quinta-feira, 3 de novembro de 2022

As 99 ovelhas que ficaram


5ª feira – XXXI semana comum

Em geral os pregadores apontam as lições da ovelha perdida, que corresponde a apenas 1% e esquecem todas as outras (que no final de contas pesam o mesmo).

Hoje quero apontar as lições das 99 ovelhas que não se perderam.

Vamos então focar a nossa atenção não na centésima ovelha, a perdida, mas no número mais significativo, as 99 ovelhas.

Que lições podemos tirar desse grupo que se impõe?

 

1ª lição

As 99 ovelhas não se perderam, isto é, não deixaram o rebanho.

- Isto quer dizer que nós somos feitos para viver juntos:

Em rebanho

Em união

Em comunhão

 

2ª lição

As 99 ovelhas apesar de serem deixadas sozinhas no deserto suportaram as dificuldades ou obstáculos, não se revoltaram, mas continuaram obedientes.

- Isto quer dizer que somos feitos para ser santos:

Justos

Irrepreensíveis

Perfeitos como o nosso Pai Celeste

 

3ª lição

As 99 ovelhas já tinham tudo porque o Senhor era o seu pastor e nada lhes faltava e não precisavam de se meter em aventuras.

- Isto quer dizer que somos feitos para viver no paraíso:

Estar com Deus é estar no céu

Para nós Deus é tudo

Só Ele basta

 

Ver também:

A ovelha desobediente

 

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Fiéis aos nossos defuntos


Comemoração de todos os fiéis defuntos

 

A palavra DEFUNTO vem do latim De Functio (retirados da função) que indica precisamente aquele que deixou uma função. De facto, defunto é aquele que foi tirado da sua missão aqui na terra, foi liberto da função, obrigação ou missão.

Popularmente também se chama a este dia da comemoração de todos os fiéis defunto o dia de FINADOS. Não é por ser o fim da sua vida, mas por ser o fim da sua missão cá na terra, pois a partir de então continua a sua missão na eternidade.

Acreditamos que os nossos falecidos não foram enviados para longe de nós, mas para junto de Deus. Foram enviados antes de nós. A morte não ficou com eles, apenas os levou, pois a eternidade é que os recebeu.

Este dia é uma boa oportunidade para nós louvarmos a Deus pela missão que dá a cada um de nós e pela missão que continuaremos por toda a eternidade juntamente com os nossos falecidos.

1 – Onde encontrar os fiéis defuntos

É dia de rezar pelos defuntos.

É dia de saudade, visitando os cemitérios em memória dos nossos entes falecidos.

Procuramos encontrar os nossos familiares e amigos onde?

Vamos ao cemitério e aí tudo aponta para o alto.

Através da oração vamos até à eternidade.

Procuremos então encontrar os nossos defuntos onde eles realmente se encontram, isto é, na presença de Deus.

Quando o nosso irmão vivia ao nosso lado, víamos Deus no rosto desse irmão.

Já que o nosso irmão partiu para a eternidade, devemos procurá-lo junto de Deus (procurá-lo onde ele repousa, onde este está, no seio de Deus). E só podemos fazer isso através da nossa oração e da comunhão com Deus.

Procuremos então os nossos falecidos onde eles se encontram, no Coração de Deus.

 

2 – Como celebrar este dia de finados

Celebremos este dia na fé, na esperança e na caridade:

- Na fé naquele que disse – eu sou a ressurreição e a vida. Acreditamos em Deus, acreditamos na ressurreição e na vida eterna. Acreditar em Deus é acreditar a vida que ele nos deu e como supremo bem não acabará jamais.

- Na esperança – A nossa esperança não nos engana. Nós sabemos que os nossos falecidos vivem na presença de Deus e por isso um dia voltaremos a nos encontrar todos em Deus. É breve o tempo que vivemos aqui na terra em comparação com a eternidade que nos unirá a todos no céu. Pensemos sobretudo na eternidade e preparemo-nos para isso.

- Na caridade continuando a fazer o bem aos nossos irmãos falecidos e aceitando o bem que eles continuam a fazer por nós. Eles desde a eternidade intercedem a Deus as graças que nós precisamos. Nós aqui na terra rezamos juntamente com eles. Mas a nossa caridade é ainda mais prática. Continuemos a fazer o bem que esses nossos irmãos fizeram aqui na terra. Eles contam connosco para continuarem a sua caridade entre nós. Façamos o bem, por nós e pelos nossos defuntos.

 

3 – Do luto à luta

Luto é luta para vencer a dor da perda

Luto é luta para voltar à vida quotidiana

Luto é luta para criar alternativas

Luto é luta para esvaziar os olhos cheios de lágrimas

Luto é luta para vencer para ver o futuro com esperança

Luto é luta para passar da dor ao esforço

Luto é luta porque só quem partiu é que descansa em Deus. Por cá devemos continuar a lutar.

 

Ver também:

Aprender com os defuntos

 

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Podemos ser como eles


Solenidade de Todos os Santos

 

Hoje a Igreja peregrinante quer celebrar o seu destino, a Igreja triunfante.

É uma boa oportunidade para recordar a nossa vocação comum à santidade.

Recordamos todos os santos, os canonizados e os anónimos, ou seja, os santos canonizados são como que os santos profissionais enquanto todo os outros santos são como que os santos amadores.

Na imagem de todos os santos no Reino dos Céus podemos ver dois espaços vazios.

Quem estar a faltar aí?

Eu e tu.

Se eles conseguiram, porque não eu e tu também?

Os santos dizem-nos:

- Nós somos como tu. Tu podes ser como nós.

E nós devemos dizer aos santos:

- Vós fostes pessoas como nós. Nós podemos ser como vós.

 

Deus criou-nos para sermos santos e felizes. O seu projeto é que realizemos essa vocação de santidade e de felicidade.

Quando alguém não é feliz ou não é santo, está a fazer gorar ou frustrar o projeto de Deus.

 

Ver também:

Todos os santos de Deus

Felizes ou bem-aventurados

 

domingo, 30 de outubro de 2022

À mesa com os pecadores


Ano C – XXXI domingo comum

Porque é que Jesus ia sentar-se à mesa com os pecadores?

Resposta dos Fariseus:

- Jesus senta-se à mesa com os pecadores porque é da mesma laia que eles.


Resposta dos Doutores da Lei:

- Jesus senta-se à mesa com os pecadores porque não é Mestre, porque se fosse Mestre de verdade saberia de que raça é aquela gente.

 

Resposta dos invejosos?

- Jesus senta-se à mesa com os pecadores porque é um glutão, ébrio e folgazão.


Resposta do próprio Jesus:

- Sento-me à mesa com os pecadores porque eu vim salvar o que estava perdido.

 

Resposta de hoje em dia:

- Jesus sentava-se à mesa com os pecadores para que nós pecadores não tenhamos medo de hoje nos sentarmos à mesa com Ele.

 

Ver também:

Zaqueu, o baixinho

 

sábado, 29 de outubro de 2022

Patrono JMJLisboa2023 (2)


Memória de Chiara Badano

A jovem Chiara Badano nasceu no norte da Itália, a 29 de outubro de 1971, data escolhida para a sua memória litúrgica.

Era simples, humilde e hospitaleira. Fazia parte do Movimento dos Focolares.

Aos 16 anos, quando jogava Ténis, sentiu-se mal. Foi-lhe detetado um cancro ósseo muito agressivo que a levou à morte a 07 de outubro de 1990, duas semanas antes de completar 19 anos.

Ao despedir-se da mãe prometeu:

- Mãe, não chores. Havemos de nos encontrar de novo no paraíso.

Foi escolhida como um dos patronos da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023.

Foi jovem sem deixar de ser santa.

Foi Santa sem deixar de ser jovem.

Oração

Pai de imensa bondade,

que pelos méritos do vosso Filho e o dom do Espírito

tornastes ardente de amor a Bem-aventurada Chiara Badano,

transformai profundamente o nosso espírito

para que também nós, seguindo o seu exemplo,

consigamos realizar sempre com serena confiança

a vossa santa vontade.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

que é Deus e convosco vive e reina,

na unidade do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Ámen.

 

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Mais parecidos com quem


Festa dos Apóstolos Simão Zelota e Judas Tadeu

Tadeu era parecido com Iscariotes, pois tinha o mesmo nome Judas

Tadeu era parecido com Jesus, pois seguiu a mesma vida do Mestre.

 

Zelota era parecido com Pedro, pois tinha o mesmo nome Simão

Zelota era parecido com Jesus, pois revolucionou a sua vida ao estilo de Jesus.

 

E nós, com quem somos mais parecidos?

Uma árvore cai para que lado?

Cai para o lado para onde está mais inclinada.

Então, nós para onde estamos mais inclinados?

Para o lado do bem ou para o lado do mal, para Deus ou para o mundo?

Com quem somos mais parecidos? Com as pessoas do bem ou com as pessoas do mal, com as pessoas deste mundo ou com as pessoas divinas?

 

Ver também:

Apóstolos a postos

 

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Pior que mal acompanhado


5ª feira da XXX semana comum

No trecho do Evangelho de hoje Jesus mostra pena dos pintainhos.

Porquê?

Porque a raposa estava por perto?

Não.

Porque a galinha-mãe não os protegia como devia?

Não.

Jesus tem pena dos pintainhos por causa deles mesmos.

O mal ou o perigo está neles e só neles. O seu mal é a falta de vontade, é não quererem ajuda ou proteção.

O mal está em não querer ficar por baixo, mas por cima…

 

A primeira leitura falava da armadura de combate contra os adversários.

O salmo lembrava que Deus ajuda no combate e adestra as mãos para a luta.

No Evangelho Jesus lamenta a recusa de ajuda.

Quer isto dizer que o nosso principal inimigo não está fora, mas somos nós mesmos.

A nossa falta de vontade ou de querer faz de nós mesmos o nosso maior mal ou o nosso maior inimigo.


Com Santa Teresa de Ávila podemos rezar: Livrai-me Senhor, de mim mesma.

 

Há um ditado popular que diz – Mais vale só que mal acompanhado.

Isto é uma grande asneira.

Quando alguém está só, está sempre mal acompanhado, porque está acompanhado pelo seu principal inimigo que é si próprio.

 

Jesus tem pena de nós quando não queremos a sua companhia, quando nos isolamos e pensamos que sozinhos somos autossuficientes.

 

Rezemos uma vez mais como no Pai Nosso – Que a vontade de Deus seja a nossa vontade. Que o nosso querer coincida com o querer de Deus para que Jesus não nos diga: Quantas vezes eu quis… mas vós não quisestes…

 

Ver também:

A raposa, a galinha e os pintainhos

História de animais

O meu principal inimigo

Armadura de Deus

 

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Porque ninguém se salva


4ª feira – XXX semana comum

Alguém perguntou a Jesus:

- São poucos os que se salvam?

Jesus respondeu:

- Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.


Parece que pela primeira vez Jesus não respondeu a uma pergunta que lhe fizeram.

Ele não disse se eram poucos ou muitos os que se salvam.

Para não responder a verdade ele aconselhou a esforçar-se.

Qual é a verdade da resposta que ficou por dizer?

- São poucos os que se salvam?

- Ninguém.

- Então eu não me vou salvar?

- Não.

- O padre não se vai salvar?

- Não.

- Nem o Papa se vai salvar?

- Também não.

- Nem mesmo os santos se salvaram?

- Ninguém se salvou

- Então estamos todos perdidos?

- Não. Ninguém se salva a si mesmo. É Deus e só Ele quem salva. Tu não te salvas, tu serás salvo por Deus. E para seres salvo por Ele basta um pouco de esforço.

 

Conclusão:

Ninguém se salva a si mesmo.

Ninguém se salva sozinho.

Só Deus nos salva.

Só Ele é o Salvador.

Esforcemo-nos por merecê-lo.

 

Ver também:

A porta estreita da cruz

Esforçai-vos

 

terça-feira, 25 de outubro de 2022

As três medidas de farinha


3ª feira – XXX semana comum

 

O Reino de Deus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.

A pequena quantidade de fermento e a grande dimensão da farinha.

Uma medida de farinha corresponde a 13 litros.

Logo, três medidas representam algo à volta de 39 litros de farinha, ou 39 quilos de pão, que daria para saciar a fome a cerca de 400 pessoas. É muita massa. É um exagero, apesar de também no Génesis Abraão pediu que Sara amassasse três medidas de farinha para servir aos três personagens que passaram pela sua tenda.

Porquê esta quantidade exagerada?

Para realçar que o pequenino fermento não se intimida com a quantidade da massa. O desafio parece ser grande, mas é eficaz.

O invisível manifesta-se em resultados visíveis. O fermento fica invisível na grande quantidade da massa, mas todos podem ver o seu efeito. Da mesma forma o Reino de Deus, reconhecido no coração e na vida dos discípulos, ainda que pareça invisível ou pequenino no mundo de hoje, ele está agindo ativamente e mais cedo ou mais tarde os resultados visíveis manifestarão esse poder e essa presença.

Qual o significado destas três medidas de farinha?

Uns dizem que é a humanidade composta pelos gentios, pelos judeus e pelos discípulos que se transformarão todos em Reino de Deus.

Outros dizem que é o corpo, a alma e o coração de cada pessoa que deve crescer a partir do seu interior com a força de Deus.

Eu acho que é a Fé, a Esperança e a Caridade, que com a presença e o poder de Deus vai crescer invisivelmente a partir do interior de cada pessoa e irá manifestar-se visivelmente no exterior através dos seus efeitos.

 

Conclusão:

O fermento é a o poder e a presença de Deus no nosso interior que faz com que a nossa fé, esperança e caridade aumente, contagie tudo e todos e se manifeste visivelmente naquele somos e fazemos.

 

Ver também:

Fazer crescer

 

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Que fazer no dia do Senhor


2ª feira – XXX semana comum

O sábado era para os judeus o Dia do Senhor.

Tudo o que se podia fazer era para louvar o Senhor do dia.

Então depressa chegaram à conclusão que só se podia louvar o Senhor. Em dia de sábado o que se fazia para Deus era bom. Tudo o mais que se podia fazer não era bom…

Jesus em dia de sábado uma mulher encurvada vem recordar que quem faz o bem a Deus deve fazer o bem aos irmãos e fazer bem aos irmãos é louvar a Deus.

Por isso é preciso fazer o bem no dia do Senhor e louvar o Senhor do dia através do bem que fazemos aos irmãos.

Quem ama a Deus faz o bem aos seus filhos,

Glorificar a Deus Pai é fazer o bem aos nossos irmãos.

O mais importante deve ser o que se faz e não o quando se faz.

 

À margem

No trecho do Evangelho de hoje Jesus chama a atenção aqueles que davam maior importância ao dia (Sábado) em que se fazia o bem do que ao bem que era feito.

Esta página evangélica permanece atual…

Há dias pediram-me que chamasse a atenção às pessoas que na mesa da comunhão evitavam comungar das mãos dos leigos (ministros extraordinários da comunhão) fugindo para a fileira onde o sacerdote distribuía a sagrada comunhão. Elas davam maior importância às mãos que lhes ofereciam Nosso Senhor do que ao próprio Senhor que comungavam.

Estava eu a preparar um raspanete quando me lembrei que nesse mesmo dia eu tinha mostrado o meu desagrado ao ver um casal, casado apenas pelo civil, a fazer as leituras na missa. Afinal também eu estava a dar maior importância à pessoa que me proclamava a Palavra do que à própria Palavra de Deus.

De facto, o farisaísmo continua hoje… em mim e à minha volta.

 

Ver também:

Andar curvado

 

Rezando pelas Missões

 

Dia Mundial das Missões

 

No dia mundial das missões foi assim a oração universal feita pelo Grupo Missionário da paróquia:


O Senhor chama-nos a fazer MISSÃO. Rezemos para que a nossa missão seja cada vez mais comunitária e a nossa igreja seja ainda mais missionária.

M de Mundo (o globo)

Nós te pedimos, Senhor, a paz para o mundo inteiro. Olha pelos teus filhos que estão a sofrer neste momento, vítimas da guerra. Que haja mais humildade e amor entre todos os povos. Que em vez do mal prevaleça sempre o bem. Oremos irmãos.

I de Igreja (a Igreja do Cabouco)

Nós te pedimos, Senhor, que a igreja seja universal e aberta a todos. Que sejamos todos missionários e possamos servir a Igreja e todos os que precisam de ajuda. Que a igreja seja missionária através de cada um de nós. Oremos irmãos.

S de Serviço (as sandálias)

Nós te pedimos, Senhor, que renoves as nossas forças para que possamos sair de nós mesmos para servir os nossos irmãos. Ajuda-nos a ser missionários servindo quem se aproxima de nós e de quem nos devemos aproximar. Oremos irmãos.

S de Salvação (a cruz do Salvador)

Nós te pedimos, Senhor, que chegue a tua salvação até aos confins da terra. Na cruz de Cristo está toda a humanidade de todos os tempos. Que todos os homens contemplem a cruz de Cristo como sua esperança e salvação. Oremos irmãos.

A de Amor (coração)

Nós te pedimos, Senhor, que possamos amar uns aos outros como tu nos amaste a nós. Que o nosso coração seja semelhante ao teu, coração aberto, manso e humilde. Que nos amenos cada vez mais. Oremos irmãos

O de Oração (terço)

Nós te pedimos, Senhor, que escutes a nossa oração, hoje e sempre. Que ela se transforme numa corrente universal que nos una a todos os nossos irmãos. Que a nossa melhor oração seja o nosso amor a Deus e ao próximo. Oremos irmãos.

 

domingo, 23 de outubro de 2022

Quem não reza é orgulhoso


Ano C – XXX domingo comum

 

Quem é orgulhoso não reza

Quem não reza é orgulhoso

Na 1ª leitura diz-se que a Oração do humilde sobe até ao céu.

A oração do orgulhoso desce para a lama.

 

No Evangelho Jesus diz que rezar bem é rezar com humildade.

Só quem é humilde é capaz de se aproximar de Deus e deixar que Deus se aproxime de si.

Quanto mais eu, menos Deus.

 

Conclusão:

Não basta rezar sempre.

É preciso rezar bem.

Rezar sempre e bem é rezar com humildade.

 

Ver também:

O cumpridor orgulhoso e o pecador humilde

Rezar com humildade

 

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Um percurso de santidade


Memória do Beato Carlos de Áustria

Neste dia contemplemos 5 expressões do quotidiano de um santo ou da santidade na vida quotidiana.

 

1º - Retiro de preparação para o casamento

O casamento de Carlos com Zita ficou marcado para 21 de outubro de 1911 em Schwarzau, na casa de família dos Bourbon-Parma. Os noivos prepararam-se com afinco. Carlos fez um retiro com o Pe. Andlau, que mais tarde virá a testemunhar como ficou edificado pela sua franqueza de caráter, a simplicidade, a firmeza, a retidão e a seriedade com que encarava os seus novos deveres. Zita por seu lado, preparou-se também (CF Elizabeth Montfort, Carlos e Zita de Habsburgo itinerário espiritual de um casal, Edição Lucerna, 2022).

Preparando-se com um retiro para o casamento não esqueceu o principal…

 

2º - Primeiras e últimas palavras de uma união

Na manhã do dia do casamento Carlos disse a Zita: Agora, devemos ajudar-nos mutuamente a ir para o Céu.

Na manhã da sua morte disse: Amo-te infinitamente. Encontrar-nos-emos no Coração de Jesus.

Estas expressões constituem a dupla chave de ouro que abriram e encerraram o itinerário de um casal.

O amor conjugal é ícone do amor de Deus.

 

3º - Desejar boa noite com uma cruz na testa

Todas as noites ao despedir-se dos seus filhos antes de se retirarem para a cama Carlos de Áustria tinha o hábito de lhes fazer o sinal da cruz na testa como bênção. Herdou esse gesto da sua mãe Maria Josefa da Saxónia. De facto, era assim que ela lhe desejava as boas noites, quando criança, recitando também uma oração muito popular austríaca: Louvado seja Jesus Cristo! Para sempre seja louvado!

Os filhos são uma bênção de Deus para seus pais e estes uma bênção de Deus para os seus filhos. Deus abençoa os pais através dos filhos e abençoa os filhos através dos pais.

 

4º - Perder uma pátria para ganhar outra

O cardeal húngaro Jozsef Mindszenty, nas suas memórias, lembrava – quando estava bom tempo, eu olhava para o voo das andorinhas e dizia para comigo: elas chegam na primavera e partem no outono. O destino deu-lhes duas pátrias. Em vez disso, nós só temos uma e ficámos sem ela. Mas talvez não para sempre! Carlos perdeu-a para sempre, mas encontrou imediatamente uma outra, aquela que sempre tinha amado e desejado mais ardentemente – a pátria celeste.

É nessa pátria que podemos encontrar o Imperador. A Arquiduquesa Maria Teresa, numa das cartas que enviou à sua família, com a data de 6 de abril de 1921, escreveu: Zita procura o imperador no sítio onde ele deve repousar – no seio de Deus.

Perder é ganhar aos olhos de Deus, até mesmo uma pátria.

 

5º - Ao rei mártir

Nas exéquias o caixão do Imperador Carlos de Áustria estava coberto por um mar de flores. Uma das coroas tinha a seguinte inscrição em português – Ao rei mártir.

Sem dúvida, era o testemunho de um habitante da ilha.

Carlos de Áustria foi mártir da paz, foi mártir por ter sido submetido a tantas provas, foi mártir na totalidade da sua vida.

Foi mártir, mas foi feliz por ter oferecido o melhor de si mesmo a Deus.