quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Cana agitada pelo vento


5ª feira – III semana do advento

 

Que fostes ver ao deserto?

Uma cana agitada pelo vento?

João Baptista pode ser visto como um homem-cana.

Isso é bom ou é mau?

 

É mau se significa:

- alguém inconstante

- agitado

- oco

- vazio por dentro

- influenciável

- sem personalidade

- que se deixa levar pelas forças exteriores…

 

É bom se significa:

- alguém que verga, mas não quebra

- flexível

- que resiste às pressões

- que não para, pois está sempre em movimento

- que pode encher-se

- que é leve para ser levado, mas não cede

- que é humilde pois verga-se sem se subjugar

- que é capaz de beijar a terra e logo recompor-se, elevando-se para o céu

- que é exemplo de verticalidade.

 

Que São João Baptista nos ajude a descobrir a nossa grandeza na humildade e a nossa humildade na grandeza. Que saibamos tirar lições das fraquezas e reconhecer fragilidades nas vitórias.

Que o Espírito Santo seja o vento que agita a nossa vida!

 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

A resposta dos pobres

 

4ª feira – III semana do advento

- João Baptista mandou-nos perguntar se és Tu aquele que havia de vir ou devemos esperar outro?

Jesus disse:

- Ide contar o que os pobres, os cegos, os leprosos, os surdos estão a dizer… Eles é que dizem se eu sou ou não quem deviam esperar.

 

A resposta ou a pregação é dos pobres

Os pobres, os simples, os pequeninos, os últimos são os que mais falam de Deus.

E Deus fala mais através dos pobres do que dos ricos.

A melhor pregação vem dos pobres.

Prestemos atenção aos pobres porque Deus prefere falar-nos através deles.

Sejamos simples, humildes e pequeninos para que Deus possa falar aos outros através de nós.

 

 

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Santo, poeta, místico


Memória de São João da Cruz

presbítero e doutor da Igreja

1542-1591

Contagiado por Santa Teresa de Ávila, abraçou a reforma da Ordem dos Carmelitas.

É conhecido pela sua obra literária, poesia e itinerário espiritual da alma para Deus com os títulos: Subida do Monte Carmelo; Noite escura da alma (estas duas fazem parte de um todo, que ficou inacabado); Cântico espiritual e Chama viva de amor

 

É invocado como Patrono dos Místicos e Poetas (misticismo é a expressão mais íntima da comunicação ou união do homem com Deus ou da vida contemplativa).

Foi adotado também como Patrono da Rádio, pois, quando pregava, a sua voz chegava muito longe.

 

A vida de São João da Cruz não foi um voar sobre as nuvens da paz celeste, mas uma vida muito árdua, deveras prática e concreta.

Apesar de místico de elevada linguagem e contemplação, recorria-se de coisas simples e humildes para pregar. É o caso da passagem que citamos da sua obra Ditos de Luz e Amor:

O cabelo que se penteia a miúde estará liso e não haverá dificuldade em o pentear quantas vezes se quiser; e a alma que a miúde examina os seus pensamentos, palavras e ações, que são os seus cabelos, e faz todas as coisas por amor de Deus, terá o cabelo muito bem alisado… Principia-se a pentear o cabelo no alto da cabeça se o queremos  desembaraçar; todas as nossas obras hão de ser começadas no mais alto do amor de Deus, se queremos que sejam puras e claras.

 

Ver também:

A porta da Cruz

São João da Cruz e a Cruz de São João

São João da Cruz

O êxtase de São João da Cruz

 

domingo, 12 de dezembro de 2021

Esperando com alegria


Ano C – III domingo do advento

 

Tempo de advento, tempo de aprender a esperar

D – Esperar despertos, acordados, com os olhos abertos.

P – Esperar preparados, prevenidos, com as mãos e o coração abertos.

C – Esperar celebrando com alegria, em festa, com um sorriso aberto.

Cinco maneiras de manifestar, expressar ou partilhar a alegria:

- Cantando – através das palavras, da voz, porque não podemos ficar calados.

- Dançado – através de movimentos, dos gestos, obras ou ações, porque não podemos ficar parados.

- Sorrindo – contagiando os outros com o nosso sorriso de felicidade. Ou o sorriso é fonte de alegria ou a alegria é fonte de sorriso.

- Comemorando – Partilhando uma refeição ou bebemorando (fazendo um brinde).

- Brilhando – Enfeitando com muita luz, sobretudo com a luz interior.

Destas expressões qual é a que preciso investir mais para que a minha alegria seja completa?

 

A liturgia da alegria:

- Oração da Colecta – Celebrar com renovada alegria a solenidade que se aproxima.

- 1ª leitura – Alegria que é participação na alegria de Deus – Deus exulta de alegria por nossa causa.

- Salmo – Exultemos de alegria porque Deus é grande e poderoso.

- 2ª leitura – Alegrai-vos porque o Senhor está próximo.

- Evangelho – Que devemos fazer? Alegremo-nos por fazer a vontade de Deus.

 

Ver também:

Ser ou estar alegre

A fonte da alegria

O evangelho da alegria

Alegrai-vos

Gaudete

 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Crónica de um santo (4)


Crónica de um santo na Madeira

4ª semana – no meio do povo

Ao acompanharmos a vida de Carlos de Áustria podemos admirar o quotidiano de um santo e um santo no quotidiano.

Ele era acessível a todos, fazia compras como simples pai de família, comprava o jornal como cidadão comum, mas sem nunca perder a sua dignidade e estatuto. Tinha a humildade na grandeza e a grandeza na humildade.

Ele estava sempre tão perto de Deus sem nunca ficar longe do povo, e estava bem perto do povo sem nunca ficar longe de Deus.

Como ensinava São João Paulo II – é necessário que o heroico se torne quotidiano e o quotidiano se torne heroico. Podemos confirmar isto na vida do Beato Carlos.

 

10 de dezembro de 1921 – sábado

 

11 de dezembro de 1921 – domingo

Terceiro Domingo do Advento.

 

12 de dezembro de 1921 – segunda-feira

Nas ruas do Funchal o povo cruzava-se com uma Imperatriz que ia pessoalmente às lojas, e com um Imperador que comprava o jornal no quiosque da esquina. Os madeirenses conheciam bem o lamentável destino do soberano, e amavam-no sinceramente. Todos lhe tiravam o chapéu, e ele correspondia com um sorriso triste.

 

13 de dezembro de 1921 – terça-feira

Várias vezes durante o dia o Imperador costumava dizer: “Preciso ir ver se a lamparina do altar ainda está a arder.” Quando dizia isso, todos sabiam que ficaria afastado por algum tempo, rezando de joelhos diante do Santíssimo Sacramento.

 

14 de dezembro de 1921 – quarta-feira

 

15 de dezembro de 1921 – quinta-feira

O Imperador passava grande parte da noite na presença do Santíssimo Sacramento, conservado no oratório da sua casa e, por mais urgentes que fossem, jamais resolvia assuntos importantes, sem antes estar junto ao Santíssimo Sacramento.

 

16 de dezembro de 1921 – sexta-feira

 

 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Remar contra a corrente


5ª feira – II semana do advento

São os violentos que se apoderam do Reino dos Céus.

De facto, para chegar ao Céu é preciso esforço, agressividade, combatividade, força de vontade.

- Se queres encontrar a nascente tens que subir contra a corrente.

- A grande luta não deve ser lutar para ter o que queremos, mas sim para querer o que nós já temos, o que Deus nos deu. Lutar para fazer a vontade de Deus e não a nossa própria vontade.

Não basta força de vontade, é preciso humildade.

Não basta humildade, é preciso força de vontade.

 

Ver também:

De mãos dadas com Deus

Ternura e coragem

Violentos

Deus é um pai babado

 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Um duplo sim


Solenidade

Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

Padroeira Principal de Portugal

Celebramos o SIM de Deus aos Homem e o SIM do Homem a Deus.

É um sim humano e divino, no tempo e na eternidade, na terra e no céu.

 

Ver também:

O nome mais bonito

Padroeira de Portugal

Imaculada

Sermão infantil

Perfeita no amor

Se digo Ave Maria

Alguém perfeito

 

Deus obedece a São José


Termina hoje o ano dedicado a São José, celebrando os 150 anos da sua escolha como Patrono da Igreja Universal.

Termina a efeméride, mas deve continuar a nossa devoção e intercessão àquele que tudo pode no céu:

Na terra todos os homens têm a obrigação de obedecer a Deus.

Mas há alguém na terra a quem Deus teve a obrigação de obedecer – São José.

No céu os anjos e os santos obedecem a Deus.

Na eternidade é Deus que obedece a São José.

Por isso não nos cansemos de pedir as graças que esperamos alcançar de Deus.

 


segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Eu sou muitos


2ª feira – II semana de advento

Por causa da fé de outrem, um paralítico ficou curado.

À primeira vista parece que os outros impediam o paralítico aproximar-se de Jesus, porque era grande a multidão à sua volta.

Então os que levavam o paralítico no seu catre, subiram ao terraço e através das telhas, desceram-no deixando-o no meio da assistência, diante de Jesus.

Ao ver a fé daquela gente, Jesus salvou-o.

Depois disse: Levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa, para junto dos teus.

 

Nós também nunca vamos sozinhos até Jesus.

Precisamos de alguém que nos acompanhe e nos leve até Ele.

Precisamos da comunidade, mas cada um tem de fazer o seu próprio percurso.

Aquilo que somos devemos a muitos.

E Jesus devolve-nos diferentes enviando-nos à nossa casa para fazermos aos outros o que eles nos fizeram a nós.

Precisamos uns dos outros para nos aproximarmos de Jesus, mas só Ele nos pode perdoar e curar.

 

Ver também:

O antes e o depois

Lições de um paralítico

A minha enxerga

A fé daquela gente

O paralítico

Quatro amigos

Todos os caminhos

Ponto de encontro

Êxito plural

Descer

 

domingo, 5 de dezembro de 2021

Preparados e prevenidos


Ano C – II domingo Advento

 

Advento é tempo de aprender a esperar a vinda de Jesus.

I Domingo – esperar despertos ou acordados, com os olhos bem abertos.

II Domingo – esperar preparados e prevenidos, de braços e coração abertos.

Quando se espera alguém não o fazemos de braços cruzados, nem com as mãos atrás das costas ou nos bolsos. Vamos sim ao encontro de alguém de braços abertos para o recebermos.

É preciso aprender a abrir as mãos e o coração para acolher Jesus.

A lição da rosa e do repolho:

Nesta preparação, com quem nos identificamos?

Com uma rosa ou com um repolho?

Qual a principal diferença entre eles?

Não é o facto de um nascer no jardim e o outro na horta pois pode haver flores na horta e couves no jardim

Não é o facto de um servir para enfeitar e o outro para comer, pois há quem coma flores e enfeite com hortaliças.

Não é o facto de um ser de várias cores e o outro verde, pois há repolhos com outras cores.

Não é o facto de um ter espinhos e o outro não ter, porque os dois afastam ou pelos espinhos ou pelo mau-cheiro.

Então qual é a principal diferença entre os dois?

É que o repolho nasce aberto e vai-se fechando.

E a rosa nasce fechada e vai-se abrindo.

De facto, nós identificamo-nos mais com a rosa que com o tempo, com a idade, com a educação e a santificação vamos abrindo cada vez mais o nosso coração e as nossas mãos.

O ser humano nasce chorando e de mão fechada, para aprender no resto da vida a sorrir e a abrir as mãos e o coração.

Preparar o caminho do Senhor, é ficar de braços abertos para acolher…

Sejamos rosas que com a maturação se vão abrindo e enfeitando o caminho, mesmo com espinhos, com o perfume e as cores da alegria.

 

Ver também:

Preparando o caminho

Preparai-vos

Preparai

Imperativos

GPS

Abri o coração

O caminho de Deus

Preparar-se

 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Viagem marcada

“Só no dia 3 de dezembro (de 1946) tive na mão o passaporte com os vistos de passagem pela Espanha e de entrada em Portugal. (O meu passaporte foi concedido ‘in nome de Sua Majestà Umberto II re d'Ítalia’ então no poder. Tem a data de '8 Giu. 1946').

De Roma parti para Génova, onde fui hóspede do meu antigo educador e professor, Pe. Alfonso Franceschetti, então capelão da Stella Maria.

Com a ajuda deste padre, fui procurar uma passagem marítima para mim e para o Pe. Canova. Encontrámo-la numa Agência da Companhia A. Costa, para viajar num navio espanhol que partiria nos fins de dezembro. Os bilhetes de passagem deveriam ser diferentes: para o Pe. Canova, até Barcelona; para mim, até Lisboa com a bagagem toda.

- Porquê, se ambos vão para Lisboa? – perguntaram-nos.

- É que só eu vou acompanhar as bagagens até Lisboa e o meu companheiro irá de Barcelona para Lisboa via Madrid.

- E a bagagem dele?

- Eu é que a acompanho até Lisboa.

- Mas isso é pouco ortodoxo…

Interveio então o Pe. Franceschetti, bem conhecido no ambiente marítimo. A dificuldade ficou esquecida e a passagem marcada. E ainda bem, pois seríamos também portadores das bagagens dos missionários que já tinham partido para Lisboa de avião.

A questão era que o dinheiro era pouco naquele tempo e… precisava poupar!

Marcada a passagem, fiz uma visita ao Noviciado de Albissola e daí voltei a Roma para despedir-me do Superior Geral, Pe. G. Govaart, e em meados de dezembro voltei a Bolonha para fazer o mesmo com o Superior Provincial e Confrades do Studentato Missioni e para preparar as últimas coisas. Subi à minha terra para uma derradeira visita de despedida à família e, no dia 19 de dezembro, descia no comboio de Milão para Génova, com armas e bagagens.” (CF. Memórias do Pe. Ângelo Colombo)


Conclusão: 

Mesmo antes de chegarem a Portugal já tinham aprendido a poupar!

 

Crónica de um santo (3)


Crónica de um santo na Madeira

3ª semana – Devoção mariana

O Beato Carlos fez jus ao seu nome, pois manifestou ao longo de toda a vida um grande amor a Maria, mãe de Jesus e mãe da Igreja. De facto, na lista dos nomes do seu batismo, segundo a tradição real, consta o nome Maria. O Imperador estava sempre com Maria e sentia que ela estava sempre com ele.

 

03 de dezembro de 1921 – sábado

Os Imperadores passearam pela baixa do Funchal, fazendo compras e tiraram fotos no atelier dos Perestrelos.

Era o primeiro sábado do mês, dia dedicado ao Imaculado Coração de Maria.

 

04 de dezembro de 1921 – domingo

Segundo Domingo do Advento

 

05 de dezembro de 1921 – segunda-feira

Os Imperadores ofereceram um jantar ao Governador Civil e ao Administrador do Concelho do Funchal.

 

06 de dezembro de 1921 – terça-feira

No trato quotidiano com o Imperador, recordava o Cónego António Homem de Gouveia, o que mais admirava “era a fé extraordinária, prática, subordinando todos os seus atos à vontade de Deus, suportando com a máxima resignação todos os revezes e contrariedades, jamais tendo uma única palavra contra os seus inimigos, procurando, pelo contrário, desculpá-los, dizendo que eram instrumentos da Divina Providência.

 

07 de dezembro de 1921 – quarta-feira

 

08 de dezembro de 1921 – quinta-feira

Dia Santo de Guarda.

Carlos e Zita participaram na missa da Solenidade da Padroeira de Portugal, Nossa Senhora da Conceição, na sé do Funchal.

 

09 de dezembro de 1921 – sexta-feira

A Imperatriz Zita obteve o passaporte, emitido pelo Governo Civil do Funchal, sob o nome de Condessa de Lusace, um dos seus títulos, para ir à Suíça acompanhar a operação de apendicite do seu filho Roberto.

 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

A igreja sobre a rocha


5ª feira – I semana do advento

A casa construída sobre a rocha já existe; trata-se de entrar nela! É a Igreja. Não, evidentemente, a que está feita à base de tijolos, mas a formada pelas pedras vivas que são os crentes, edificados na pedra angular que é Cristo Jesus. A casa na rocha é aquela da qual Jesus falava quando dizia a Simão: Tu és Pedro e sobre esta pedra (literalmente rocha) edificarei a minha Igreja (Mt 16, 18). Podem cair muitas tempestades sobre a igreja… mas ela continuará firme porque tem Deus como fundamento.

Fundar a própria vida sobre a rocha significa, portanto, viver na Igreja; não ficar fora só apontando o dedo contra as incoerências e os defeitos dos homens de Igreja. Do dilúvio universal se salvou só quem havia entrado com Noé na arca; do dilúvio do tempo, que tudo engole, só se salva quem entra na arca nova que é a Igreja (cf. 1 P 3, 20).

 

Ver também:

Casa sobre a areia

Gravar sobre a rocha

Areia ou rocha

Sobre a rocha

Construção civil

A diferença está onde

Palhacinho, Paulinho, Pedrinho

 

Preparação da viagem

Preparando a viagem para Portugal, 

jardim da Europa à beira-mar plantado

 

“No mês de dezembro (de 1946), o Pe. Colombo encarregou-me de obter das várias Congregações Religiosas de Bolonha, cartas de apresentação para as casas correspondentes em Barcelona e Portugal.

As duas Congregações escolhidas foram os Salesianos e as Doroteias.

Aos primeiros fui pedir especialmente uma carta para Barcelona; mas, na minha ignorância geográfica confundi Barcelona com Lisboa (ou confusão de palavras Barcelona/Lisbona). Para me corrigir, pedi para as duas cidades. Cartas aliás, que nos serviram imenso.

Às Doroteias pedi para Lisboa.

Um nosso padre de Bolonha fora capelão das Doroteias durante os tristes anos da guerra. A casa delas foi bombardeada e o capelão ajudou muito as Irmãs seja para salvaguardar as Espécies Eucarísticas, seja para dar um pouco de calma durante os bombardeamentos. Entre as Irmãs havia também uma portuguesa que, reconhecidamente, escreveu uma carta para a Superiora do Colégio do Lumiar com todos os elogios e recomendações possíveis para que nos tratasse bem. Ao entregar-me a carta, a saudosa portuguesinha não se coibiu de me dizer que Portugal era uma terra muito bonita: Um jardim à beira-mar plantado. Admirei o espírito poético da Irmã, não sabendo eu de quem era aquele verso.” (CF. Memórias pessoais do Pe. Gastão Canova, SCJ)

 

Nota:

Jardim da Europa à beira-mar plantado” é um verso da autoria de Tomás Ribeiro (1831-1901), incluído no poema “A Portugal”, que abre o seu livro D. Jaime, publicado em 1862. Este poema, constituído por 15 oitavas, dá o mote do livro no seu acentuado pendor nacionalista:

Jardim da Europa à beira-mar plantado
de loiros e de acácias olorosas;
de fontes e de arroios serpeado,
rasgado por torrentes alterosas,
onde num cerro erguido e requeimado
se casam em festões jasmins e rosas;
balsa virente de eternal magia
onde as aves gorjeiam noite e dia.

 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Ladainha de São José

Em maio deste ano dedicado a São José foram atualizadas as ladainhas em honra de São José, aprovadas em 1909 pela Sé Apostólica.

Foram assim acrescentadas 7 novas invocações tiradas das intervenções dos Papas que refletiram sobre a figura do Padroeiro da Igreja Universal:
- Guarda do Redentor (São João Paulo II)
- Servo de Cristo (São Paulo VI)
- Ministro da salvação (São João Crisóstomo)
- Socorro nas dificuldades (Papa Francisco)
- Defensor dos exilados (Papa Francisco)
- Defensor dos aflitos (Papa Francisco)
- Defensor dos pobres (Papa Francisco)

 

Ladainha em honra de São José de acordo com o Prot. N. 133/21 da Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos sacramentos, de 01 de maio de 2021, partilhado pelo Secretariado Nacional de Liturgia:

 

Senhor, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos. Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos. Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai dos Céus, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.
São José, rogai por nós.
Ilustre descendente de David, rogai por nós.
Luz dos Patriarcas, rogai por nós.
Esposo da Mãe de Deus, rogai por nós.
Guarda do Redentor, rogai por nós.
Casto guarda da Virgem, rogai por nós.
Sustento do Filho de Deus, rogai por nós.
Zeloso defensor de Cristo, rogai por nós.
Servo de Cristo, rogai por nós.
Ministro da salvação, rogai por nós.
Chefe da Sagrada Família, rogai por nós.
José justíssimo, rogai por nós.
José castíssimo, rogai por nós.
José prudentíssimo, rogai por nós.
José fortíssimo, rogai por nós.
José obedientíssimo, rogai por nós.
José fidelíssimo, rogai por nós.
Espelho de paciência, rogai por nós.
Amante da pobreza, rogai por nós.
Modelo dos trabalhadores, rogai por nós.
Honra da vida de família, rogai por nós.
Guarda das virgens, rogai por nós.
Amparo das famílias, rogai por nós.
Socorro nas dificuldades rogai por nós.
Conforto dos infelizes, rogai por nós.
Esperança dos doentes, rogai por nós.
Defensor dos exilados, rogai por nós.
Defensor dos aflitos, rogai por nós.
Defensor dos pobres, rogai por nós.
Amparo dos moribundos, rogai por nós.
Terror dos demónios, rogai por nós.
Protetor da Santa Igreja, rogai por nós.


Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

V. Deus constituiu-o Senhor de sua casa
R. E príncipe de todos os seus bens.

Oremos.
Senhor nosso Deus, que, na vossa admirável providência, escolhestes São José para esposo da vossa Santíssima Mãe, concedei-nos que, venerando-o como protetor na terra, o tenhamos como intercessor no céu. Por Cristo nosso Senhor.

R. Ámen.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

À descoberta da Madeira


Foi assim há precisamente 75 anos:

“Num dia de novembro (de 1946), pelas quatro horas da tarde, o Provincial veio dizer-me:

- Pensei que tu fazias um jeitão lá na Madeira, na Escola de Artes e Ofícios… sabes de eletricidade….

O mais difícil foi dizer aos meus pais! Primeiro ao pai… depois à mãe!

- Onde é a Madeira?

A verdade é que eu não sabia bem onde estivesse esta Madeira.

Procurei no planisfério dependurado na sala de jantar. Havia lá no meio de tanta água; mas o sinal da ilha perdia-se entre outras letras e marcas.

- Está no meio do Oceano…

Ficaram na mesma.

Foi uma minha tia, grande devoradora de livros, que resolveu o problema e tornou a Madeira familiar em minha casa.

Encontrou um romance italiano que fala de “um dia na Madeira”.

O livro foi lido… estudado! Ilha maravilhosa, cheia de flores… clima ótimo. Meus pais ficaram um tanto aliviados.

Mais aliviados ficaram quando, uns dias depois, lhes pude apresentar o meu Superior: Pe. Ângelo Colombo.

Ficaram logo a gostar do homem.

- Confiamos-lhe o nosso filho – disse meu pai.

- É tão criança ainda – acrescentou minha mãe.

Eu era um rapaz de 25 anos, saído há meses do seminário, com os olhos fechados, apenas com um desejo grande de semear a Boa Nova aos pobres.

O Pe. Colombo, já com 2 anos de sacerdócio, uns tantos de Universidade, com o seu doutoramento, com uma experiência romana… e, especialmente, um padre com verticalidade e humanidade servidas por uma inteligência serena e clara, foi a pessoa escolhida pela Providência, capaz de responder ao desígnio que tinha sobre nós.

Passámos o último mês na azáfama da preparação da partida.

Pus-me a estudar também português. Empresa difícil!

Comprei a única gramática que havia no comércio naquele tempo: o Ragliavini. Começava, como é natural, pela pronúncia.

Desanimei!

Umas tantas maneiras de pronunciar o ‘e’, outras tantas de pronunciar ‘a’, meia dúzia de sibilantes e regras sem fim.

Estava mesmo para largar tudo da mão quando, mais adiante, encontrei um trecho em português que me encantou. Era a descrição da menina de olhos verdes de “As Viagens da Minha Terra”. À minha maneira, mas entendi tudo. Aquele trecho, reconciliou-me com a língua portuguesa para sempre!”

Isto foi há 75 anos, nas vésperas de partirem para Portugal e fixarem-se na Madeira!

 

(CF. Memórias pessoais do Pe. Gastão Canova)