quinta-feira, 8 de março de 2018

Endemoninhado e mudo



5ª feira – III semana da quaresma

Logo que o demónio saiu, o mudo falou.

Era um demónio mudo.
É o demónio da impureza e da desonestidade, isto é, todos os pecados contra o 6º e o 9º mandamento, as más ações, os maus olhares, os maus desejos, as malícias e a infidelidade matrimonial.
É demónio mudo porque os pecados da impureza são praticados na calada, no segredo ou no íntimo e porque são calados na confissão.
A malícia fecha-nos a boca, isto é, torna-nos mudos em relação a Deus, na oração e no testemunho. A oração torna-se difícil numa pessoa maliciosa, dominada pelo demónio mudo.
Além disso, torna-nos mudos porque não usamos da palavra para confessar e pedir perdão desses pecados.
Finalmente a malícia é demónio mudo porque nós mesmos não nos podemos corrigir, pois somos como cães mudos quando calamos a voz da nossa consciência.
Santo Agostinho dizia que, assim como a soberba povoou o inferno de anjos maus, a desonestidade e a malícia enche-o de homens.
E Santo Afonso acrescentava que todos os cristãos que são condenados, o são por cauda da malícia, ou pelo menos, nunca sem ela.
O Pe. António Vieira pregava que todo o pecado tem duas portas para entrar, e uma só para sair que é a confissão.
Pecar é abrir as portas ao demónio para que entre na alma. Pecar é emudecer, é calar. É abrir-lhe as portas para que entre e cerrar-lhe a porta para que não possa sair.
… Era um homem endemoninhado e mudo.
Endemoninhado porque abriu as portas do pecado; mudo porque fechou a porta da confissão.





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