terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Sou do tamanho do que vejo


3º feira – II semana comum

As leituras de hoje apresentam dois modos de olhar:

- No evangelho, os fariseus olharam para uma paisagem e viram Jesus e um grupo de discípulos que caminhavam, mas só destacaram o que eles faziam e na altura em que faziam, isto é, ao sábado.

Tinham tanta coisa a apreciar e só se prenderam àquilo que queriam ver – à lei e à sua falta de cumprimento.

É por isso que Jesus responde que ali estava quem é mais importante que o sábado. De facto, o homem é mais importante do que o sábado, pois o sábado foi feito para o homem.

- A 1ª feitura lembrava que Deus não vê como o homem:  homem olha às aparências, o Senhor vê o coração.

 

Conclusão:

Olhar e ver o essencial:

Olhar o essencial é ver com o coração,

Ver com o coração é não olhar às aparências.

 

À margem

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura...

 

Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,

Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

(Fernando Pessoa, in "O Guardador de Rebanhos - Poema VII" do Heterónimo Alberto Caeiro)

 

Ver também:

Respeitar o dia de sábado

Senhor do sábado e não só

Jovens e velhos

 

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