sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Um grande milagre de Jesus


6ª feira – II semana comum

A) Grande milagre

Temos na página do Evangelho de hoje um grande milagre.

Que milagre é esse?

O milagre do chamamento dos 12 apóstolos, seus nomes e seu envio.

É um grande milagre porque Deus não escolhe os qualificados, mas qualifica os escolhidos.

É grande milagre porque transforma simples pecadores, analfabetos, cobradores de impostos, em apóstolos, profetas, embaixadores de Deus. Mais do que transformar a água em vinho, este grande milagre transforma pessoas simples em agentes de Deus.

Deixemos que Deus nos escolha e nos qualifique. Será um grande milagre hoje.

 

B) Origem do milagre

O evangelista diz que Jesus subiu a um monte… Não precisa dizer mais nada para mostrar que Jesus subiu para rezar. Só Lucas explicita o que os outros subentendem, dizendo que passou a noite em oração.

Jesus subiu ao monte para rezar e depois disso, chamou, escolheu, nomeou e enviou os 12 apóstolos.

Antes de tomares uma decisão séria ou determinante, segue o exemplo de Jesus – Reza!

E um novo milagre acontecerá.

 

C) O milagre de acompanhar

Os apóstolos são convidados a fazer companhia a Jesus junto de Deus, e Jesus faz companhia aos apóstolos junto dos homens.

No monte os discípulos fazem companhia a Jesus.

Em baixo é Jesus que faz companhia aos apóstolos.

Os apóstolos com Jesus junto de Deus.

Jesus com os apóstolos junto dos homens ou dos irmãos.

 

Ver também:

Os companheiros de Jesus

Cada apóstolo, sua missão

Jesus é o protagonista

Corresponsabilidade 

Apóstolos a postos

Os apóstolos de Jesus e o Jesus dos Apóstolos

Deus é quem escolhe

Sou porque somos

Escolher

Subir ao monte

Doze apóstolos

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Vitorioso em todas as coisas


Solenidade de São Vicente, Diácono e Mártir, +304

Padroeiro do Algarve e do Patriarcado de Lisboa

Neste dia 22 de janeiro, a Igreja celebra a festa de São Vicente, diácono e mártir, uma das figuras mais veneradas do início do cristianismo ocidental. Nascido em Huesca, filho de pais cristãos, na segunda metade do século III, foi ordenado diácono por São Valério, bispo de Saragoça. Distinguiu-se rapidamente pelo seu fervor, inteligência e eloquência, a ponto de se tornar a voz do seu bispo, já idoso. O seu ministério se desenvolveu inicialmente durante um período de relativa paz para a Igreja, fomentado pela reorganização do Império sob Diocleciano e pela consolidação das comunidades cristãs na Hispânia, como evidenciado pelo Concílio de Elvira, realizado pouco antes do ano 300.

 

Essa situação mudou abruptamente com a grande perseguição decretada por Diocleciano e Maximiano a partir de 303. Na Hispânia, o prefeito Dácio ficou encarregado de aplicá-la, percorrendo a península e semeando o terror entre os cristãos. De Saragoça, ele trouxe consigo o bispo Valério e o seu diácono Vicente para Valência. Logo exilou Valério e concentrou toda a sua crueldade em Vicente, tentando forçar a sua apostasia por meio de torturas cada vez mais refinadas: a roda, ganchos, fogo e prisão. Vicente suportou tudo com uma serenidade que surpreendeu até mesmo os seus executores, e morreu na prisão em decorrência dos ferimentos em 304.

 

O relato do seu martírio foi registado muito cedo e amplamente divulgado. Com o tempo, as histórias foram embelezadas com elementos lendários: a luz que iluminou a masmorra na calada da noite, as flores que cobriram o chão, a música celestial, o corvo que guardou o seu corpo abandonado, o mar que devolveu os seus restos mortais à costa. Além desses adornos simbólicos, o núcleo histórico permanece: a firmeza de um diácono que, sustentado pela fé, venceu o medo e a dor.


Santo Agostinho, uma das grandes testemunhas da sua veneração, expressou-a com palavras memoráveis ​​nos seus sermões "na festa de São Vicente do Martírio": "Contemplamos um grande espetáculo com os olhos da fé: o mártir São Vicente, vitorioso em todas as coisas". Para o Bispo de Hipona, a chave dessa vitória não residia na resistência física, mas na graça de Cristo, que lutava dentro dele. "Foi Vicente quem sofreu", diria ele em outro momento, "mas foi Deus quem lhe deu tamanha coragem".

 

Em Portugal é representado de modos diversos: com palma e evangeliário ou, mais habitualmente, com uma barca e um corvo, porque, de acordo com a tradição, quando em 1173 o rei D. Afonso Henriques ordenou que as relíquias do santo fossem trazidas do Cabo de S. Vicente, junto a Sagres, para a cidade de Lisboa, duas daquelas aves velaram o corpo do santo que seguia a bordo da barca - facto a que ainda hoje aludem as armas de Lisboa, sendo S. Vicente o padroeiro da diocese da capital e do Algarve.

 

Ver também:

Vicente, aquele que vence

Vicente, vencedor

 



quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Celebramos hoje Santa Inês


Memória de Santa Inês, Virgem e Mártir

Celebramos uma virgem: Imitemos a sua integridade.

Celebramos uma mártir: ofereçamos sacrifícios (imitemos a sua coragem).

 

Santo Ambrósio fala com grande admiração de Santa Inês, que foi martirizada com a tenra idade de 13 anos, no final do século III. Na sua obra, Sobre as Virgens, ele escreveu: Este é um novo tipo de martírio!

Os contrastes de uma Virgem e Mártir:

1º contraste – entre a idade dela e o martírio. Ela é jovem demais para ser condenada à morte. E, no entanto, ela já está madura para a vitória. Quem não é maduro em anos, não obstante, está maduro para alcançar a vitória. É uma glória. A imaturidade dos anos e a maturidade da virtude.

2º contraste – Ela não está preparada para o combate, mas está madura para a coroa. Uma jovem daquela época não tinha condições de lutar, contudo, conquistou a mais alta de todas as honras, que é a coroa do martírio.

3º contraste – Ela é tão jovem que ainda está sob a tutela de outros. A lei não a considera capaz de governar a si mesma. Todos os presentes a admiravam porque ela era uma testemunha da Divindade, embora ainda fosse menor de idade e não pudesse testemunhar nada em um tribunal de direito humano. A sua palavra não teria valor algum num processo legal comum, contudo, ela impressionou a todos com a sua defesa de Nosso Senhor.

Outros contrastes:

- Ela avança alegremente, com passo firme, para o lugar de onde todos naturalmente fogem.

- O seu adorno não são tranças artificiais, mas sim Jesus Cristo, porque Ele é o verdadeiro adorno, a verdadeira beleza da alma que se consagra a Ele.

- Ela não é coroada com grinaldas de flores como as outras jovens romanas da sua época, mas com pureza.

- Todos choram ao ver uma jovem prestes a ser morta. Mas ela não. É um contraste glorioso, pois ela anseia pelo Céu, e não pela Terra. Nesse sentido, todos se admiram de que ela possa renunciar tão facilmente a uma vida que mal começou. Contudo, ela sacrifica essa vida como se já a tivesse vivido e desfrutado plenamente.

 

Significado do nome Inês

 

A) Pura e casta

O nome Inês, em grego, significa “pura e casta”. Para os historiadores, isto significa um sobrenome, que identifica Santa Inês, uma das mártires mais veneradas pela Igreja.

B) Cordeirinho

A iconografia representa Inês com um cordeiro sempre ao lado, porque seu destino foi o mesmo reservado a estes pequenos ovinos. Agnes=Agnus= cordeiro.

Todos os anos, no dia 21 de janeiro, festa litúrgica de Santa Inês, são abençoados dois cordeirinhos, criados pelas Irmãs da Sagrada Família de Nazaré. Com a sua lã, as Irmãs confecionam os sagrados Pálios, que o Papa impõe sobre os novos Arcebispos metropolitanos, em 29 de junho, dia de São Pedro e São Paulo.

 

Ver também:

São Tomás, devoto de Santa Inês

A coroa de Santa Inês

 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Sou do tamanho do que vejo


3º feira – II semana comum

As leituras de hoje apresentam dois modos de olhar:

- No evangelho, os fariseus olharam para uma paisagem e viram Jesus e um grupo de discípulos que caminhavam, mas só destacaram o que eles faziam e na altura em que faziam, isto é, ao sábado.

Tinham tanta coisa a apreciar e só se prenderam àquilo que queriam ver – à lei e à sua falta de cumprimento.

É por isso que Jesus responde que ali estava quem é mais importante que o sábado. De facto, o homem é mais importante do que o sábado, pois o sábado foi feito para o homem.

- A 1ª feitura lembrava que Deus não vê como o homem:  homem olha às aparências, o Senhor vê o coração.

 

Conclusão:

Olhar e ver o essencial:

Olhar o essencial é ver com o coração,

Ver com o coração é não olhar às aparências.

 

À margem

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura...

 

Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,

Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

(Fernando Pessoa, in "O Guardador de Rebanhos - Poema VII" do Heterónimo Alberto Caeiro)

 

Ver também:

Respeitar o dia de sábado

Senhor do sábado e não só

Jovens e velhos

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O ladrão da alegria é...


2ª feira – II semana comum

Não é a primeira vez que o Evangelho nos apresenta cenas de comparação entre personagens.

Hoje é o caso dos discípulos de João Baptista e os fariseus que se comparavam com os novos discípulos de Jesus:

- Ou porque se achavam mais perfeitos e cumpridores do que os discípulos de Jesus.

- Ou porque estavam com ciúmes.

 

Theodore Roosevelt, 26º presidente dos USA, afirmou que a comparação nos rouba a alegria.

 

Pedi ajuda à Inteligência Artificial que assim me elucidou:

A tentação de comparar-se é um impulso humano de se avaliar em relação aos outros, buscando status (superioridade ou inferioridade), mas é frequentemente prejudicial, gerando inveja, insegurança e destruindo a gratidão; a solução envolve focar em si mesmo, nos próprios atos, buscar a humildade e se espelhar em exemplos perfeitos como Cristo, em vez de competir com imperfeições humanas. 

Por que comparamos

- Busca por status: Avaliamos semelhanças e diferenças para estabelecer se somos iguais ou superiores a alguém.

- Insegurança: A comparação pode reforçar sentimentos de incapacidade ou fracasso, alimentados por exaustão e insegurança.

- Orgulho e inveja: O orgulho é a raiz da comparação, levando à inveja e ao ciúme, dificultando a gratidão. 

Como lidar com essa tentação

- Foque em si e em Cristo: Em vez de comparar, examine seus próprios atos e o progresso com Deus, buscando imitar os atributos divinos, não os humanos.

- Seja justo consigo mesmo: Questione o porquê da comparação e seja compreensivo com suas próprias limitações.

- Use a comparação para o bem: Admire exemplos positivos para se inspirar, não para competir ou denegrir os outros.

- Analise seus sentimentos: Anote os pensamentos e sentimentos negativos que surgem da comparação (ex: inveja de um carro novo) para entender e lidar com eles.

- Evite comparar filhos: Respeite a individualidade de cada um para formar adultos autônomos e saudáveis, sem massificá-los. 

Onde a comparação leva

- Distorção da realidade: Comparar-se com fantasias da vida alheia, não com a realidade.

- Destruição da gratidão: A comparação pode destruir a capacidade de ser grato, gerando ódio e inveja.

- Desvio do foco: Tira o foco de Deus e o coloca em coisas terrenas e passageiras, criando uma competição.

 

Conclusão:

Quanto à comparação como tentação no evangelho de hoje Jesus diz simplesmente:

- Festa é festa e jejum é jejum. Há tempo e ocasião para as duas realidades. Não há que ter ciúme de uma ou de outra.

-Quem tem a companhia do amigo, não sente saudades dele.

Só quem está na companhia do amigo é que não sente saudades dele.

E quem gosta realmente de alguém, nunca se cansa de falar bem dele.

 

Ver também:

Vinho novo num coração novo

Odre novo é o nosso coração

Festa é festa e jejum é jejum

Deus em primeiro lugar

O vinho e os odres

Jejum ou dieta digital

Decálogo do jejum

Retalhos

Vinho novo

Odres novos

Formas de jejum

 

sábado, 17 de janeiro de 2026

Um grilo na cidade


Nas minhas caminhadas ao fim da tarde já me habituei a escutar pessoas, de todas as idades e em todos os estados, que falam, cantam, brigam, choram… Também me habituei a identificar vários animais a cantar ou a comunicar… cães, gatos, pássaros de muitas espécies… Também não me é estranho o ruído urbano ou rural, motores vários, de carros, motas, barcos, aviões e comboios, e ainda o som do vento, da chuva, dos trovões ou até mesmo da brisa suave...

Um dia, parei no meio do caminho a ouvir um grilo a cantar.

Várias pessoas passaram por mim, fitaram-me com um ar estranho, surpreendidas pela minha atitude invulgar no passeio. Houve até alguém que me perguntou se eu estava a sentir-me mal.

- Estou a sentir-me tão bem ao ouvir um grilo a cantar. – Respondi sorrindo a quem ainda mais desconfiado pela minha integridade física ou mental continuou o seu caminho.

Partilhei esta experiência a um colega da minha idade, rindo-me da situação de ter sido conotado como alguém que não estava ‘bom da cabeça’.

O meu colega contou-me então uma experiência semelhante.

Ele tinha vivido na Índia durante alguns anos e mantinha contacto com alguns amigos locais. Um dia recebeu a visita de um desses amigos. Alojou-o na sua casa, levou-o a visitar várias partes da cidade, monumentos, igrejas, praças e jardins. Quando estavam na praça principal do centro histórico urbano, o amigo indiano disse ao português:

- Estás a ouvir o mesmo que eu?

- Sim, oiço o murmúrio da cidade, do trânsito, dos transeuntes, da música da esplanada, das crianças no parque…

- Não é isso. Estou a ouvir um grilo a cantar.

- De certeza? Como é possível distinguir isso no meio desta agitação?

- Vem comigo…

E levou-o até ao canteiro do centro da praça e juntos puderam confirmar que, de facto, havia um grilo a cantar. O indiano aproxima-se mais e apanhou-o com a mão.

- Eis o grilo que canta no centro da cidade…

- Vós orientais tendes uma sensibilidade especial para identificar um grilo no meio do rumor de uma cidade. Tendes uma sensibilidade muito mais apurada do que nós ocidentais – concluiu o meu amigo português.

- Aí é que estás enganado.

O indiano tirou do bolso umas moedas e, como por descuido, fê-las cair na calçada. Imediatamente quatro ou cinco pessoas voltaram-se para trás, ao ouvirem esse tilintar.

- Vês? – concluiu o indiano – Esta pequenas moedas fizerem um som mais leve do que o grilo. No entanto, viste quantos ocidentais foram sensíveis a isso?

E eu aprendi a lição. O nosso ouvido identifica mais depressa a música de que mais gostamos.

É por isso que Jesus no Evangelho diz:

- Onde estiver o vosso tesouro aí estará o vosso coração.

De facto, todos nós somos mais sensíveis ao que está no nosso coração.

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Quem anda à chuva molha-se


Hoje, na minha caminhada ao fim da tarde, fui surpreendido pela chuva repentina.

Tive logo a tentação, tal como muitos à minha volta, de me recolher num sítio abrigado e esperar que a chuva parasse.

Como nem sempre tenho a oportunidade de caminhar à chuva (pois vivo atualmente numa região onde a chuva é escassa) decidi aprender a caminhar à chuva.

Como fazer?

Sem ter com que me proteger da água comecei a andar mais depressa, direito, com a cabeça erguida e a olhar em frente.

Reparei que outras pessoas faziam precisamente o contrário.

Baixavam a cabeça e aumentavam assim a área para ficarem molhados.

Lembrei-me então do conselho de uma página do evangelho.

Perante o cenário bem negro de dificuldades e desgraças qual deve ser a nossa atitude?

Jesus diz:

- Erguei-vos e levantai a cabeça.

De facto, no meio da chuva ninguém fica sentado ou de costas curvadas e cabeça baixa.

A nossa atitude deve ser de pé com a cabeça levantada, com a alegria de saber que Deus não nos abandona.

- Diante os tempos difíceis da nossa vida não há que ter medo, mas manter-se de pé (não desfalecer), levantar a cabeça (não se deixar subjugar) e olhar em frente ou para o alto (e não para baixo) para continuar o caminho.

Não é tempo de nos entregarmos à tristeza por causa dos tempos difíceis, das tempestades, por causa das doenças ou perseguições, mas tempo de esperança e de confiança em Deus.

Se não levantarmos a cabeça nunca veremos o arco iris.

Se não levantarmos a cabeça Deus não nos pode olhar olhos nos olhos.

Se não levantarmos a cabeça não podemos ver o sol que desponta e o novo dia que nos espera.

A propósito:

- A chuva quando cai, chora ou canta?

Ela chora e canta.

Chora com quem está triste e canta com quem está alegre.

A chuva canta com quem canta e chora com quem chora.

Quem me dera que chova hoje para eu continuar a aprender a caminhar na chuva.