sábado, 19 de novembro de 2022

Peanha do Santo Imperador

A Ilha da Madeira foi o pequeno espaço escolhido por Deus para servir de peanha ou pedestal do Santo Imperador, Carlos de Áustria. Parece não haver terra mais grandiosa, escada mais alta, viagem mais longínqua.

Carlos de Áustria tendo viajado pelo seu império e por toda a Europa, chegou à Madeira para aí iniciar a sua viagem mais transcendente.

A Madeira, desde 19 de novembro de 1921 foi-se transformando e elevando pouco a pouco a sua vocação de sacrário de santidade.

Começou por ser nomeado como um simples lugar de internamento, de residência de exílio ou permanência forçada.

Depois foi-se afirmando como local privilegiado de acolhimento, de habitação familiar e corte imperial.

Passou ainda por espaço de purificação e de ascese como subida ao monte Calvário.

Finalmente a ilha tornou-se antecâmara do paraíso, porta do céu e lugar de repouso eterno.

Agora na Madeira, o Monte tornou-se em altar onde é venerado o santo Imperador, a peanha da sua imagem, o pedestal da sua figura de santidade. Partilha com a Senhora do Monte o mesmo santuário, a mesma peanha ou pedestal. E nós podemos também partilhar com e como eles o mesmo altar e o mesmo destino de eternidade.

Por causa do Santo Imperador a Madeira ficou mais parecida com o Paraíso e o Céu ainda mais perto da nossa terra.

 

Lição a guardar:

Façamos do lugar onde estamos, quer de passagem quer permanente, quer desterrados ou acolhidos, quer na saúde ou na doença, quer na alegria ou na tristeza, quer na esperança ou na angústia, quer na vida ou na morte, uma peanha de santidade e um pedestal de eternidade, a exemplo do Beato Carlos de Áustria.

Acompanhemos o percurso do Imperador Carlos da Madeira para a eternidade, da terra ao céu:

 

INTERNAMENTO

01 de novembro de 1921 in Diário da Madeira

A Inglaterra propôs às nações aliadas que seja internado na ilha da Madeira o imperador Carlos da Áustria.

 

RESIDÊNCIA

04 de novembro de 1921 in O Comércio da Madeira

Foi concedido autorização aos imperadores de Áustria para residirem na ilha da Madeira.

 

EXÍLIO

05 de novembro de 1921 in Diário de Notícias

O governo português aceitou a proposta dos Aliados para ser exilado na ilha da Madeira o ex-imperador Carlos da Áustria.

 

HÓSPEDAGEM

09 de novembro de 1921 in Diário da Madeira

Os ex-imperadores da Áustria serão considerados pelo governo português como hóspedes, sendo-lhes dispensadas todas as deferências e atenções

 

HABITAÇÃO

11 de novembro de 1921 in O Comércio da Madeira

Está definitivamente assente o ex-imperador Carlos de Habsburgo e sua esposa habitarem a Villa Vitória anexa ao Reid’s Palace Hotel.

 

PRISÃO DE ELEVADA CATEGORIA

12 de novembro de 1921 in Diário da Madeira

Segundo nos informou o sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros o ex-imperador da Áustria, Carlos de Habsburgo e sua família, que muito em breve virão residir na ilha da Madeira serão considerados não como prisioneiros, mas como hóspedes do nosso governo que terá para eles todas as atenções e deferências que competem à sua elevada categoria social

 

PERMANÊNCIA FORÇADA

18 de novembro de 1921 in Diário da Madeira

A conferência dos embaixadores, reunida em Londres, ficou o subsídio e o quantitativo das restantes despesas com a permanência forçada na Madeira dos ex-soberanos austríacos.

 

POVO HOSPITALEIRO

20 de novembro de 1921 in O Comércio da Madeira

O cruzador inglês Cardiff fundeou, ontem às 11 horas na baía do Funchal, trazendo os ex-imperadores Carlos e Zita. O desembarque foi marcado para as 15 horas o que aconteceu. O povo, à passagem dos ex-soberanos, descobria-se respeitosamente, a que eles correspondiam sorridentes e com a maior cordialidade.

“Estamos encantados com a beleza da Ilha da Madeira e com a forma carinhosa como o povo nos saudou à nossa passagem. É um povo deveras hospitaleiro” – disse ao Comércio da Madeira S.M. Carlos de Habsburgo.

 

ESTADIA EM HOTEL

20 de novembro de 1921 in Diário de Notícias

Os ex-reis da Hungria são desde ontem nossos hóspedes. Desembarcados seguiram para a Vila Vitória anexa ao Reid’s Palace Hotel onde ficam residindo. É a primeira vez que a hospitaleira ilha serve de residência a soberanos exilados.

 

NOVA CORTE IMPERIAL

22 de novembro de 1921 in Diário da Madeira

Na sé, à entrada e à saída dos ex-imperadores, alguns membros do clero e bem assim algumas pessoas do povo beijavam a mão de Carlos de Habsburgo em sinal de cortesia devida aos soberanos.

 

RESIDÊNCIA DE VERÃO

26 de novembro de 1921 in Diário de Notícias

Os ex-imperadores da Hungria foram ontem ao Monte, pelas 2 horas da tarde, no automóvel do sr. António Vieira de Castro, visitando a Quinta Rocha Machado, que será a sua residência de verão.

 

SEM GUARDA NEM VIGILÂNCIA

01 de dezembro de 1921 in Diário de Notícias

O Ministro dos Estrangeiros em entrevista à Capital disse – o imperador Carlos e sua esposa foram residir para a Madeira não como prisioneiros, mas como soberanos exilados. O governo português não tem responsabilidade alguma, perante as potências, pela sua guarda. Nós não fomos chamados a exercer nenhuma vigilância. O imperador habita no Funchal como qualquer soberano exilado e não guardado pelo governo português.

 

SOBERANO EM TODO O LUGAR

23 de março de 1921 in Diário de Lisboa

Quando foram, pela primeira vez ouvir missa à Sé do Funchal, um desconhecido, que se achava no meio da multidão, exclamou em húngaro: Viva o rei Carlos!

Trataram se se informar da sua identidade e souberam que era um comerciante de Budapeste que tendo de ir para o México, se dirigira primeiro ao Funchal, para ver os seus antigos soberanos. Esta prova de dedicação enterneceu-os profundamente. A soberania era agora exercida no Funchal.

 

ENFERMARIA

27 de março de 1921 in Diário de Lisboa

Encontra-se gravemente enfermo, na Ilha da Madeira o ex-imperador Carlos.

A desgraça não o deixa repousar pois até no exílio o persegue. Aliada a uma terrível depressão nervosa, a doença (dupla pneumonia) debilita-lhe agora a sua resistência.

 

ANTECÂMARA DO PARAÍSO E VIÁTICO

02 de abril de 1921 in Correio da Madeira

O defunto exilado recebia todos os dias o S.S. Sacramento e só como Sagrado Viático o recebeu na 2ª feira, tendo-lhe nesse dia sido ministrada a Extrema Unção, a seu pedido.

 

ESPELHO DA SUA PÁTRIA

02 de abril de 1921 in Correio da Madeira

D. Carlos de Habsburgo estava escrevendo um livro, de impressões colhidas na Madeira. Ele comparava trechos da nossa ilha a pedaços da sua pátria… O ex-imperador falava da sua pátria, que muito amava, com uma saudade pungente do seu povo, que ele considerava como filhos, e pensava nos seus destinos como um verdadeiro pai.

Os correspondentes dos jornais da capital e do estrangeiro telegrafaram ontem comunicando o desenlace fatal.

 

LEITO DE MORTE

02 de abril de 1921 in Correio da Madeira

Às 12 hora do dia de ontem, na Quinta do Monte, para onde fora residir com sua família e comitiva imperial, faleceu, confortado com os sacramentos da Santa Madre Igreja, Sua Majestade Imperial Apostólica Calos V de Habsburgo… Quando se avizinhava a morte, disse o ex-imperador: Ofereço a minha vida ao meu bom Povo.

 

CÂMARA ARDENTE

04 de abril de 1921 in Correio da Madeira

O quarto, onde a doença prostrara o ex-imperador, é o mesmo que serve de câmara ardente. O ex-imperador ‘dorme’ sobre o leito com a farda de marechal de campo.

A ex-imperatriz Zita olhando para os seus filhos, disse-lhes: O vosso pai não dorme; está acordado e vive junto de Deus.

 

CAPELA TUMULAR

04 de abril de 1921 in Diário da Madeira

Realizam-se amanhã à tarde os funerais, saindo da Quinta do Monte para a Igreja paroquial, onde está sendo levantado um mausoléu.

 

O MELHOR TESOURO

01 de junho de 1922 in A Esperança

No final de maio ancorava no Funchal o moderno transatlântico barcelonense Infanta Isabel de Bourdon que vinha expressamente pela Madeira para transportar a Cádis a Imperatriz viúva Zita e seus filhos. Ao despedir-se do Revmo. Pe. José Marques Jardim, Pároco do Monte, a Imperatriz disse: Deixo-vos o meu melhor tesouro. Deixo o meu coração nesta ilha. Parto com saudade da Madeira e do seu bom povo, mas vou satisfeita por deixar o cadáver do Imperador confiado à guarda duma população generosa… Custa-me deixar o melhor do meu ser, nesta terra, mas deixo-o no meio de corações amigos. O meu coração também fica nesta ilha.

 

NOVA CAPELA FUNERÁRIA

12 de janeiro de 1968 in Jornal da Madeira

A Imperatriz Zita e seus filhos assistiram à santa missa no Monte e à inauguração da nova capela mortuária do Imperador Carlos de Áustria.

 

PEANHA OU PEDESTAL DO SANTO IMPERADOR

16 de outubro de 2004 in Jornal da Madeira

A 3 de outubro de 2004 foi proclamado Beato o Bem-aventurado Carlos de Áustria, por sua santidade o Papa João Paulo II, na praça de São Pedro em Roma. Beatificado na presença de uma representação madeirense presidida pelo Bispo do Funchal D. Teodoro de Faria (que formulou o pedido de beatificação ao Papa João Paulo II por ser o bispo da Diocese onde se encontram os restos mortais do Beato), Presidente do Governo Regional da Madeira, Secretário Regional do Turismo e Cultura, Presidente da Câmara Municipal do Funchal, Pároco do Monte com um grupo de paroquianos e outros devotos. … Estavam presentes de vários filhos e familiares do novo Beato, nomeadamente o seu filho primogénito Otto de Habsburgo.

 

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

As lágrimas de Cristo


5ª feira – XXXIII semana comum

Ao ver Jerusalém, Jesus chorou.

Porquê?

Quando é que Jesus chora?

- Chora quando falta a paz em algum lugar

- Chora quando alguém não reconhece a presença de Deus

- Chora quando alguém desperdiça as oportunidades que Deus dá

- Chora quando há destruição de projetos e sonhos

- Chora quando não há união (como ovelhas sem pastor)

- Chora quando sente falta de alguém (saudade do amigo Lázaro)

 

Numa única expressão, Jesus chora quando alguém chora

e alegra-se quando alguém se alegra.

 

Jesus é como a chuva.

Ou a chuva é como Jesus.

A chuva canta ou chora?

A chuva canta com quem canta, com quem está alegre.

A chuva chora com quem chora, com quem está triste.

 

E para chorar nem precisamos de ver as lágrimas nos nossos olhos, mas apenas senti-las no nosso coração.

 

É preciso aprender a chorar com e como Jesus, chorando com os que choram e cantando com os que cantam.

Só assim as nossas lágrimas serão divinas porque Jesus chorou para que as lágrimas humanas fossem divinas.

Jesus chorou para mostrar que as suas lágrimas são como as nossas lágrimas humanas e que as nossas lágrimas podem ser como as suas lágrimas divinas.

 

Ver também:

Rezando e chorando

 

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Ter ou ser talento?


4ª feira – XXXIII semana comum

 

Enterrar os talentos

é enterrar-se a si mesmo


Três aplicações

1ª – A toupeira e os talentos

Os naturalistas dizem que a toupeira antigamente tinha olhos, mas desde que começou a cavar a terra, deixou de se servir da luz do sol. A natureza como juiz no tribunal disse para a toupeira: Se te não serves dos olhos que Deus te deu, perdê-lo-ás.

A natureza falou nos mesmos termos que Jesus: Tirai-lhe o talento…

2ª – Jesus é a nossa pérola

Santa Gertrudes, cuja memória litúrgica se assinala hoje, chamava a Jesus – a minha pérola. De facto, ela tinha encontrado a pérola mais preciosa por quem deixou tudo, Jesus Cristo.

A riqueza ou o talento do homem é Deus.

3ª – Ser talento

O mais importante para o homem não é tanto ter talentos, bens, dons ou capacidades. O mais importante é ser um talento para os outros. Talento é para ser e não para ter.

Ser talento é colocar o que se é ao serviço do Outro (Deus) e dos Outros (Irmãos).

 

Ver também:

Câmbio de talentos

 

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Onde vamos encontrar Jesus


3ª feira – XXXIII semana comum

 

Só vejo o sicómoro.

Afinal, onde se meteu toda a gente?

Onde está Jesus e onde está Zaqueu?

Jesus está em casa do pecador Zaqueu.


Onde podemos procurar Jesus para o encontrar?

Vamos procura-lo onde ele se encontra.

E onde é que ele está?

- Está na casa dos pecadores

- Está no colo de sua mãe

- Está a caminho do desterro

- Está na praia à procura de pescadores de homens

- Está onde dois ou três estão reunidos em seu nome

- Está na comunidade

- Está num sítio ermo a rezar à noite

- Está no meio da tempestade

- Está no templo a rezar

- Está Sentado no monte a ensinar

- Está junto de quem sofre

- Está no tribunal para ser condenado

- Está no caminho do Calvário carregando a cruz

- Está na Cruz de braços abertos

- Está ...

Conclusão:

Jesus está onde nós precisamos que ele esteja.

 

À margem

Hoje entrou a salvação nesta casa

Em geral invejamos a sorte de Zaqueu de quem Jesus se fez convidado e hospedou-se em sua casa.

Quem nos dera receber Jesus assim na nossa casa.

Mas a nossa sorte é maior.

Zaqueu é que tem inveja de nós.

Nós temos a sorte de receber Jesus, não na nossa casa, mas no nosso coração, através da sagrada comunhão. É por isso que Jesus nos diz – Hoje pode entrar a salvação na tua alma. Basta receberes a sagrada comunhão.

Agradeçamos a nossa dupla sorte

- Nós não recebemos Jesus na nossa casa. Nós é que somos recebidos na sua casa, na casa do Senhor.

- Nós não recebemos Jesus na nossa casa. Nós recebemo-lo ainda mais intimamente. Recebemo-lo no nosso coração quando nos abeiramos da comunhão recebendo o Corpo e o Sangue de Cristo.

 

Ver também:

À mesa com os pecadores

Zaqueu, o baixinho

 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Capa vermelha de Martinho


Memória de São Martinho de Tours

Bispo, 316-397

Capa de militar

A capa dos oficiais militares era de cor vermelha indiciando ardor e coragem. A cor vermelha tem a propriedade de ajudar a fortalecer o corpo trazendo mais energia e vigor.

 

Capa de nobreza

Os nobres vestiam-se de vermelho e passeavam solenemente num tapete vermelho. Era sinal de sangue real, de fortuna e prosperidade. O vermelho é uma cor primária e básica, isto é, não pode ser obtido da mistura de outras cores. É sinal de integridade e pureza.

 

Capa da caridade

O vermelho a cor dos frutos maduros, a cor do amor e da paixão porque é a cor do coração. Martinho partilhou esse fruto maduro que é a sua generosidade e caridade. Mais ainda, o vermelho é uma cor quente, que abafou o mendigo.

 

Capa de mártir

Mártir é todo aquele que se dá a Deus e aos outros. Martinho foi mártir na globalidade da sua vida como doação total a Deus e aos irmãos.

A capa vermelha dos mártires acolhe ou esconde o sangue derramado nas batalhas e combates por Deus.

 

Capa de bispo

Na Flagelação colocaram aos ombros de Jesus um manto vermelho. Ele é um rei que veio para servir e não para ser servido.

Os bispos usam também uma capa vermelha como servos dos servos. É sinal da alegria do serviço e do fogo do Espírito Santo que os anima e orienta.

 

Conclusão:

A capa de São Martinho é vermelha não por causa do vinho, nem por causa das papoilas deste dia, nem de cólera nem mesmo de vergonha.

É por causa do seu ardor e coragem (como militar) ou da sua integridade e pureza (como nobre) ou do seu coração (como caridoso) ou da sua doação total (como mártir) ou do seu serviço e fogo divino (como bispo).

 

À margem

A palavra Capela vem da Capa de São Martinho

A palavra capela tem a sua origem no vocabulário latino capella, diminutivo de cappa, que significa capa, logo capella seria uma capinha, uma capa pequena.

O vocábulo capella terá aparecido pela primeira vez por volta do ano 600 para designar um pedaço da capa de São Martinho.

De facto, São Martinho teria cortado a sua capa ao meio para dar metade a um pobre. Esse pedaço da capa, isto é, uma capinha, foi então guardado num relicário e conservado num oratório construído de propósito para aí poder ser visto e venerado estímulo e inspiração. A determinado momento o nome capella começou a ser aplicado ao oratório onde estava o relicário. O termo foi mais tarde alargado a outros relicários e passou a substituir a palavra oratório. Já no século XIII, a palavra aplicava-se a qualquer local consagrado ao culto religioso e, pouco a pouco, passou a designar um pequeno lugar separado na igreja onde há um altar, alargando-se depois a todos os locais de culto que não tinham o estatuto de igreja.

 

Ver também:

Capa partilhada

 

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Luz que conduz a Jesus


5ª feira – XXXII semana comum

Memória de São Leão Magno, 

Papa e Doutor da Igreja (400-461)

 

Da Primeira Leitura:

Sinto grande alegria e consolação por causa da tua caridade, pois graças a ti os cristãos sentem-se reconfortados.

Dos Ensinamentos de São leão Magno:

A caridade é a força da fé e a fé é a fortaleza da caridade.

 

Do Evangelho

Assim como o relâmpago que faísca dum lado do horizonte e brilha até ao lado oposto, assim o Filho do homem no seu dia.

Dos Ensinamentos de São Leão Magno:

Todo aquele que vive casta e piedosamente na Igreja assemelha-se a uma luz celeste e pela irradiação de uma vida santa mostra a muitos, qual estrela, o caminho que leva ao Senhor.

 

Oração contra o desânimo 

atribuída a São leão Magno

 

Recomeçar sempre!

 

Não desistas nunca:

nem quando o cansaço se fizer sentir,

nem quando os teus pés tropeçarem,

nem quando os teus olhos arderem,

nem quando os teus esforços forem ignorados,

nem quando a desilusão te abater,

nem quando o erro te desencorajar,

nem quando a traição te ferir,

nem quando o sucesso te abandonar,

nem quando a ingratidão te desconcertar,

nem quando a incompreensão te rodear,

nem quando a fadiga te prostrar,

nem quando tudo tenha o aspeto do nada,

nem quando o peso do pecado te esmagar.

Invoca sempre a Deus,

junta as mãos, reza, sorri…

E recomeça!

Amém!

 

Ver também:

Seu nome é Leão

 

Ver ainda

No meio de nós

Cruz e distância

Nas mãos de Deus

Onde está o reino

 

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

O Templo de Deus é Santo


Festa da Dedicação da Basílica de Latrão

1Cor 3, 9c.11.16-17

Irmãos: Vós sois edifício de Deus.

Não sabeis que sois templo de Deus 

e que o Espírito de Deus habita em vós?

Se alguém destrói o templo de Deus, 

Deus o destruirá.

Porque o templo de Deus é santo

e vós sois esse templo.

 

Sermão musical

ver também:

Nós somos um templo

 

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Como amar e servir bem

 

3ª feira – XXXII semana comum

Quem não serve com amor não é digno de servir.

"O amor puro não busca causa nem fruto.

Se amo, porque me amam, tem o amor causa.

Se amo, para que me amem, tem fruto.

O amor puro não há de ter porquê nem para quê.

Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo.

Se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo.

Pois como há de amar o amor para ser puro? 

Amo, porque amo, e amo para amar.

Quem ama porque o amam é agradecido.

Quem ama, para que o amem, é interesseiro.

Quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é puro."
(Cf Pe. António Vieira, Sermões)

 

Servo inútil ou indigno é aquele que serve (ama) por obrigação, por medo ou por interesse.

O verdadeiro servo é aquele que serve simplesmente porque ama.

E porque ama serve e porque serve ama.

 

Ver também:

Sem fins lucrativos

 

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Perfil dos presbíteros


2ª feira – XXXII semana comum

1ª leitura

Perfil dos presbíteros

Nesta leitura é apresentado o perfil do dirigente da comunidade ou ministro de Deus. Esses atributos ou qualidades mais do que referências à partida devem ser referências à chegada. Devem ser qualidades a alcançar, pois Deus nunca deixa de qualificar os escolhidos em vez de escolher os qualificados.

 

Evangelho

A fé, o grão de mostarda e a amoreira

Jesus ensina-nos que a nossa fé é aquilo que nos faz crescer e que nos leva mais além. Quando não nos sentimos a progredir é sinal de que não temos fé. Quando parece que estamos estacionados é sinal de falta de fé que nos impulsiona.

 

Ver também:

A nossa fé

 

domingo, 6 de novembro de 2022

Creio no Deus dos vivos


Ano C - XXXII domingo comum

 

Identificamos novembro como o mês dos mortos.

A liturgia deste domingo quer corrigir esta nossa linguagem.

Só um pessimista é que divide a família humana entre vivos e mortos.

Quem é otimista, quem crê no Deus dos vivos, diz que a humanidade se divide entre aqueles que vivem na Terra e aqueles que já vivem no Além.

De facto, nós acreditamos não num Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos.

Se todos, mesmo os mortos, estão vivos, uns cá e outros no além, então o que é que os que estão já no paraíso fazem?

Conta-se que numa paróquia do Brasil havia um homem chamado João Chinês que todos os domingos participava na eucaristia. Todos o conheciam porque depois de ter sido convertido por um missionário na China, tinha migrado para as terras da Vera Cruz.

Um dia, alguém para o provocar, perguntou-lhe o que ele vinha fazer à igreja todos os domingos.

- Venho preparar-me para ir para o paraíso.

- Já que te preparas para o paraíso, então já sabes qual é a primeira coisa que vás fazer quando lá chegares?

- Sim. Quando chegar ao Céu a primeira coisa que farei é correr por aquelas ruas de ouro e de luz, procurar o trono de Deus, ajoelhar-me diante dele para lhe agradecer tudo o que ele fez por mim, todos os seus dons.

- E depois disso, o que vás fazer?

- Vou correr à procura da Virgem Maria para lhe agradecer toda a proteção que ela me deu nesta vida.

- E depois disso que farás?

- Vou procurar entre os que vivem no céu, o missionário que me deu a conhecer a Jesus e me batizou, para lhe agradecer.

- E depois?

- Vou procurar e agradecer a todos os catequistas que me ajudaram a chegar ao céu.

E depois?

- Vou procurar todas as pessoas que me ajudaram, que me fizeram bem, para lhes agradecer.

- E depois?

E o João Chinês tinha sempre mais alguma pessoa a procurar no céu para lhe agradecer.

Por último disse:

- Por fim vou ver se te encontro a ti por lá para te agradecer esta conversa que estamos a ter agora.

E conta-se que a partir desse dia aquele homem procurou então dar muitos motivos ao João Chinês para que lhe agradecesse um dia lá no paraíso.

 

De facto, o que é fazem no céu todos os que morreram e lá vivem?

- Glorificam a Deus e agradecem aos santos, aos anjos e aos seus benfeitores, familiares e amigos.

O Evangelho de hoje diz que “aqueles que foram dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento…" só agradecem!

 

E nós?

Ao chegarmos ao além o que vamos fazer?

Vamos glorificar a Deus e agradecer a quem?

E já agora, quando lá estiver, haverá alguém que me vai procurar para me agradecer alguma coisa? Haverá algum motivo para isso?

 

À margem:

Porque é que se diz o Deus de Abraão, o Deus de Israel e o Deus de Isaac? Não são três deuses, mas para dizer que cada patriarca conheceu Deus de uma maneira própria, específica, pessoal. As experiências de Deus de uns podem ajudar os outros, mas cada um deve ter o seu caminho, a sua vivência.

Todos somos diferentes, Deus é o mesmo, nas as nossas experiências dele devem ser diferentes. 

 

Ver também:

Todos vivem

No céu não há inimigos