse bem.
A última palavra de Os Lusíadas é inveja (Canto X, Estância 156).
O poeta depois de cantar os feitos dos portugueses, lembra ao Rei D. Sebastião que o grande Alexandre de mais ninguém terá inveja. 
Ao vermos o bem dos outros, louvemos o Senhor e esforçemo-nos a continuar esse bem.

Rezemos para que nos alegremos pelo bem que vemos á nossa volta e isso nos leve a praticar também nós essas boas obras.

O que pedirdes eu o farei
É a certeza de que Deus ouve a nossa oração, mas isso não quer dizer que ele faça segundo a nossa vontade.
Uma vez uma pequenina pediu ao Menino Jesus mil bonecas. O seu pai, um incrédulo sem coração, disse-lhe no dia de Natal:
- Então o Menino Jesus não te ouviu, pois não?
- Sim, replicou ela – disse-me que não!

Rezemos para que aprendamos a pedir com a confiança de que Deus nos ouve e não com a certeza de que nos dará tal como lhe pedimos.





sexta-feira, 8 de maio de 2020

Tal e qual (3)


- Ó mãe, quem fez este caminho estava bêbado.
- Porquê, minha filha?

























- Ó pai, este caminho é próprio para bêbados.
- Porquê, meu filho?


Passar, chegar, ficar


6ª feira – IV semana da Páscoa















Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

Cristo parece dizer-nos:
- Por onde queres passar? Eu sou o caminho.
- Onde queres chegar? Eu sou a verdade.
- Onde queres ficar? Eu sou a vida.
Caminhemos pois em plena segurança por este caminho; e, fora do caminho, tenhamos cuidado com as armadilhas. Porque dentro do caminho o inimigo não ousa atacar - o caminho é Cristo - mas fora do caminho monta os seus ardis.
O nosso caminho é Cristo na sua humildade; Cristo verdade e vida é Cristo na sua grandeza, na sua divindade. Se seguires o caminho da humildade, chegarás ao Altíssimo; se, na tua fraqueza, não desprezares a humildade, permanecerás cheio de força no Altíssimo.
Porque foi que Cristo tomou o caminho da humildade? Foi por causa da tua fraqueza, que era um obstáculo intransponível; foi para te libertar dela que tão grande médico veio a ti. Tu não podias ir até ele; por isso, veio Ele até ti. Veio ensinar-te a humildade, que é um caminho de regresso, porque era o orgulho que nos impedia de retornar à vida que o mesmo orgulho nos tinha feito perder.
Assim, tornando-Se nosso caminho, Jesus grita-nos: 
- Entrai pela porta estreita! 
O homem esforça-se por entrar, mas o inchaço do orgulho impede-o de tal. Aceitemos o remédio da humildade, bebamos esse medicamento amargo, mas salutar.
O homem inchado de orgulho pergunta: 
- Como poderei entrar?
Cristo responde-lhe:
- Eu sou o caminho, entra por Mim.
- Eu sou a porta, porque procuras noutro sítio? 
Para que não te percas, Ele fez-Se tudo por ti e diz-te: 
-Sê humilde, sê manso.
(cf. Sermão 142 de Santo Agostinho)

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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Fazer caixinha


4ª feira – IV semana da Páscoa
















A expressão FAZER CAIXINHA, em português, indica a tentação de alguém guardar só para si algo que podia estar aberto a todos, seja um valor, um objeto, uma notícia ou uma qualidade.
E muitas vezes essa tentação resulta não só na desvantagem dos outros como também no prejuízo da própria coisa.

O contrário de fazer caixinha é o espírito universal, a abertura fraterna e a partilha sincera.

É disto que nos fala a liturgia da palavra deste dia.

Na 1ª leitura – Separai-me Barnabé e Saulo para o trabalho a que os chamei…
Que trabalho era esse? – A missão de anunciar Jesus Cristo aos gentios. A mensagem de Cristo não era uma caixinha exclusiva dos discípulos vindos do judaísmo, mas devia estar acessível a todos…

No trecho de Evangelho Jesus diz – Eu vim como luz para que todo aquele que acredita em Mim não fique nas trevas.
Deus não fez caixinha com o seu Filho e com a sua Luz. A Luz de Deus chegou até nós, expandiu-se para nos envolver. Quando se guarda uma Luz, ela corre o risco de se apagar (não se acende uma lâmpada para a colocar debaixo de uma caixa, pois seria o seu fim). Jesus veio ao encontro de todos, é o próprio Deus que sai ao encontro de alguém, para que todos possam seguir o seu exemplo.


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terça-feira, 5 de maio de 2020

Obstáculos das ovelhas


3ª feira – IV semana da Páscoa

No Evangelho do dia os judeus pedem a Jesus para dizer abertamente se Ele é o Cristo. Mas o Senhor responde: Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas.




















Os cristãos têm dificuldades porque no meio da sua escrita deve estar sempre a Cruz de Cristo.

Também para nós, que estamos no rebanho de Jesus há dificuldades em acreditar. Apontamos 5:

- O primeiro obstáculo é a riqueza: Também muitos de nós, que entramos pela porta do Senhor, depois nos detemos e não seguimos adiante porque somos aprisionados nas riquezas e não podemos servir a dois senhores. E as riquezas nos detém.

- Outra coisa que impede de seguir adiante no conhecimento e na pertença a Jesus é a rigidez: a rigidez de coração. Também A rigidez não é fidelidade: a fidelidade é sempre um dom a Deus.

- O Papa descreveu outro impedimento: a preguiça. Aquele cansaço que nos tira a vontade de seguir adiante, e leva você à tepidez e lhe faz tornar-se morno.

- Outra atitude ruim é o clericalismo, porque se coloca no lugar de Jesus. Isso é assim e assim e se você não faz assim não pode entrar. Um clericalismo que tira a liberdade dos fiéis.

- Outra coisa que nos impede de seguir adiante no conhecimento de Jesus é o espírito mundano. Quando a observância da fé, a prática da fé acaba em mundanismo sem a presença de Jesus.

Essas são as cinco coisas que nos impedem de fazer parte das ovelhas de Jesus.
Peçamos ao Senhor que nos ilumine para ver dentro de nós se existe a liberdade de caminhar rumo a Jesus e nos “tornar ovelhas de seu rebanho.
(cf. Homilia do Papa Francisco, hoje 05/05/2020)

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segunda-feira, 4 de maio de 2020

Versículos não rezados (2)


Devido ao seu caráter predominantemente imprecatório, estes versículos foram omitidos na Liturgia das Horas, para além dos salmos 57, 82 e 108  (IGLH 131).

Salmo 53, 7
Fazei recair o mal sobre os meus adversários,
exterminai-os pela vossa fidelidade.


Salmo 54, 16
Fulmine-os a morte;
caiam vivos na mansão dos mortos,
porque o mal mora neles,
está no seu coração.


Salmo 55, 8
Com este crime não poderão salvar-se;
na vossa ira, ó Deus abatei as nações.


Salmo 58, 6-9; 12-16
Vós, Senhor dos exércitos,
sois o Deus de Israel.
Levantai-vos e castigai toda essa gente,
não tenhais penas desses infiéis.

Todos as tardes, latindo como cães,
vêm fazer a ronda à cidade.

Há insolência em sua boca
e espadas nos seus lábios:
‘quem é que nos ouve’?

Vós, porém, Senhor, escarneceis deles,
zombais de toda essa gente.

Não o mateis, para que o não esqueça o meu povo;
pelo vosso poder, fazei-o andar errantes,
reconduzi-os à escravidão, Senhor, meu protetor

Palavra de seus lábios é pecado de sua boca.
Sejam apanhados nos laços da sua arrogância
e vítimas de suas imprecações e mentiras.

Exterminai-os com furor,
exterminai-os apa que desapareçam,
e fique a saber-se que Deus reina em Jacob,
até aos confins da terra.

Todas as tardes, latindo como cães,
vêm fazer ronda à cidade.

Vagueiam em busca de alimentos;
e não se saciando, põem-se a uivar.


Salmo 62, 10-12
Os que procuram tirar-me a vida
baixarão as profundezas da terra;

Serão passados à espada,
feitos presa de chacais.

E o rei há de alegrar-se em Deus,
hão de congratular-se os que Lhe são fiéis
quando se fechar a boca dos ímpios.


Salmo 68, 23-29
Seja a sua mesa uma armadilha
a a sua abundância um laço.

Escureçam-lhe os olhos
de modo que não possam ver
e nunca mais possam endireitar o dorso.

Despejai sobre eles a vossa cólera,
atingi-os com a ira do vosso rosto.

Sejam devastadas as suas habitações
e não haja quem more em suas tendas.

Já que têm perseguido a quem Vós feristes
e acrescentam sofrimentos a quem Vós provais,
ponde-lhe culpa sobre culpa
e não consigam o vosso perdão.

Sejam riscados do livro dos vivos,
cortados do número dos justos.


Salmo 78, 6-7; 12
Derramai a vossa cólera
sobre as nações que Vos não conhecem
e sobre os reinos que não invocam o vosso nome;
porque devoraram a Jacob
e assolaram a sua pátria.

Fazei recair sete vezes sobre os nossos vizinhos
o ultraje com que Vos injuriaram, Senhor.


domingo, 3 de maio de 2020

Telepastor


Em tempo de confinamento por causa da Covid-19, tem havido muito teletrabalho…

No dia do Pastor também me sinto um telepastor.
















Porta e voz


Ano A – IV domingo de Páscoa - Dia do Bom Pastor





















O evangelho de hoje pode resumir-se a duas palavras, que afinal pode constituir apenas uma:
- Porta e voz
- Porta-voz

Jesus é a porta por onde todos são chamados a entrar, pois ninguém vai ai Pai senão por Ele.
É a voz que chama, pois conhece o nome de todos, e ninguém lhe é estranho.
Jesus é ao mesmo tempo o enviado de Deus, seu Porta-voz, Filho de Deus, voz de Deus, Palavra de Deus.

Assim também todos os pastores, à imagem de Cristo Pastor, devem ser Portas, para fazer entrar e nunca expulsar, fazer sair ou abandonar.
Devem ser a voz que chama, congrega, que conhece o nome de todos, não sendo estranho para ninguém e ninguém estranho para ele.
Devem ser porta-vozes que anunciam, não a sua palavra, mas a Palavra de Deus para que há sua volta haja vida e vida em abundância.

Ver também:


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Oração pelos trabalhadores
















No dia dos trabalhadores, fazemos nossa a oração que o Papa Francisco rezou na Pedreira de Granito de Mahatzana, em Antananarivo (Madagáscar) a 06/09/2019.

Deus nosso Pai, criador do céu e da terra,
nós Vos damos graças por nos reunirdes aqui como irmãos,
em frente desta pedreira britada pelo trabalho do homem:
nós Vos pedimos por todos os trabalhadores.
Por aqueles que o fazem com as próprias mãos
e enorme esforço físico.
Preservai os seus corpos do desgaste excessivo:
que não lhes falte a ternura e a capacidade 
de acariciar os seus filhos e jogar com eles.
Concedei-lhes o vigor da alma e a saúde do corpo
para que não fiquem esmagados pelo peso da sua tarefa.
Fazei que o fruto do trabalho lhes permita
Assegurar uma vida digna às suas famílias.
Que encontrem nelas, à noite, calor, 
conforto e encorajamento,
e que juntos, reunidos sob o vosso olhar,
conheçam as verdadeiras alegrias.
Saibam as nossas famílias que a alegria de ganhar o pão
é perfeita, quando este pão é partilhado.
Que as nossas crianças não sejam forçadas a trabalhar,
possam ir à escola e continuar os seus estudos,
e os seus professores consagrem tempo a esta tarefa,
sem precisarem doutras atividades para a subsistência diária.
Deus da justiça, tocai os corações de empresários e dirigentes:
que eles provejam a tudo o que é necessário
para assegurar a quantos trabalham um salário digno
e condições respeitosas da sua dignidade de pessoas humanas.
Com paterna misericórdia, cuidai
daqueles que não têm trabalho,
e fazei que o desemprego, causa de tantas misérias,
desapareça das nossas sociedades.
Possa cada um conhecer a alegria e a dignidade de ganhar o pão
para o trazer para casa e sustentar os seus queridos.
Pai, criai entre os trabalhadores um espírito de verdadeira solidariedade:
saibam velar uns pelos outros,
encorajar-se mutuamente, sustentar quem está extenuado, 
levantar aquele que caiu.
Perante a injustiça, que o seu coração nunca ceda ao ódio,
ao rancor, à amargura, mas mantenha viva a esperança
de ver um mundo melhor e trabalhar por ele.
Que saibam, juntos e de forma construtiva,
fazer valer os seus direitos
e que as suas vozes e o seu clamor sejam atendidos.
Deus nosso Pai, Vós destes, como protetor
aos trabalhadores do mundo inteiro, São José,
pai adotivo de Jesus, esposo corajoso da Virgem Maria:
a Ele, entrego quantos trabalham nesta terra
,
especialmente aqueles que levam uma vida precária e difícil.
Que Ele os guarde no amor do vosso Filho
e os sustente na sua vida e na sua esperança.
Amen!